Após vacinar em massa, Israel mostra queda de 94% nos casos sintomáticos de COVID-19 entre vacinados

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Israel está mostrando uma queda de 94% nos casos sintomáticos de  COVID-19 entre aqueles que receberam a vacina Pfizer e BioNTech. Dados de um novo estudo realizado pelo maior provedor de saúde de Israel e uma equipe da Universidade de Harvard também descobriram que aqueles que foram vacinados eram 92% menos prováveis para desenvolver doenças graves da doença. O estudo, que comparou 600.000 pessoas vacinadas com um grupo não vacinado do mesmo tamanho, também foi o primeiro de seu tipo a mostrar níveis tão altos de eficácia para indivíduos inoculados com 70 anos ou mais, devido ao escopo limitado de testes clínicos anteriores. 

O rápido lançamento da vacina em Israel, que viu cerca de 42% da população receber pelo menos uma injeção desde 20 de dezembro, coincidiu com uma queda acentuada em novos casos de COVID-19 e um afrouxamento gradual das restrições de bloqueio. A média de sete dias de novos casos caiu de mais de 8.000 em meados de janeiro para menos de 5.000 na segunda-feira. O governo espera abrir restaurantes, museus e viagens para as vizinhas Grécia e Chipre para as pessoas que foram vacinadas nas próximas semanas.

É importante notar que até ontem (15/02), Israel vacinou 76,25% da sua população contra 2,49% no Brasil que, inclusive, está sob risco de paralisar sua campanha de vacinação por causa da falta de vacinas.

Esta nota foi escrita originalmente e circulada em um boletim de síntese de notícias publicadas pelo Wall Street Journal

A aposta brasileira em medicamentos não comprovados para combater a COVID-19

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Por Por Jose Brito e Shasta Darlington para a CNN

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, há muito é um campeão das drogas cloroquina e hidroxicloroquina para curar a Covid-19, apesar de vários estudos que mostram que elas não são eficazes . Agora, os documentos mostram que seu governo gastou fundos de emergência com os medicamentos e continuou a produzi-los e distribuí-los a taxas sem precedentes ao longo de 2020, enquanto rejeitava pelo menos uma oferta de compra de uma vacina já em estágio final de testes porque os termos eram “abusivos”.

Depois de promover repetidamente o potencial da cloroquina e da hidroxicloroquina para prevenir e mitigar os efeitos do COVID-19, o próprio Bolsonaro testou positivo em julho passado. “Se eu tivesse tomado hidroxicloroquina como medida preventiva, ainda estaria trabalhando”, disse ele, embora a droga, mais comumente usada contra a malária, não tivesse se mostrado eficaz contra o coronavírus e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tivesse interrompeu um grande ensaio com hidroxicloroquina.

Durante a quarentena, ele postou um vídeo nas redes sociais mostrando-o tomando o que ele disse ser sua terceira dose de hidroxicloroquina.

Estou me sentindo muito bem. Estava me sentindo mais ou menos no domingo e mal na segunda. Hoje na terça, estou me sentindo muito melhor do que no sábado, então, sem dúvida”, disse ele enquanto segurava um comprimido e engolia. isto. “Está funcionando.”

Ainda na semana passada, Bolsonaro voltou a admitir que poderia ser provado que estava errado e que a droga poderia não ter nenhum impacto sobre o coronavírus, mas acrescentou “pelo menos não matei ninguém. Agora, se por acaso, prova ser eficaz no futuro, aqueles de vocês que criticaram, parte da mídia, vocês serão responsabilizados. “

De acordo com documentos exclusivos obtidos pela afiliada da CNN Brasil, Bolsonaro não estava apenas falando sobre as drogas no ano passado, seu governo estava usando ativamente fundos de emergência destinados a combater a pandemia de Covid-19 para comprá-los e distribuí-los mesmo depois de terem sido comprovados ineficaz.

Um vendedor exibindo comprimidos de hidroxicloroquina em uma farmácia.

Um vendedor exibindo comprimidos de hidroxicloroquina em uma farmácia.

Em maio , o Ministério da Saúde do Brasil recomendou oficialmente a cloroquina para o tratamento precoce da COVID-19 e, em junho, estendeu a recomendação para crianças e mulheres grávidas, no mesmo dia em que a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA revogou sua autorização de uso emergencial de hidroxicloroquina e apesar evidências crescentes de que não foi eficaz na prevenção ou cura da COVID-19.

Dois dias depois, no dia 17 de junho, a Sociedade Brasileira de Doenças Infecciosas publicou carta aberta dizendo que era “urgente e necessário” suspender o uso da hidroxicloroquina no tratamento do COVID-19. O Ministério da Saúde, entretanto, não mudou suas recomendações nos meses seguintes e os médicos relataram ter sido pressionados a prescrevê-las.

