Eny Moreira, advogada de presos políticos, criadora do Comitê Brasileiro pela Anistia e autora do livro Brasil: nunca mais.
Morreu hoje em São Paulo aos 77 anos, a advogada Eny Moreira Raimundo (ou apenas Eny Moreira como ela preferia ser chamada). Tive a oportunidade de entrevistar Eny Moreira em 2009 para levantar informações para um capítulo de livro que escrevi sobre a sua luta em prol dos presos políticos da ditadura militar de 1964 que compôs o livro “Advogados e a ditadura de 1964: a defesa dos perseguidos políticos no Brasil” que foi publicado em parceria pelas editoras PUC-Rio e Vozes em 2010.
Na época de nosso encontro Eny Moreira se recuperava, se eu me lembro bem, dos efeitos de acidente vascular cerebral, motivo pela qual ela portava uma bengala que empunhava vigorosamente ao longo de nossa conversa em que eu tentava sem muito sucesso obter a perspectiva dela sobre sua própria luta. Uma coisa marcante que ela me disse naquela dia foi que não teve tempo para ter medo por sua própria segurança, pois era movida por uma imensa indignação pelos atos bárbaros que estavam sendo cometidos contra os prisioneiros políticos do regime militar.
Eny Moreira era uma pessoa de estatura pequena, mas isso nunca a impediu de ser uma grande lutadora contra os abusos cometidos pelos militares, tendo se tornado famosa por ir até os “porões” do regime para salvar seus “clientes” da tortura e da morte. Escrevi sobre esses aspectos da luta de Eny Moreira com genuína admiração, pois tudo o que eu li sobre ela apontava para uma jovem advogada dotada de grande capacidade argumentativa, mas, acima de tudo, destemida.
Mas melhor do que eu falar sobre Eny Moreira e sua luta é ouvir dela própria como as coisas se deram. Por isso, posto abaixo o depoimento dado por ela em 2014 na Comissão Nacional da Verdade no Rio de Janeiro. Aí ela aparece com sua intensidade e lucidez, como poucos poderiam ter feito.
A substância apurada pelo órgão ambiental do Amapá foi o cianeto, utilizado na indústria extrativa
Uma barragem de resíduos da empresa despejou cianeto em dois corpos d’água, matando um grande número de peixes. | Foto: selesnafes.com/
Autoridades do estado brasileiro do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa e o Suriname, informaram nesta quarta-feira que multaram a mineradora Mina Tucano, subsidiária da canadense Great Panther, em 50 milhões de reais (quase 10 milhões de dólares) após ter contaminado com cianeto de mercúrio usado para extrair dois riachos na área, e causar a morte de um grande número de peixes.
Segundo informações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá, a multa foi aplicada no dia 21 de dezembro por contaminação de dois córregos no município de Pedra Branca do Amaparí, a 200 quilômetros de Macapá, capital.
A Tucano Mine é especializada em ouro e é subsidiária da Great Panther Mining Limited, com sede em Vancouver, Canadá, e também possui operações no México e Peru.
De acordo com o relatório técnico do órgão ambiental do Amapá, houve contaminação devido ao lançamento de líquidos industriais em águas naturais, o que resultou na alteração da qualidade da água e na morte de peixes.
“Após coleta e análise meticulosa constatou-se que os corpos d’água dos igarapés Silvestre e Areia sofreram intervenções que resultaram em danos ambientais com impactos negativos nos ambientes físico, biótico e socioeconômico, indicados pela significativa perda de fauna aquática”, expressou a secretária de Meio Ambiente, Josiane Ferreira.
O responsável afirmou que houve três autos de infração distintos: um após a constatação de que a empresa causou a morte de peixes e outros animais e para o qual foi aplicada multa de R $ 45 milhões. A segunda autuação resultou em multa de R $ 2 milhões por descumprimento do pedido de informações da Secretaria e não resposta dentro do prazo.
A terceira autuação, com multa de 3 milhões, é dada pelo descumprimento de uma das condições do licenciamento, referente a sinistros na área do empreendimento e a obrigação de comunicá-lo imediatamente.
De acordo com nota do Governo do Amapá, foi detectada alta concentração de cianeto em uma barragem de estéril da empresa, de modo que um grande número de peixes morreu nos riachos.
