O ruído das ruas anuncia que a parada não está nada fácil para Anthony Garotinho

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Tenho me esquivado de abordar a eleição municipal em Campos dos Goytacazes. É que numa atmosfera marcada por paixões moduladas por adesões a diferentes máquinas e com a lamentável ausência de uma candidatura de esquerda, não tenho me sentido motivado a falar muito de um pleito que parece fadado ao continuísmo.

Mas não pensem que estou dando de barbada uma vitória do candidato do continuísmo do comando do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho no executivo campista. É que dado o fato que inexiste uma pauta real de mudanças no conjunto das candidaturas que se dizem de oposição, vença quem vencer é provável que o modelo do governo permanecerá exatamente o mesmo que vem sendo aplicado pela prefeita Rosinha Garotinho.

O fato é que caminhando pelas ruas de Campos dos Goytacazes, tenho observado o mesmo fenômeno de polarização que vivenciei em 2004 na vitória de Carlos Alberto Campista contra Geraldo Pudim.  Além disso, não foram poucas as declarações que ouvi de eleitores que consideram o “Dr. Chicão” e seu vice, o fiel Mauro Silva, dois sujeitos bacanas, mas que vão votar em outros candidatos apenas para impedir que Anthony Garotinho continue mandando na Prefeitura.

E o interessante para mim é que essa percepção não resulta de uma ação de campanha dos múltiplos candidatos que se dizem de oposição. Para mim é coisa de percepção popular mesmo, o que torna o problema da rejeição por proximidade algo muito difícil de ser combatido. Além disso, há uma percepção difundida (justa ou não) que a máquina pública está sendo usada para garantir a vitória da chapa situacionista. E isso em tempos de controle social via redes sociais é quase um vírus mortal.

Para piorar ainda mais um cenário que é ruim, tenho ouvido também relatos de truculências e intimidações por parte de cabos eleitorais da verdadeira multidão de candidatos a vereador que apoia a chapa situacionista. Além de refletir a disputa particular pelas vagas na Câmara de Vereadora, toda essa truculência evidencia o grau de incerteza que existe em relação às chances de vitória da dupla formada por Dr. Chicão e Mauro Silva. 

Um complicador a mais neste tabuleiro político é o fato de que num eventual segundo turno, o mais provável é que haverá mais deserções do lado situacionista do que na oposição. É que a muito provável aglomeração de forças em torno do candidato oposicionista será certamente acompanhada de uma análise muito pragmática sobre que rumo tomar, especialmente entre aqueles candidatos situacionistas que agregarem menos voto para a chapa majoritária.

A partir do ouvi nas ruas é que avalio que a parada não está nada fácil para o ex-governador Anthony Garotinho, e esta eleição certamente exigirá que ele esteja no melhor da sua forma como agregador de multidões e de apaziguador de interesses conflitantes dentro de sua própria tropa.  Do contrário, a derrota será quase que inevitável.

Como a perda da Prefeitura de Campos dos Goytacazes equivaleria a receber um míssil Tomahawk pela proa do encouraçado, Anthony Garotinho deve estar analisando todas as suas opções para vencer. Para sorte dele, os candidatos de oposição são fracos e sem propostas palpáveis para melhor a gestão que aí está.  Mas nem isso apaga o fato de que o atual ruído das ruas está com uma tremenda cara de Carlos Alberto Campista. A ver!

Empresários são presos em Campos por não cumprirem sentença de prestação de serviços

Inspeção do MPF constatou que condenados não compareciam ao local determinado pela Justiça

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Cinco empresários ceramistas da Baixada Campista foram presos na manhã desta sexta-feira, 2 de setembro, por não terem cumprido sentença judicial para prestação de serviços em uma unidade de assistência ao idoso, em Farol de São Thomé. Agentes da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) cumpriram os mandados de prisão e os empresários do ramo de cerâmica foram levados para a delegacia da Polícia Federal.

Embora condenados ao cumprimento de serviços comunitários pela prática de extração ilegal de argila, constatou-se, em fiscalização realizada pelo MPF no último dia 23, que não vinham cumprindo a pena alternativa imposta e inseriam informações falsas nos registros de ponto que eram apresentados mensalmente à Justiça Federal. Em razão da não prestação de serviços comunitários e da apresentação de registros de pontos ideologicamente falsos, a Justiça Federal converteu as penas restritivas de direitos em penas privativas de liberdade, expedindo os mandados de prisão. Os apenados serão encaminhados ao presídio ainda nesta sexta.

