Após semanas no escuro, Macapá oferece uma janela para o futuro do Brasil

wp-1606051923821.jpgO presidente Jair Bolsonaro desfila do lado de fora de um carro pelas ruas de Macapá, onde seus apoiadores o aplaudiam, enquanto ele era vaiado pela maioria dos populares que assistiam à passagem da caravana presidencial

Após dezenove dias do apagão causado pelo descaso da empresa multinacional espanhola Isolux, o presidente Jair Bolsonaro realizou uma visita à Macapá, capital do Amapá, onde desde a chegada ao Aeroporto Internacional Alberto Alcolumbre (que vem a ser um tio falecido do atual presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre), foi alvo de pesados protestos por parte da população (ver abaixo vídeo da passagem da comitiva presidencial por uma avenida em Macapá).

Afora os xingamentos mais grossos, o que mais me impressionou foi a forma nada contida de pessoas que estavam nas calçadas (e o local não me parece ser da periferia profunda que existe em qualquer cidade brasileira) convidavam o presidente da república a se retirar da cidade de Macapá.

A postura da população me fez verificar sobre qual teria sido o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2018 em Macapá, e o resultado foi de 55,15% para Bolsonaro contra 44,85% para Fernando Haddad.  Isso indica que, apesar de não ter sido uma maioria esmagadora, o hoje presidente Jair Bolsonaro ganhou sem dificuldades na capital do Amapá.

Assim, ver a recepção que ele teve ontem é um indicador de que dificilmente ele repetirá o mesmo índice em uma hipotética corrida para reeleição em 2022.  As razões para isso são muitas, mas a principal deve ser a clara inaptidão de mostrar um mínimo de sensibilidade com os problemas reais da população brasileira, sejam eles os causados pelo desemprego, pela pandemia da COVID-19 ou pela incompetência de uma empresa multinacional que está transformando a vida de quase 800 mil brasileiros em um completo inferno.

Mas a situação de perda de popularidade causada pela combinação de fatores que criaram uma espécie de “tempestade perfeita” no Amapá não deverá ficar restrita a Jair Bolsonaro, devendo também atingir a família Alcolumbre. É que ficou evidente de que nada adianta ter um milionário local na presidência do Senado Federal se nem conseguir que a eletricidade seja garantida a todos os que vivem no Amapá, e não apenas aos abastados que vivem enclausurados dentro de condomínios de luxo.  É até possível que em um futuro não muito distante, o nome do aeroporto internacional de Macapá tenha que ser trocado.

Por esses fatores todos é provável que mais do que qualquer outra capital brasileira, Macapá esteja sendo neste momento uma espécie de janela para o futuro.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s