Este é o maior crime ambiental registrado no Amapá nos últimos anos. O órgão ambiental informou que a fiscalização da empresa será intensificada a partir de agora, já que a Mina Tucano havia se comportado com responsabilidade ambiental até agora.
Este texto foi escrito originalmente em espanhol e publicado pela Telesur [ ].
Inundações severas no Brasil. O presidente Bolsonaro está de férias. Bahia aceita ajuda da Argentina
Morador de Dario Meira na Bahia tentou na última terça-feira resgatar alguns pertences a cavalo
Por Frederic Schnatterer para o JungeWelt
O chefe de estado da ultradireita Jair Bolsonaro passou os dias próximos ao Ano Novo no estado brasileiro de Santa Catarina. Enquanto outras regiões do país sofriam fortes inundações, Jair Bolsonaro se divertia no jet ski ou no parque de diversões, como mostram as imagens da TV. Para interromper as férias, o presidente finalmente foi movido por dores abdominais na segunda-feira. Ele deu entrada em um hospital de São Paulo na madrugada (hora local) para tratamento.
De acordo com as autoridades locais, no domingo, o estado de emergência foi declarado para 153 comunidades no estado da Bahia, devido ao recorde de chuvas, e 124 vilas e cidades no leste de Minas Gerais. A emissora de notícias latino-americana Telesur informou que pelo menos 31 pessoas já morreram nas enchentes . Além disso, há dezenas de feridos e dezenas de milhares de pessoas tiveram que deixar suas casas para chegar a um local seguro. Diversos meios de comunicação noticiaram que as chuvas estão diminuindo novamente, principalmente na Bahia. Para as demais regiões do Brasil, porém, a previsão é de fortes chuvas nos próximos dias.
Na quinta-feira, o Bolsonaro – já de férias – recusou uma oferta de ajuda da Argentina, país vizinho ao sul. Ignorando a situação dramática, ele afirmou através do Twitter que o suporte “não era necessário” no momento. Em sua “live” diária, que é transmitida semanalmente nas redes sociais, ele agradeceu ao presidente argentino Alberto Fernández pela oferta. Ao mesmo tempo, porém, afirmou que “dez pessoas não nos ajudariam no momento e podem causar ainda mais dificuldades”. O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, já havia se oferecido para usar dez chamados capacetes brancos na Bahia, que poderiam, por exemplo, tratar água potável, desinfetar áreas ou aconselhar as autoridades locais.
O governador do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia, Rui Costa, que já havia afirmado que foi “a pior catástrofe da história baiana”, condenou a oposição de Bolsonaro. Ele anunciou também no Twitter que seu estado aceitaria o auxílio argentino, independentemente da atitude do governo federal. E acrescentou: “Falo a todos os países do mundo: a Bahia aceitará qualquer ajuda neste momento – diretamente, sem que passe pelos canais diplomáticos oficiais”. Costa descreveu 21 milhões de euros oferecidos pelo governo federal para dar conta das consequências das chuvas como “totalmente inadequados”.
Bolsonaro afirmou que o motivo da rejeição da ajuda argentina não se deveu a divergências ideológicas com o governo de Buenos Aires, e que Brasília em geral estava aberta a ofertas semelhantes. Grande parte do público brasileiro não acredita nisso. Fernández é conhecido por criticar duramente o governo brasileiro e é considerado amigo do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva. O político do Partido dos Trabalhadores (PT), que governou o Brasil de 2003 a 2010 e foi afastado impedido de participar das eleições de 2018 com a ajuda de uma acusação que agora foi claramente identificada como politicamente motivada, deve concorrer contra Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro. Enquanto o apoio à ultradireita continua diminuindo e, segundo a última pesquisa do Datafolha de 17 de dezembro, é de apenas 21%, enquanto Lula deve receber 47% dos votos.
Lula ainda não anunciou oficialmente sua candidatura. Na sexta-feira, porém, ele se dirigiu aos seus compatriotas no estilo de um futuro chefe de Estado. Em saudação de Ano Novo, disse que em 2022 trabalhará para garantir “que todos os brasileiros possam levar uma vida com dignidade e que tenhamos de volta um país que nos enche de orgulho”. Lula também expressou solidariedade aos moradores das regiões inundadas.
Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “JungeWelt” [Aqui!].