Ao todo, oito mandados foram expedidos pela Juíza Federal, sendo que um dos condenados encontra-se internado e outros dois já são considerados foragidos.

Foi descoberto que eles compravam alimentos, mas não compareciam ao local para prestar os serviços determinados pela justiça. Em virtude do não cumprimento dos serviços, eles ficarão presos. Antes de serem levados para prisão, os empresários passaram por exames no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

Inspeção

Em 23 de agosto, inspeção do Ministério Público Federal (MPF) constatou que nenhum dos condenados a prestação de serviço comunitário na Colônia de Férias da 3ª Idade de Farol de São Tomé está cumprindo efetivamente a pena. Após a inspeção realizada a responsável pela instituição foi conduzida à Delegacia de Polícia Federal de Campos para prestar esclarecimentos.

A instituição, que tem capacidade para atender até cem idosos, é uma das cadastradas pela Justiça Federal para receber condenados por crimes praticados sem violência ou grave ameaça. Nestes casos, a pena aplicada costuma ser inferior a quatro anos e convertida em penas restritivas de direitos, como prestação de serviços comunitários. A equipe do MPF, coordenada pelo procurador da República Bruno Ferraz, verificou que nenhum dos apenados estava cumprindo as horas devidas de serviços à comunidade.

Eles não se encontravam no local no momento da fiscalização e as folhas de ponto, documentos em que deveriam ser apostas as assinaturas dos apenados diariamente, acompanhadas das datas e horários cumpridos, encontravam-se em branco.
 
A Colônia de Férias, mantida pela Prefeitura, tem como objetivo proporcionar aos idosos atividades de lazer e bem-estar como hidroginástica, fisioterapia, passeios guiados e bailes. Todos os apenados que deveriam prestar serviço no local foram condenados por usurpação de patrimônio da União (Lei nº 8.176/91, art. 2º), em razão da extração de argila sem autorização dos órgãos competentes.
 
O MPF prosseguirá com a investigação para a completa elucidação dos fatos.
FONTE:  Assessoria de Comunicação Social/ Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Aos pobres, só resta o caminho dos guetos periféricos?

Em 2012 fui o co-autor de um artigo intitulado “Estado e programas de habitação popular em Campos dos Goytacazes (RJ” e que foi publicado por uma revista científica publicada em Portugal, a Análise. O foco desse artigo foi uma análise do programa municipal impulsionado pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes com recursos oriundos dos royalties do petróleo.

A minha principal contribuição naquele trabalho, além de orientar a dissertação de mestrado do seu autor principal no Programa de Políticas Sociais, foi idealizar o mapa que é mostrado abaixo que já naquele momento mostrava a consolidação de um modelo de urbanização segregada e claramente disposta no espaço urbano campista, de modo a manter os pobres isolados em regiões periféricas da nossa cidade.

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Acontece que de 2012 para os dias de hoje, as tendências apontadas neste momento foram ainda mais cristalizadas, e hoje temos uma estranha dança entre os chamados conjuntos populares e os condomínios de luxo. E essa tendência já saiu da área mais consolidada para alcançar até a chamada baixada campista, que se tornou uma espécie de nova fronteira da especulação imobiliária em Campos dos Goytacazes.

Pois bem, ainda que partamos da premissa pragmática de que na sociedade capitalista quem comanda a transformação de algo em mercadoria são as forças de mercado, no caso os incorporadores imobiliários e os donos de terras. Entretanto, não há como deixar de notar que a ação do governo municipal de colocar os pobres em regiões cada vez mais distantes serve bem aos interesses privados, visto que ao incorporar novas áreas à infraestrutura urbana, há um acréscimo imediato no valor de troca da terra.

Mas enquanto os especuladores fundiários e incorporadores recebem acréscimo de valor em seus empreendimentos, o que ganham os pobres.  Eu diria que primeiro recebem guetos como se fossem áreas residenciais. É que não há como dar outro nome a locais que ficam distantes e desconectados da malha urbana principal e são desprovidos das condições mínimas de existência, a começar pelo tamanho exíguo das casas e alcançando a completa inexistência de amenidades ambientais (esses locais são entregues sem arborização, por exemplo).

