Dia da Amazônia: Como o desmatamento da maior floresta tropical do mundo interfere na saúde da população?

COVID-19 e outras doenças chegam até nós como consequência da degradação ambiental

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Crédito: Tomáš Dohnal (Pixabay)

O Dia da Amazônia é celebrado em 5 de setembro por ser a data de criação da província do Amazonas, por Dom Pedro II em 1850. A data busca chamar atenção para o bioma que é a maior floresta tropical do mundo, reforçando a necessidade de sua preservação e do uso sustentável das matérias primas que a floresta propicia. O assunto é de extrema importância, não só pela vida dos seres vivos que ali habitam, mas também para a saúde ambiental do planeta e do ser humano.

A degradação ambiental ocorre há anos, e cada vez mais vemos de perto como esse descaso com as florestas interfere diretamente na vida da população. Estudos científicos já atestaram que o desmatamento gera uma cadeia de acontecimentos complexos, criando meios para que diferentes patógenos mortais se espalhem entre os humanos. Doença de Lyme e a malária, por exemplo, surgiram a partir daí.

São 40 mil espécies de plantas, milhões de insetos e 400 mamíferos que estima-se ter na Amazônia, floresta que ocupa sete milhões de quilômetros quadrados e faz parte de nove países da América do Sul. O especialista em Gestão de Resíduos Sólidos e fundador da Oceano Resíduos, Rafael Zarvos, alerta a necessidade das pessoas entenderem que desmatamento e doenças estão relacionados.

“Infelizmente, somos a única espécie capaz de destruir e de ameaçar a nossa própria sobrevivência. A forma como a sociedade está transformando o meio ambiente e reduzindo os habitats naturais, faz com que animais silvestres e seres humanos se aproximem. Isso potencializa o risco de transmissão de variados patógenos da espécie deles para a nossa”, explica Zarvos.

Doenças como a zika, que somada a dengue e chikungunya contabilizaram um aumento de 248% do número de casos no ano de 2019, é exemplo de enfermidade que veio da cena rural para a urbana pelo avanço do desmatamento em áreas florestais. “A destruição da natureza coloca em risco a nossa própria existência. O coronavírus, por exemplo, responsável pela pandemia que vivemos, é fruto do contato de humanos com morcegos”, destaca Rafael.

Em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível ver que a cada quatro meses o ser humano tem uma infecção originária de problemas relacionados ao meio ambiente, e que 75% das doenças são de origem animal. O consumo de carne crua de animais silvestres, o desmatamento, as mudanças climáticas e o tráfico ilegal de animais silvestres são fatores que contribuem para facilitar o contágio de seres humanos por patógenos que vivem na natureza e nas espécies que ali habitam.

“Cientistas especulam que o vírus que desencadeará a próxima pandemia já está em circulação, é só uma questão de tempo até sermos atingidos. Isso prova que está mais do que na hora de prestarmos atenção no consumo de produtos, além de pequenos hábitos do dia a dia que podem ser cruciais para ajudar o meio ambiente e a nós mesmos”, finaliza o especialista.

Sobre a Oceano

A Oceano é uma empresa de gestão de resíduos e coleta inteligente, responsável pela correta destinação do lixo produzido no nosso dia a dia. Nossa gestão é focada, principalmente nos chamados micropoluentes, substâncias de uso comum em nosso dia a dia que constituem uma ameaça emergente à qualidade de águas, rios, lagos, reservatórios, mares e oceanos, uma vez que inexiste tecnologia para remoção destas substâncias provenientes de esgotos sanitários e hospitais, com coleta domiciliar e planos adequados para cada necessidade.

MPF confirma prática ilegal em pulverização aérea de agrotóxicos em Nova Santa Rita/RS  

Deriva do veneno atingiu casas, aquíferos, pastagens, lavouras, pomares e vegetação nativa de assentamento Santa Rita de Cássia II, que possuem certificação orgânica.

TRF4-DIVULGA

Justiça Federal vetou pulverizações em áreas próximas ao assentamento. Foto: Divulgação

Em parecer publicado no último dia 30 de agosto, o Ministério Público Federal reconheceu a procedência da denúncia feita por famílias assentadas no município de Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre, sobre contaminação por pulverização aérea de agrotóxicos.

A aplicação do veneno agrícola ocorreu no final do ano passado e início deste ano, na propriedade rural Granja Nossa Senhora das Graças, conhecida como Granja Nenê, em local onde está vedada essa prática pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM). A prática foi caracterizada como crime ambiental, por se tratar de uma área da zona de amortecimento do parque estadual Delta do Jacuí, em uma fazenda onde a licença ambiental de operação veda expressamente a pulverização aérea de agrotóxicos.

As famílias afetadas moram no assentamento Santa Rita de Cássia II, que possuem certificação orgânica e perderam a sua produção de alimentos agroecológicos. A deriva ocasionada pela pulverização aérea de agrotóxicos atingiu casas, hortas, aquíferos, pastagens, pomares de árvores frutíferas e vegetação nativa. Além disso,  os camponeses precisaram recorrer ao serviço de saúde com sintomas de intoxicação em decorrência da pulverização deliberada de agroquímicos.

“[…] observa-se que o ato ilícito gerou diversos danos ao meio ambiente e a terceiros, tendo atingido também as produções orgânicas dos produtores agrícolas dos municípios de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul, causando prejuízos econômicos, danos ambientais, sociais e à saúde dos agricultores. Dessa forma, o MPF entende ser cabível a imposição de uma reparação econômica aos lesados pelos danos causados pelo réu”, diz um trecho da decisão do MPF.

De acordo com o advogado Emiliano Maldonado, integrante da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap), “o parecer do MPF demonstra que as denúncias dos/as agricultores/as são graves e que os réus cometeram ações ilícitas que geraram danos às famílias. O parecer também aponta que ao longo da ação cautelar restou comprovada a contaminação da produção agroecológica dos assentados pelos laudos de instituições públicas de Pernambuco, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, as quais  detectaram  a contaminação de lavouras da região por quatro agrotóxicos: 2,4-D, glufosinato, loyant, e bifentrina”.

TRF4 mantém proibição de pulverização aérea

O parecer do MPF foi apresentado na Ação Cautelar proposta pela Associação Gaúcha de Proteção Ao Ambiente Natural (Agapan), Instituto Preservar, Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá), Núcleo Amigos da Terra – Brasil, Associação Comunitária 29 de Outubro, Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA) e Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs).

A medida cautelar para suspender a utilização indiscriminada de agrotóxicos foi acatada em primeiro grau pela juíza Clarides Rahmeier, da 9ª Vara Federal, no dia 12 de março deste ano. A medida valerá enquanto não forem estabelecidas normas específicas pelas autoridades de controle e fiscalização para pulverização de defensivos agrícolas sem que a atividade atinja direito de terceiros. A multa por descumprimento da liminar é de R$ 100 mil.
Após recurso do fazendeiro réu, acusado pela deriva de agrotóxicos, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve a proibição do uso dos agrotóxicos 2,4-D e loyant na fazenda Granja Nenê, e também vedou a continuidade das pulverizações aéreas nas propriedades próximas ao assentamento no dia 23 do mesmo mês.