Em setembro, o escritório estratégico de medicamentos do Ministério da Saúde confirmou à CNN Brasil que está em processo de aquisição de mais cloroquina com recursos destinados ao combate à COVID-19, pois seu estoque caiu para 375,5 mil doses. Não especificou quanto estava sendo pedido ou quanto custaria.

“Em 2020, o programa de malária teve um aumento no número de casos no Brasil e, como tem sido anunciado diariamente, o número de casos de COVID-19 no Brasil ainda é alto”, disse o departamento em resposta por escrito. “Com isso, a expectativa é que a demanda dos estados e municípios por esse medicamento continue alta no segundo semestre de 2020.”

Eles não especificaram qual parte foi usada para seu programa de malária e qual parte para combater a COVID-19, mas de acordo com dados obtidos pela CNN Brasil, um total de 3,23 milhões de comprimidos foram produzidos pela unidade farmacêutica do exército brasileiro em 2020. Isso se compara com 265.000 comprimidos produzidos em 2017 e nenhum produzido em 2018 ou 2019.

E de acordo com os próprios números do Ministério da Saúde, o número de casos de malária foi de 60.713 nos primeiros seis meses de 2020, 16% abaixo do primeiro semestre de 2019.

Documentos obtidos pela CNN Brasil por meio da Lei de Liberdade de Informação do Brasil mostram que, entre os meses de abril e agosto, a Coordenadoria de Medicamentos Estratégicos do Ministério da Saúde solicitou 1,5 milhão de comprimidos de cloroquina a serem distribuídos às secretarias estaduais de saúde pelo laboratório farmacêutico do Exército.

De acordo com os documentos, a distribuição teve como objetivo “combater a pandemia COVID-19” e as pílulas foram distribuídas com base no número de casos suspeitos em cada estado.

As distribuições continuaram na segunda metade do ano, mesmo depois que o FDA revogou sua autorização de uso de emergência e vários estudos concluíram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não foram eficazes no tratamento de COVID-19. O Exército disse à CNN Brasil que entre setembro de 2020 e janeiro de 2021, foram distribuídas 420 mil doses.

Um contrato visto pela CNN Brasil mostra que, em setembro, o exército gastou US $ 144 mil com a matéria-prima necessária para a produção da cloroquina, pagando 167 por cento acima do valor de mercado – uma compra que foi sinalizada como suspeita pelo Escritório de Contabilidade Geral Federal. Em nota à CNN, o Exército disse que os preços subiram por causa das oscilações da taxa de câmbio e do aumento da demanda internacional.

No mesmo mês, o Brasil recebeu uma carta do CEO da Pfizer, Albert Bourla, instando o país a assinar um contrato para comprar 70 milhões de doses de sua vacina Covid-19 e se oferecendo para se reunir com o governo. A Pfizer já estava em fase final de testes com sua vacina neste momento. A CNN Brasil informou pela primeira vez sobre a existência da carta no mês passado. Foi enviado a Bolsonaro e a vários ministros em 12 de setembro, quando o número de mortos no Brasil já era o segundo maior do mundo, com 131 mil, e o número de casos confirmados foi de 4,3 milhões.

Mas as negociações com a Pfizer fracassaram e não terminaram em acordo. A notícia da carta gerou raiva quando surgiu no mês passado, enquanto o governo lutava para lançar um programa de vacinas.

O Ministério da Saúde do Brasil respondeu à CNN Brasil dizendo que os termos da oferta, que incluía um acordo para não responsabilizar a Pfizer por efeitos colaterais negativos, eram “abusivos”. O ministério disse estar preocupado também com o pequeno número de doses oferecidas no primeiro lote: 500 mil, mas acrescentou que as negociações ainda estão em andamento.

A Pfizer não quis comentar.

Um hospital em Manaus, no Estado do Amazonas, no mês passado.

Um hospital em Manaus, no Estado do Amazonas, no mês passado.

Quando o Brasil finalmente lançou seu programa nacional de vacinação em 18 de janeiro, após repetidos atrasos, ele começou com apenas seis milhões de doses para uma população de mais de 210 milhões.

O governo de Bolsonaro apostou na vacina Oxford /AstraZeneca como peça central de seu programa. Mas, devido aos atrasos, eles acabaram recorrendo à CoronaVac, a vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac e testada no Brasil em parceria com o governador do estado de São Paulo, que também é inimigo político de Bolsonaro.

Até agora, 2,2 por cento da população recebeu a primeira dose do regime de duas doses exigido pelas vacinas CoronaVac e Oxford/AstraZeneca.

Mas mesmo quando as autoridades começaram a disponibilizar vacinas em janeiro, o governo federal continuou a promover a cloroquina como um tratamento em seus aplicativos e no protocolo que não tinha sido atualizado desde que foi publicado em maio passado e onde foi caracterizado como um componente chave da ‘tratamento precoce.