E já que estamos no início de um período eleitoral para decidir o próximo ocupante da cadeira de prefeito, me parece que este é um momento para os diferentes postulantes dizerem o que acham desse modelo dual de cidade.  Certamente o candidato ungido pelo grupo do ex-governador Anthony Garotinho vai tentar vender a imagem de que esses conjuntos são uma materialização do paraíso nas terras campistas. Até aí tudo bem, pois se fizesse o contrário não teria quase mais nada para colocar na vitrine após 8 anos de governo como vice-prefeito que o “Doutor Chicão” foi.  Mas e os candidatos da oposição? O que dizem dessa política de construir conjuntos habitacionais em áreas que, muitas vezes, deveriam estar separadas para a conservação ambiental já que se encontram à beira de corpos aquáticos ou em áreas sujeitas a inundações (ver imagens abaixo).

E a principal pergunta que os candidatos da oposição terão que responder: há algum caminho para os pobres que não seja ocupar, a maioria das vezes de maneira forçada, os limites mais periféricos da cidade de Campos dos Goytacazes? O blog está à disposição para quem desejar responder!

Finalmente, para quem desejar ler o artigo citado no início desta postagem, basta clicar Aqui!

 

Ruas e avenidas viraram campos da morte em Campos dos Goytacazes. Até quando?

A capa do jornal O Diário de hoje traz como manchete um horrorífico atropelamento de mulheres idosas que ocorreu no dia de ontem na Avenida Alberto Lamego (ver reprodução abaixo).

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A razão do atropelamento, seguido da morte de uma mulher idosa de 86 anos, deu-se porque, segundo descobri no site Ururau (Aqui!), porque um dos motoristas envolvidos cometeu a “insanidade” de parar antes da faixa de pedestres para que as duas mulheres atropeladas pudessem cruzar a avenida em segurança!

transito

Estou bastante familiarizado com a saga dos idosos campistas que arriscam suas vidas diariamente tentando cruzar ruas e avenidas de nossa cidade. Como morador de um dos trechos mais movimentados da Avenida Sete de Setembro fico apreensivo todos os dias vendo meus vizinhos idosos tentando cruzar aquela via para realizar atividades prosaicos como ir à padaria ou à farmácia.

E não é por falta de aviso que a Avenida Sete de Setembro se tornou um dos muitos potenciais campos de morte espalhados por toda a cidade de Campos. Eu já perdi a conta de quantas vezes abordei esse assunto aqui neste blog, apenas para ser completamente ignorado pelas autoridades municipais responsáveis pelo estabelecimento de políticas de controle do trânsito de veículos. E a coisa está cada vez pior já que todo o trânsito vindo da região do Porto do Açu, inclusive com caminhões pesados, passa agora pelas regiões centrais da cidade.

Os poucos guardas municipais que são colocados para orientar o trânsito e proteger os pedestres, muitos deles idosos, realizam um trabalho digno de nota. Os poucos locais onde eles estão postados são ilhas de tranquilidade em meio a um transito cada vez mais caótico e desumanizado. Por outro lado, não faltam guardas municipais para auxiliar o trabalho da empresa Pátio Norte na tarefa de “pescar” veículos que são deixados por seus proprietários incautos em pontos proibidos.  Essa diferença de tratamento entre a proteção e a punição é uma das coisas que mais me incomoda, já que me parece que as prioridades vigentes são para lá de incompatíveis com a segurança de nossos motoristas e, especialmente, dos pedestres.

Um detalhe que sempre me intriga em relação aos caos consentido que impera nas ruas de Campos dos Goytacazes é o seguinte: como é que uma cidade com milhares de veículos não possui nem um policiamento de trânsito ou, tampouco, um sistema moderno de monitoramento de velocidade via radares? Qual é o grande segredo que permite que estejamos anos luz atrás de outras cidades de mesmo porte que existem no Brasil? Por que tamanha despreocupação com a regulação do trânsito?

Agora, me digam, quem vai consolar as famílias das duas mulheres idosas que foram vitimadas na Avenida Alberto Lamego no dia de ontem? Mais ainda, quantas pessoas terão de morrer antes que o órgão municipal de controle de trânsito, o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT),  comece a trabalhar de forma efetiva para acabar com os campos da morte em que nossas ruas e avenidas se transformaram? E antes que alguém ligado ao governo municipal venha apresentar desculpas, entendo é que precisamos é de ação, urgente de preferência.

Finalmente, não me parece ser demais apontar que as próximas eleições para ocupar o governo de Campos dos Goytacazes terá que obrigatoriamente se debruçar sobre este problema básico, mas letal. A ver!

