De Salvador Allende para Jair Bolsonaro: muito cuidado com suas escolhas!

 

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Presidente deposto por um golpe militar, Salvador Allende é lembrado a uma frase que diz que “a justiça é igual à serpente, pois só morde os descalços”.

Assistir ao cerco que está sendo imposto ao presidente Jair Bolsonaro, no que remonta a uma das mais rápidas frituras da história republicana no Brasil, não posso deixar de lembrar do finado presidente socialista do Chile, Salvador Allende, que foi assassinado resistindo ao golpe de estado de Augusto Pinochet em 11 de Setembro de 1973.

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Salvador Allende dando posse a Augusto Pinochet como comandante do Exército do Chile em 24 de Agosto de 1973. 

É que, como os historiadores contam, Salvador Allende tentou responder às pressões politicas que se faziam cair sobre ele, nomeando para comandante do exército o General Augusto Pinochet no dia 24 de Agosto como uma forma de apaziguar a situação.  Pois bem, como os livros de história mostram, Pinochet precisou apenas de 18 dias para derrubar Allende e impor uma das mais sanguinárias da história recente da América Latina. 

Agora, em pleno 2019, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu a proeza de ter mais militares em seu gabinete ministerial do que alguns generais que vestiram a faixa presidencial entre 1964 e 1988, provavelmente para se sentir mais seguro. 

O problema aqui é que, talvez sem contemplar o possível paralelo histórico, Jair Bolsonaro talvez esteja aumentando seu problemas para continuar segurando a faixa presidencial, e sem antecipar corretamente os passos que dá, seguindo a mesma trajetória que levou Salvador Allende ao cadafalso.

Aliás, falando em Chile e Augusto Pinochet, nunca é demais lembrar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um admirador confesso das políticas ultraneoliberais que o ditador chileno aplicou. Talvez esteja aí mais uma daquelas sinalizações de que Bolsonaro pode estar plantando em 11 de Setembro em sua vida. A questão agora é se ele consegue chegar até lá. No momento, os ventos conspiram (aliás, não só os ventos) contra Bolsonaro.

E antes que me perguntem, sou contrário a qualquer remoção de Jair Bolsonaro via outro golpe de estado light, como o que foi aplicado em Dilma Rousseff.. Não porque apoio suas ideias, mas sim porque imagino o estrago que isto causará numa ordem política.

É que a maioria das forças que parecem desejar um rápido afastamento de Bolsonaro da presidência não o fazem por motivos republicanos. Aliás, muito pelo contrário.

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