Jardim Botânico do Rio promove semana de atividades sobre o bioma Amazônia a partir deste domingo (5)

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O Jardim Botânico do Rio de Janeiro dará início, neste domingo (5), Dia da Amazônia, à série de atividades temáticas sobre os seis biomas brasileiros – Caatinga, Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pantanal e Pampa -, além do Sistema Costeiro-marinho. A Amazônia, região com maior biodiversidade do mundo, será o primeiro contemplado, na semana de 5 a 11 de setembro. Dentre as atividades previstas, estão a reabertura da cabana do pescador, localizada na Região Amazônica do Jardim Botânico, lançamento e disponibilização de livros, atividade educativa, e dinâmicas com jogos didáticos. Ainda durante a semana, nos restaurantes instalados no Jardim, haverá cardápio com pratos típicos da gastronomia local, e, na loja de souvenir, no Centro de Visitantes, estarão à venda produtos da “Coleção biomas brasileiros”.

Segundo a presidente do Jardim Botânico do Rio, Ana Lúcia Santoro, o objetivo do programa denominado JBRJ Nacional: Biomas é contribuir para a preservação dos biomas brasileiros, por intermédio da conscientização ambiental, divulgação e disseminação do conhecimento. Além disso, a iniciativa também pretende facilitar as interações entre sociedade e os diferentes biomas, por meio dos espaços, coleções e práticas científico-culturais do Jardim Botânico do Rio.

– A ação Biomas promove a importância do trabalho de âmbito nacional realizado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, instituto de pesquisas vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e referência nacional e internacional para o estudo e conservação da flora brasileira – destaca Ana Lúcia Santoro.

A Amazônia abriga a maior floresta tropical do mundo. Possui 14 mil espécies botânicas identificadas pela ciência, sendo 2.400 endêmicas. A área total do bioma é de 7 milhões de quilômetros quadrados. No Jardim Botânico do Rio, em uma área de enorme exuberância, cortada pelo Rio dos Macacos, a Região Amazônica inclui o lago, a cabana e a estátua do pescador. Espaço de grande relevância histórica, a área possui também uma das maiores coleções vivas dentro do arboreto. No local, há árvores monumentais e leguminosas introduzidas pelo naturalista Adolpho Ducke (1876-1959), após inúmeras viagens à Amazônia (1919 a 1928). Ducke foi chefe da seção de botânica do Jardim Botânico. Espécies como seringueira, sumaúma, pau-mulato, açaizeiro, andiroba e até o mogno e a castanheira, ameaçadas de extinção, estão na região, que recebeu novas placas de sinalização sobre o bioma e a gestão de recursos hídricos na Amazônia.

Programação da semana do Bioma Amazônia (5 a 11 de setembro)

– Domingo (5/9), às 10h – Reabertura da cabana do pescador e distribuição de livros

Fechada desde o início da pandemia, a cabana do pescador é uma reprodução das moradias tracionais amazônicas, e será reaberta à visitação pública. No seu interior, utensílios típicos ribeirinhos amazonenses poderão ser observados pelo visitante, proporcionando uma experiência histórica, cultural e ambiental da região.

Na ocasião, estarão disponíveis alguns exemplares do livro Mbaé Kaá – O que tem na mata – A botânica nomenclatura indígena, do naturalista João Barbosa Rodrigues, que foi diretor do JBRJ. A publicação ganhou uma nova edição, que foi ilustrada por jovens guarani da aldeia Pyau, no Jaraguá, São Paulo. Os visitantes poderão retirar gratuitamente os exemplares disponíveis.

– Terça, quarta e quinta-feira (7, 8 e 9/9), de 10h às 16h30 – Acampamento do botânico no Lago das Tartarugas

Um acampamento botânico, com equipamentos e utensílios que pesquisadores levam nas expedições, será montado no Lago das Tartarugas. No local, o público poderá conhecer o trabalho de biólogos em campo. Pesquisadores mostrarão, por exemplo, como é feita a coleta de amostras de plantas e a preparação do material a ser transportado e, posteriormente, estudado.

– Sexta-feira (10/9), às 10h  Pré-lançamento do livro “A maloca entre artefatos e plantas: guia da Coleção Rio Negro de Richard Spruce em Londres” (evento on line)

A publicação integra o projeto “Repatriamento digital de coleções bioculturais: conectando os conhecimentos científicos e indígenas na Amazônia”, apoiado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O livro retrata coleções de objetos feitos com matérias-primas provenientes de plantas e animais, coletados, no passado, na Amazônia e hoje se encontram guardados em instituições na Europa. Trata-se de coleção representativa de artefatos, reunidos há 170 anos, pelo botânico viajante inglês Richard Spruce. Além disso, apresenta aspectos históricos e etnográficos da região do Alto Rio Negro no século 19 e traz uma visão geral das coleções científicas e sua importância para práticas de pesquisa intercultural.

A autoria é da pesquisadora do JBRJ Viviane Fonseca-Kruel, a coordenadora daquele projeto, professora Luciana Martins, da Universidade de Londres, o antropólogo e pesquisador indígena Tukano, do Alto Rio Negro, Dagoberto Lima Azevedo, o coordenador do Instituto Socioambiental/Rio Negro, Aloisio Cabalzar, William Milliken, Mark Nesbitt e Andrea Scholz.

– Sábado (11/9), às 10h30 –  Pré-lançamento do jogo de tabuleiro “A´pe-buese: aprender brincando”, no laboratório didático do Museu do Meio Ambiente, seguido de visita à Região Amazônica

O jogo lúdico foi inspirado na publicação “A maloca entre artefatos e plantas: guia da Coleção Rio Negro de Richard Spruce em Londres”O jogo aborda plantas e artefatos do Alto do Rio Negro, na Amazônia, que contam, um pouco da cultura, fauna e flora do bioma Amazônia, especialmente do Alto Rio Negro. Também será exibido um vídeo, que mostra o projeto desenvolvido em colaboração entre  Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), a Birkbeck – Universidade de Londres, o Jardim Botânico Real de Kew, British Museum, e o Museu Etnográfico de Berlim. A atividade, realizada pelo Serviço de Educação Ambiental do JBRJ, será seguida de visita à Região Amazônica.

Para participar dessas atividades previstas para o sábado (11), é preciso fazer inscrição prévia pelo e-mail cvis@jbrj.gov.br ou tel. (21) 3874-1808.

Todas as atividades previstas para a semana do bioma Amazônia, com exceção dos produtos vendidos nos restaurantes e na loja de souvenirs, são gratuitas e não incluem o valor do ingresso ao JBRJ. 

Cardápio do restaurante (8 a 11/9)

Prato principal: filé de pirarucu

Segundo prato: cassoulet da Amazônia

Prato de origem francesa, o cassoulet ganhou um toque de brasilidade na receita do chef

Renan Magioli. O prato utiliza ingredientes típicos da Amazônia, como tucupi, pirarucu e jambu fresco.

Sobremesa: doce de banana, sorvete de queijo, melado de cana e castanha-do-Pará

Drinque: caipivodka de açaí

Serviço – Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Endereço: Rua Jardim Botânico, 920 (apenas sábados, domingos e feriados) e 1008

Horário: terça a domingo, das 8h às 17h

Valor da entrada

Visitantes residentes na Área Metropolitana do Rio de Janeiro: R$ 15,00

Visitantes residentes no Brasil: R$ 24,00

Visitantes estrangeiros Mercosul: R$ 45,00

Visitantes estrangeiros: R$ 60,00

Belo Horizonte, Fortaleza e Recife registram diminuição na carga do coronavírus em seus esgotos, mas Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro não

Este é o primeiro boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos com dados das seis capitais acompanhadas

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O Boletim de Acompanhamento nº 05/2021 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, com dados até 21 de agosto, semana epidemiológica 33, identificou uma tendência de redução da carga viral do novo coronavírus em três capitais: Belo Horizonte, Fortaleza e Recife em relação ao último boletim publicado em 9 de agosto. Porém, outras três capitais se mantêm com cargas elevadas: Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro. No caso da capital fluminense, na semana 31 (de 1º a 7 de agosto), foi registrada a maior carga viral já medida desde o início do monitoramento em 2020. Esta é a primeira vez que a Rede publica um boletim com dados das seis capitais. Veja as informações por cidade a seguir.

