Novo arco do desmatamento: fronteira de destruição avança em 2019 na Amazônia

Levantamento do ISA encontrou 11 novos municípios que alavancaram a derrubada da floresta e que indicam novas zonas de pressão na floresta em 2019; veja íntegra do estudo

queimadas

Queimadas na Floresta Nacional do Jamanxim, em agosto de 2019, Novo Progresso, Pará. | Victor Moriyama – Greenpeace

Por Instituto Socioambiental

Uma nova geografia da destruição avança na Amazônia. Levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) aponta que 11 novos municípios alavancaram a derrubada na maior floresta tropical do planeta, expandindo a zona de destruição para o sudoeste e oeste do Pará, sul do Amazonas e oeste do Acre. O estudo do ISA se baseou nos dados do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 2008 a 2018, incluindo a estimativa do período entre agosto de 2018 e julho de 2019. Veja aqui a íntegra do estudo.

A expressão “arco do desmatamento” delimita uma região composta por 256 municípios em que a destruição se concentra historicamente e onde estão focadas políticas públicas de combate do Ministério do Meio Ambiente. É um território que vai do oeste do Maranhão e sul do Pará em direção a oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre. As rodovias Belém-Brasília e Cuiabá-Porto Velho iniciaram o desenho desse arco a partir da década de 1960. A região concentra aproximadamente 75% do desmatamento da Amazônia. O estudo também identificou 22 municípios que não constam nessa lista e configuram uma nova zona de expansão.

Na expansão da fronteira identificada pelo ISA, os vetores são as rodovias BR-163, BR-319 e BR-364 que, como flechas, irradiam a devastação para o interior da floresta amazônica. Enquanto isso, municípios da porção sul do arco do desmatamento, sobretudo no estado do Mato Grosso, e de ocupação mais antiga, tiveram queda na taxa. A notícia não é necessariamente boa: ela indica que a floresta nessa zona foi destruída quase completamente e que os desmatadores buscam novas áreas para derrubar.

Um problema grave é que desses 11 municípios, oito deles não estão relacionados na lista de municípios prioritários para o combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e, portanto, estão fora da alçada das políticas públicas que podem conter essas taxas. “É fundamental que o governo olhe para essas novas frentes de destruição, e estabeleça medidas também para essas áreas”, apontou Antonio Oviedo, pesquisador do ISA e um dos autores do estudo.

No Estado do Acre, destaca-se o município de Xapuru, ao longo da BR-317, Feijó e Tarauacá, ao longo da BR-364 e de Marcelândia e Peixoto de Azevedo e União do Sul, no Pará, ao longo da BR-163.

Outra frente é o estado de Roraima, cujas taxas de desmatamento bateram o recorde em 2019, com aumento de 216%, mostrando o avanço da fronteira ao norte da Amazônia. Quatro municípios (Cantá, Caracaraí, Iracema e Mucajaí) alavancaram o desmatamento na região.

Grandes desmatadores voltam à ativa

O estudo também identificou que um velho ator está de volta: o grande desmatador. Entre os anos de 2002 a 2012, quando houve queda da taxa de desmatamento, as áreas derrubadas se reduziram. O desmatamento passou a concentrar-se em pequenas áreas, ampliações de propriedades, uma espécie de “puxadinho” da propriedade rural. Mas, a partir de 2012, os grandes desmatamentos (acima de mil hectares) passaram a contribuir mais e os pequenos desmatamentos a contribuir menos no cômputo total. Isso nos mostra que o autor desse desmatamento não é alguém que está ampliando sua propriedade, fazendo um “puxadinho”, mas alguém com poder aquisitivo suficiente para abrir uma nova área de grandes dimensões.

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Este artigo foi inicialmente publicada pela ONG Instituto Socioambiental [Aqui!].

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