Qual é a grande surpresa? Roberto Alvim e sua paráfrase goebbeliana são fruto da permissividade geral em relação ao governo Bolsonaro

bolsonaro alvim

O mundo político brasileiro amanheceu hoje bastante agitado em função de um vídeo canhestro do senhor Roberto Alvim, convenhamos um ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros, onde, sob a desculpa de anunciar um programa de fomento às artes, nos moldes conservadores característicos do atual governo,  ele reproduz de praticamente literal uma frase famosa de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista (ver vídeo abaixo).

A citação em questão está no texto do livro “Joseph Goebbels, Uma Biografia”, de Peter Longerich, publicado no Brasil pela editora Objetiva (ver comparação entre o que falaram Alvim e Goebbels abaixo).

alvim goebbels

O tamanho do disparate cometido por Alvim é tão grande que até o seu mentor, o “Jack-of-all-trades da extrema-direita, o “filósofo” Olavo de Carvalho, já deu a entender em sua página na rede social Facebook que Roberto Alvim pode estar com alguns parafusos frouxos na cabeça. Convenhamos que vindo de Carvalho, essa não é uma crítica qualquer.

Mas diferente de muitos analistas que reagem indignados e pedem a cabeça de Roberto Alvim, eu fico me perguntando sobre a razão de tanta surpresa em relação à presença de um sujeito que bebe nas águas de um dos principais teóricos do Nazismo em um cargo de relativa relevância dentro do governo Bolsonaro. 

A verdade é que desde sua assunção ao poder em janeiro de 2019, o próprio presidente Jair Bolsonaro já deu dezenas de declarações que deveria ter um criado um clamor igual ou mesmo maior do que a que está se dando em relação ao “copia e cola” de Roberto Alvim do ideário de Joseph Goebbels.  Nessa retórica ficaram ainda mais evidentes o desrespeito aos povos indígenas, ao meio ambiente, aos direitos de minorias,  e por aí foi em um verdadeira procissão de declarações escabrosas, onde, não raramente, houve uma consequência em termos de ação de governo.

Mas o fato é que até agora a imensa maioria da mídia corporativa brasileira e até de segmentos que se pretendem de esquerda, as declarações de Jair Bolsonaro tem sido recebidas com certa mansidão que naturalizou boa parte do que ele disse.  A questão é que essa tolerância se deu por um acordo com a ação privatizante do seu governo, onde os grandes grupos de mídia tiveram muito a ganhar e já ganharam.

Então essa reação toda ao vídeo estapafúrdio de Roberto Albim pode ser caracterizada de várias formas onde podemos incluir tardía e hipócrita entre as maiores relevantes. Assim, quem tiver ganas de se insurgir contra Roberto Alvim e sua afetuosa relação com o pensamento Goebbeliano, vai ter que bater ainda mais duro em que o nomeou para estar onde está, e fazendo o que faz. Do contrário, teremos apenas mais uma troca de cadeiras em um governo onde isso é comum, mas sem que se mexe na raiz do problema que vem a ser a própria natureza ideológica do governo Bolsonaro e suas consequências materiais para a ação do Estado brasileiro. 

Desta forma, se pelo menos o caso de Roberto Alvim servir para que se cesse a permissividade em relação ao governo Bolsonaro, o ainda secretário especial da Cultura   terá prestado um serviço à saúde e vitalidade da democracia brasileira.  A sua já anunciada demissão do cargo que ocupou de forma breve é sinal que o governo Bolsonaro já percebeu a gravidade do problema. Resta saber agora se a dita oposição de esquerda e a sociedade civil brasileira irão começar a atacar o centro do problema, i.e., a própria natureza ideológica do governo Bolsonaro, ou se vão preferir, como faz a mídia corporativa, continuar a “passar o pano” enquanto passam o trator por cima de todos nós.

 

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