O uso de “camisas negras” não é a única semelhança entre Mussolini e Bolsonaro

A Milícia Voluntária para a Segurança Nacional foi um grupo paramilitar da Itália fascista que mais tarde passou a ser uma organização militar. Devido a cor de seu uniforme, seus membros ficaram conhecidos como camisas negras (em italiano: camicie nere). Os camisas negras foram organizadas por Benito Mussolini como uma violenta ferramenta militar do seu movimento político.  Os fundadores foram intelectuais nacionalistas, ex-oficiais militares, membros especiais dos Arditi (Arditi foi o nome adotado pela tropa de assalto de elite do exército italiano na Primeira Guerra Mundial).  O nome deriva do verbo italiano Ardire (“ousar”) e traduzindo como “os mais ousados”, e jovens latifundiários que se opunham aos sindicatos de trabalhadores e camponeses do meio rural. 

Os métodos dos camisas negras se tornaram cada vez mais violentos a medida que o poder de Mussolini aumentava, e usaram da violência, intimidação e assassinatos contra opositores políticos e sociais.  Além disso, entre seus componentes, que formavam um grupo muito heterogêneo, incluíam-se criminosos e oportunistas em busca da fortuna fácil.  O trágico fin de Mussolini que foi enforcado ao final da Segunda Guerra Mundial fez com os que os camisas negras também sofressem uma dura perseguição pelos vencedores do conflito, processo que os fez entrar no armário por muitas décadas, tendo reaparecido com muita força nos últimos anos.

Pois bem, se nos movermos para o Brasil dos dias de hoje, estamos vendo não apenas apoiadores de Jair Bolsonaro usando camisas de cor preta mostrando sua face, mas também os mesmos métodos de uso da violência, intimidação e assassinatos contra quem ousa discordar nas ruas da mensagem que circula nos grupos fechados do Whatsapp e do Facebook. E, sim, a defesa da militarização da escola pública como foi feito na Itália fascista (ver imagem abaixo de crianças italianas sendo treinadas no uso de armas!).

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Esses métodos emprestados do fascismo de Mussolini é que levaram o roqueiro inglês a colocar Jair Bolsonaro no crescente grupo de líderes com tinturas fascistas que estão tomando de assalto vários países do mundo, a começar pelos Estados Unidos da América.

Quanto mais cedo os ativistas que Jair Bolsonaro disse querer “erradicar do Brasil” acordarem para essa linha de continuidade entre camisas negras de ontem e de hoje, melhor. Não é mais possível continuar a ação política como se não houvesse uma força política organizada que está usando métodos de violência para se impor. É fundamental que se adotem mecanismos de auto proteção individual e coletiva, principalmente por partidos políticos (por exemplo, o PSOL) e movimentos sociais que se tornarão alvos inevitáveis caso o Bolsonarismo não seja derrotado nas urnas. Como ocorreu na Itália, os casos de violência atuais são apenas a primeira onda de um imenso vagalhão que deverá ocorrer no Brasil para que os ideais dos camisas negras tupiniquins sejam alcançados.

A hora para os militantes que defendem os interesses da classe trabalhadora no Brasil é muito grave, e quanto mais cedo eles entenderem isso melhor.

8 comentários sobre “O uso de “camisas negras” não é a única semelhança entre Mussolini e Bolsonaro

  1. Estou admirado com sua hipocrisia e má fé, se aproveitando da ignorância das pessoas, se conhece tão bem assim o facismo deve saber que ele é de esquerda e antiliberal, totalmente o oposto do presidente Bolsonaro, os camicie nere eram organizados e comandados pelo próprio Mussolini, o militantes brasileiros organizados hoje só existem nos partidos de esquerda e vestem vermelho. MTST, CUT, etc. Imagina eles armados.

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    • Havok, você deve brincando sobre a questão do fascismo ser de esquerda e antilberal. Você deve ser daqueles que acreditam que os nazistas também eram esquerdistas. Sobre o resto de suas observações, vou deixar que o tempo responda por mim.

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      • Essa postagem é de 2018, uma previsão perfeita e com requinte de detalhes do que está ocorrendo hoje (02/06/2020). Quem é hipócrita e tem má fé?

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  2. Você “esqueceu” de dizer que, a diferença de Bolsonaro, as crianças italianas recebiam doutrinamento fora da escola, em organizações especialmente criadas para isso. Igual fazem os comunistas, tomo como exemplo Cuba com a sua organização de Pioneros, à qual as crianças são obrigadas a aderir, sob pena de serem consideradas parias sociais… Alguma crítica sobre isso? https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_Pioneiros

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    • Com certeza você deve estar acompanhando os esforços do governo federal e de vários governos estaduais de impor um modelo militarizado de escolas para os pobres, sem que haja qualquer segredo de que se pretende impor em termos de ideologia para as crianças. Sobre os casos italianos e cubanos, qual é mesmo o ponto? Que a Itália fascista era mais democrática do que a Cuba socialista?

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  3. QUE IMBECIL.. PERDERAM E NÃO ACEITAM.. E VÃO PERDER DE NOVO NESTE ANO… CLARO QUE ISTO VC NÃO PUBLICA… BOLSONARO É O CARA DO DIREITO E DO CORRETO E VCS SÃO MEROS RESTOS DE NADA X NADA.

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    • Primeiro, as letras em caixa alta só mostram a sua indisposição para o diálogo. Mas o meu texto é de outubro de 2018 e o que aconteceu desde então só mostra que havia muito mais em termos práticas o uso de camisas negras não é realmente a única semelhança entre Mussolini e Bolsonaro. E realmente, o esquema de propina no MEC mostraram do que é feito o atual governo.

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