Cidades amazônicas sob risco de grandes incêndios por causa das queimadas

tangará da serra

Área urbana de Tangará da Serra (MT) cercada pelas chamas no dia de ontem (11/09).

Um dos aspectos que é pouco considerado quando se pensa nas mudanças do uso da terra que estão ocorrendo na Amazônia brasileira é o fato de que a região Norte possui uma taxa de urbanização acima de 70% (no Brasil como um todo, esta taxa está em torno de 85%).

Decorrente dessa alta taxa de urbanização da Amazônia (para os interessados no processo, eu recomendo o livro de John Browder e Brian Godfrey intitulado “Cidades da floresta: urbanização, desenvolvimento e globalização na Amazônia Brasileiraque oferece uma análise regional completa do processo de urbanização acontecendo na Amazônia Brasileira), o que temos é uma proximidade grande entre as aglomerações urbanas e as regiões florestadas que já foram ou estão sendo alteradas pelos processos de desmatamento e degradação florestal em curso na região.

Por isso, as cenas das chamas oriundas de queimadas cercando diferentes cidades na Amazônia não deveria surpreender ninguém (ver abaixo a situação que ocorreu ontem na cidade de Tangará da Serra, localizada no sudoeste do estado do Mato Grosso) (ver video abaixo).

A verdade é que outras cidades com tamanho mais significativo do que Tangará da Serra estarão, cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) no caminho de grandes incêndios na Amazônia, com consequências incalculáveis.

Por isso, quando leio que apoiadores do governo Bolsonaro utilizam as cenas de grandes incêndios ocorrendo na Califórnia como uma espécie de desculpa minimizadora do que está acontecendo na Amazônia, eu só posso pensar que a ignorância é a causa desse esforço negacionista. 

É que, ao contrário da Califórnia, a maioria das cidades da Amazônia brasileira não possui equipamentos para combater grandes incêndios, o que amplia a chance de que uma grande quantidade delas esteja hoje vivendo sob o risco da devastação via o fogo. Como já estive fazendo trabalhos de campo por quase 20 anos em Rondônia, posso afirmar que essa proximidade com as áreas de queimada aumenta a chance de que áreas urbanas sejam atingidas em cheio por grandes incêndios por causa delas.

Enquanto isso, vemos o presidente e o vice-presidente da república, bem como o ministro do Meio Ambiente, envolvidos em esforços rocambolescos de negação da catástrofe ambiental que está ocorrendo tanto na Amazônia quanto no Pantanal Matogrossense.  Esse tipo de comportamento negacionista ainda poderá resultar em grandes perdas humanas, além da ambiental que já está em curso. O governo Bolsonaro neste momento literalmente brinca com fogo.

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