Vazamento, ar ou gato? E a difícil arte de reclamar das contas astronômicas da Águas do Paraíba

Venho há algum tempo me deparando com problemas nos serviços prestados pela concessionária Águas do Paraíba, empresa que já me premiou com o abastecimento de conglomerados gigantescos de cianobactérias na água que deveria ser incolor, insípida e inodora. Mas nada me indigna mais do que receber mês após mês contas que simplesmente não refletem o consumo de uma residência habitada boa parte do tempo por eu mesmo e uma gata.

Agora em meio a recessos e férias contava com a possibilidade de que os valores de dezembro a fevereiro voltassem ao que me foi cobrado em julho de 2015. Mas como pode ser observado pela imagem da conta que me foi oferecida pela “Águas do Paraíba”, minhas expectativas foram mais do que infundadas.

aguas do paraiba

Isso mesmo, num período em que a minha residência ficou praticamente fechada fui “premiado” com uma conta de R$ 255,32 divididos de forma salomônica entre fornecimento e tratamento de esgotos (essa é a pior das piadas!).  Isso refletiria o consumo de 23 metros cúbicos de água por 30 dias entre dezembro/15 e janeiro/16, o que é simplesmente pouco possível já que eu estive viajando por 15 dias!

Agora, quais são as possibilidades para que o consumo esteja sendo medido acima de 20 metros cúbicos desde outubro de 2015? As principais possibilidades seriam vazamentos no interior da residência,  a instalação de gatos e algo bem simplório, a leitura de ar pelo hidrômetro como se água fosse.

Aviso que a possibilidade de vazamentos foi negada após a visita de um encanador que eu mesmo contratei para verificar se esse seria a vontade de tamanho consumo. Além disso, restringi ao máximo o consumo para verificar se haveria uma mudança nos valores medidos.  E querem saber a resposta? Nada mudou como mostram os valores colocados em vermelho na imagem acima.

Restam assim as possibilidades de “gato” e de ar sendo medido como água. 

Agora, alguém poderia me perguntar por que não compareci na Águas do Paraíba para registrar uma queixa e solicitar uma inspeção? A explicação é simples: falta-me o tempo necessário para comparecer no setor de atendimento aos consumidores onde diariamente centenas de pessoas sofrem para solicitar os mais variados tipos de serviços.

Entretanto, aproveitando o final das minhas férias  hoje estive na sede da “Águas do Paraíba” para tentar registrar uma queixa. E é óbvio que me deparei com uma sala completamente cheia e uma fila “generosa” na qual esperei até ser ouvido por um gentil funcionário.  O problema é que após ouvir o meu relato, este funcionário me informou que eu não poderia ser atendido porque não havia levado a leitura do hidrômetro do dia de hoje (23/02)!

Entre desapontado e irritado (já que se estava lá para reclamar do nível de consumo, a primeira coisa que uma equipe da empresa irá ter de fazer é ler o hidrômetro!) me retirei do local até que eu possa produzir a tal leitura do dia.

Agora me respondam: como é que fica o cidadão mais comum que não se pode dar ao luxo de ficar indo e voltando para mofar na fila de atendimento da Águas do Paraíba? Não seria esta uma estratégia perfeita para nos fazer continuar pagando por ar ou por gatos instalados em nossas casas? 

Será que sou só eu acho que acha um completo absurdo ter que ver 50% do valor de cada conta apontando para o pagamento de esgoto (seja lá isso o que for) e verificar que bem em frente da sede da “Águas do Paraíba” há um canal histórico como o Campos-Macaé totalmente contaminado pelo despejo diário de toneladas de esgoto sem nenhum tipo de tratamento?

Finalmente,  fico me perguntando qual foi o final da Comissão Parlamentar de Inquérito que seria instalada na Câmara de Vereadores para apurar a qualidade dos serviços da “Águas do Paraíba”. Pelo jeito, tomou um tremendo Doril!canal

Sorriam campistas, a Venezuela é aqui!

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Desde que iniciei este blog adotei a posição de não me concentrar nas questões municipais, visto o grande número de blogueiros que se dedicam a esmiuçar cotidianamente, sob os mais variados matizes, o funcionamento da Prefeitura de Campos dos Goytacazes sob a batuta da ex-governadora Rosinha Garotinho e seu marido, o também ex-governador Anthony Garotinho.