Quando questionado por que o ministério ainda recomendava o medicamento, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse a jornalistas no mês passado que nunca havia recomendado um medicamento específico. “Defendemos, incentivamos e orientamos os enfermos a irem imediatamente ao posto de saúde, ao médico, e o médico fará o diagnóstico clínico do paciente. Os remédios que o médico prescrever, isso é domínio privado do paciente”.

Bolsonaro nomeou Pazuello, general do exército, quando seu segundo ministro da Saúde se demitiu, após se recusar a emitir diretrizes federais para o uso de hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento de COVID-19.

“Fui eleito para tomar decisões e a decisão sobre a cloroquina passa por mim”, declarou Bolsonaro em maio passado. No dia seguinte, Nelson Teich renunciou. Seu substituto, Pazuello, emitiu as diretrizes demandadas pelo presidente.

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Este artigo foi originalmente escrito em inglês e publicado pela Rede CNN [Aqui!].

Na “The Lancet”, docentes da UNB afirmam que no Brasil tomado pela COVID-19, a necropolítica vive

COVID-19 no Brasil: muito além da biopolítica

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Por  Rafael Dall’Alba,  Cristianne Famer Rocha,  Roberta de Pinho Silveira, Liciane da Silva Costa Dresch,  Luciana Araújo Vieira e  Marco André Germanò*

Richard Hortonpropôs a importância da biopolítica de Foucault como conceito para a compreensão do COVID-19. Ao elogiarmos seu comentário, acrescentaríamos que em países como o Brasil, COVID-19 não trata apenas da política do corpo, mas da política da morte.

Em meio a uma crise que não é apenas econômica, mas também política e ética, o Brasil tem se destacado por suas desastrosas ações governamentais na batalha contra a COVID-19: uma tentativa frustrada de privatizar a atenção básica durante a pandemia, a ausência de um plano de resposta nacional completo, falhas logísticas graves na campanha de vacinação e o forte negacionismo científico na alta administração do governo.

Necropolítica de Achille Mbembe explica o que está acontecendo no BrasilA ideia de necropolítica, que descreve como as condições de risco, doença e morte operam seletivamente em favor das políticas econômicas neoliberais, reflete as narrativas nutridas que afetaram predominantemente as populações pobres, negras e indígenas.

Na periferia do mundo, COVID-19 ampliou especialmente as consequências deletérias das políticas de austeridade.Enquanto os EUA, o Reino Unido e outros países aumentaram os gastos sociais em resposta à sindemia,o governo brasileiro optou por fortalecer as políticas econômicas que impossibilitaram grande parte da população de se isolar adequadamente do contato físico – 40% da força de trabalho brasileira está empregada no setor informal. No Brasil, as políticas monetárias direcionadas ao setor financeiro somaram cerca de US $ 230 bilhões,enquanto as iniciativas fiscais voltadas para os impactos sociais da pandemia receberam menos da metade dessa quantia.

Decidir seletivamente quem deve pagar pelos impactos da pandemia, forçando os pobres a escolher entre a fome ou a contaminação em estado de morto-vivo, foi naturalizado sob o argumento de sustentar a economia. “E daí?” Do presidente Jair Bolsonaro em resposta ao número crescente de casos COVID-19 aponta para as políticas sistemáticas implementadas durante sua presidência para enfraquecer as instituições, criando um cenário diferente e muito mais dramático do que o controle biopolítico. No Brasil, a fragilidade da administração pública tem sido incapaz de combater tanto a crise socioeconômica quanto a de saúde, deixando um rastro danoso de fome, violência e doença, “subjugando a vida ao poder da morte”.Assim, a resposta à pandemia do Brasil não pode ser avaliada apenas pelas lentes biopolíticas.

A comunidade internacional de saúde, além de ter o papel de questionar o protecionismo econômico em vista da preservação da vida, deve ampliar sua análise da sindemia COVID-19 para entender o que está acontecendo nas regiões subdesenvolvidas, em particular, para descolonizar o conhecimento e apreender plenamente particularidades geopolíticas e territoriais. Com mais de 227 500 vidas perdidas na COVID-19, até 4 de fevereiro de 2021, podemos dizer que a necropolítica está, ironicamente, viva no Brasil.

* Rafael Dall’Alba,  Cristianne Famer Rocha,  Roberta de Pinho Silveira, Liciane da Silva Costa Dresch,  Luciana Araújo Vieira e  Marco André Germanò são docentes da Faculdade de Ciências Médicas da Unb.
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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela revista “The Lancet” [Aqui!].

Vacinação contra COVID-19 virou bagunça e Ministério da Saúde está nas mãos de amadores, diz Drauzio Varella

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 Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o médico Drauzio Varella afirma que a vacinação contra o coronavírus no Brasil virou uma “bagunça”. De acordo com o médico, “sem autonomia para coordenar a estratégia de vacinação”, o Programa Nacional Imunizações (PNI) “houve por bem pulverizar pelo país as poucas vacinas existentes, como se a epidemia ameaçasse todos os municípios com igual virulência”. 

