A destruição do cerrado alimenta e potencializa as catástrofes climáticas no Matopiba

Área plantada do Matopiba alcançará 8,9 milhões de hectares até 2030

Um dos principais pontos de expansão do agronegócio exportador é a chamada região do Matopiba que é formada por porções territoriais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. É no Matopiba que grandes grupos empresariais têm aumentado exponencialmente os plantios extensivos da monocultura da soja, normalmente às custas do bioma Cerrado. Com esse avanço desenfreado (que é explicitamente apoiado pelos respectivos governos estaduais sob as benções do governo de Jair Bolsonaro), temos a exposição de grandes áreas outrora ocupados pelo Cerrado que assim tornam mais passíveis de serem impactadas pela erosão de seus solos. Um efeito secundário é o aumento do assoreamento de rios, além da perda da capacidade recarga de aquíferos, coisa que era garantida pela presença do Cerrado.

matopiba destruiçãoA região conhecida como Matopiba engloba áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. (© Marizilda Cruppe / Greenpeace) © Marizilda Cruppe / Greenpeace

Se somarmos a esse avanço da sojicultura em áreas de alto valor ecológico os impactos que acompanham as mudanças climáticas em curso na Terra, que tornam cada vez mais comuns a ocorrência de eventos meteorológicos extremos que causam altos volumes de precipitação em poucos espaços de tempo, veremos que as situações catastróficas que estão ocorrendo na Bahia, Tocantins e Piauí não têm nada de naturais.  O que estamos presenciando é uma combinação particularmente drástica entre eventos climáticos extremos e a consolidação de um modelo agrícola predatório que empurra os mais pobres para áreas periféricas normalmente desprovidas de infraestrutura urbana.

O interessante é que a cobertura dada pela mídia corporativa brasileira sobre a onda de destruição em curso em cidades localizadas sob a influência direta (ou indireta) da sojicultura  do Matopiba passa ao largo dessas conexões, optando pelo oferecimento de uma narrativa catastrofista na qual apenas a questão das mudanças climáticas é vagamente mencionada.

O fato é que a recorrência de situações climáticas extremas será o “novo normal” das próximas décadas, o que deveria estar obrigando a tomada de decisões em prol de políticas de conservação ambiental que protegessem os biomas amazônico e do Cerrado, bem como a adoção de politicas de reorganização das cidades.  Com isso, haveria alguma chance de que pudéssemos alcançar algum nível de preparação para evitar os mesmos tipos de cenas apocalípticas que estamos vendo nesse momento, especialmente na Bahia.

Lamentavelmente, o que tem se visto caminho no sentido ao contrário ao que precisamos. Com o forte controle da agenda político-econômica do governo Bolsonaro pela chamada bancada ruralista, e com a submissão de governos estaduais ditos de esquerda aos interesses do latifúndio agro-exportador, há pouca perspectiva de que tenhamos mudanças significativas em prol da adoção de um modelo agrícola de base agroecológica. 

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