No meio de uma pandemia, Rafael Diniz nos oferece um vislumbre da cidade a la Blade Runner

blade

Esqueçamos um pouco da realidade que nos cerca e nos imaginemos em que os governantes de uma cidade do futuro, acometida por uma pandemia letal, decidem dispensar centenas de trabalhadores responsáveis pelos estratégicos serviços de limpeza urbana.  Nesse cenário futurístico há ainda uma empresa que, por anos a fio recebeu milhões da moeda corrente, auferiu lucros impressionantes, e simplesmente opta pela decisão mais desumana que é colocar deixar seus trabalhadores sem nenhuma perspectiva de emprego já que detém o monopólio dos serviços que os governantes decidiram piorar em momento indevido,  mesmo se sabendo que o virus letal vai encontrar um ambiente ainda mais propício para se disseminar e matar ainda mais habitantes dessa cidade do futuro.

vital demissões

Trabalhadores demitidos pela Vital Engenharia Ambiental se aglomeram em condições inseguras no portão de entrada da empresa

O enredo acima parece surreal demais e desafiador do senso comum? Pode ser até que pareça, mas obviamente não se trata de um enredo original, pois segue exatamente o que acabam de fazer o jovem prefeito Rafael Diniz (que ironicamente pertence a um partido cujo nome é “Cidadania”) e a Vital Engenharia Ambiental (o ambiental aqui também é igualmente irônico). Com isso, os serviços de limpeza que já estavam em condição aquém do necessário vão ser ainda mais precarizados, o que certamente contribuirá para o acúmulo de materiais em terrenos baldios, contribuindo para que epidemias mais recorrentes como a Dengue, a Zika e a Chikungunya encontrem um ambiente ainda mais favorável do que em anos anteriores.

O prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais alegam que isso está sendo feito porque as receitas municipais foram encurtadas pela pandemia do coronavírus, o que implica na demissão de centenas de trabalhadores que considero essenciais. A pergunta que certamente não será respondida é de por que não se corta em outros contratos e até no número de cargos comissionados. Por que justamente cortar os serviços de limpeza em um momento em que a rede pública de saúde já se encontra sob forte pressão, dado que se sabe que lixo espalhado pela cidade contribuirá para o agravamento de outras epidemias em um momento em que estamos submersos em uma pandemia?

Logo que a crise da COVID-19 se aproximou da cidade de Campos dos Goytacazes, eu disse que o jovem prefeito Rafael Diniz tinha diante de si uma dualidade: resgatar o seu governo e se manter como opção eleitoral viável ou afundar de vez no pântano em que ele mesmo se colocou ao implementar uma política de extermínio das políticas sociais herdadas de administrações anteriores. Com a decisão de rebaixar a qualidade dos serviços de limpeza e possibilitar a demissão de centenas de pais e mães de família, Rafael Diniz parece ter optado a afundar ainda mais no pântano que ele criou para si. 

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