Belo Horizonte (MG)

Em Belo Horizonte, houve uma redução da carga viral nas semanas epidemiológicas 30 (de 25 a 31 de julho), 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto) respectivamente de 17,9 bilhões de cópias por dia do vírus para cada 10 mil habitantes; 12,4 bilhões; 9,6 bilhões; e 5,4 bilhões. A carga verificada na semana 33 foi a menor registrada em 2021. As baixas cargas nas bacias dos ribeirões Arrudas e Onça se mantiveram estáveis e contribuíram para esse resultado nas últimas quatro semanas de monitoramento.

Evolução da carga viral no esgoto de Belo Horizonte

Também entre as semanas 30 e 33 houve uma tendência de redução nas concentrações virais em todas as sub-bacias hidrográficas monitoradas. Nesse período, todos os seis pontos acompanhados tiveram concentrações virais baixas (de 1 a 4 mil cópias por litro das amostras) ou médias (de 4 mil a 25 mil cópias por litro), indicadas respectivamente em amarelo e laranja nos mapas a seguir.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Belo Horizonte entre as semanas epidemiológicas 26 e 29

Já nos pontos especiais de monitoramento na capital mineira, quatro dos seis pontos apresentaram níveis não detectáveis do novo coronavírus na semana epidemiológica 33. Esses pontos incluem o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, a Rodoviária de Belo Horizonte, shopping localizado em área de alta renda (SHC-01) e shopping localizado em área de baixa renda (SHC-02). Já no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi registrada uma concentração baixa: 9,74 cópias por litro.

Concentração do novo coronavírus no esgoto dos pontos especiais de monitoramento em Belo Horizonte

Brasília (DF)

Com um histórico de medições iniciado no fim de março deste ano, Brasília apresentou respectivamente uma carga de 429, 442, 239 e 377 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes nas semanas epidemiológicas 30 (de 25 a 31 de julho), 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto). Essa carga viral é considerada elevada e corresponde à soma das cargas de oito estações de tratamento de esgotos (ETEs), que, juntas, atendem a cerca de 80% da população do Distrito Federal.

Tanto na semana 30 quanto na 31, as cargas estão subestimadas por não terem sido contabilizadas respectivamente a carga viral da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Brasília Sul e da ETE Riacho Fundo. No período compreendido pelas semanas epidemiológicas 30 e 33, as cargas virais superaram as medidas nas semanas 27 e 29, que variaram entre 181 e 224 bilhões de cópias do vírus por dia para cada 10 mil habitantes, conforme o gráfico a seguir.

Evolução da carga viral no esgoto do Distrito Federal

Entre as semanas epidemiológicas 30 e 33, todos os pontos de monitoramento indicaram concentrações virais médias, entre 4 mil e 25 mil cópias do vírus por litro das amostras (em laranja nos mapas a seguir), ou elevadas, acima de 25 mil cópias por litro (em vermelho). Nesse quesito, dentre as seis capitais acompanhadas pela Rede Monitoramento COVID Esgotos, Brasília foi a única delas somente com pontos com média ou alta concentração nas últimas quatro semanas epidemiológicas.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas no DF entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

Curitiba (PR)

Entre as semanas epidemiológicas 30 (25 a 31 de julho) e 33 (15 a 21 de agosto), Curitiba registrou aumento na carga viral no esgoto em comparação à semana 29, quando foram detectados 45,5 bilhões de cópias por dia para cada 10 mil habitantes. Nas semanas 30, 31, 32 e 33 a carga viral registrada foi respectivamente de 111 bilhões, 73 bilhões, 160 bilhões e 155 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia a cada 10 mil habitantes. No histórico desde março deste ano, a maior carga medida aconteceu na semana 26 (de 27 de junho a 3 de julho): 663 bilhões de cópias.

Evolução da carga viral no esgoto de Curitiba

 Em termos de concentração do novo coronavírus no esgoto de Curitiba, em oito dos nove pontos monitorados foi observada uma concentração média (entre 4 mil e 25 mil cópias por litro das amostras, indicada em laranja no mapa a seguir) ou elevada (acima de 25 mil cópias do vírus por litro, em vermelho) entre as semanas 30 e 33. No período, somente o ponto de monitoramento Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Atuba Sul teve uma concentração baixa (entre 1 e 4 mil cópias por litro) na semana epidemiológica 30, indicada em amarelo.

Na ETE Padilha Sul, que atende a cerca de 290 mil habitantes, a tendência verificada nas semanas 32 e 33 é de aumento considerável da concentração viral. Entre as semanas epidemiológicas 30 e 33, foi observada a tendência de aumento nas concentrações virais no bairro Tarumã e no Boqueirão. Por outro lado, foi identificada a tendência de redução nas concentrações nos pontos CIC-Xisto e na Rodoferroviária.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Curitiba entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

O ponto especial de monitoramento do Aeroporto Internacional Afonso Pena teve concentrações que variaram entre baixa e média durante todo o período de monitoramento. Na semana epidemiológica 33, a última monitorada, houve uma elevação da concentração viral em relação às três últimas semanas anteriores: 14,6 mil cópias por litro das amostras, conforme o gráfico a seguir.

Concentração do novo coronavírus no esgoto do ponto especial de monitoramento em Curitiba

Fortaleza (CE)

Conforme os dados das semanas epidemiológicas 30 a 33 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, Fortaleza registrou baixas cargas do novo coronavírus nos pontos monitorados. Nas semanas 30, 31, 32 e 33 as cargas foram respectivamente de 7,74 bilhões de cópias do vírus por dia para cada 10 mil habitantes; 11,6 bilhões; 5,64 bilhões; e 14 bilhões. No histórico da capital cearense desde 8 de junho, na semana epidemiológica 23, de 6 a 12 de junho, foi medida a maior carga viral na cidade: 34 bilhões de cópias por dia para cada 10 mil habitantes, conforme o gráfico a seguir.

Evolução da carga viral no esgoto de Fortaleza

Na Estação de Pré-Condicionamento, ponto que cobre 61% da população de Fortaleza, o novo coronavírus não foi detectado nas amostras coletadas nas semanas 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto). Especialmente na semana epidemiológica 31, o vírus não foi detectado em cinco dos nove pontos monitorados, o que pode ser percebido nas áreas em verde nos mapas a seguir.

Em amarelo estão as regiões onde estão os pontos de monitoramento em que foram detectadas baixas concentrações do novo coronavírus, entre 1 e 4 mil cópias a cada litro das amostras. Já os poucos pontos em laranja indicam regiões monitoradas com concentração média do novo coronavírus: entre 4 mil e 25 mil cópias por litro das amostras.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nos pontos monitorados em Fortaleza entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

Recife (PE)

Pela primeira vez com dados presentes no boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos, Recife registrou baixas concentrações do novo coronavírus em todos os pontos de monitoramento. Na semana epidemiológica 32, de 8 a 14 de agosto, considerando as três estações de tratamento de esgotos (ETEs) monitoradas na capital pernambucana, o vírus foi detectado somente na ETE Mangueiras, que recebe o esgoto de cerca de 22 mil habitantes. Em Recife também são acompanhadas a ETE Peixinhos e a ETE Cabanga, onde chegam os esgotos de respectivamente 286 mil e 336 mil pessoas.

