Bolsonaro ignora dados do próprio governo e diz que queimadas na Amazônia são “uma mentira”

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Bolsonaro parece viver em um universo paralelo: pelo menos, esse é o tom da fala feita pelo presidente brasileiro durante a 2ª Cúpula Presidencial do Pacto de Letícia pela Amazônia, realizado ontem (11/8) por videoconferência. De acordo com Bolsonaro, “não há nenhum foco de incêndio, nem um quarto de hectare desmatado” na Floresta. “É uma mentira essa história de que a Amazônia arde em fogo”, disse o presidente. “Sabemos o quanto somos criticados de maneira injusta por muitos países. Nós, com perseverança, com determinação e com verdade, devemos insistir”.

Se a verdade for uma aliada de Bolsonaro nessa tarefa, ela não depõe em seu favor. Como o próprio governo reconhece, o desmatamento na Amazônia cresceu mais de 34% nos últimos 12 meses. O ritmo de desmate em julho passado foi menor que o registrado no mesmo mês em 2019, mas ainda assim foi muito superior à média histórica desse período.

O presidente desafiou embaixadores estrangeiros a sobrevoar o trecho entre Boa Vista (RR) e Manaus (AM) e disse que eles “não acharão nenhum foco de incêndio ou corte de hectare desmatado”. Ele acusou também aqueles que criticam o Brasil de serem motivados por interesses comerciais ou, no caso dos críticos internos, antipatrióticos. “Afinal de contas, o Brasil é uma potência no agronegócio, ameaças existem sobre nós o tempo todo e, lamentavelmente, alguns poucos brasileiros trabalham contra nós nessa questão”. Sobre os criminosos ambientais que promovem a destruição e prejudicam a imagem do Brasil no exterior, Bolsonaro não teceu nenhum comentário.

O vice-presidente Mourão também participou da conferência e, na mesma linha de Bolsonaro, acusou de “neocolonialistas” os países que criticam o Brasil. “Pior ainda foi a postura de alguns [líderes mundiais] que se aproveitaram da crise para avançar interesses protecionistas e atitudes neocolonialistas”, disse o vice. Em seu discurso, ele defendeu que “o protagonista do desenvolvimento sustentável na Amazônia será o setor privado, não o Estado” e destacou a importância de incentivar a bioeconomia como forma de desenvolver e preservar a Floresta.

As falas de Bolsonaro e Mourão foram destacadas pelos FolhaEstadãoO GloboG1Valor Exame, entre outros.

ClimaInfo, 12 de agosto de 2020.

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Este texto foi originalmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

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