“Ou morrer pelo Brasil”: Flávio Bolsonaro deixa o país e segue para os EUA, informa CNN

Segundo a emissora, duas fontes confirmaram a saída do senador; o destino expõe a distância entre o patriotismo dos palanques e a conduta após a derrota

Segundo reportagem da CNN, assinada por Max Saltman, Mauricio Torres, Anabella Gonzalez e Kevin Liptak, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e seguia para os Estados Unidos após perder a eleição presidencial para Lula. A emissora afirma ter confirmado a informação com duas fontes, incluindo uma autoridade americana que informou que o senador estava em voo para a Flórida. Uma fonte brasileira próxima a Flávio acrescentou que ele temia ser preso. O senador nega irregularidades nas investigações mencionadas pela reportagem.

O relato representa uma mudança importante em relação às especulações anteriores: a CNN informa ter confirmado a saída do país e o destino americano, embora permaneça desconhecido o caminho utilizado. A passagem pela Argentina continua sem confirmação: o governo argentino declarou não possuir registro da entrada de Flávio. A reportagem também informa, citando a CNN Brasil, que seus passaportes foram cancelados e que a Polícia Federal procurava localizá-lo.

É diante desse quadro que se impõe uma pergunta: como pode um candidato que fazia a plateia cantar “Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil” deixar o país após a derrota, enquanto deveria prestar esclarecimentos às instituições brasileiras? Ninguém precisa morrer para demonstrar compromisso com o Brasil. Mas quem transforma esse verso em instrumento de mobilização política precisa explicar por que a disposição para o sacrifício desaparece quando chega a hora de enfrentar as próprias responsabilidades.

A contradição fica ainda mais evidente porque, segundo a CNN, Flávio havia declarado que não pretendia fugir e reconhecido ter sido informado pessoalmente da proibição de deixar o Brasil. A notícia de sua saída exige, portanto, explicações sobre o cumprimento dessa determinação. O temor de prisão relatado por uma fonte próxima ajuda a compreender o contexto, mas não substitui a apuração dos fatos nem constitui prova de culpa nas investigações.

Politicamente, porém, o contraste já é contundente. Durante a campanha, a pátria era apresentada como um compromisso absoluto, acompanhado de bandeiras, hinos e promessas de coragem. Depois da derrota, o destino informado pela CNN é a Flórida. Os eleitores que foram convocados a demonstrar tamanha devoção ao Brasil têm o direito de cobrar coerência daquele que pretendia governá-los.

Respeitar o resultado das urnas e responder às instituições brasileiras também são demonstrações de compromisso com o país. O patriotismo de um candidato precisa sobreviver ao encerramento do comício, à perda da eleição e ao fim das conveniências pessoais. Caso contrário, o verso cantado pela multidão acaba reduzido a uma exigência dirigida aos outros.

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