“Ao lado desse equívoco, facultou a estados e municípios a adoção dos critérios para estabelecer prioridades, de acordo com as realidades locais”, continua Varella. 

Segundo o médico, “a falta de uma coordenação centralizada com regras válidas para o país inteiro gerou essa confusão de grupos e de pessoas que subvertem a ordem prioritária e confundem a população, incapaz de entender porque em cada cidade a vacinação chega para uns e não para outros”.

Varella constata amargamente: “Profissionais formados em psicologia, biologia, veterinária, educação física, além de trabalhadores da área da saúde que nem sequer chegam perto dos doentes com Covid, são vacinados antes das mulheres e homens com mais de 80 anos. Enquanto nos entretemos com as imagens dos telejornais que mostram senhoras e senhores de 90 anos, infantilizados pelo repórter que lhes pergunta se estão felizes com a vacina, passa a boiada dos mais jovens que furam a fila.

Tem cabimento vacinar veterinários, terapeutas, personal trainers, escriturários de hospitais, antes dos mais velhos, que representam mais de 70% dos mortos? É justo proteger essa gente antes dos professores, dos policiais e de outras categorias mais expostas ao vírus?”

Ele conclui com uma crítica direta ao governo Bolsonaro: “Que azar. Quando o Brasil mais precisava de técnicos treinados para executar a difícil tarefa de vacinar seus habitantes, única forma de reduzir a mortalidade e dar alento à economia, caímos nas mãos de um Ministério da Saúde fragilizado, dirigido por amadores”.

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Este texto foi originalmente publicado pelo portal Brasil 247 [Aqui!].

Conselho Federal de Química produz um “Verdade x Mentira” sobre dúvidas da população na pandemia da COVID-19

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O Conselho Federal de Química (CFQ) produziu um Verdade x Mentira a partir das principais dúvidas da população na pandemia da COVID-19. A ideia é esclarecer, orientar e reforçar o lembrete: a pandemia não acabou, fique alerta! É hora de redobrar a atenção.

O CFQ trabalha para combater a desinformação e orientar sobre as medidas eficazes de prevenção, como lavar sempre as mãos com água e sabonete, escolher corretamente o álcool em gel, saber utilizar a água sanitária para desinfecção de objetos e superfícies, e manter o distanciamento social. Se o álcool em gel for melequento demais, a eficácia diminui

MENTIRA – O que vai definir se o álcool em gel é mais ou menos pegajoso é a composição química da fórmula, que pode sofrer algumas alterações a depender dos compostos usados.

Veja o vídeo.

Qualquer álcool é eficaz contra o coronavírus

MENTIRA – O álcool 70% é o mais recomendado. Em soluções de graduação alcoólica muito superiores, a eficácia é menor, pois a evaporação é mais rápida, o que diminui o tempo de contato do álcool com o patógeno.

Não devo higienizar meu celular com álcool em gel

VERDADE – O mais recomendado para equipamentos eletrônicos seria o álcool isopropílico. Por possuir um carbono a mais que o etanol na cadeia carbônica, é menos miscível em água, dificultando a oxidação das peças.

O álcool em gel queima sem que possamos enxergar

VERDADE – O álcool em gel é inflamável, porém a sua chama é invisível. Isso traz uma necessidade de maior atenção do álcool junto à fonte de calor. Veja o vídeo.

É possível produzir álcool em gel em casa

MENTIRA – Apesar de existir receitas caseiras circulando na internet, o CFQ não recomenda essa prática tanto pelos riscos associados quanto por confrontar a legislação brasileira.

Se não tiver álcool em gel, posso usar etanol de combustível ou de bebidas alcóolicas?

MENTIRA – Apesar do combustível e das bebidas alcoólicas possuírem álcool etílico em suas composições, cada produto apresenta graduação alcoólica própria e é pensado para uma finalidade específica e suas formulações contém outras substâncias

Água sanitária pura não funciona contra o coronavírus

VERDADE – a substância que melhor age como germicida não é o hipoclorito de sódio, mas sim o ácido hipocloroso. A água sanitária pura apresenta um pH alto e, por isso, contém apenas hipoclorito. É preciso baixar o pH, o que é feito com a adição de água, que tem pH levemente ácido.

É recomendável pulverizar ou borrifar soluções de hipoclorito de sódio sobre pessoas, em áreas públicas de grande circulação

MENTIRA – O hipoclorito de sódio é corrosivo e pode causar irritação na pele e nos olhos. O CFQ não recomenda que soluções sejam pulverizadas sobre pessoas, pelo menos até que sejam apresentadas pesquisas científicas que comprovem eficácia.

Não se pode usar água sanitária para desinfetar as mãos.

MENTIRA – A água sanitária pode ser usada para higiene das mãos quando não houver água e sabonete ou álcool, desde que esteja diluída, na concentração de 0,05% – 1 litro de água para 25 ml de água sanitária. Acesse a cartilha do CFQ.