O resultado desse movimento de compras veio em forma de inflação mundial
Por Leonardo Gottems para o Agrolink
A China vai controlar 69% das reservas de milho de todo o mundo já no primeiro semestre de 2022, além de 60% das reservas de arroz e 51% do trigo. As projeções são do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), segundo o qual esse acúmulo aumentou em cerca de 20 pontos percentuais nos últimos 10 anos.
Considerando que as afirmações vieram do maior adversário dos chineses, a informação poderia ter um viés suspeito. No entanto, a “fome” do gigante asiático é comprovada por declarações vindas do próprio governo comunista.
“A China detém atualmente um estoque de alimentos em níveis historicamente altos […] que conseguem responder a uma demanda equivalente a um ano e meio”, afirmou no último mês de novembro Qin Yuyun, responsável pelo departamento de cereais da Administração Nacional de Alimentos e Reservas Estratégicas de Pequim.
Apenas em 2020 a China gastou US$ 98,1 bilhões de dólares em importações de alimentos, de acordo com os dados da Administração Geral e Alfandegária do país asiático. De janeiro a setembro de 2021, Pequim reforçou as suas reservas nos maiores níveis desde 2016 comprando mais soja, milho e trigo entre duas a doze vezes mais que Brasil e EUA, por exemplo.
O resultado desse acúmulo de reservas veio em forma de inflação: segundo os dados da Agência para a Alimentação e Agricultura da ONU, os preços dos alimentos dispararam 30% num ano em todo o mundo. Em novembro, o índice alimentar das Nações Unidas voltou a registar um novo máximo de 10 anos. “A acumulação da China é uma das razões para o aumento dos preços”, afirmou Akio Shibata, presidente do Instituto de Investigação de Recursos Naturais de Tochigi, em entrevista ao Nikkei Asia.
Este texto foi inicialmente publicado pelo site especializado “Agrolink” [Aqui!].
Por Bernardo Galvão-Castro, Renato Sérgio Balão Cordeiro e Samuel Goldenberg*
Apesar da resistência dos cientistas brasileiros, a ciência no Brasil tem sido prejudicada por medidas implementadas pelo governo federal nos últimos 3 anos, como cortes crescentes no orçamento, ataques à autonomia das universidades e uma política geral de negação da ciência. Um recente corte de US$ 110 milhões no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além da retenção de US$ 490 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, não apenas representa um enorme impedimento para a realização de pesquisas em universidades e institutos de pesquisa, mas também prejudica o desenvolvimento científico futuro de um país.1
As consequências incluem uma fuga de cérebros de cientistas e desmoralização e descontentamento entre os pesquisadores científicos brasileiros. Além disso, os cientistas correm o risco de sanções indiretas se suas pesquisas contradizerem as posições sustentadas pelo governo Bolsonaro, como afirmar que a floresta amazônica não está queimando ou que a cloroquina ou a hidroxicloroquina podem ser usadas para tratar COVID-19 com segurança e eficácia.2
A recente demonstração de desrespeito aos cientistas foi um decreto federal, emitido em 5 de novembro de 2021, revogando o prêmio da Ordem Nacional do Mérito Científico concedido a dois cientistas, Adele Schwartz Benzaken e Marcus Vinicius Guimarães de Lacerda.
Em resposta a essa revogação, 200 ganhadores de prêmios anteriores escreveram uma carta expressando sua objeção, e 23 outros cientistas brasileiros atualmente indicados para este prêmio retiraram seus nomes em solidariedade a seus colegas injustamente desacreditados.3, 4
Esse ato também desencadeou uma reação imediata de várias sociedades acadêmicas e científicas brasileiras, incluindo a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). No início de 2020, pesquisa de Borba e colegas5mostraram que doses mais elevadas de cloroquina não devem ser recomendadas para o tratamento de COVID-19 grave.
Benzaken era o ex-diretor do Departamento Brasileiro de DST / HIV-Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde (Ministério da Saúde), que foi demitido em janeiro de 2019.
Os ataques perpetrados pela atual administração federal não se limitam à ciência e aos cientistas e afetam a educação, a saúde pública, o meio ambiente e os programas culturais.6,7,8
Esperamos que o Brasil não continue a se pautar pela negação e evite a degradação da ciência.
Todos os autores são pesquisadores eméritos da Fundação Oswaldo Cruz. Declaramos não haver interesses conflitantes*.
