No primeiro sinal de crise, entidades do “ogronegócio” correm atrás de favores do Estado

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Após anos de ganhos fabulosos às custas de graves danos ambientais em todos os biomas brasileiros (especial atenção para a Amazônia e o Cerrado) e de contínuas violações dos direitos dos seus trabalhadores, os representantes do “ogronegócio” estão batendo às portas do Estado brasileiro com o pires nas mãos atrás de ainda mais recursos públicos para seguirem tocando a sua boiada. A desculpa é que o setor agropecuário brasileiro teria sido fortemente penalizado pelas alterações causadas pelo “El Niño” e agora precisa de uma “ajudinha” para não quebrarem. 

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O curioso é que quando suas commodities estão bombando nos mercados globais, ninguém ouve dos representantes do “ogronegócio” qualquer alusão à necessária distribuição da riqueza que é obtida com altos custos sociais e ambientais.  Muito pelo contrário, o que se tem é a utilização dos lucros para demonstrar sinais inequívocos de que estão enriquecendo às custas da contaminação ambiental por agrotóxicos e pela destruição das florestas.

Mas é importante lembrar que o fenômeno “El Niño” não é o único responsável pelas oscilações no funcionamento do clima que estão em curso, mas, pelo contrário, as mudanças na sua frequência e intensidade decorrem do processo de mudanças climáticas do qual o “ogronegócio” é uma das principais causas. Claramente, o esforço aqui é ocultar a conexão entre os sistemas agrícolas e as mudanças climáticas para continuar a condição de “business as usual” que terá como consequência o agravamento das quebras de safra.  É que posando de vítima de fenômenos supostamente naturais, o latifúndio agro-exportador tentará manter seu modelo destrutivo intacto, com cada vez mais subsídios estatais.

A questão é que como não há objetivamente dentro das entidades ruralistas qualquer compromisso com uma mudança de percurso nas suas práticas anti-ambientais, a tendência é que haja um agravamento de problemas já sérios que decorrem da hegemonia da agricultura industrial, a começar pela escassez hídrica. Como está se avaliando que passaremos diretamente do “El Niño” para o “La Ninã,  existe a possibilidade  de uma grande crise hídrica no centro sul do Brasil. Como o “ogronegócio” consome em torno de 70% de toda a água usada no nosso país,  é muito provável que vejamos situações bem dramáticas por causa da falta de água nos próximos meses, inclusive nas grandes áreas metropolitanas brasileiras.

E aqui é que fica a pergunta: até quando dependeremos de um modelo agrícola que beneficia apenas uma minoria que enriquece destruindo florestas e nos envenenando com agrotóxicos? A hora é de exigir que nem mais um centavo seja colocado nesse setor e que se deixa a tal mão invísivel do mercado cuidar das coisas.

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