Arrecadação aumentou, mas Dornelles decretou calamidade. Por que essa conta não fecha?

O jornal Extra publicou uma matéria na última terça-feira (21/06) que desnuda a mentira de que a causa da alegada crise financeira que levou o (des) governador Francisco Dornelles a decretar a condição de calamidade pública no Rio de Janeiro (Aqui!).  É que segundo o Extra, a arrecadação aumentou no ano de 2016 (ver imagens abaixo).

Essa falácia já havia sido abordada por mim, outros blogueiros e pela Associação dos Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Aqui!) antes, mas agora com esta matéria do jornal EXTRA as falácias do secretário estadual de Fazenda Júlio Bueno, esse sim detentor de um super salário, estão definitivamente desmentidas.

Outro aspecto que é evidenciado pela capa desta quinta-feira (23/06) do jornal O DIA é que dado o aumento de arrecadação registrado no Rio de Janeiro, a causa do atraso dos salários dos servidores, a qual está causando uma situação inédita de se pagar o salário do mês anterior no final do mês seguinte, não pode ser um suposto aumento desmedido da folha de pagamento.

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O fato é que o funcionalismo não teve um aumento superior a 9,91% desde 2015, o que invalida a tese de que são os salários de servidores que estão causando a incapacidade (ou a falta de vontade) do (des) governo do Rio de Janeiro de pagá-los em dia.  A verdade é que essa dificuldade nasce do pagamento dos juros escorchantes da dívida pública, das obras super faturadas, e do esquisito negócio feito com os recursos do RioPrevidência no paraíso fiscal de Delaware. É por essas razões que a matemática financeira do Rio de Janeiro simplesmente não fecha.

E é por isso tudo que quando pressionado minimamente pela mídia corporativa não resta nada mais ao governador em exercício Francisco Dornelles emitir ao seu motorista o imortal comando “Vam´bora Ademário”.

Em abril, Jornal da Record já mostrava as verdadeiras raízes da crise do RioPrevidência

Em meio ao tsunami de incertezas em que os servidores públicos e aposentados do Rio de Janeiro foram imersos pelo (des) governo do Rio de Janeiro é sempre importante lembrar que as verdadeiras causas dessa situação esdrúxula são conhecidas há bastante tempo.

Abaixo segue um vídeo que reproduz uma matéria feita pelo Jornal da Record em Abril de 2016 onde são explicitadas as verdadeiras raízes da crise do RioPrevidência, bem como os seus efetivos responsáveis.  

É importante não apenas que se assista ao vídeo e que se preste atenção nas informações levantadas pela TV Record.  Mais importante ainda é disseminar este vídeo o mais amplamente possível para que se impeça a naturalização da versão mentirosa que está sendo disseminada, a qual coloca nas costas de servidores e aposentados a responsabilidade pela crise salarial que ocorre neste momento no Rio de Janeiro.

E como eu já mostrei diversas vezes neste blog (Aqui!, Aqui!Aqui!Aqui! Aqui!), uma das reais causas desta crise é a peculiar operação de captação de recursos realizada pelo (des) governo do Rio de Janeiro, com autorização da Alerj, no paraíso fiscal de Delaware. Essa operação que criou o “Rio Oil Finance Trust” permanece ainda sem ser devidamente esclarecida, já que não se sabe sequer quem são os “donos” desse trust.

Diante disso, é fundamental que se cobre não apenas a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas também que sejam iniciadas os pedidos de apuração policial deste escabroso procedimento de captação financeira.

 

RJ: Nem o “estado de calamidade” para a farra fiscal

A imagem abaixo é uma reprodução parcial de um artigo assinado pelos jornalistas Bruno Villas Boas e Ítalo Nogueira que foi publicado hoje pela Folha de São Paulo (Aqui!), e que mostra que em pleno “estado de calamidade”, o (des) governo Rio de Janeiro concedeu pelo menos R$ 8,7 bilhões em isenções fiscais em 2016.

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O valor de R$ 8,7 bilhões é emblemático porque representa 3 vezes o valor que o (des) governo do Rio de Janeiro espera receber em verbas federais por força da decretação da calamidade pública por caos financeiro na última 6a .feira (17/06).

