Ex-presidente da Colômbia afirma que o Brasil é um barco à deriva no meio da pandemia

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O ex-presidente da Colombia (1994-1998) e ex-secretário geral da União das Nações da América do Sul (UNASUR) entre 2014 e 2017, Ernesto Samper Pizano (e membro de uma das famílias mais ricas daquele país), caracterizou a situação do Brasil como “um barco à deriva” no meio da pandemia da COVID-19 por causa da atuação errática do presidente Jair Bolsonaro.

Samper lembrou em sua página oficial da rede social Twitter que quando a pandemia começou, Bolsonaro afirmou que a COVID-19 não passava de uma “gripezinha”, e que agora que o Brasil já passou das 5.000 mortes, o presidente do Brasil pergunta às famílias dos mortos o que querem que ele faça. Em função disso, Samper dispara uma sentença inclemente: o Brasil é um barco à deriva (ver imagem abaixo).

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Uma primeira observação sobre as afirmações do ex-presidente colombiano é que Samper está corretíssimo em sua caracterização da situação do Brasil no meio dessa pandemia. É que depois de sabotar as medidas de confinamento social, atacar os governadores e prefeitos que as adotando, e demitir o precário mas minimamente funcional Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro explicita a sua falta de contato com qualquer proposta de tratamento organizado das necessárias respostas ao agravamento da pandemia em território brasileiro.

A minha segunda observação se dá em relação ao papel que o Brasil não terá na liderança regional após a passagem da pandemia. É que tendo ignorado todas as medidas de contenção da crise sanitária e deixado a maioria dos seus trabalhadores ao mar, o governo Bolsonaro certamente enfrentará uma séria crise social ao final da pandemia, o que impedirá que ocupe qualquer papel relevante da reorganização da economia regional. E é esta a sinalização que as declarações do ex-presidente colombiano deixam claro.

Como um ocupante deste barco à deriva chamado Brasil, a minha expectativa é que as medidas que estão em curso a partir das comunidades mais afetadas e dos movimentos sociais em geral, possamos nos preparar para minimizar as perdas humanas que a pandemia causará, para depois nos defrontarmos com os responsáveis pela situação “à deriva” em que fomos deixados. Esse será um ajuste necessário, até para que tenhamos alguma possibilidade de reconstruir o Brasil no pós-pandemia.

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