Nos mapas a seguir as áreas em amarelo apresentaram baixa concentração viral, entre 1 e 4 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras, nas semanas epidemiológicas 30 a 32.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Recife entre as semanas epidemiológicas 30 e 32

Em termos de carga viral, na semana 32, foram registradas 0,2 bilhão de cópias do vírus por dia a cada 10 mil habitantes. No histórico de dados de Recife, iniciado na semana epidemiológica 18, de 2 a 8 de maio, a maior carga viral nos esgotos da cidade foi de 11,8 bilhões de cópias por dia a cada 10 mil habitantes. Tal situação aconteceu na semana 22, de 30 de maio a 5 de junho. Conforme o gráfico a seguir, é possível perceber a redução e o baixo patamar da carga viral em Recife desde a semana epidemiológica 23, de 6 a 12 de junho.

Evolução da carga viral no esgoto de Recife

Rio de Janeiro (RJ)

As concentrações e cargas virais do novo coronavírus no esgoto do Rio de Janeiro permaneceram muito elevadas nas semanas epidemiológicas 30 (de 25 a 31 de julho), 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto): respectivamente 594 bilhões; 1,91 trilhão; 450 bilhões; e 146 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes. A carga medida na semana 31 foi a maior do histórico iniciado em novembro de 2020, superando 1,82 trilhão de cópias verificadas na semana epidemiológica 26 (de 27 de junho a 3 de julho). Nas semanas seguintes (32 e 33) houve forte aumento no número de leitos ocupados por pacientes com COVID-19.

Evolução da carga viral no esgoto do Rio de Janeiro

Em termos de concentração viral nos 14 pontos de monitoramento no Rio de Janeiro, na semana 30 a maioria deles (oito) apresentou uma concentração considerada elevada: acima de 25 mil cópias do vírus por litro das amostras (indicada em vermelho nos mapas a seguir). Já na semana 33, em 11 pontos as concentrações estavam no patamar médio (de 4 mil a 25 mil cópias por litro, indicada em laranja). Essa mudança pode ser explicada pela tendência de redução das cargas virais no Rio. Já na ETE Ilha do Governador, houve a maior concentração do histórico registrada na semana 31.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nos pontos monitorados no Rio de Janeiro entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

Sobre a Rede Monitoramento COVID Esgotos

A Rede Monitoramento COVID Esgotos, lançada em webinar realizado em 16 de abril, acompanhará as cargas virais e concentrações do novo coronavírus no esgoto de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Esse trabalho, uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da COVID-19 no esgoto, busca fornecer subsídios para auxiliar a tomada de decisões para o enfrentamento da pandemia atual.

O último Boletim de Acompanhamento se soma aos boletins já publicados da Rede Monitoramento COVID Esgotos e aos 34 Boletins de Acompanhamento produzidos no contexto do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, realizado com base em amostras de esgotos em Belo Horizonte e Contagem (MG). As lições aprendidas com o projeto-piloto são a base para os trabalhos da Rede.

A Rede Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de acompanhar a presença do novo coronavírus nas amostras de esgoto coletadas em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. A rede busca ampliar as informações para o enfrentamento da pandemia de COVID-19. Nesse sentido, os resultados gerados sobre a ocorrência do novo coronavírus no esgoto das cidades em questão podem auxiliar na tomada de decisões por parte das autoridades locais de saúde.

Com os estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus no esgoto das diferentes regiões monitoradas, o que pode ajudar a entender a dinâmica de circulação do vírus. Outra linha de atuação é o mapeamento do esgoto para identificar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos como uma ferramenta de alerta precoce para novos surtos, por exemplo.

A vigilância do novo coronavírus no esgoto também pode auxiliar nas tomadas de decisão relacionadas à manutenção ou flexibilização das medidas de controle para a disseminação da COVID-19. Também pode fornecer alertas precoces dos riscos de aumento de incidência do vírus de forma regionalizada.

A Rede é coordenada pela ANA e INCT ETEs Sustentáveis com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com os seguintes parceiros: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a Rede conta com a parceria de companhias de saneamento locais e secretarias estaduais de Saúde.

Sobre os parceiros do projeto

ANA

Criada pela Lei nº 9.984/2000, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) é a agência reguladora dedicada a implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos, a Lei das Águas, e coordenar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Com a aprovação do novo marco legal do saneamento básico pela Lei nº 14.026/2020, também cabe ao órgão editar normas de referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico.

Esse trabalho é feito por meio de ações de regulação, monitoramento, gestão e planejamento de recursos hídricos. Além disso, a ANA emite e fiscaliza o cumprimento de normas, em especial as outorgas em corpos d’água de domínio da União – interestaduais, transfronteiriços e reservatórios federais. Também é a responsável pela fiscalização da segurança de barragens de usos múltiplos das águas outorgadas pela instituição.

INCT ETEs Sustentáveis

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis) estuda questões sobre o esgoto sanitário, notadamente para países em desenvolvimento, de forma a contribuir para a promoção de mudanças estruturais e estruturantes nos serviços de esgotamento sanitário, a partir da capacitação profissional, desenvolvimento de soluções tecnológicas apropriadas às diversas realidades nacionais, construção e transmissão de conhecimento para a sociedade, órgãos governamentais e empresariais.

Em artigo, Sonia Guajajara afirma que “nada justifica o olho gordo em nossas terras”

Não somos nós que podemos acabar com o agronegócio, mas ele mesmo

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Por Sonia Bone Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)*

Minha língua materna é a ze’egete, que significa “a fala boa”. Sou formada em Letras, pela Universidade Estadual do Maranhão, também conheço muito bem o português e sei interpretar suas nuances. “Narrativa”, palavra adotada como mágica pelos seguidores do presidente, é definida no dicionário como “texto em prosa cujos personagens figuram situações fictícias, imaginárias”. E ela define a fala má dita na semana passada por Bolsonaro sobre o julgamento da tese do “marco temporal” no Supremo Tribunal Federal (STF): “Se mudar o entendimento passado, de imediato nós vamos ter que demarcar, por força judicial, uma outra área equivalente à região sudeste como terra indígena. Acabou o agronegócio, simplesmente acabou”. Como é possível caber tanta ficção em apenas duas frases?

Ruralistas chegaram a pagar anúncios de página inteira nos jornais para ajudar a vender a fantasia presidencial; mas, no mundo real, se o STF decidir sepultar de vez o “marco temporal” não estará modificando nenhum “entendimento passado”. Na verdade quem fez isso foi a Advocacia Geral da União (AGU), durante o governo Michel Temer, quando emitiu o Parecer 001/2017. O “marco temporal” – que pretende determinar que somente os povos indígenas que estivessem ocupando suas terras na data da promulgação da Constituição poderiam reclamar sua posse – não era previsto por lei. Grace Mendonça, titular da AGU na época, valeu-se do voto do ex-ministro Ayres de Britto no julgamento sobre a homologação da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, para formular seu entendimento, digamos, equivocado.

Em março de 2009, a Suprema Corte havia decidido que a TI deveria ser demarcada “de forma contínua” e não em “ilhas”; logo, propriedades não indígenas ficariam de fora da área delimitada. Apenas o voto de Britto, aposentado em 2012, fazia menção ao “marco temporal”. Em outubro de 2013, o tribunal foi novamente acionado para julgar apelações contra a sua decisão. E além de manter o veredicto, o STF determinou que ela não teria efeito vinculante – ou seja, não poderia ser usada em outros casos semelhantes. Aliás, a tese do “marco temporal” sequer foi aplicada no processo original da Raposa Serra do Sol, já que havia posses não indígenas nos limites de seu território que datavam do início do século XX e foram anuladas. Isso não é história, é História.