O mais impressionante é que Villas Boas e Nogueira apuraram que o valor perdido em recolhimento de impostos pode ser ainda maior, visto que há descontrole até no processo de renúncia fiscal, o que estaria permitindo que outras empresas além das beneficiadas deixem de pagar os impostos devidos.

Essa verdadeira farra com o dinheiro público que foi promovida sob a capa de renúncia fiscal deveria ser objeto de uma cuidadosa apuração por parte do Ministério Público e da própria Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. É que diante desta avalanche descontrolada de benesses fica evidente que não há outro caminho a não ser anular boa parte das isenções concedidas e punir quem se beneficiou de forma privada desse descalabro.

Decreto da calamidade mostra os defeitos de um (des) governo falacioso

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O Decreto 45.692/2016 com o qual o (des) governador em exercício do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, enfiou goela abaixo da população fluminense uma inovação que é a calamidade pública causada por caos financeiro reúne uma série de pérolas que atentam ao senso comum.

Entretanto, eu considero que o segundo “considerando” do decreto da calamidade é o mais vexaminoso de todos, na medida em que se baseia numa falácia grosseira (ver imagem abaixo).

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Literalmente o que o texto do segundo “considerando” aponta é que houve uma queda na arrecadação no recolhimento do ICMS e nos royalties e participações especiais do petróleo.

Pois bem, o primeiro problema dessa falácia é que já mostrei aqui mesmo neste blog que a Associação dos Analistas de Fazenda do Rio de Janeiro que em 2016 estamos tendo um aumento real no recolhimento de impostos (Aqui!). E os valores recolhidos poderiam ser ainda maiores se desde o (des) governo de Sérgio Cabral, uma série de concessões bilionárias do ICMS não tivesse comprometido a receita associada a este imposto que, pasmem todos, é a principal fonte de renda do Rio de Janeiro.

O segundo problema é que a alegada diminuição no aporte de receita oriundas dos royalties do petróleo realmente ocorreu. Entretanto, o peso dos royalties já vem diminuindo paulatinamente sua importância na formação da receita estadual.  Isto ficou ainda mais claro entre 2014 e 2015 (Aqui!).

Em outras palavras, as razões alegadas no segundo “considerando” do Decreto 45.692/2016 não passa de uma falácia.  E o que é mesmo uma falácia? A definição que eu utilizo aqui é de que uma falácia é  um”pensamento ou discurso que, embora seja errado ou mentiroso, se apresenta como verdadeiro“.

Agora a grande questão que fica é a seguinte: um decreto que se baseia numa falácia não vai ter sua constitucionalidade questionada? Com a palavra a Assembleia Legislativa, o Ministério Público, sindicatos e movimentos sociais.

Dívidas e isenções bilionárias são as causas da crise financeira do RJ

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Não vou reproduzir em sua totalidade uma análise feita pelo prof. Roberto Moraes em seu blog, pois acredito que o mais justo é que os interessados leiam diretamente o que ele escreveu (Aqui!).

Mas para efeitos de reforçar um argumento que já fiz várias vezes aqui neste blog, vou inserir a tabela que o prof. Roberto Moraes apresentar em seu artigo para demonstrar de forma irrefutável que a raiz da crise que dizem assolar o Rio Janeiro não é o encolhimento das receitas com impostos!

ICMS - 1 Q 2016 x 1 Q 2015 - por atividade econômica

É que se comprarmos a arrecadação até o mês de abril em 2015 e 2016, o que se vê é que houve um aumento (!!!) de mais de R$ 400 milhões no total recolhido pelo estado do Rio de Janeiro.

Então se o problema não é recolhimento de impostos, qual é ? Aí entra uma velha nova novidade como bem mostra o prof. Roberto Moraes. O que está asfixiando a situação financeira do Rio de Janeiro é uma combinação entre a monstruosa dívida acumulada e as bilionárias isenções fiscais que são o motor das políticas de guerra fiscal implementadas pelo PMDB desde que Sérgio Cabral aportou no Palácio Guanabara.