Se misturar água sanitária com outros produtos de limpeza ou com vinagre, pode gerar até explosão

VERDADE – a mistura pode gerar substâncias perigosas e que liberem vapores tóxicos, já que muitos produtos contêm substâncias como hipoclorito de sódio, amônia e até mesmo nitrogênio.

Isolamento social frouxo dá sinal verde para o agravamento da pandemia em Campos

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Trafegava neste chuvosa manhã de terça-feira quando o locutor de uma rádio local anunciou mais um recuo nas normas de isolamento social por parte da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, agora liberando a ida a shoppings de idosos e crianças. Desde que respeitadas, é claro, as normas de higiene.  Afora a combinação explosiva de idosos e crianças circulando por um mesmo espaço em termos da expansão do processo de contaminação de coronavírus, o que mais chama a atenção é que antes de liberar as festivas idas aos templos locais de consumo, o governo municipal já havia liberado a execução de música ao vivo, desde que o número de artistas cantarolando para os comensais comerem e beberem não ultrapasse o número cabalístico 2.

Trocando em miúdos, o que todas essas regressões mostram é que o desprezo pela vida está sendo sacramentada em nome dos interesses comerciais dos proprietários de lojas, restaurantes e bares. E, pior, com a desmoralização efetiva das faixas de segurança que precariamente vinham mantendo as pessoas dentro de limites de comportamento. O resultado disso será não apenas a manutenção da pandemia, mas também o seu recrudescimento.

A verdade é que não existem mecanismos reais para controlar o grau de respeito das pessoas às normas de higiene em espaços públicos. Quando muito, os proprietários dos estabelecimentos colocam uma pessoa para medir a temperatura corporal dos fregueses e disponibilizam álcool gel para que quem quiser faça a limpeza das mãos.  Isso e nada é quase a mesma coisa, pois já se sabe, por exemplo, que uma das formas dominantes de transmissão do coronavírus se dá por via o contato de partículas em suspensão no ar (sejam elas originadas por espirros ou simplesmente pelo ato de respirar).

Assim,  somado a essa frouxidão na observação no cumprimento de regras se soma a falta de educação de muitas pessoas que se recusam a usar máscaras quando estão em espaços públicos. Aliás, a imagem dominante nas ruas de Campos dos Goytacazes é a de pessoas transitando com uma máscara embaixo de queixo.  Mesmo que entrem nos estabelecimentos portando a máscara muitas pessoas estão contaminando os mais próximos ao longo do seu trajeto até a porta do estabelecimento em que pretendem entrar.

Lamentavelmente todos esses elementos apontam para a manutenção de um nível alto de contaminados e de mortos pela COVID-19.  Essa deverá ser a realidade até que se chegue a cerca de 70% sendo vacinados, o que não deverá ocorrer (com muito otimismo) até o final de 2021. Enquanto isso, o prefeito Wladimir Garotinho vai baixando seus decretos, provavelmente sabedor que eles são apenas para inglês ver. E salve-se quem puder!

Estudo mostra que mudanças climáticas estão relacionadas ao aparecimento do coronavírus

A população mundial de morcegos carrega cerca de 3.000 tipos diferentes de coronavírus.

MORCEGOSAs gerações futuras podem enfrentar uma “bomba-relógio” ambiental se a mudança climática tiver um efeito significativo nas reservas essenciais de água subterrânea. Cardiff University – Arquivo

Um novo estudo, publicado na revista Science of the Total Environment, fornece a primeira evidência de um mecanismo pelo qual as mudanças climáticas podem ter desempenhado um papel direto no surgimento do SARS-CoV-2, o vírus que causa a pandemia de COVID-19.

As emissões globais de gases de efeito estufa durante o século passado tornaram o sul da China um hotspot para coronavírus transmitidos por morcegos, alimentando o crescimento de habitat florestal favorecido por morcegos.

O estudo revelou mudanças em grande escala no tipo de vegetação na província de Yunnan, no sul da China, e nas regiões adjacentes de Mianmar e Laos, no século passado.

Mudanças climáticas, incluindo aumentos na temperatura, luz solar e dióxido de carbono atmosférico, que afetam o crescimento de plantas e árvores, mudaram os habitats naturais de arbustos tropicais para savanas tropicais e florestas decíduas. Isso criou um ambiente adequado para muitas espécies de morcegos que vivem predominantemente em florestas.

Espécie de morcego

A quantidade de coronavírus em uma área está intimamente relacionada ao número de diferentes espécies de morcegos presentes. O estudo descobriu que outras 40 espécies de morcegos se mudaram para a província de Yunnan, no sul da China, no século passado, abrigando cerca de 100 outros tipos de coronavírus transmitidos por morcegos. Este ‘hotspot global’ é a região onde os dados genéticos sugerem que o SARS-CoV-2 pode ter surgido.