Este texto foi escrito foi inicialmente em inglês e publicado pela revista “Lancet” [Aqui!].
Fogo atinge áreas de balneários na costa e áreas de florestas de pinus no limite dos departamentos de Paysandú e Río Negro
Por MetSul Meteorologia
Grandes incêndios florestais atingem o Uruguai no final deste ano, consequência da forte onda de calor que se registra e a seca que assola o país que fez o Ministério da Pecuária uruguaio declarar uma situação de emergência climática. Bombeiros, Ministério do Interior, Força Aérea, Exército e voluntários combatem as chamadas em duas regiões do país.
Os primeiros incêndios ocorrem na região litorânea entre Montevidéu e Punta del Este, área conhecida como Costa de Oro. As chamas se concentram em Fortín e em Parque del Plata. No balneário da Atlântida, uma enorme coluna de fumaça podia ser vista perto da escultura da Águia que é uma das atrações turísticas locais.
No caso do Fortín, de acordo com o jornal El País, as chamas foram relativamente controladas depois de destruir várias árvores e vegetação, mas o vento ontem as reacendeu, e passaram ao Norte da Rodovia Interbalneária, além de também atingir a Villa Argentina. “O incêndio do Fortín ainda está ativo, não foi apagado”, afirmou o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pablo Benítez, ao El País.
@metsulI Impressionante vídeo de @emekavoces dos incêndios fora de controle que atingem a Ruta Interbalneária em pleno período de pico de turismo no Litoral do Uruguai com o fim de ano e a temporada de verão das praias.
Virginia de los Santos @Vikydls Imagens impressionantes do incêndio florestal em Fortín de Santa Rosa, entre Matindia e Atlántida. Várias equipes trabalham na área em meio a uma situação desesperadora e arriscada.
A rota #incendioatlantida, incêndio impressionante do Km44 @ Canal4_UY @Subrayado @TelemundoUY @ObservadorUY
O outro grande incêndio ocorre nas proximidades da cidade de Algorta, no departamento de Río Negro. Conforme o prefeito Omar Lafluf, o fogo “foi reacendido e atingiu mais campo” do que o que já havia afetado em uma área de 5.000 hectares.
Lafluf mostra-se preocupado que a situação tem piorado nas últimas horas, já que a propriedade onde o fogo atingiu tem mais pinheiros e é mais combustível. “A situação é extremamente grave”, resumiu. Sobre a possibilidade de evacuação dos 700 habitantes de Algorta, o prefeito disse que estava a ser analisada e que “a prioridade é a população”.
O enorme incêndio em Algorta ocorre no limite dos departamentos de Paysandú e Río Negro. As chamas que começaram perto de Algorta (Río Negro) agora ameaçam as cidades de Orgoroso e Piedras Coloradas, em Paysandú. Diante da situação crítica, alguns moradores de ambas as localidades decidiram evacuar-se para Guichón, onde foram recebidos por vizinhos. Nesses locais, centros educacionais, bares e até casas de famílias foram abertos para receber os desalojados pelo incêndio.
O Centro da América do Sul enfrenta uma forte onda de calor que ocorre em meio a um quadro de seca forte a severa. A temperatura ontem atingiu no Uruguai 38,5ºC em Mercedes e 38,3ºC em Salto. Na cidade de Montevidéu, a máxima atingiu 35,2ºC no Prado.
No Rio Grande do Sul, a temperatura chegou a 38,9ºC em Porto Xavier, 38,0ºC em Quaraí, 37,8ºC em Uruguaiana e Santa Rosa, 37,7ºC em Alegrete, 37,6ºC em Teutônia, 37,5ºC em Feliz, 37,4ºC em Porto Vera Cruz e Alpestre, e 37,3ºC em Lajeado.
No Paraguai e na Argentina, a temperatura novamente passou dos 40ºC com registros de 42ºC a 43ºC no Norte argentino. Na quarta, o Aeroporto Internacional de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, anotou a primeira marca de 40ºC em 22 anos e as máximas em pontos da região patagônica se aproximaram dos 40ºC.
O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) do Uruguai declarou uma emergência agrícola devido ao déficit hídrico em 19 trechos dos departamentos de Durazno, Florida, Paysandú, Río Negro e Tacuarembó ante a ausência de chuvas. O órgão informou em nota que a área cobre 2.195.380 hectares.