Bolsonaro prometeu que faria o Brasil voltar ao que era há 50 anos, mas a aprovação do “marco temporal” levaria o país a recuar ao período colonial. O Alvará de 1º de abril de 1680, sancionado pela Lei de 6 de julho de 1775, já estabelecia que em “terras outorgadas a particulares, seria sempre reservado o direito dos índios, primários e naturais senhores delas”. Lamentavelmente, o presidente também não será obrigado a fazer nada “de imediato”: o artigo 67 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição de 1988 estabelecia um prazo de cinco anos para que todas as TIs estivessem demarcadas. Ou seja, o Estado brasileiro está 28 anos atrasado. E a demanda por novas demarcações é pequena, já que dos 724 processos, 67% já foram concluídos.

Hoje, as terras indígenas ocupam 13,8% do território nacional. Parece muito, mas a porcentagem é menor que a média mundial, que chega a 15%, segundo um estudo publicado na revista “Nature Sustainability”, em 2018. Se comparado à porcentagem ocupada por propriedades rurais, a gente perde de goleada: 41%, sendo que 22% são tomados por pastagens – metade em estado de degradação – e 8% com plantações. São 421 TIs já homologadas, que totalizam 1.066.000 km² e 303 em fase demarcação, ou 110.000 km². Nelas vivem mais de 600 mil pessoas. Enquanto isso, 51,2 mil latifúndios, ou 1% das propriedades, ocupam 20% do território brasileiro. Quem me contou isso não foram os encantados, mas o Diário Oficial da União (DOU), o IBGE, a Funai, o Instituto Socioambiental e o projeto MapBiomas. São informações acessíveis a qualquer um.

Ainda para efeito de comparação, a TI Ibirama-La Klãnõ, ironicamente reclamada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e cujo julgamento o STF tornou de repercussão geral, tem 370 km² e dela dependem 2.057 pessoas (além dos Xokleng, vivem nela indígenas Guarani, Guarani Mbya, Guarani Ñandeva e Kaingang); já a Fazenda Nova Piratininga, que pertence a três empresários, ocupa 1.350 km², uma área quase quatro vezes maior, onde pastam 105 mil bois. O maior latifúndio do país fica em Goiás, cujo território é 77% ocupado pelo agronegócio e 0,1% por TIs. Santa Catarina é o segundo estado onde há mais conflitos envolvendo terras indígenas; a proporção entre elas e propriedades rurais é de 0,8% contra 67%.

Não há espírito bandeirante que justifique tamanho olho gordo em nossas terras: só na Amazônia há 510.000 km² – dois Estados de São Paulo – de área não destinada, que poderiam ser usados para produção, demarcações e conservação. TIs são fundamentais para conter o desmatamento – apenas 1,6% da perda de vegetação nativa no país se deu em seus limites entre 1985 e 2020 – e elas armazenam 28,2 bilhões de toneladas de CO₂ na Amazônia, o que dá 33% do total. Sem as terras indígenas e os povos que as protegem, o planeta vai esquentar e o céu vai parar de mandar chuva. Não somos nós que podemos acabar com o agronegócio, mas ele mesmo e as falas más.

*Uma versão um pouco mais curta deste artigo foi publicada na Folha de São Paulo em 31/08/2021 (no site) e em 1/9/2021 (no impresso)

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Este texto foi inicialmente publicado pelo site “Uma gota no oceano” [Aqui!].

Terminei de ler o livro de Caio Pompeia e o indico para quem quiser entender o Agro-negócio

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Depois de um período de convívio, cheguei hoje à página 339 do intenso “Formação política do agro-negócioescrito por Caio Pompeia e publicado pela Editora Elefante. Como já comentei em postagem anterior, este livro, como qualquer obra que reflita um esforço de entender situações complexas e em períodos relativamentes grandes de tempo tem descontinuidades, mas nada que comprometa sua qualidade.

Com essa leitura, consegui um olhar sobre um período de aproximadamente 70 anos anos ao longo do qual o conceito de “agronegócio” saiu da marginalidade para o centro da formulação de políticas públicas relacionadas à produção agropecuária no Brasil. 

A partir dessa leitura me considero mais capacitado a entender a natureza complexa deste setor, suas tensões internas e inimigos comuns (no caso agricultores familiares, povos originários e quilombolas), bem como as relações estabelecidas com diferentes governos e presidentes que resultam em relações mais do que privilegiadas com os ocupantes do poder.

Quem ficou intrigado com a recente defecção de setores do agronegócio em relação ao governo do presidente Bolsonaro estaria apto a entender como essa era uma situação mais do que previsível à luz das tensões e diferenças que marcam a convivência entre os diferentes personagens que compõe esse segmento.

Por essas razões todas, é que indico a compra desta obra, pois o período que se abre demandará um entendimento mais profundo do “agro-negócio” brasileiro.

Iraque pede que produtores de petróleo se concentrem mais em energia renovável

Ministro iraquiano e chefe da Agência Internacional de Energia exortam os países a se afastarem da dependência de combustíveis fósseis

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Queimadores de gás de uma plataforma de produção de petróleo são vistos nos campos de petróleo de Soroush, no Golfo Pérsico. Fotografia: Raheb Homavandi / Reuters

Por Fiona Harvey correspondente do meio ambiente, para o “The Guardian”

O ministro das finanças do Iraque , um dos membros fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), fez um apelo sem precedentes a outros produtores de petróleo para que se afastem da dependência dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, antes de uma importante reunião da Opep.

Ali Allawi, que também é o vice-primeiro-ministro do Iraque, escreveu no The Guardian para exortar os produtores de petróleo a buscar “uma renovação econômica focada em políticas e tecnologias ambientalmente saudáveis” que incluiria energia solar e reatores potencialmente nucleares, e reduzir sua dependência sobre as exportações de combustíveis fósseis.

Junto com o diretor executivo da Agência Internacional de Energia , Fatih Birol, ele escreveu: “Para ter uma chance de limitar os piores efeitos das mudanças climáticas, o mundo precisa mudar fundamentalmente a forma como produz e consome energia, queimando menos carvão, petróleo e gás natural … Se as receitas do petróleo começarem a diminuir antes que os países produtores tenham diversificado com sucesso suas economias, os meios de subsistência serão perdidos e as taxas de pobreza aumentarão. ”

Os ministros dos 13 países membros da Opep devem se reunir virtualmente na quarta-feira para negociar possíveis restrições à produção, já que os preços do petróleo oscilam. A Opep havia concordado anteriormente em aumentar a produção à medida que as economias se recuperavam da pandemia de COVID-19 , mas a desaceleração dos mercados levou alguns a sugerir uma suspensão do aumento .

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu polêmica que a Opep aumentasse ainda mais a produção de petróleo no mês passado, para evitar que os preços do petróleo subissem e ajudar na recuperação econômica dos Estados Unidos. Seu apelo foi rejeitado.

O Guardian entende que a reunião da Opep de quarta-feira também pode discutir a crise climática, em um movimento incomum para os produtores de combustíveis fósseis, antes das conversas climáticas vitais da ONU chamadas Cop26, programadas para Glasgow em novembro.