“A mudança climática no último século tornou o habitat na província de Yunnan, no sul da China, adequado para mais espécies de morcegos”, diz o Dr. Robert Beyer, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e primeiro autor do o estudo, que recentemente ganhou uma bolsa de pesquisa europeia no Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, na Alemanha.

“Entender como a distribuição global das espécies de morcegos mudou como resultado da mudança climática pode ser um passo importante na reconstrução da origem do surto de covid-19”, ele destaca.

Para obter os resultados, os pesquisadores criaram um mapa da vegetação do mundo como era há um século, usando registros de temperatura, precipitação e cobertura de nuvens. Em seguida, eles usaram informações sobre as necessidades de vegetação das espécies de morcegos do mundo para calcular a distribuição global de cada espécie no início do século XX.

Comparar isso com as distribuições atuais permitiu-lhes ver como a ‘riqueza de espécies’ dos morcegos, o número de espécies diferentes, mudou em todo o mundo no século passado devido às mudanças climáticas.

“Quando as mudanças climáticas alteraram os habitats, as espécies deixaram algumas áreas e se mudaram para outras, levando seus vírus”, explica Beyer. Animais e vírus, fazendo com que vírus mais nocivos sejam transmitidos ou evoluam ”.

A população de morcegos do mundo carrega cerca de 3.000 tipos diferentes de coronavírus, com cada espécie de morcego abrigando uma média de 2,7 coronavírus, a maioria sem sintomas.

Um aumento no número de espécies de morcegos em uma determinada região, impulsionado pela mudança climática, pode aumentar a probabilidade de que um coronavírus prejudicial aos humanos esteja presente, transmitido ou evoluído ali.

Coronavírus

A maioria dos coronavírus transmitidos por morcegos não pode afetar humanos. Mas é altamente provável que vários coronavírus conhecidos por infectar humanos tenham se originado em morcegos, incluindo três que podem causar mortes humanas: síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) CoV e síndrome respiratória aguda grave (SARS) CoV-1 e CoV-2.

A região identificada pelo estudo como um hotspot para um aumento impulsionado pelo clima na riqueza de espécies de morcegos também é lar de pangolins, que supostamente atuaram como hospedeiros intermediários para SARS-CoV-2. O vírus provavelmente passou dos morcegos para esses animais, que mais tarde foram vendidos em um mercado de animais selvagens em Wuhan, onde ocorreu o surto humano inicial.

Os pesquisadores ecoam os apelos de estudos anteriores pedindo aos formuladores de políticas que reconheçam o papel da mudança climática nos surtos de doenças virais e abordem a mudança climática como parte dos programas de recuperação econômica da COVID-19.

“A pandemia da COVID-19 causou tremendo dano social e econômico. Os governos devem aproveitar a oportunidade para reduzir os riscos de doenças infecciosas para a saúde, tomando medidas decisivas para mitigar as mudanças climáticas”, explica a professora Andrea Manica, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, que participou do estudo.

“O fato de que a mudança climática pode acelerar a transmissão de patógenos da vida selvagem para os humanos deve ser um alerta urgente para reduzir as emissões globais”, acrescenta o professor Camilo Mora, da Universidade do Havaí, que iniciou o projeto.

Os pesquisadores destacam a necessidade de limitar a expansão de áreas urbanas, fazendas e áreas de caça em habitats naturais para reduzir o contato entre humanos e animais transmissores de doenças.

O estudo também mostra que, ao longo do século passado, as mudanças climáticas também levaram ao aumento do número de espécies de morcegos nas regiões da África Central e em manchas espalhadas na América do Sul e Central. (EU)

Este texto foi originalmente escrito em espanhol e publicado pelo jornal El Télegrafo [Aqui].

Com praias, bares e restaurantes abertos, Rio é a cidade onde se mais morre por COVID-19 no Brasil

rio praia lotada

Ainda que haja boa vontade, é muito difícil entender a liberalidade da prefeitura do Rio – com praias, áreas de lazer, shopping centers, bares e restaurantes abertos – e o número de mortes por COVID-19 na cidade. O Rio, de acordo com levantamento de O GLOBO, é a cidade onde mais se morre em decorrência da doença no Brasil. A realidade frouxa do enfrentamento das aglomerações e a triste liderança no ranking nacional de mortes merecem uma reflexão, a despeito de o prefeito Eduardo Paes afirmar que se segue, sem hesitar, a orientação científica.

Nesta quinta-feira foram confirmadas 106 novas mortes da doença, alcançando o triste número de 17.535 vidas perdidas desde março de 2020. Apesar de ter quase o dobro de população, a vizinha São Paulo, líder até então de óbitos acumulados, confirmou 17.523 mortes pelo coronavírus até hoje.

