Apesar dos graves problemas existentes, a questão ambiental está ausente das eleições de 2020

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Com pouco mais de 30 minutos de chuva torrencial, as ruas no entorno do mercado municipal foram novamente inundadas

Um dos aspectos mais exemplarmente ausentes da atual campanha eleitoral tem a ver com a situação ambiental do município de Campos dos Goytacazes, especialmente no que se refere aos novos padrões climáticos que estão sendo estabelecidos na Terra em função do processo de aquecimento global.

A falta desse debate reflete uma visão envelhecida de gestão, pois deixa sem qualquer perspectiva de melhora uma área que já se sabe será  fundamental nos próximos anos e décadas. E essa ignorância (proposital em muitos casos) dos problemas ambientais não ocorre por falta de elementos objetivos que possam instruir os candidatos mais cotados para serem o próximo prefeito para que prestarem mais atenção no que já está acontecendo em nossa cidade.

Ontem, por exemplo, bastaram pouco mais de 30 minutos de chuvas torrenciais para que partes da área urbana, inclusive a mais valorizada que é a região da Avenida Pelinca, ficassem completamente alagadas, oferecendo riscos a motoristas e aos moradores da região (ver vídeo abaixo).

Alguém poderá dizer que esse é um problema recorrente e que não há nada de novo sobre o assunto. Mas a questão é que, ao desconhecer o paulatino agravamento do problema e seus impactos sobre o município de Campos dos Goytacazes, corremos o risco de vermos a situação entrar em um processo de deterioração muito rápida.

Em um estudo de minha co-autoria com o mestrando do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf, André Moraes Barcellos Martins de Vasconcellos,  e que foi recentemente apresentado no 17o. Congresso Nacional do Meio Ambiente, abordamos a situação entre 1991 e 2012 dos alagamentos e inundações causados por chuvas em Campos Goytacazes, verificamos que os danos materiais e sobre os moradores foram significativos (ver figura abaixo).

inundaões alagamento

O problema é que a análise que realizamos dos mapas contidos no Plano Diretor Municipal aprovado em 2020 detectou a ausência de referências às zonas de recorrente alagamento na área urbana, o que pareceu indicar uma contradição entre a estratégia de gestão apresentada no próprio plano e a realidade que se coloca após a ocorrência de chuvas.

Este resultado indica a necessidade de uma averiguação do real impacto trazido pela ocorrência de chuvas em Campos dos Goytacazes, sobretudo tendo em conta que o advento das mudanças climáticas deverá agravar a ocorrência de alagamentos e inundações, vindo a produzir mais danos à infraestrutura urbana, e a população, especialmente aqueles segmentos habitando as áreas mais vulneráveis. E o pior é que são justamente os mais pobres que têm arcado com o grosso das consequências da ausência de um modelo de gestão ambiental que esteja à altura das transformações climáticas que estão ocorrendo.

Por isso é que a completa omissão das questões ambientais no atual ciclo eleitoral não apenas reflete o atraso em que Campos dos Goytacazes se encontra nessa área estratégica, mas também, dependendo de quem vencer a eleição, contribuir para perpetuar e aprofundar os problemas que já existem. O fato é que a ausência de um debate sobre as questões ambientais é um reflexo da falta de um projeto de transformação da realidade socioambiental existente em Campos dos Goytacazes,  e que é marcada por uma profunda segregação entre pobres e ricos.

Em tempo: na gestão do jovem prefeito Rafael Diniz, que felizmente está chegando ao seu final melancólico, a secretaria municipal de Meio Ambiente foi deixada com um orçamento para lá de pífio, sendo que em 2019 o valor alocado não chegou a R$ 3 milhões de reais. Mas como mostra o gráfico abaixo, Rafael Diniz achou que o pouco ainda era muito e reservou mirrados R$ 1,586 milhões para 2020.

meio ambiente

Com isso, Rafael Diniz e seus menudos neoliberais explicitam a compreensão de gestão ambiental que os move, qual seja, nenhuma. Assim, nenhuma surpresa com os problemas que serão deixados sem solução para quem vier a vencer o pleito municipal em 2020.  É por isso que sinceramente torço para que o próximo prefeito entenda o imenso problema que é ter uma cidade que está completamente para as profundas mudanças ambientais que ocorrerão em nosso município nos próximos anos. 

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