Allawi e Birol sugeriram que a atual volatilidade do preço do petróleo , impulsionada pela pandemia , foi apenas o começo dos problemas para os produtores. A crise climática não só exigirá um afastamento do petróleo, mas atingirá o Oriente Médio e o norte da África de maneira particularmente grave, onde o aumento das temperaturas já está causando graves problemas.

O recente roteiro global da Agência Internacional de Energia (IEA) para líquido zero até 2050 concluiu que a demanda global por petróleo provavelmente cairá de mais de 90 milhões de barris por dia para menos de 25 milhões em 2050, resultando em uma queda potencial de 85% nas receitas de petróleo – economias produtoras.

“Em uma região com uma das populações mais jovens e de crescimento mais rápido do mundo, as dificuldades econômicas e o aumento do desemprego podem criar inquietação e instabilidade mais amplas”, escreveram Allawi e Birol.

Uma alternativa para permanecer amarrado aos preços cada vez mais voláteis do petróleo seria investir em energias renováveis, especialmente energia solar. “O setor de energia pode desempenhar um papel aqui, aproveitando o vasto potencial da região para produzir e fornecer energia limpa”, escreveram.

O Iraque é um membro fundador do cartel que inclui muitos dos maiores produtores mundiais , incluindo Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Venezuela, Nigéria e vários outros países africanos produtores de petróleo. O grupo Opec + também inclui a Rússia e alguns produtores menores. A maioria tem sido hostil aos apelos por ação sobre mudança climática, enquanto alguns têm desprezado a ciência do clima e a Arábia Saudita, em particular, tem frequentemente obstruído as negociações da ONU sobre ação climática global .

A AIE alertou em maio que, para o mundo ficar dentro de 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais, o limite mínimo estabelecido no acordo de Paris – do qual todos os membros da Opep são signatários -, toda nova exploração de petróleo deve cessar a partir deste ano .

Questionado sobre as descobertas, o príncipe Abdulaziz bin Salman, ministro da Energia da Arábia Saudita, disse a repórteres após uma reunião da Opep em junho: “Eu teria que expressar minha opinião de que acredito que seja uma sequência do filme La La Land … Por que devo levar isso a sério? ”

No passado, os ministros sauditas flertaram com a ação climática, por exemplo, sugerindo que o país poderia se abastecer com energia solar no futuro. Mas nenhum sugeriu seriamente uma política para cessar as exportações de petróleo.

No entanto, alguns produtores de petróleo assumiram uma postura mais direta. Omã, que não é mais membro da Opep, está buscando o hidrogênio como um potencial combustível de baixo carbono para o futuro. Os Emirados Árabes Unidos também estão trabalhando com hidrogênio e estimulando energias renováveis, e recentemente inauguraram uma nova usina nuclear. Egito, Marrocos e Jordânia estão entre outros países da região com programas consideráveis ​​de energia renovável.

Birol, um dos maiores economistas de energia do mundo, disse ao The Guardian: “Mais do que em qualquer momento da história, mudanças fundamentais no modelo econômico em países ricos em recursos parecem inevitáveis. Os países da região têm feito alguns esforços na transição energética. Existem iniciativas promissoras [entre os produtores de petróleo], mas como é o caso de muitos outros países ao redor do mundo, chegar a emissões líquidas zero exigirá ações muito mais fortes e uma colaboração internacional muito maior ”.

Ele acrescentou: “A IEA vem alertando há muitos anos que os países que dependem fortemente das receitas do petróleo e do gás precisam se mover rapidamente para diversificar suas economias, afastando-se dos combustíveis fósseis para acompanhar o ritmo da transição para a energia limpa. O impacto da Covid no mercado de petróleo no ano passado nos deu uma imagem fugaz de como as economias da região poderiam ser no futuro, em um mundo onde a demanda por petróleo e gás é estruturalmente mais fraca – e onde os países não tomam medidas sérias para diversificar seus economias e aumentar sua resiliência. ”

Na quarta-feira, os preços do petróleo caíram ligeiramente depois que analistas disseram esperar que a Opep siga seu plano de aumentar gradualmente a produção de petróleo.

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Viva a Amazônia! Curiosidades sobre a maior floresta do mundo

No dia 5 de setembro é comemorado o Dia da Amazônia. A data surgiu como uma forma de chamar a atenção da população para o maior bioma do mundo e National Geographic faz isso listando 20 fatos sobre a região amazônica. Confira!

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 Através da campanha O que você faz Importa, National Geographic reforça o seu compromisso com a sustentabilidade e convida o público a adotar novos hábitos baseados em cinco pilares: reduzir o consumo de energia; evitar o uso de plásticos descartáveis; repensar o consumo; adotar meios de transporte sustentáveis; e inspirar os outros, gerando consciência e participação.

Agora, em 2021, a campanha, que foi desenvolvida com uma economia de recursos gráficos e peças que trazem o conceito mais minimalista,  entra numa nova fase de comunicação com a missão de promover a conscientização sobre as Mudanças Climáticas, além de continuar inspirando a prática de hábitos mais sustentáveis, através de ações e ativações que acontecerão durante o mês de setembro – iniciando no Dia da Amazônia (05 de setembro) – e outubro, culminando no Dia Mundial Contra as Mudanças Climáticas (24 de outubro).

Para o Dia da Amazônia, no próximo domingo, a National Geographic traz curiosidades sobre o maior bioma do mundo com o objetivo de reforçar a mensagem sobre a importância da conservação da região, ressaltando para o público sua grandiosidade e necessidade de preservação desse tesouro mundial.

As informações abaixo são encontradas no site oficial da National Geographic Brasil, que também conta com uma página dedicada à Amazônia, na qual o público encontrará uma gama de informações sobre a região, além de contar com matérias especiais assinadas pelos exploradores National Geographic, que atuam na linha de frente de projetos de pesquisa e exploração, ajudando a expandir o conhecimento do público e gerando soluções para um futuro mais sustentável.

Confira!