Este texto foi originalmente publicado pela MetSul Meteorologia [Aqui!].
Os leitores do Blog do Pedlowski devem ter notado que o ano de 2021 foi bastante ativo nas publicações ligadas ao “Observatório dos Agrotóxicos” que foi criado logo no início de 2019 para documentar a promessa eleitoral (cumprida, é preciso que se diga) de acelerar a liberação de venenos agrícolas para atender a insaciável demanda do latifúndio agro-exportador de commodities.
Como resultado da política de licenciamento “fast food” adotada pelo governo Bolsonaro, o Brasil se viu inundado por uma verdadeira tsunami de venenos agrícolas, a maioria proveniente de empresas chinesas e europeias, e com um número significativo deles banidos pela União Europeia em função de sua alta periculosidade para o meio ambiente e também para a saúde humana.
Pois bem, como não podia ser diferente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), comandado pela ministra Tereza Cristina (DEM/MS), fez publicar hoje (31/12) o Ato Nº 55, de 23 de Dezembro de 2021 que traz a liberação de mais 51 agrotóxicos. Com isso, o governo Bolsonaro quebra o seu próprio recorde tóxico dos seus primeiros dois anos de mandato, alcançando um total de 1.558 agrotóxicos liberados em 36 meses de mandato.
É preciso que se diga que a imensa maioria dos agrotóxicos aprovados se destina para uso em poucas culturas agrícolas, todas elas voltadas para a exportação. No caso da soja e do milho, por exemplo, o objetivo é principalmente alimentar os rebanhos de animais na União Europeia e na China (principal parceiro comercial brasileiro). Enquanto isso, ficamos imersos em um processo de agravamento da contaminação ambiental e também da população brasileira.
Como ainda não tive tempo para cria a planilha de dados para o Ato Nº 55, de 23 de Dezembro de 2021 (o que impede a atualização da base de dados com todos os agrotóxicos liberados pela dupla Jair Bolsonaro/Teresa Cristina), farei isso nos primeiros dias de 2022.
Mas uma coisa é certa: o combate a um modelo agrícola fortemente dependente de venenos agrícolas e da devastação dos biomas da Amazônia e do Cerrado deverá ser uma prioridade para aqueles que desejam viver em uma sociedade onde o ato de se alimentar não seja uma espécie de suicídio cotidiano. E a construção desse modelo agrícola alternativo de base ecológica só será possível com a derrota desse modelo viciado em venenos mortais e que não tem como prioridade saciar a fome, seja no Brasil ou no resto do mundo.
Cerca de 40 Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil dos estados de Santa Catarina e Paraná pediram exoneração dos cargos que ocupam em comissão e funções de chefia nas Agências, Delegacias e Equipes Regionais da 9ª Região Fiscal na tarde desta terça-feira (28). Em documento enviado à Superintendência da Receita Federal na 9ª Região Fiscal, eles solicitaram a exoneração como parte do movimento nacional pela valorização do órgão, após aprovação do orçamento de 2022 pelo Congresso Nacional que confirmou um corte de R$ 1,182 bilhão da Receita Federal.
Existe temor acerca dos impactos provocados pelo corte na verba da Receita Federal no próximo ano. Isso pode ter um grande impacto inclusive no sistema de segurança da infraestrutura tecnológica. O grande risco é a fragilização da segurança da base de dados, facilitando até mesmo a invasão por hackers, gerando um prejuízo inestimável. Trata-se da base mais confiável e mais utilizada no meio da administração pública.
O pedido de exoneração coletivo vem se somar às diversas ações de mesma natureza que estão ocorrendo nas demais regiões fiscais da Receita Federal do Brasil em todo país e visa fortalecer e valorizar os Analistas-Tributários e Auditores-Fiscais que, cientes de suas responsabilidades e da complexidade de suas atribuições, exigem o devido prestígio institucional para com a Receita Federal.
