A marcha dos CNPJs insensíveis até o STF: o risco é o tiro sair pela culatra

 

bolso empresáriosBolsonaro foi a pé do Palácio do Planalto para o encontro de última hora com o presidente do STF, Dias Toffoli, acompanhando de empresários e representantes da indústria. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Logo quando o Brasil beira os 9.000 mortos pela COVID-19, o presidente Jair Bolsonaro organizou na final da manhã desta 5a. feira (07/05) uma espécie de marcha dos CNPJs insensíveis (ver a lista completa dos participantes desta marcha, clique Aqui!) até o Supremo Tribunal Federal para demandar o fim do processo de isolamento social.

O principal argumento apresentado pelos porta-vozes dos empresários foi que o processo de quarentena, ainda que compreensível e justificado, estaria colocando a indústria brasileira em uma espécie de processo comatoso que poderá se transformar em morte, caso não haja um reaquecimento da demanda. Em função disso, os diletos líderes empresariais pediram que o presidente do STF não dificultasse a vigência de decretos que facilitem o reinício plena das atividades econômicas no Brasil, em que pese o fato de estarmos em um moment ode aceleração da curva de infecção do coronavírus.

Esse argumento é uma espécie de repaginamento do argumento do presidente Jair Bolsonaro de que “os brasileiros precisam e querem trabalhar”. O curioso é que o setor industrial brasileiro já vem em franca crise faz alguns anos, tendo perdido relevância na balança comercial brasileira, muita em função de uma política de desindustrialização adotada por seguidos governos.  Entretanto, até aqui, suas lideranças optaram por permanecer passivas frente ao projeto ultraneoliberal de Paulo Guedes.

Mas essa inovação discursiva traz um problema: o maior problema da indústria nacional, segundo declaram os presentes no STF, é que não há demanda, principalmente porque o poder de compra dos trabalhadores vem sendo seguidamente solapado na forma da retirada de direitos trabalhistas e precarização do trabalho. Assim, mesmo que se volte a produzir, não haverá quem compre a produção, a não ser que se mude as diretrizes neoliberais do governo Bolsonaro que aposta até aqui no favorecimento dos interesses do rentismo e na privatização de empresas estatais, fatores esses que acabam se misturando já que os bancos controlam as empresas que vem comprando as empresas estatais privatizadas.

Neste caso é que começa o que considera o dilema do presidente Jair Bolsonaro. Se ele continuar seguindo as orientações do dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes, haverá uma diminuição ainda maior do poder de compra dos trabalhadores e um aumento do controle internacional de setores estratégicos da economia nacional, sem que haja qualquer incentivo para uma expansão do consumo interno. 

Em um período que já era de profunda crise econômica mundial, e que foi agravada pela pandemia da COVID-19, a retomada do consumo só acontecerá com investimentos públicos em áreas chaves da produção industrial e do aparato logístico como parecem desejar os ministros militares que vivem se chocando com as diretrizes ultraneoliberais emanadas do Ministério da Fazenda. 

Já operando em um espécie de caminho estreito por causa da percepção de que mais atrapalha do que ajuda no combate e controle do coronavírus,  o presidente Jair Bolsonaro se vê ainda mais apertado após a sua capitulação ao chamado “Centrão” no Congresso Nacional. A questão é de como ele irá escapar da arapuca em que se meteu, e que pode ter subido alguns degraus de piora quando decidiu levar parte da nata do empresariado nacional em uma espécie de marcha dos insensíveis até o STF. 

Finalmente, como eu já escrevi em diferentes momentos, os setores das elites econômicas que decidiram abraçar o projeto político impulsionado pelo então candidato Jair Bolsonaro agora estão tendo suas caras insensíveis expostas para uma população que se encontra sobre forte tensão por causa do avanço no número de perdas humanas causadas pela pandemia da COVID-19.  Mas, agora, pode ser tarde para, pelo menos, fingir arrependimento.

Um pensamento sobre “A marcha dos CNPJs insensíveis até o STF: o risco é o tiro sair pela culatra

  1. Paulo Brites disse:

    Eu só queria saber para quem vão vender depois que todos os pobres morrem, porque rico não compra quinquilharias por aqui.
    Aliás so para lembrar muitos empresários tambérm apoiaram o golpe de 64. será que estão querendo um revival

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