Mas a capa do jornal O DIÁRIO deste domingo (24/01) que anuncia a promulgação de um decreto de estado de emergência econômica é primeiro de tudo, impagável! É que a mesma nos remete, querendo ou não quem a criou, ao processo de crise mais amplo que ocorre nas economias dependentes do petróleo, como é o caso da Venezuela onde seu presidente Nicolás Maduro promulgou lei semelhante no dia 15.01.2016, em face da profunda crise econômica que assola aquele país (Aqui!).

Entretanto, ao contrário do governo da Venezuela que, além de enfrentar os agudos efeitos da retração do preço do petróleo, também convive com uma forte oposição de direita que, frise-se acaba de lhe impor uma pesada derrota eleitoral, o governo municipal de Campos dos Goytacazes chegou a este ponto sem maiores oposições, seja por parte do parlamento local ou da sociedade civil organizada. 

Tampouco a economia de Campos dos Goytacazes precisaria estar dependendo dos royalties para garantir mais de 50% do nosso orçamento municipal. Tivessem as diferentes administrações, aqui inclusas as de Arnaldo Vianna e Alexandre Mocaiber, investido em uma genuína diversificação da base econômica municipal, é bem provável que agora não estivéssemos presenciando a decretação de um estado de emergência.

Acho até desnecessário, mas faço assim mesmo, mencionar que não tivessem as diferentes gestões que ocorreram a partir da chegada dos recursos dos royalties (particularmente as Arnaldo Vianna, Alexandre Mocaiber e Rosinha Garotinho) optado por obras milionárias, mas de necessidade duvidosa, é quase certo que hoje não estaríamos presenciando a situação aflitiva em que estamos imersos neste momento.

Finalmente, agora que a dura realidade está sendo reconhecida sob a forma de decreto, há que se esperar que os postulantes a suceder Rosinha Garotinho a partir de 2017 parem de encenar a peça maniqueísta do “nós bonzinhos contra eles malvados” para oferecer um projeto estruturante para o município de Campos dos Goytacazes. Do contrário, o decreto da Prefeita Rosinha Garotinho é apenas o prenúncio de tempos bastante duros. É que lendo o receituário básico que está sendo apontado em vários de seus dispositivos (a começar pelo que prevê um programa de aposentaria incentivada!), a aposta parece ser de um médico que oferece açúcar a um diabético em estado terminal. Em outras palavras, não tem como dar certo!

Saúde em caos: Campos sem vacina antirrábica

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Durante os festejos de fim de ano sofri um pequeno acidente com animais domésticos que me obrigou a procurar assistência médica em Telêmaco Borba, uma cidade com população abaixo dos 100.000 habitantes no interior do Paraná. Pois bem, nos dois locais em que fui atendido tive assistência no estilo “the flash” e recebi as vacinas que me foram indicadas pelo médico que me atendeu na emergência de uma hospital particular.

Como a segunda dose estava programada para um domingo, retardei o meu retorno a Campos e procurei um unidade municipal de pronto atendimento, onde recebi o tratamento após preencher uma ficha do Sistema Único de Saúde para não moradores.

Pois bem, já de volta a Campos tive a notícia de que não existe na unidade municipal local doses da vacina antirrábica de que necessito conforme estipulado em Telêmaco Borba! E o pior é que não há expectativa de quando este medicamento estará disponível para mim e qualquer outro cidadão campista que necessite ser vacinado contra a raiva!

No meu caso a coisa não é tão grave porque o animal está sendo acompanhado desde o dia em que o problema se deu. Mas para aqueles menos afortunados que foram atacados em Campos por animais de rua cuja população é para lá de numerosa, como é que ficam?

E isto numa cidade cuja administração se apresenta como diferente do (des) governo Pezão no tocante ao caos imperando no sistema estadual de saúde. Só que não!

Por que a mídia corporativa protege tanto Pezão?

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O (des) governador Luiz Fernando Pezão tem demonstrado uma completa incapacidade de fazer frente à crise financeira que esvazia o tesouro estadual. Ainda assim, o tratamento que vem lhe sendo dispensado pela mídia corporativa estadual é, no mínimo, complacente. Nem a recente decisão de punir os servidores estaduais, que já se encontram entre os piores salários do funcionalismo brasileiro, com o atraso de seus salários serviu para que a mídia começasse a examinar com um mínimo de rigor as raízes da crise do tesouro estadual.