Os Analistas-Tributários exigem ainda a regulamentação do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, criado através de medida provisória em 2016 e convertido na Lei 13.464/2017, e que, apesar de um acordo assinado há quase seis anos, nunca foi regulamentado. Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil – Sindireceita Conselho Estadual de Delegacias Sindicais do Sindireceita em SC – CEDS-SC
Um dos principais pontos de expansão do agronegócio exportador é a chamada região do Matopiba que é formada por porções territoriais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. É no Matopiba que grandes grupos empresariais têm aumentado exponencialmente os plantios extensivos da monocultura da soja, normalmente às custas do bioma Cerrado. Com esse avanço desenfreado (que é explicitamente apoiado pelos respectivos governos estaduais sob as benções do governo de Jair Bolsonaro), temos a exposição de grandes áreas outrora ocupados pelo Cerrado que assim tornam mais passíveis de serem impactadas pela erosão de seus solos. Um efeito secundário é o aumento do assoreamento de rios, além da perda da capacidade recarga de aquíferos, coisa que era garantida pela presença do Cerrado.
Se somarmos a esse avanço da sojicultura em áreas de alto valor ecológico os impactos que acompanham as mudanças climáticas em curso na Terra, que tornam cada vez mais comuns a ocorrência de eventos meteorológicos extremos que causam altos volumes de precipitação em poucos espaços de tempo, veremos que as situações catastróficas que estão ocorrendo na Bahia, Tocantins e Piauí não têm nada de naturais. O que estamos presenciando é uma combinação particularmente drástica entre eventos climáticos extremos e a consolidação de um modelo agrícola predatório que empurra os mais pobres para áreas periféricas normalmente desprovidas de infraestrutura urbana.
O interessante é que a cobertura dada pela mídia corporativa brasileira sobre a onda de destruição em curso em cidades localizadas sob a influência direta (ou indireta) da sojicultura do Matopiba passa ao largo dessas conexões, optando pelo oferecimento de uma narrativa catastrofista na qual apenas a questão das mudanças climáticas é vagamente mencionada.
O fato é que a recorrência de situações climáticas extremas será o “novo normal” das próximas décadas, o que deveria estar obrigando a tomada de decisões em prol de políticas de conservação ambiental que protegessem os biomas amazônico e do Cerrado, bem como a adoção de politicas de reorganização das cidades. Com isso, haveria alguma chance de que pudéssemos alcançar algum nível de preparação para evitar os mesmos tipos de cenas apocalípticas que estamos vendo nesse momento, especialmente na Bahia.
Lamentavelmente, o que tem se visto caminho no sentido ao contrário ao que precisamos. Com o forte controle da agenda político-econômica do governo Bolsonaro pela chamada bancada ruralista, e com a submissão de governos estaduais ditos de esquerda aos interesses do latifúndio agro-exportador, há pouca perspectiva de que tenhamos mudanças significativas em prol da adoção de um modelo agrícola de base agroecológica.
Novos produtos vão desde filtros e bolas para máquinas de lavar até tecidos feitos de algas e cascas de laranja
Cerca de 700.000 fibras microplásticas são eliminadas de tecidos sintéticos durante cada ciclo de lavagem em uma máquina de lavar padrão. Fotografia: a-ts / Alamy
Damian Carrington, editor de Meio Ambiente do “The Guardian”
De filtros a sacos e bolas, o número de produtos destinados a impedir a torrente de fibras microplásticas que saem das máquinas de lavar e para os rios e oceanos está aumentando rapidamente.
A Grundig tornou-se recentemente o primeiro fabricante de eletrodomésticos a integrar um filtro de microfibra em uma máquina de lavar, enquanto uma empresa britânica desenvolveu um sistema que elimina os filtros de retenção de fibra descartáveis.
Os empresários também estão enfrentando o problema na origem, desenvolvendo tecidos biodegradáveis de algas e cascas de laranja e aprimorando uma proteína autocurativa descoberta originalmente nos tentáculos das lulas.
As fibras de tecidos sintéticos, como acrílico e poliéster, são desprendidas em grande quantidade durante a lavagem, cerca de 700.000 por ciclo de lavagem , sendo que o ciclo de lavagem “delicado”é pior do que os ciclos convencionais. Estima-se que 68 milhões de cargas de lavagem sejam feitas todas as semanas no Reino Unido.
Novos dados de 36 locais coletados durante a The Ocean Race Europe descobriram que 86% dos microplásticos nas amostras de água do mar eram fibras. “Nossos dados mostram claramente que os microplásticos estão presentes no oceano e que, surpreendentemente, o componente principal são as microfibras”, disse Aaron Beck, do Geomar Helmholtz Center for Ocean Research em Kiel, Alemanha.
