O orçamento de Campos dos Goytacazes sob uma lupa comparativa

lupa calculadora

Por José Luís Vianna da Cruz*

Para realizar este exercício comparativo foram selecionados municípios importantes das regiões Sudeste e Sul, com populações as mais próximas possíveis da população de Campos dos Goytacazes, para que a comparação seja a mais confiável possível.  A população usada nas comparações foi aquela estimada oficialmente  pelo IBGE para o ano de 2017.  Já o orçamento (Receitas Correntes) foi o de 2017,  por ser mais recente disponível para todos os seis municípios escolhidos, cujos valores foram extraídos do Tesouro Nacional e estão disponíveis no site COMPARA BRASIL, atualizados pelo IPCA.

orçamento comparativo

Observações acerca da situação dos municípios comparados:

  1. Niterói é um ponto fora da curva, porque é a bola da vez dos royalties e participações especiais do petróleo do pré-sal.
  2. Fora Niterói, porque tem um orçamento muito superior; e Vila Velha, porque tem um orçamento bem mais baixo do que os demais, todos os outros municípios têm orçamento e população bem próximos ao de Campos. Caxias do Sul é uma das cidades mais industrializadas do Brasil. Florianópolis é uma capital, cidade industrial e altamente turística. E Juiz de Fora é também uma cidade muito importante e industrial de Minas Gerais.
  3. Pois bem, Juiz de Fora tem um orçamento per capita bem menor do que o de Campos. E Caxias do Sul e Florianópolis têm orçamentos per capita bem próximos de Campos.

Diante dessas evidências, é possível afirmar que o orçamento de Campos é bem semelhante ao de cidades importantes do mesmo tamanho, como uma capital e também cidades industrializadas (Florianópolis, Caxias do Sul e Juiz de Fora).

Desta forma, o caos que se manteve e se aprofundou na última gestão municipal não pode ser explicado somente pela diminuição do orçamento e pelas dívidas herdadas de administrações anteriores. Tudo indica que faltou capacidade de articulação política e técnica, bem como capacidade de gestão dos recursos, principalmente nas escolhas das prioridades e na obtenção de novas fontes de rendas.

*José Luís Vianna da Cruz é professor aposentado da UFF e professor permanente do Programa de Mestrado e  Doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades, da Universidade Candido Mendes/Campos dos Goytacazes.

5 pensamentos sobre “O orçamento de Campos dos Goytacazes sob uma lupa comparativa

  1. Douglas Barreto da Mata disse:

    Nobre seu esforço, caro amigo. Mas leia com atenção o texto do zé da cruz. Ele quase, quer dizer, quase não, ele tem medo de dizer que a questão não é de orçamento (apenas), mas de definir com quem será gasto o dinheiro, e mais, de onde devem vir as receitas adicionais, ou seja, da tributação dos mais ricos!!!!
    zé da cruz faz parte do time dos intelectuais de coleira, que está entoando os mantras da “capacidade de gestão”, que por sua vez dão na mesma chorumela liberal de sempre.

    • Douglas, eu discordo de você. Acho que com esse exercício bem simples, mas rigoroso, o José Luís desmonta um dos principais argumentos dos terroristas fiscais. Por isso, considero que é uma reflexão importante e esclarecedora.

      • Douglas Barreto da Mata disse:

        Discordo da sua discordância (rs).
        Se olhar o rigor dos números, ilustrando-os com o texto e seu sentido, parece mais um terrorismo fiscal seletivo, ou seja, um pouco mais sofisticado, já que um intelectual que reivindica o que ele reivindica (progressismo) não pode se eximir de dizer o que tem que ser feito no campo político, no lugar de apenas denunciar que faltaram “articulação técnica e política”.
        Mais grave ainda é tornar essa falácia algo como você chamou: “rigor analítico”.
        Ora, não faltaram articulações políticas nem técnicas (aliás, isso nunca faltam, pois não há vácuo em gestão, nem em política), não é um problema de incompetência, como ele infere, mas de ESCOLHA POLÍTICA, que atendeu aos interesses da elite com a qual ele, com seu texto meia boca, tenta contemporizar.
        Campos está na merda por OPÇÃO POLÍTICA de favorecer os mesmos setores de sempre.
        Ahhhh, mas se ele disse isso ele perde o “importante” lugar de fala que ele acha que tem.
        Meu amigo, olha o corporativismo, faz favor.

      • Douglas, aí já acho que quem está inferindo é você…. e viva a liberdade de discordar!

  2. Yuri Costa disse:

    Eu tendo a concordar com a crítica inicial do Douglas, feita aqui nos comentários. Essa falta de articulações é o projeto e não só dele, já que o fechamento da região anos atrás fez com que víssemos nosso município utilizar do seus recursos para enriquecer empreiteras com obras como a beira valão e o cepop. Esse projeto é antigo na cidade, colocado em prática por diversos grupos que se dizem diferentes – como vemos agora as oligarquias nas eleições locais – mas que tem em comum a lógica burocrática liberal da administração. eu adoro pensar a partir dos estímulos do zé luís, mas esse texto curto não apresenta a complexidade que temos no município e por isso peca, pois nenhum dos governos até aqui constituídos, tiveram rigor técnico algum, tampouco o esforço de ampliar a inclusão cidadã. resultado disso? uma cidade cada vez mais pobre e uma elite cada vez mais rica, portanto.
    abraços!

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s