Entretanto, e surpreendentemente, não há qualquer sinal de que a dupla Luiz Fernando Pezão/Francisco Dornelles tenha qualquer intenção de atacar as reais causas da crise, se fixando em soluções paliativas que aprofundarão a crise do estado, punindo servidores públicos e a maioria da população que depende de seus serviços.

Mas que fique claro: dívidas e isenções fiscais são a causa da crise que assola o Rio de Janeiro. Simples assim.

Rio de Janeiro: parcelamento de salários é só um instrumento para privatizar o serviço público

A suposta crise financeira do estado do Rio de Janeiro está servindo como uma bela fachada para um ataque sem precedentes aos serviços públicos que devem ser prestados à população em troca do pagamento de uma grossa malha de impostos. A face mais explícita dessa tentativa de entrega do público às corporações privadas é o atraso, que agora é acompanhado do parcelamento, dos salários, pensões e aposentadorias dos servidores estaduais.

Essa situação é tornada mais evidente pela continuidade de uma politica de benefícios fiscais que favorece o fortalecimento de empresas em detrimento da precarização dos órgãos públicos. Em levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE) foi detectado que só em 2015, o (des) governo Pezão/Dornelles concedeu em torno de R$ 35 bilhões em isenções fiscais, o que serviu para beneficiar até uma cervejaria onde o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), é sócio.

Tamanha desenvoltura para precarizar os serviços públicos e turbinar os lucros corporativos só é possível por uma combinação de responsabilidades, a começar pela mídia corporativa e pela ausência de medidas de controle efetivo da sangria dos recursos públicos por diversos atores institucionais que incluem a Alerj, o TCE, o Ministério Público e os próprios sindicatos dos servidores.  Além disso, há que se adicionar ao rol dos culpados a imensa maioria da mídia corporativa que tem chancelado (seja por omissão ou por colaboração ativa) as políticas de desmanche do aparato de estado do Rio de Janeiro.

E que ninguém se engane. Se não houver uma reação clara dos sindicatos e movimentos sociais que defendem os interesses públicos, o Rio de Janeiro chegará ao final de 2016 numa condição de extrema violência social, visto que a manutenção do atual status quo no âmbito do executivo estadual vai significar o alijamento de centenas de milhares de famílias da frágil rede social que impedia o aprofundamento dos connflitos.

Resta saber se haverá disposição real de enfrentamento das políticas que emanam do Palácio Guanabara ou vai se continuar fingindo normalidade até que a coisa toda chegue a proporções catastróficas.

Enquanto isso, o mentor desse caos todo, o ex (des) governador Sérgio Cabral, está em local ignorado tentando se fingir de morto e, muito provavelmente, usufruindo uma vida de bacana. E os servidores estaduais e a população que depende dos serviços públicos que se explodam.

Rio de Janeiro : (Des) governo do PMDB é a vanguarda do atraso

Muito tem sido dito sobre o pacote de maldades que o presidente interino Michel Temer estaria preparando para soltar após a aprovação final do processo de impeachment de Dilma Rousseff.  Os partidos alinhados à presidente Dilma anunciam um mundo draconiano com cortes profundos em direitos sociais e a privatização de grandes partes do aparato estatal federal.  Entretanto, premido pelos seguidos escândalos e a queda em sucessão de ministros, Michel Temer apenas vem ensaiando.

Mas esse viés de política ultraneoliberal que se ensaia no plano federal vai indo de vento em popa no Rio de Janeiro. As medidas anunciadas no dia de hoje pelo (des) governador em exercício, Francisco Dornelles, mostram que no tocante à privatização do Estado, o Rio de Janeiro está de forma inequívoca na vanguarda do atraso (Aqui!). 

O corte profundo em programas sociais é combinado com o sucateamento de serviços essenciais como educação, segurança e saúde. E no horizonte estão vindo as famigeradas privatizações que têm na Companhia Estadual de Água e Esgotos (Cedae) a jóia da coroa a ser entregue para as corporações privadas.

