O ministro da Educação e o jornalista “agente da KGB”: desmentindo e sendo desmentido

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Rafael Vélez Rodriguez, ministro da Educação, desmentiu e foi desmentido por Ancelmo Gois acerca da retirada de videos do site do Instituto Nacional de Educação de Surdos

Já abordei diversas vezes o papel distracionista que alguns ministros  parecem ter escolhido para si para poderem permitir que o núcleo “duro” do governo Bolsonaro (i.e., o ministro Paulo Guedes e todos os que operam para transformar o Brasil num espécie de neocolonia em pleno Século XXI). 

Um dos mais, digamos, pitorescos é o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que em um mês de governo já se envolveu em diversas escaramuças com o que parece acreditar ser um grupo de agentes do regime soviético de Stalin et caterva.

A última dessas escaramuças envolve o jornalista, colunista e blogueiro Ancelmo Gois que na última terça-feira (29/01) postou a informação de que sob ordens do Ministério e Educação e Cultura comandado por Vélez Rodriguez, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) teria tirado do ar vídeos da “TV Ines” que contavam a história de personagens como Karl Marx, Friedrich Engels, Marilena Chauí, Antonio Gramsci e Friedrich Nietzche.

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Aparentemente se sentindo ofendido pela informação divulgada por Ancelmo Gois, o ministro Vélez Rodriguez fez divulgar via um “comunicado oficial” do Ministério da Educação e Cultura (MEC) onde não só o desmente a nota publicada no “O GLOBO”, mas como lembra o passado “comunista” do jornalista como insinuouque a publicação (que ofereceria falsas informações) seguiria os métodos da extinta KGB (ver imagem abaixo).

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A veiculação dessa informação seria realmente devastadora para a credibilidade de Ancelmo Gois se não fosse por um simples e mero detalhe: o jornalista havia salvo imagens do site do Ines em 2 de janeiro de 2019 mostrando que os vídeos aludidos ainda estavam disponíveis para serem visualizados (ver imagens abaixo).

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Em outras palavras, o desmentido de Vélez-Rodriguez foi rapidamente desmentido pela equipe de Ancelmo Gois, e com provas materiais. Essa que seria apenas mais uma das trapalhadasdo ministro que foi indicado pelo “jack of all trades” Olavo de Carvalho, serve para revelar o tipo de mentalidade que guia o responsável por um dos ministérios mais importantes para o processo de desenvolvimento nacional. E essa mentalidade está presa no período da Guerra Fria onde tudo se movia pela lógica de que era preciso exterminar o “perigo vermelho”.

Mas por mais quixotescas que as manifestações de Vélez-Rodriguez possam parecer, há que se levá-la a sério. É que, como mostra uma matéria do jornal cearense “O ESTADO”, o ministro da Educação vem se reunindo com parlamentares que pretendem sugerir a inclusão de”obras” de  Olavo de Carvalho e de Carlos Alberto Brilhante Ustra como paradidáticos no Ensino Básico.  Se isto se confirmar em termos de ações práticas, as crianças brasileiras seriam inoculadas com ideias de um negacionista de heliocentrismo que vive recluso num montanha no leste dos EUA, e de um reconhecido torturador que morreu sem ser punido por seus crimes.

Some-se a tudo isso o fato de que a nota do MEC serviu para incitar a uma série de ataques a Ancelmo Gois na rede de blogs e páginas em redes sociais que apoiam as ideias do ministro Vélez Rodriguez e aquele que aparentemente o indicou para ocupar o cargo. Com isso se soma o sinistro elemento que é o de tentar coagir todas as informações que coloquem em xeque a retórica oficial, no melhor estilo do livro 1984 de George Orwell.

1984

Sejam bem vindos ao (nada) formidável mundo (nada) novo de Vélez-Rodriguez!

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