Para tanto a crise do Rio de Janeiro é submersa na crise nacional e, por extensão, na mundial. Esse submersão de responsabilidades é muito bem vinda por Pezão, pois dai ele não tem como explicar como outros estados com caixas menos aquinhoados com receitas estão continuando a honrar suas obrigações com os servidores dentro dos prazos estipulados por eles mesmos.  Analisar o peso de vergonhosas isenções fiscais e a contratação de obras bilionárias para beneficiar uma minoria dentro da cidade do Rio de Janeiro, isto poucos mostram o devido compromisso com a coisa pública para sequer tocar na superfície de situações escabrosas que marcam esse (des) governo estadual.

No caso de Campos dos Goytacazes, o tratamento de beneplácito que parte da mídia dá a Pezão beira o escândalo. É que enquanto se ataca de forma contundente (e convenhamos de forma justa em muitos momentos) o governo municipal comandado pelo grupo político de Anthony Garotinho, ainda temos que aturar a cantilena de que os aliados locais de Pezão são a solução para todos os males que afligem nossa cidade.

Como assim Pezão e, por extensão Sérgio Cabral, são a solução? Esse tipo de propaganda explícita nos coloca diante de afirmações insustentáveis, começando pela tal “venda do futuro”. Tanto Pezão e Rosinha estão tentando “vender o futuro”, e o que está realmente ocorrendo é que está faltando comprador. Entretanto, a incapacidade de Pezão de vender o nosso futuro no plano estadual é saudada por alguns áulicos da mídia como exemplo de compromisso público, quando evidentemente este não é o caso. Aliás, o nosso futuro já foi vendido por Pezão e Sérgio Cabral até no caso das gerações futuras do povo fluminense.  Essa é a dura realidade com que se defrontam hoje centenas de milhares de servidores públicos estaduais.

Mas uma coisa é certa: em 2016 vai ser interessante ver como os partidos que fazem oposição no plano local, mas se alinham com Pezão no plano estadual, vão explicar esta profunda contradição aos eleitores campistas, principalmente aqueles que são servidores públicos do estado.

 

 

Cenas campistas: vivendo como se estivéssemos no início do Século XX

Raramente uso o espaço deste blog para criticar questões paroquiais da cidade de Campos dos Goytacazes, pois existem inúmeros blogs que fazem de sua profissão de  fé, o escrutínio da gestão da prefeita Rosinha Garotinho. que eu toco o meu barco (que dizer, blog) em outra direção.

Mas existem coisas pequenas que mostram como é que estamos longe de uma forma de gerir a nossa cidade que nos coloque minimamente no Século XXI. E o problema é que essas coisas mínimas são apenas sintomas de uma visão que considero equivocada de como gerir o espaço urbano e valorizar o que temos de melhor em termos de instrumentos urbanos.

Vejamos a cena abaixo para talvez deixar mais claro o que estou querendo dizer.

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O que é mostrado na imagem em questão é a ação de uma equipe de funcionários da concessionária Águas do Paraíba recolhendo esgoto em um ponto da região central na manhã deste sábado (19/090. Além de atrapalhar o trânsito, já que isso se dava numa esquina bastante movimentada, eu sempre me pergunto sobre o destino do esgoto recolhido. Será que sou o único?

Mas deixando a iniciativa privada e seus interesses de privada de lado por um segundo, mostro a segunda imagem que produzi logo após me desvencilhar do pequeno congestionamento causado pela equipe de recolhimento de esgoto.

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O que está imagem mostra é a condição imunda em que se encontra o lago artificial (ou seria mesmo só uma piscina?) que ornamenta a área frontal do Teatro Municipal Trianon, um dos nossos mais belos cartões postais. Essa situação foi comentada por um casal de idosos que caminhava na minha frente, e que lamentava tanto descaso por parte dos gestores municipais.

Reconheço que, numa cidade com tantos problemas, o que mostro acima é nada ou quase nada. Mas o meu ponto é justamente esse. É que se continuamos recolhendo esgoto como se fazia no início do Século XX e permitimos a degradação de um cartão postal cujo gerenciamento é relativamente simples, o que será que anda acontecendo no resto do município? 

E antes que alguém ache que estou aqui apoiando a oposição consentida, aquela que tomar a prefeitura para basicamente governar da mesma forma que governa a prefeita Rosinha Garotinho, aviso logo que não é esse o caso. Aliás, do jeito que a coisa anda, continuo achando que o grupo político que hoje controla a Prefeitura vai vencer as eleições de 2016. E, lamentavelmente, continuaremos vivendo como se estivéssemos congelados numa bolha temporal. E, pior, sem os orçamentos bilionários que foram trazidos pelos royalties do petróleo.