A chegada do Rio no topo deste triste ranking, entretanto, já era esperada. O GLOBO mostrou no início do ano que , desde setembro, a cidade do Rio estava no topo do ranking de mortes por COVID-19 entre municípios do país. Há algumas semanas, Manaus, que vive um colapso na saúde, ultrapassou o Rio em mortes confirmadas em um intervalo de duas semanas. Entretanto, a capital fluminense continuou em um patamar de novas mortes bem acima da capital paulistana.

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Este texto foi originalmente publicado pelo site “Agenda do Poder” [Aqui!].

Ao danificar vasos sanguíneos, cloroquina pode piorar COVID-19, sugere estudo

Ensaios in vitro mostraram que substância causa disfunção nas células endoteliais, presentes nos vasos, o que prejudica circulação sanguínea e órgãos como coração e pulmões. Conclusão de pesquisador é de que efeito colateral agrava uma das principais condições de mortalidade da doença provocada pelo novo coronavírus, anulando potenciais benefícios

Pesquisa constatou que cloroquina causou stresse oxidativo e danos em células endoteliais, presentes nos vasos sanguíneos, o que pode potencializar tromboses causadas pelo novo coronavírus. Foto: Daniel Foster/Flickr, 2018.Pesquisa constatou que cloroquina causou estresse oxidativo e danos em células endoteliais, presentes nos vasos sanguíneos, o que pode potencializar tromboses causadas pelo novo coronavírus. Foto: Daniel Foster/Flickr, 2018.

Por João Cubas para o Ciência UFPR

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) concluiu que a cloroquina provoca danos em células endoteliais, presentes em todos os vasos sanguíneos do corpo humano. Os resultados estão no artigo “Chloroquine may induce endothelial injury through lysosomal dysfunction and oxidative stress“, publicado na revista Toxicology and Applied Pharmacology.

A pesquisa foi conduzida durante o doutorado de Paulo Cézar Gregório, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR, sob a orientação da professora Andréa Emília Marques Stinghen, do Departamento de Patologia Básica e do professor Fellype de Carvalho Barreto​, do Departamento de Medicina Interna da UFPR.

Para chegar a essa comprovação, o pesquisador trabalhou com linhagens de células endoteliais humanas extraídas de vasos sanguíneos, que foram cultivadas na presença de cloroquina, em concentrações incapazes de causar sua morte celular, por até 72 horas.

Observou-se que, durante esse período, a célula induziu significativamente o acúmulo de organelas ácidas, aumentou os níveis de radicais livres e diminuiu a produção de óxido nítrico, levando ao estresse oxidativo e dano celular. Este processo, chamado de disfunção endotelial, pode resultar no funcionamento incorreto ou até na morte da célula.

“Ela para de produzir substâncias que a protegem e passa a produzir em excesso substâncias tóxicas”, resume a professora Andrea. Ainda de acordo com a hipótese do estudo, a disfunção endotelial pode afetar a circulação sanguínea, e por consequência, órgãos como coração, rins e pulmões.

Lesões celulares podem contribuir para maus resultados do uso da cloroquina contra a COVID-19

O comportamento das células cultivadas em laboratório é semelhante a de células endoteliais infectadas pelo vírus Sars-Cov-2. Por isso, os pesquisadores concluem que a lesão nas células pode contribuir com o fracasso da cloroquina como terapia para o tratamento da COVID-19. Embora haja diminuição da replicação viral in vitro, o uso da substância traz reações adversas.

“Se por um lado, a cloroquina pode diminuir a replicação viral, por outro promove uma citotoxicidade que pode potencializar a infecção viral”, enfatiza Gregório.

Efeitos de diferentes concentrações de cloroquina nas células endoteliais: nas doses maiores, substância reduz viabilidade celular. Nas menores, causa estresse oxidativo e cria condições para a formação de trombos. Ilustração: Aspec/UFPR
Efeitos de diferentes concentrações de cloroquina nas células endoteliais: nas doses maiores, substância reduz viabilidade celular. Nas menores, causa estresse oxidativo e cria condições para a formação de trombos. Ilustração: Aspec/UFPR

Outras pesquisas já comprovam que a alta mortalidade nos casos graves de covid-19 é relacionada à micro ou macrotrombose, ou seja, à lesão celular endotelial. Por isso, os resultados do estudo são importantes para endossar a comprovação clínica, conforme explica Stinghen: “Já está provado que a covid causa muitos problemas de coagulação e de circulação. Com isso, conseguimos ligar esses efeitos que observamos nas células, aos que os pacientes apresentam clinicamente”.

Prescrição tradicional da cloroquina contra doenças graves considera custo e benefício

A cloroquina já é utilizada há muitos anos para o tratamento de malária e doenças autoimunes, como o lúpus. Sobre o uso já consolidado, Gregório enfatiza que, ao utilizar qualquer medicamento, deve-se pesar os riscos e benefícios, pois não existe medicamento sem efeitos adversos. “É preferível controlar doenças graves em troca dos efeitos colaterais da cloroquina. Assim é com toda terapia comprovada para alguma doença. Os benefícios têm que superar os riscos”, avalia.