A Grundig, que lançou sua máquina de lavar de captura de fibra em novembro, disse que o sistema capturou até 90% das fibras sintéticas liberadas durante os ciclos de lavagem. Os cartuchos de filtro são feitos de plástico reciclado e duram até seis meses, após os quais podem ser devolvidos gratuitamente.
A poluição microplástica é um flagelo crescente no Ártico, bem como nos rios e oceanos em todo o mundo. Fotografia: Stefan Hendricks / Alfred-Wegener-Institut / PA
Um sistema que pode ser adaptado às máquinas de lavar existentes e não precisa de cartuchos de substituição foi criado pela empresa britânica Matter e recebeu recentemente £150.000 do British Design Fund. O aparelho, denominado Gulp , é conectado entre o tubo de saída e o ralo e prende as fibras em um recipiente que é esvaziado a cada 20 lavagens.
O fundador da empresa, Adam Root, ex-engenheiro da Dyson e grande mergulhador, disse que a ideia começou com uma doação de £ 250 do Prince’s Trust. “Usei-o para desmontar uma máquina de lavar e foi aí que tive o meu momento ‘eureca’.”
Já existe uma gama de dispositivos de captura de microfibra no mercado, mas eles produziram um desempenho misto em testes independentes. Uma pesquisa da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, examinou seis produtos diferentes .
Um se destacou, o Xfiltra , que evitou que 78% das microfibras fossem pelo ralo. A empresa está focada em fornecer tecnologia aos fabricantes para integração em máquinas de lavar. Os cientistas testaram dois outros dispositivos que podem ser adaptados às máquinas – os sistemas de filtro Lint LUV-R e Planet Care– mas eles prendem apenas 25% e 29% das fibras, respectivamente.
Os outros três produtos testados foram utilizados no tambor da máquina de lavar. A sacola delavagemGuppyfriend, na qual as roupas são colocadas, coletou 54% das microfibras, enquanto uma sacola de lavagem protótipo do Quarto Elemento reteve apenas 21% das fibras. O último produto testado foi uma única bola Cora, cujos caules capturaram 31% das fibras, embora mais de uma bola pudesse ser usada.
Um relatório anterior da Agência Sueca de Proteção Ambientalencontrou desempenhos significativamente melhores dos produtos Planet Care e Guppyfriend, embora não tenha sido revisado por pares.
O professor Richard Thompson, que trabalha na Universidade de Plymouth e fazia parte da equipe de testes, alertou que os filtros não resolveriam sozinhos o problema das microfibras de plástico. “Também mostramos que cerca de 50% de todas as emissões de fibras ocorrem enquanto as pessoas vestem as roupas”, disse ele ao Guardian. “Além disso, a maioria da população humana não tem máquina de lavar.
“Tal como acontece com quase todos os problemas atuais associados ao plástico [poluição], o problema é mais bem resolvido por uma consideração mais abrangente na fase de design”, disse ele. “Precisamos projetá-los para minimizar a taxa de emissão, o que também deve fazer com que as roupas durem mais e, portanto, sejam mais sustentáveis.”
Uma dúzia de grupos que trabalham em tecidos melhores foram recentemente selecionados como finalistas em um desafio de inovação em microfibra de US$ 650.000 (£ 482.000) conduzido pela Conservation X Labs. A AlgiKnit está criando fios biodegradáveis a partir de algas marinhas, enquanto a Orange Fiber, no sul da Itália, está fazendo tecidos a partir de subprodutos da produção de sucos cítricos.
Outro finalista, a Squitex , desenvolveu uma proteína originalmente encontrada nos tentáculos da lula. A empresa afirma que é o material de autocura mais rápido do mundo e pode ser transformado em fibras para têxteis e revestimentos que reduzem o derramamento de microfibras.
O algodão, por ser um material natural, é biodegradável, mas sua produção costuma envolver o uso excessivo de água e agrotóxicos. A Better Cotton Initiative , que cobre mais de 20% da produção global de algodão, anunciou recentemente uma meta de redução das emissões de carbono por tonelada de algodão em 50% até 2030, em comparação com 2017. Outras metas adicionais abrangem o uso de pesticidas, saúde do solo e meios de subsistência de pequenos proprietários e o empoderamento das mulheres é esperado até o final de 2022.
Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].