Enquanto escolas, hospitais e universidades são colocados em condição comatosa, o dinheiro segue jorrando fácil para empresas privadas nacionais e multinacionais.  Essa lógica de canalizar o dinheiro recolhido em impostos para turbinar as taxas de lucros das empresas privadas está no coração das reformas neoliberais, as quais, pasmemos todos, acabam de ser consideradas contraproducentes pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) e responsáveis pelo aumento da desigualdade social nos países onde foram executadas (Aqui!).

Há horas em que pergunto sobre o que será que esperam os agentes neoliberais do (des) governo do Rio de Janeiro com suas receitas ultraneoliberais? Certamente não é a solução da crise de caixa que se traduz na incapacidade de pagar os salários dos servidores públicos ou nas cenas diárias de terror nos hospitais estaduais. Se resolver a crise fosse a preocupação, as medidas adotadas iriam na suspensão imediata das escandalosas isenções fiscais que só em 2015 custaram mais de R$ 36 bilhões aos cofres fluminenses.  A questão é que os secretários de salários de marajás que comandam pastas estratégicas pouco se importam com o destino da maioria da população pobre do Rio de Janeiro.

Agora uma coisa é certa. Ao cortar programas sociais que servem como colchões para minimizar a miséria, o que os ultraneoliberais do (des) governo do Rio de Janeiro podem estar semeando é um grave conflito social às vésperas dos Jogos Olímpicos. Será que é esse o tipo de vitrine que o PMDB quer mostrar ao mundo? Pelo jeito, parece que sim. 

TCE mostra uma das raízes da crise: R$ 185 bilhões em isenções fiscais

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A tabela abaixo foi publicada pelo jornal EXTRA em uma matéria assinada por Nelson Lima (Aqui!) e mostra que o (des) governo do Rio de Janeiro transformou o Rio de Janeiro no paraíso das isenções fiscais.

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A boa notícia é que essas isenções fiscais serão agora alvo de uma auditoria por parte do Tribunal de Contas do Estado do rio de Janeiro (demorou bastante, mas acho que agora vai!).

Eu pessoalmente tenho muita curiosidade em saber a lista completa dos beneficiários e dos retornos que deveram à economia fluminense em troca dos mimos concedidos por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Mas uma coisa é certa: o Rio de Janeiro não está na pindaíba que se encontra por causa dos salários pagos aos seus servidores.

O Rio de Janeiro: nau a pique ou carro desgovernado?

As notícias que continuam aparecendo sobre a situação financeira do estado do Rio de Janeiro continuam dando vazão para mais alarme e angústia. Hoje o insuspeito (no tocante ao apoio que tem dado ao (des) governo comandado pelo PMDB) apresentou uma matéria que apenas reforça a sensação de que se fosse uma empresa, o estado do Rio de Janeiro estaria inapelavelmente fadado à falência (Aqui!).

Aos que, como eu, não são especialistas em finanças públicas, a principal informação que aparece na matéria se refere ao tamanho da dívida acumulada pelo estado do Rio de Janeiro, como bem demonstra a figura abaixo.

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O que mais salta aos olhos desse levantamento apresentado pelo O GLOBO é o tamanho da dívida pública e o tamanho do estoque de dívidas acumuladas por diferentes tipos de empréstimos. Nesse quesito salta aos olhos que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tenha autorizado apenas para a linha 4 do metrô carica a bagatela de R$ 4.8 bilhões que já devem estar causando um acréscimo generoso da dívida a partir do pagamento de juros. 

Agora, é interessante notar que se atribua mais da metade do déficit estadual ao RioPrevidência e não se ofereça qualquer explicação ao papel jogado pela desastrosa operação realizada no paraíso fiscal de Delaware com a criação de um fundo privado, o Rio Oil Finance Trust, que agora se tornou prisioneiro dos famigerados fundos abutres. E não custa lembrar que as operações feitas a partir da Lei 2.666/2013 captaram R$ 10 bilhões, o que explica boa parte (se não a totalidade) do déficit para o RioPrevidência!

