O presidente brasileiro Bolsonaro acusa as organizações ambientalistas de atear fogo na área de floresta tropical. Mas ele é responsável pelo desastre ambiental.
A extensão da destruição do “pulmão verde do mundo” está aumentando – a floresta está queimando em Iranduba, no estado brasileiro do Amazonas. Foto: DPA
Durante semanas, queimadas estão ocorrendo na floresta amazônica e em outras florestas do subcontinente sul-americano. No início da semana , São Paulo escureceu no meio do dia, enquanto a fumaça de 2.700 quilômetros se espalhava pela maior metrópole brasileira. A extensão da destruição do “pulmão verde do mundo” está aumentando e está se tornando mais visível: fotos de animais em pânico são postadas, mais de 1,5 milhões de tweets com a hashtag #PrayForAmazonas se reuniram nesta manhã na rede social Twitter.
A preocupação com a floresta amazônica, que está em chamas, é internacional. E o presidente de direita do Brasil, Bolsonaro, que gosta de interferir nos assuntos internos de outros países, lembrando à Noruega e À Alemanha que suas próprias florestas estão morrendo ou da cruel caça de baleias, de acordo com o lema “Olhe para isso!”, lentamente percebe que ele tem a mundo inteiro contra si. Bolsonaro só recebe apoio de uma pequena elite em seu próprio país, o setor agrícola, para o qual ele faz suas políticas anti-ambientais e determina que seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, aja de forma a viabilizar isso.
As ações de Bolsonaro incluem não apenas a liberação de áreas nativas protegidas para a extração de matérias-primas e o aumento de queimadas para conversão em pastagens. A autoridade ambiental Ibama, que até agora podia fiscalizar e destruir equipamentos pesados apreendidos com madeireiros e garimpeiros ilegais, foi privada de competências. E a “guerra” de Bolsonaro contra organizações não-governamentais de proteção ambiental continua.
Foi somente ontem (21/08) que Jair Bolsonaro alegou que os incêndios ilegais na Amazônia poderiam ter sido feitos por ONGs a fim de desacreditá-lo e a seu governo diante da comunidade mundial. Sem provas, é claro. E agora a Noruega e a Alemanha, as maiores financiadoras do Fundo Amazônia, que vem investindo em projetos de conservação florestal há anos, também anunciaram que vão cortar o financiamento em protesto contra essa política ambiental.
Mas acima de tudo, a pressão sobre o meio ambiente está crescendo, não o próprio Bolsonaro, que se esconde atrás das teorias da conspiração. Algo deve acontecer para fazer a diferença em seu governo ambientalmente hostil: a União Europeia (UE e, acima de tudo, o governo alemão deveria parar de importar produtos cuja produção está associada à derrubada da floresta tropical. Além disso, o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul teria de ser suspenso ou condicionado a uma atividade económica sustentável. Essa deve ser a única chance de salvar o que ainda pode ser salvo.
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Este artigo foi originalmente publicado em alemão pelo jornal “Die Tageszeitung” [Aqui!].