  1. Nove países e nove estados: A Amazônia é a maior floresta em território, ocupando cerca de nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela e no Brasil. No território brasileiro, o bioma ocupa nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Tocantins e parte do Maranhão e do Mato Grosso, o equivalente à quase metade do território nacional.
  2. Flora amazônica exclusiva: A Vitória Régia é uma planta típica da região e se destaca por ser uma das maiores plantas aquáticas do mundo. Uma única folha dela pode chegar a um diâmetro de até 33 centímetros.
  3. Um pequeno país: Com cerca de 5.500 quilômetros quadrados, se a Amazônia fosse um país, seria o sétimo maior do mundo, ficando atrás da Austrália (7.692 km²) e à frente da Índia (cerca de 3 mil km²).
  4. Rios voadores: A alta umidade do ar na região amazônica tem uma relação direta com a quantidade de árvores que lá existem. São cerca de seis mil espécies conhecidas, sendo que algumas delas têm raízes que conseguem penetrar cerca de 30 metros o solo, retirando assim toda a água necessária. Os troncos e galhos funcionam como tubulações levando essa água até as flores, que por sua vez transpiram e jogam toda essa umidade no ar. Cada árvore chega a bombear cerca de 500 litros de água no ar por dia, totalizando 20 bilhões de toneladas de água lançados no ar diariamente na Amazônia. Parte dessa água volta ao solo em formato de chuva e outra parte é transformada nos “rios voadores”, representados em grandes nuvens que sobrevoam a região.
  5. Ar-condicionado do mundo: Ao contrário da informação de conhecimento popular que a Amazônia contribui com 20% do oxigênio na atmosfera, o bioma – na verdade – contribui com cerca de 20% do oxigênio produzido pela fotossíntese no planeta. Em seu estado mais primitivo, a Amazônia faz uma contribuição significativa para retirar o dióxido de carbono da atmosfera, o que não chega a ser um par de pulmões, e sim se assemelha a um ar-condicionado gigante que resfria o planeta.
  6. Alagamentos emergenciais: Assim que os afluentes amazônicos atingem os seus níveis mais baixos, as chuvas torrenciais começam a cair com uma força brutal. Em um espaço de poucos meses, a floresta fica submergida, chegando a quase 30 metros de alagamento na selva, que é suficiente para cobrir um edifício de dez andares.
  7. Selva Submarina: O interesse em cultivar florestas capazes de absorver as emissões de carbono, as florestas subaquáticas, começa a aumentar na região amazônica. Cada vez mais, pesquisas documentam o potencial das plantações de algas marinhas no combate às alterações climáticas. As selvas submarinas de algas e macroalgas de crescimento rápido são altamente eficazes em armazenar carbono e ajudam a mitigar a acidificação, desoxigenação e outros impactos marinhos do aquecimento global.
  8. Uma espécie por dia: A Amazônia brasileira é tão cheia de vida que os exploradores têm descoberto novas espécies de plantas ou animais quase que diariamente. Esta é a conclusão de um estudo de dois anos sobre as espécies recém-descobertas, conduzido pela World Wildlife Fund (WWF). Só em 2017, foram encontradas 216 novas espécies de plantas, 93 de peixes, 32 de anfíbios, 19 de répteis, uma ave e 18 mamíferos.
  9. Maior volume de água do planeta: A Amazônia é cortada pelo rio Amazonas, responsável por drenar mais de sete milhões de quilômetros quadrados de terras e com vazão anual média de 176 milhões de litros de água por segundo, dando a ele o pódio de maior rio em volume de água do mundo. Na foz, o rio produz 100 milhões de litros d’água por segundo.
  10. Fruto típico amazônico: o fruto do Guaraná foi descoberto em 1821 por Humboldt em tribos indígenas do município hoje chamado de Maués. Os índios da região consideravam o guaraná sagrado e utilizavam a pasta do fruto como remédio.
  11. A economia verde: A economia com baixa emissão de carbono é uma das grandes impulsionadoras da economia Amazônica, fazendo a região dar um salto em sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
  12. Maior manguezal: A costa amazônica possui o maior número de manguezais no Brasil. Cerca de 80% dos manguezais do país se encontram na região, sendo característicos por abrigarem uma enorme deposição de material lamoso cheio de nutrientes.
  13. Rio subterrâneo: Cientistas descobriram que existe um rio subterrâneo embaixo do Rio Amazonas, batizado de Hamza em homenagem ao pesquisador Valya Hamza. Ele se encontra a quatro mil metros de profundidade, conta com seis mil quilômetros de extensão e corre no mesmo sentido do Rio Amazonas.
  14. Super peixes: Na Amazônia é onde se encontra o maior número de peixe elétrico. Capaz de produzir descargas que variam entre 300 e 1.500 volts, suficiente para matar um cavalo, a espécie chega a medir três metros e podem pesar 30 quilos.
  15. Areia desértica: A Floresta Amazônica recebe areia do deserto do Saara por meio dos ventos, que levam minerais que fertilizam o solo amazônico.
  16. A onda gigante: A palavra Pororoca foi adotada para se referir a um dos mais impressionantes fenômenos da natureza, que ocorre quando as águas do mar se encontram com um rio e formam uma grande onda que pode atingir até 4 metros de altura e durar até uma hora e meia, avançando 50 quilômetros no rio Amazonas adentro.
  17. Povo Indígena:  Um dos maiores símbolos da Amazônia são as tribos indígenas, presentes na região muito antes do Brasil ser colonizado. Atualmente, os maiores grupos de índios da Amazônia são os Guaranis, Xerentes, Amawákas, Anambés, Kambebas e os Aruá. No entanto, há mais de 200 diferentes etnias espalhadas por todo o Brasil.
  18. Inseto enorme: Você sabia que na Floresta Amazônica existe uma centopeia gigante (Scolopendra Gigantea) que se alimenta de sapos, grilos, pássaros, cobras, entre outros animais de porte grande?
  19. Flora aquática: Na Amazônia são encontrados duas espécies de botos, conhecidos como golfinhos de água doce: o cor-de-rosa e o boto-preto. Além disso, nos rios amazônicos, concentram-se cerca de 85% dos peixes de toda a América do Sul.
  20. Legado de Chico Mendes: 32 anos após sua morte, o seringueiro Chico Mendes continua como o maior símbolo da luta dos povos extrativistas pelo uso das terras que ocupam há décadas, em específico, e pela preservação da Amazônia, num âmbito geral.

E ainda tem mais! Os exploradores da National Geographic apresentam mais algumas informações que você (provavelmente) não sabia sobre a Amazônia.

– A Amazônia (e o Rio Amazonas) tem 10 milhões de anos. Julia Tejada, paleontóloga e exploradora da Nat Geo, conta que a origem da Amazônia está ligada à ascensão dos Andes, ou seja, sem os Andes não haveria Amazônia e/ou sua flora e fauna.

– A Amazônia é a principal fonte de biodiversidade neotropical.  Segundo Julia, muitos estudos mostram que a maioria das espécies existentes em outras partes região neotropical – que se estende aproximadamente do sul do México ao sul do Brasil – teve origem na Amazônia.

– Um dos eventos mais importantes na Amazônia é o “pulso de inundação”. Fernando Trujillo, biólogo marinho e explorador da Nat Geo, conta que – graças às chuvas abundantes nos Andes – o nível dos rios pode aumentar até 15 metros verticalmente e milhares de quilômetros planos. Portanto, todas as espécies que vivem na Amazônia estão adaptadas a isso e, quando o nível da água começa a subir, os peixes, por exemplo, se preparam para fazer migrações reprodutivas.

– Um único hectare de floresta alagada pode produzir até 20 toneladas de sementes e frutas por ano, o principal alimento para muitos peixes.  Ao mesmo tempo, quando a floresta atinge seu nível máximo de inundação, a maioria das árvores libera seus frutos para dispersá-los. Portanto, quando a floresta é desmatada, os peixes são diretamente afetados.

– Muitas plantas e animais da Amazônia são a base de alguns medicamentos que usamos e também podem ser o futuro da segurança alimentar do planeta. Por exemplo, o inseto medicinal mais usado na Amazônia também é muito rico em proteínas, conforme conta Rosa Vásquez Espinoza, bióloga química e exploradora da Nat Geo. Recentemente, o uso tradicional do escarabajo suri ficou conhecido por, além de tratar diversas doenças respiratórias, também contribuir em termos de benefícios nutricionais devido ao seu alto teor proteico.

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–  Você sabia que os botos da Amazônia podem mudar de cinza para rosa muito intenso em poucos minutos? Fernando Trujillo menciona que os botos, assim como os humanos quando fazem atividade física, enviam muito sangue para os vasos sanguíneos periféricos para regular a temperatura.  Diante disso, os humanos avermelham a pele e os botos, por outro lado, adquirem uma tonalidade muito rosa. Entretanto, nem todos eles mudam de cor e isso parece ser influenciados pelos fenótipos, também assim como nos humanos.

– Estima-se que em quatro séculos de mineração na Amazônia, mais de 200 mil toneladas de mercúrio foram descarregadas nos rios. Mercúrio é usado para separar o ouro dos sedimentos. Muitas vezes a compra de ouro promove a mineração ilegal na Amazônia com processos sérios de desmatamento e poluição por mercúrio.

