COP28 será mais um evento para o Brasil passar vergonha

Lula deve levar à COP28 proposta para "proteger floresta em pé"

Com Lula e Marina Silva, o Brasil se prepara para cumprir mais um papelão na COP28

Começa amanhã em Dubai, Emirados Árabes Unidos, a 28a. edição da Conferência das Partes (COP). Essa edição já começa com area de que irá dar tudo errado já que o presidente-executivo da empresa petrolífera estatal dos EAU, Sultan Al Jaber, como presidente das negociações. É como colocar o açougueiro para cuidar de um curral cheio de bois prontos para o abate. Simplesmente não tem como dar certo.

Mas e o Brasil? Será que fará um papel menos bizarro do que fez nas edições em que Jair Bolsonaro comandava o executivo federal? Será que agora com Lula e Marina Silva, o nosso país vai fazer um papel mais alinhado com o que se espera de um estado-nacional que detém a maior floresta tropical do planeta?

Os últimos pronunciamentos de Marina Silva indicam que não. Primeiro a ministra do Meio Ambiente tem insistido na alegação pouco crível de que o desmatamento de nossas florestas entrou em um patamar, digamos, mais controlado.  O problema é que o desmatamento pode ter até diminuído, mas continua muito alto na Amazônia. No bioma Cerrado, a coisa não tem nem como disfarçar, pois os números indicam um forte viés de alta.

Além disso, como venho insistindo aqui, o problema da Amazônia não é só desmatamento, pois o processo de degradação florestal via extração predatória de madeira e incêndios florestais vem emitindo a mesma quantidade de CO2. Com isso, a insistência em se falar apenas de desmatamento serve apenas para mascarar o tamanho gigantesco do problema representado pelo tamanho da destruição em curso na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

marina silva

Marina Silva aponta para o desmatamento enquanto esconde a degradação florestal

Agrotóxicos como contribuintes do aquecimento global e das mudanças climáticas

Outro elemento para aumentar o descrédito nas negociações da COP28 é a aprovação no dia de ontem do Pacote do Veneno. É que, apesar de pouco comentado, o aumento excessivo no uso de agrotóxicos também contribue para as mudanças climáticas.  O fato é qu os agrotóxicos também podem liberar emissões dos efeitos do efeito estufa (GEE) após a sua aplicação.

Pesquisas científicas já demonstraram que os agrotóxicos podem aumentar significativamente a produção de óxido nitroso nos solos. Além disso, muitos agrotóxicos levam à produção de ozônio troposférico, um gás com efeito de estufa prejudicial tanto para os seres humanos como para as plantas.

A falta de atenção para com a contribuição dos agrotóxicos se deve, entre outras coisas, ao fato de que existe um foco maior nas emissões urbano-industriais, mas certamente o peso dos agrotóxicos nas emissões de GEE ainda será futuramente colocado no seu devido lugar, e o Brasil com responsável por 25% do uso total dos agrotóxicos no planeta vai acabar ficando no centro do debate.

Curiosamente, nunca ouvi nada de substancial de Marina Silva sobre a relação entre agrotóxicos com o desmatamento e o aquecimento global.  Aliás, enquato no cargo de ministra do Meio Ambiente, a postura de Marina Silva tem sido de uma ausência óbvia no debate sobre a aprovação do PL do Veneno que passou ontem em brancas nuvens pelo Senado Federal.

Então é forçoso apontar para aqueles que apontavam ou esperavam que a participação brasileira na COP28 fosse qualitativamente diferente do que foi entre as COP 24 e 27, melhor repensar.  Poderemos não fazer o mesmo papelão, mas estaremos quase lá.

2 comentários sobre “COP28 será mais um evento para o Brasil passar vergonha

  1. Caro amigo,
    Os tolos e os cínicos dirão: “é a real politik”…ou em bom português, o pragmatismo…

    Governar pelos princípios e cair, ou ceder às demandas dos donos do mundo e ter governabilidade?

    Nada mais falso, é sempre um sofisma, que nega os mais rudimentares manuais de ciência social e política, e me espanta ler muitos cientistas defenderem esse prelado: a governabilidade só vem com a cessão à chantagem…

    Ora, não existe uma “realidade”, senão aquela que construímos e claro, a dinâmica dos fatos impõe negociações permanentes, atritos e renegociações…

    Os “pragmaticistas” partem da lógica que é preciso dar antes, e depois apurar o que se pode ter…

    Esse é o governo Lula, esse é o PT…Zé Dirceu bateu certinho na ferida, e podemos dizer tudo sobre ele, mas nunca negar o compromisso de Zé com a chamada governabilidade, inclusive pelo seu heroico silêncio a caminho do altar, onde foi sacrificado como bode expiatório…

    Acho que é justamente essa experiência (e a prisão, o degredo moral, etc) que deram a Zé essa dimensão, esse olhar, de ter a certeza de que quanto mais a esquerda dá, mais a direita exige…

    Veneno, terra, queimadas, juros, tributos, etc, etc, etc…

    O PT e o governo Lula, são vergonhas…antes, pelo menos, com todos os erros estratégicos, havia vida, havia tensão…

    Hoje, não há mais nada…só um corpo pobre, fétido, esperando a hora de um enterro que nunca vem…

    A melhor coisa que poderia acontecer a esquerda brasileira seria o fim de Lula e do PT…não que eu deseja a morte do presidente, mas se acontecesse, não choraria uma lágrima…

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  2. Marcos Pędłowski, você destaca preocupações significativas em relação à participação do Brasil na COP28, expressando ceticismo sobre uma mudança positiva. Ele critica a escolha do presidente-executivo da empresa petrolífera estatal dos EAU para presidir as negociações, considerando-a inadequada. Além disso, questiona se, com Lula e Marina Silva, o Brasil adotará uma postura mais alinhada com as expectativas para a proteção ambiental.

    Critica a abordagem de Marina Silva ao enfatizar apenas o desmatamento, omitindo a degradação florestal e ressalta as implicações do recente Pacote do Veneno, apontando para os agrotóxicos como contribuintes para as mudanças climáticas.

    Em última análise, você sugere que o Brasil pode não repetir o mesmo comportamento questionável das COPs anteriores, mas alerta para possíveis desafios e questiona a eficácia das ações propostas.

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