O fato objetivo que se deve cobrar da Alerj, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e do Ministério Público Estadual é a realização de uma auditoria da dívida pública do estado do Rio de Janeiro. É que chegamos a um ponto que ou é isso, ou entramos num processo irreversível de caos e desmantelamento da capacidade de gerir a segunda economia da federação brasileira.

RioPrevidência: o que está péssimo, vai piorar

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A imagem acima é uma reprodução parcial de uma longa matéria assinada pelos jornalistas Danilo Fariello e Simone Iglesias e publicada no dia de hoje pelo jornal O GLOBO (Aqui!). Ainda que o objeto da matéria seja expor as raízes da crise agônica que engole hoje o RioPrevidência e ameaça frontalmente a saúde do tesouro estadual fluminense, penso que apenas especialistas mais antenados com a situação vão efetivamente entender a raiz da crise.

É que o principal elemento de agravamento dos problemas enfrentados pelo RioPrevidência passa sem ser nominado, qual seja, a criação de um fundo privado no paraíso fiscal de Delaware e que teve como lastros os royalties do petróleo recebidos pelo estado do Rio de Janeiro e os recursos próprios do fundo de previdência dos servidores estaduais.  Além disso traz uma informação chave e não a explora. É que segundo Danilo Fariello e Simone Iglesias, o (des) governo do Rio de Janeiro está tendo que realizar uma nova negociação com os fundos abutres que detém os títulos do “Rio Oil Finance Trust” , repetindo o que já fez em outubro de 2015. Em outras palavras, o buraco em que o RioPrevidência foi enfiado por Sérgio Cabral e Pezão está para se tornar ainda mais fundo.

Outra informação que é entregue, mas não analisada propriamente em minha opinião, é o fato de que “na origem dessas operações, estava a situação já grave da Rioprevidência em 2013, que havia recebido em seu caixa os direitos sobre as receitas do estado com royalties e participações governamentais. Ao transferir esses recursos a bancos e demais credores, a instituição de previdência dos servidores do estado conseguiu levantar cerca de R$ 10 bilhões à vista”.  Em outras palavras, a informação de que as operações autorizadas pela Lei 2.666/2013 haviam gerado algo em torno de R$ 6.0 bilhões estava incompleta, pois o que teria sido levantado à vista beirou R$ 10 bilhões. Isso agudiza a necessidade da resposta à pergunta: onde foi parar esse dinheiro todo?

Mas a cereja desta matéria em termos de subaproveitamento das informações levantadas está na declaração do deputado estadual Luiz Paulo de que as “antecipações têm indícios (do RioPrevidência, grifo meu) de “gestão temerária” das finanças públicas, porque entregar as participações em 2013 e 2014 para investidores foi como negociar ações na Bolsa quando ela está na alta.” Ora, como não explorar a afirmação de que o caso da criação do “Rio Oil Finance Trust” no paraíso fiscal de Delaware implica em gestão temerária das finanças públicas por Sérgio Cabral e Pezão. É que dadas as evidências levantadas pelos próprios jornalistas que assinam a matéria, não há aspas que salvem essa operação.

Aliás,  outras afirmações atribuídas a Luiz Paulo de que “as negociações foram feitas sem transparência“, e que “nenhum parlamentar teve conhecimento dessas negociações” implica na imediata necessidade de que seja criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar todo o imbróglio envolvendo a captação de recursos via uma lei que aprovada pela própria Alerj.  Entretanto, não me surpreende o fato de que a Lei 2.666/2013 tenha sido aprovada sem que os deputados estaduais cobrassem transparência e pleno conhecimento das negociações envolvendo os recursos do RioPrevidência. É que votações desinformadas e opacas são a regra, e não a exceção dentro da Alerj. Resta apenas saber quem votou a favor da aprovação da Lei 2.666/2013 para que também se cobre dos parlamentares as devidas responsabilidades pelo desastre que ajudaram a construir.

Finalmente, recomendo a leitura atenta dessa matéria. É que tudo indica quea situação do RioPrevidência e das finanças estaduais tem tudo para piorar muito nos próximos meses. E a culpa, evidentemente, não cabe aos servidores estaduais, mas sim aos líderes do (des) governo estadual, começando por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.