Fogo já impactou 90% das espécies de animais e plantas da Amazônia

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Em quase duas décadas, 90% das espécies de animais e plantas da Amazônia já foram impactadas por incêndios. É o que mostra estudo publicado na revista “Nature” na quarta (1/09) de pesquisadores da Universidade do Arizona, com participação de pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), com apoio do Instituto Serrapilheira.

O estudo buscou identificar quanto da distribuição das espécies da Amazônia brasileira foi atingida pelos incêndios florestais entre os anos de 2001 e 2019.  Por meio de imagens de satélites, os pesquisadores mapearam o fogo e sobrepuseram essas imagens com mapas que mostram as áreas de ocorrência de 11.514 espécies de plantas e 3.079 espécies de animais, a fim de quantificar a extensão da área impactada para cada espécie. Para algumas espécies, mais de 60% da área original sofreu impacto dos incêndios nesse período de quase 20 anos.

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Visão geral da riqueza de espécies de plantas e vertebrados e impactadas pelo fogo floresta na Bacia Amazônica.a, b, Mapa de riqueza de planta (a) e vertebrado (b) espécies na Bacia Amazônica. c, área queimada MODIS (reamostrada para 10 km) mostra floresta impactada pelo fogo, com preto representando áreas não florestais mascaradas fora deste estudo. Barra de escala, 500 km. d – f, exemplos de três espécies, Allantoma kuhlmannii (d) (status IUCN: criticamente em perigo), Opisthocomus hoazin (hoatzin) (e) (status IUCN: menos preocupação) e Ateles marginatus (macaco-aranha de bochechas brancas) (f) (status da IUCN: em perigo), que são estimado em 36,7–37,7%, 1,8–2,6% e 4,1–5,9% de sua área amazônica extensão da floresta impactada, respectivamente. Créditos da fotografia: d, adaptado de The New York Botanical Garden Herbarium sob uma licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/); e, Mathias M. Pires; f, adaptado de Rich Hoyer sob uma licença CC BY 2.0 (https: // creativecommons. org / licenças / por / 2.0 /).

Nas análises, Mathias Pires, pesquisador da Unicamp e um dos autores, identificou a ocorrência do fogo em áreas bem mais centrais da Amazônia nos últimos anos e não só naquelas que estão nos limites do bioma, que são áreas mais propensas a incêndios devido ao clima mais seco. No primeiro caso, as queimadas são causadas pela ação humana para transformar a floresta em pasto para gado.

Além de causar a morte de animais, o fogo também transforma o habitat das espécies, comenta Pires. “As plantas amazônicas não têm adaptações ao fogo como as plantas do Cerrado, por exemplo, e geralmente morrem após a passagem do fogo, transformando a floresta fechada em ambientes abertos”. O pesquisador afirma que as mudanças climáticas tornarão essa região mais seca, favorecendo ainda mais o aparecimento de incêndios.

Os ciclos do fogo na Amazônia

O estudo identificou, também, três grandes ciclos de incêndio na Amazônia, que se relacionam com os momentos políticos do país: até 2008, os incêndios eram mais frequentes e impactavam uma área bem maior; já entre 2009 e 2018, com as políticas de controle de desmatamento, mesmo com o tempo seco, conseguiu-se evitar os incêndios. Em 2019 houve um impacto do fogo maior do que esperado, o que coincide com o relaxamento de aplicação dessas políticas pelo governo.

“Nosso estudo destaca uma conexão muito estreita entre a política brasileira, o desmatamento e as queimadas na Amazônia”, comenta o pesquisador da UFMG Danilo Neves, co-autor da pesquisa. Para reverter essa situação, seria preciso investir na fiscalização e monitoramento das queimadas na região. “Caso contrário, mais espécies serão impactadas e ecossistemas inteiros entrarão em colapso”, alerta.

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Este material foi originalmente publicado pela Agência Bori [Aqui!].

Tema “Mudanças climáticas” é destaque em curso internacional para professores brasileiros

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A abordagem das “Mudanças Climáticas” em sala de aula foi destaque na “Academia de Ação Climática”, curso para professores brasileiros que contou com a participação de 96 educadores de 21 estados do país. Desses, 90% receberam bolsas integrais de instituições parceiras. A iniciativa é da ONG chilena 2811em parceria com a Climate-KIC, que também ministrou o treinamento para professores de Portugal. A 2811 já capacitou docentes no Chile, Colômbia, USA e Alemanha.

Durante os meses de Julho e Agosto, educadores das redes pública e privada foram capacitados a mostrar aos alunos soluções para reduzir os problemas ambientais que atingem o país e o mundo. O curso forneceu recursos para que professores não só biológicas e geografia, mas também ciências sociais, matemática, educação física, e outras áreas de estudo, incorporem o tema das mudanças climáticas em seus planos de aula. O objetivo principal é que esse conteúdo seja multiplicado em classe, fornecendo ferramentas para os jovens se envolverem com ações climáticas inovadoras.

O diretor da 2811, Waldo Soto, explica que a versão do curso em português enfatizou que as questões da promoção da educação para a “ação climática” têm relação direta com “justiça climática”, já que os impactos da crise são ligados às desigualdades sociais, disparidades territoriais e capacidade adaptativa.

“Escolhemos capacitar os professores brasileiros também porque o país está exposto a muitos dos impactos causados pelo aquecimento global: seca, enchentes e deslizamentos de terra, por exemplo. Por outro lado, o Brasil possui um elevado potencial de liderança na transformação para a ação climática em razão da extensão territorial, da diversidade e da relevância econômica. O país é naturalmente um candidato forte para agir no atual cenário, que exige ação imediata”, afirma Soto.

Marca da Academia de Ação Climática. Foto: divulgação.

Ao longo do curso, os educadores receberam e desenvolveram planos de aulas para criarem oportunidades educacionais e ampliar a conscientização de crianças e jovens.  

A bióloga e professora Carolina de Brito Maciel, que participou do curso, já levou para os alunos da periferia da Zona Oeste do Rio de Janeiro, por exemplo, o uso da calculadora de CO2. A ideia foi reforçar os aprendizados de matemática e a importância de reduzir as emissões de gases.

“Eles não faziam ideia da quantidade de emissão de gases que a nossa rotina impacta no meio ambiente e ficaram reflexivos quando descobriram sobre quantas árvores precisam plantar para compensar as emissões. Logo depois se animaram para calcular a eletricidade que usam, o transporte e como poderiam mitigar o que emitiram”, relata a professora Carolina.

Além da participação no curso, os professores brasileiros se juntaram a uma comunidade de educadores focados em sustentabilidade, e receberam o certificado da Climate-KIC (Comunidade de inovação e conhecimento da União Europeia para a ação climática).

Até agora a Academia de Ação Climática da Plataforma 2811 já capacitou mais de 500 professores na Europa, Estados Unidos e América Latina e mais de 100 no Brasil e Portugal.

A expectativa é treinar cerca de 10 mil professores no mundo até o fim de 2022. A próxima turma no Brasil deve iniciar no primeiro semestre de 2022.

Sobre a 2811   

A Plataforma 2811 atua há cinco anos na promoção da inovação social e do desenvolvimento sustentável a partir do espaço acadêmico, trabalhando em parceria com fundações, empresas, organizações da sociedade civil e universidades. Atualmente a ONG atua diferentes países incluindo Chile, Peru, Colômbia, México, Brasil, Estados Unidos e Alemanha.

Mais informações

https://2811.cl/

https://pt.climateactionacademy.org/