O relatório climático dos EUA sinaliza tempos difíceis para o chanceler que nega as mudanças climáticas

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A mídia internacional está dando amplo espaço ao relatório liberado na última 6a. feira pela comunidade científica estadunidense [1] dando conta das consequências drásticas que as mudanças climáticas terão sobre os EUA [2,3,4 e 5].

Essa repercussão é esperada, pois o chamado “National Climate Assessment” traz previsões gravíssimas para o funcionamento da economia e para os habitantes dos EUA, ainda principal motor da economia mundial.  Além disso, como o grupo de cientistas envolvidos na produção do relatório reúne alguns dos principais experts mundiais em cada uma das áreas analisadas como sendo impactadas pelas mudanças climáticas, o peso do que está sendo previsto ganha quase o selo de uma chancela oficial da comunidade científica mundial ao que está lá posto.

Como o presidente Donald Trump irá responder ao relatório não chega a ser importante, pois ele certamente continuará com sua postura negacionista em relação às mudanças climáticas. Importante será a resposta de governos estaduais e municipais por todos os EUA que deverão aumentar as pressões pela adoção de formas de funcionamento da economia que reduzam as emissões dos gases poluentes e consumam menos água, um bem comum que estará gravemente ameaçado pelas mudanças climáticas que se confirmam a cada furacão que passa pelo território estadunidense.

 No caso do Brasil, onde o presidente eleito nomeou um ministro das relações exteriores que afirma que as mudanças climáticas são uma trama de comunistas, a reação da mídia corporativa foi a mais fria possível, e o relatório acabou sendo apresentado em matérias secundárias. Isto, contudo, não impedirá que as políticas de liberação do desmatamento e do uso intensivo de agrotóxicos (que entre outras coisas aumentará a contaminação das águas) sejam analisadas com lupa pelo resto do mundo. É que se os estadunidenses estão prevendo consequências drásticas decorrentes das mudanças climáticas, não será um chanceler negacionista que irá representar os interesses nacionais numa comunidade internacional cada vez mais pressionada pelas evidências científicas de que o clima da Terra está sendo modificado pelo funcionamento da economia.

Com isso, as políticas do “libera geral” do futuro governo federal estão em xeque mesmo antes de serem oficialmente iniciadas.  E, pior, com um chanceler que parece disposto a remar contra a maré das evidências cientificas. Isto, meus caros, não tem como dar certo.


[1] https://blogdopedlowski.com/2018/11/24/por-que-um-grave-aviso-climatico-foi-enterrado-numa-black-friday/

[2] https://www.nytimes.com/2018/11/23/climate/us-climate-report.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

[3] https://www.theguardian.com/environment/2018/nov/23/climate-change-america-us-government-report

[4] https://www.lemonde.fr/planete/article/2017/08/28/le-rechauffement-climatique-rend-l-est-des-etats-unis-extremement-vulnerable_5177466_3244.html

[5] https://www.tagesspiegel.de/politik/bericht-des-national-climate-assessment-us-behoerden-warnen-vor-schweren-schaeden-durch-klimawandel/23676748.html

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