Gregório foi bolsista Capes (Doutorado Sanduíche) entre 2016 e 2020 e realizou parte se seus estudos na Universidad Autónoma de Madrid e na Fundación Jiménez Díaz, na Espanha. O projeto também contou com bolsistas de Iniciação Científica e recebeu verbas do Edital de Apoio de Atividades de Pesquisa da UFPR.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Ciência UFPR [Aqui!  ].

Bolsonaro está se livrando de possíveis processos de impeachment, mas a conta será salgada

A eleição de seus aliados como presidentes do parlamento dá ao presidente Bolsonaro um impulso na corrida pela reeleição no próximo ano. Porém, a nova aliança com os partidos de centro-direita do Centrão não é grátis

bolso flagO presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, celebra cerimônia para abaixar a bandeira nacional do Brasil durante a noite, no Palácio da Alvorada, em meio ao surto da COVID-19, em Brasília, Brasil, em 15 de julho de 2020. REUTERS / Ueslei Marcelino

Por Thomas Spleen, Rio de Janeiro, para o  Neue Zürcher Zeitung

Quem quiser governar o Brasil deve, mais cedo ou mais tarde, aliar-se aos partidos do chamado Centrão, ou seja, os partidos de centro-direita. Politicamente, você sempre inclina a balança. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, sabe disso, porque nos trinta anos de sua carreira política foi membro de quase todos esses partidos em algum momento. O mais irônico é que ele jurou na campanha eleitoral de 2018 que a política do pós-xadrez típica do Centrão acabaria de uma vez por todas. Em vez disso, uma “nova política” começa com seu mandato, sem os partidos de centro-direita marcados pela corrupção.

Mas o mais tardar com a vitória dos dois deputados do Centrão Arthur Lira e Rodrigo Pacheco na eleição dos presidentes do Congresso na noite de segunda-feira, Bolsonaro finalmente voltou à rejeitada “velha política”. Ele já havia buscado e encontrado o apoio do Centrão nos últimos meses, quando foi duramente atingido devido à catastrófica corona política e ao envolvimento de seus filhos em diversos escândalos. Os votos deram-lhe uma minoria de bloqueio para evitar possíveis processos de impeachment.

64 pedidos de impeachment provavelmente irão desaparecer na gaveta

Isso só pode ser iniciado pelo presidente da Câmara dos Representantes. Este cargo está nas mãos do confidente do Bolsonaro, Arthur Lira, desde segunda-feira à noite. O advogado, cuja carreira política é orlada por denúncias de corrupção, provavelmente vai colocar na gaveta todas as 64 ações de impeachment contra o Bolsonaro que foram apresentadas até o momento. Ele também ajudará o presidente a finalmente aprovar sua agenda política no Congresso. Isso inclui leis mais flexíveis sobre a aquisição de armas e uma redução nas regulamentações ambientais. Rodrigo Pacheco também preside o Senado com um político do Centrão que enfrenta o Bolsonaro.

Mas o presidente brasileiro pagará caro por esse apoio. Nos últimos dias, ele teria cortejado os favores do Centrão com cargos importantes no governo e orçamentos extras generosos para os constituintes, conforme relatado por fontes internas. Para isso, ele agora terá de dispensar alguns de seus seguidores leais para abrir espaço para os novos amigos no gabinete. Sua promessa feita na eleição de 2018 de encher seu governo de especialistas e não de aliados foi quebrada para sempre.

A crescente influência dos novos aliados é devastadora para a  economia brasileira. Com a entrada do Centrão no governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ter que esquecer a liberalização da economia. Em vez de privatizar as empresas estatais não lucrativas, as posições mais lucrativas agora serão divididas entre os novos aliados. E nos discursos inaugurais dos dois novos presidentes do congresso na segunda-feira, dada a situação de pandemia ainda tensa, outra rodada de ajuda custosa contra a crise causada pelo coronavírus foi solicitada. O Brasil não pode pagar por isso.

Mas desde que a ajuda contra a crise causada pelo coronavírus expirou no final do ano, a popularidade do Bolsonaro diminuiu. Além disso, muitos cidadãos culpam o presidente pela falta de oxigênio para os pacientes da COVID-19 em algumas regiões e pelo lento início da vacinação. No meio da segunda onda corona, mais de mil brasileiros morrem todos os dias. Caso a luta contra a pandemia e, portanto, a recuperação econômica tenha sucesso, o “Centrão” pode servir de base para a reeleição de Bolsonaro no final de 2022. No entanto, os partidos do centro são muito sensíveis ao estado de espírito das pessoas. Se cair contra o Bolsonaro, os lados serão trocados durante a noite. A presidente de esquerda Dilma Rousseff teve recentemente essa experiência dolorosa. Ela foi destituída do cargo em 2016 pelo até então aliado Centrão.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo  Neue Zürcher Zeitung [Aqui!].