Brasil, o pária, ficou mesmo de fora do púlpito da cúpula do clima da ONU

bolsonaro-ricardo-sallesJair Bolsonaro e Ricardo Salles são os principais artífices da transformação do Brasil em pária global

Desde agosto de 2016 venho escrevendo sobre os custos econômicos e políticos que a transformação do Brasil em uma espécie de pária ambiental por sucessivos golpes contra a governança ambiental e as estruturas de comando e controle que foram construídas a duras penas a partir da Conferência da ONU para o Meio Ambiente realizada em Estocolmo em 1972.

Confirmada hoje a exclusão do Brasil da lista de países que poderão se pronunciar na edição de 2020 do “Climate Ambition Summit“, chegamos muito mais próximos da condição de párias dentro da comunidade global. 

Ainda que muitos, dentro e do governo Bolsonaro, batam de ombros com o tapa na cara que o Brasil está levando da ONU por causa, principalmente, da falta de compromisso com as metas de controle das mudanças climáticas, a situação é séria, na medida em que esses encontros estarão decidindo metas de emissões que posteriormente serão utilizadas para regular até as trocas internacionais de mercadorias.

Pode-se até dizer que as mudanças climáticas estão sendo usadas como uma nova forma de controle de comércio internacional, o que me parece até óbvio.  O problema é que, como até naquele momento em que você recebe o golpe do paco, não adianta saber que estamos sendo objeto de uma manobra esperta, há que se estar preparado para não cair nele.  

Ao sabotar intencionalmente o papel do Brasil nas discussões multilaterais em torno do controle e mitigação das mudanças climáticas, o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, estão prestando um grande desserviço aos interesses estratégicos do nosso país. O problema é que para se chegar ao nível pária é relativamente fácil, sair dessa condição é bem mais difícil. Como o governo Bolsonaro ainda tem pelo menos mais 24 meses de existência, a profundidade do buraco poderá ser ainda maior quando este governo chegar aos seus estertores.

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Um grupo de quem eu esperaria uma reação mínima à colocação do Brasil na condição de pária pode ser surpreendente para leitores deste blog, o latifúndio agro-exportador (a.k.a. agronegócio), até agora se mantém em posição de mutismo quase completo. É que o latifúndio agro-exportador é um dos que mais têm mais a perder com a barafunda estabelecida pelo governo Bolsonaro. Assim, ainda que as principais lideranças do latifúndio agro-exportador tenham sido fiadoras ardorosas da candidatura de Jair Bolsonaro, a inação frente ao desmanche da governança ambiental e das estruturas de comando e controle é quase que um atestado de ignorância que equivale ao que alguns chamam de “agrosuicídio”.  Vai entender essa gente…..

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