Governo Rafael Diniz esquece assentamentos de reforma agrária e faz aquisições milionárias no Espírito Santo

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Lembro bem que em uma das muitas propagandas feitas pelo então candidato Rafael Diniz estava o fortalecimento das políticas municipais voltadas para a agricultura familiar.  Nada mais coerente e justo já que Campos dos Goytacazes é provavelmente o município fluminense com o maio número de assentamentos de reforma agrária no estado do Rio de Janeiro.

Entretanto,  passados quase 12 meses da administração do jovem prefeito Rafael Diniz, a situação em nada mudou e os assentamentos de reforma agrária que produzem alimentos que acabam sendo exportados para várias capitais brasileiras (por exemplo: Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Vitória) continuam totalmente abandonados pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes.

Mas a coisa fica ainda pior quando se verifica o Diário Oficial do Município de Campos dos Goytacazes (DOMCG) publicado no dia de hoje e se verifica que com base em recursos do Programa de Alimentação Escolar (PNAE), a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Lazer celebrou contratos com duas cooperativas localizadas no Espírito Santo que chegam a quase 2 milhões de reais (ver abaixo).

Ainda que não esteja patente que tais compras fora do município passam inclusive ao largo da determinação da Lei 11.947, de 16 de junho de 2009 que regulamenta o PNAE , a qual determina que pelo menos 30% das aquisições feitas com  recursos oriundos do programa sejam com produtos oriundos da agricultura familiar, me parece peculiar que existindo diversos assentamentos de reforma agrária no município, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Lazer tenha preferido fazer suas compras  em terras capixabas.

Outros detalhes curiosos desses dois contratos é que apesar de terem sido publicados na edição de hoje do DOMCG, os mesmos foram assinados no dia 17 de Outubro e com uma validade de 6 meses.  Além disso, como estaremos entrando em um período de férias escolares, fica a pergunta de porque se assinou um contrato com tal prazo de validade.  No mínimo, haverá que se fiscalizar muito bem quais produtos serão entregues ao longo do período de vigência destes contratos e onde ficarão estocados. É que se corre o risco de gastar quase 2 milhões de reais por produtos perderão a validade mesmo antes do início do calendário escolar de 2018!

E aí volta aquela máxima da campanha eleitoral do jovem prefeito Rafael Diniz que  colocava que “o problema de Campos não é falta de dinheiro, é falta de gestão”. Pelo jeito estamos diante de mais um caso de cachorro mordendo o próprio rabo.  E se for só isso, está de bom tamanho.

Mas como estamos quase na véspera do Natal, me resta esperar que o espírito das boas novas se abata sobre o jovem prefeito Rafael Diniz e ele se recorde das promessas de fortalecimento das políticas voltadas para a agricultura familiar.  Os assentados da reforma agrária certamente agradecerão.

 

E Rafael Diniz segue firme nas pegadas de Pezão…

 

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Já notei mais de uma vez neste blog a alta semelhança entre as receitas ultraneoliberais que estão sendo aplicadas pelo jovem prefeito Rafael Diniz  (PPS) com aquelas impostas à população fluminense, especialmente os servidores públicos estaduais, pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão.   As semelhanças estão por todos os lados, mas mais explicitamente no corte de políticas sociais e no tratamento dado aos servidores públicos.

Mas eu não imaginava que Rafael Diniz fosse reproduzir também o calote no pagamento do 13o. salário, mas não é que na 23a. hora o site da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes anunciou o parcelamento deste crucial abono salarial!? [1]. De quebra, ainda colocou uma pitada de cinismo tão ao gosto do (des) governo Pezão ao anunciar o pagamento parcelado do 13o. salário como uma grande injeção de recursos na economia municipal. A coisa é tão descarada que me vi forçado a usar uma caneta corretora para informar aos leitores deste blog o que, de fato, está sendo empurrado goela abaixo dos servidores públicos municipais.

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Agora, se o jovem prefeito campista e sua equipe de menudos neoliberais acham que sua pequena peça de propaganda enganosa enganou por muito tempo, que pensem de novo. É que quase imediatamente após a publicação do anúncio disfarçado do parcelamento do 13o. salário,  já circulavam em grupos de Whatsapp formado por servidores da PMCG uma série de memes tecendo “homenagens” a Rafael Diniz (ver um deles abaixo). E servidores com quem conversei sobre essa decisão de parcelar o 13o. salário não esconderam sua indignação com a postergação da divulgação. É que muitos até já fizeram compromissos financeiros contando com o cumprimento do calendário salarial que agora foi jogado no lixo.

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Um dos meus interlocutores salientou ainda que, ao feito do (des) governo Pezão, havia prometido que a venda da folha salarial dos servidores municipais para o Banco Santander teria arrecadado recursos que seriam usados para justamente pagar o 13o. salário que agora vai ser parcelado.   O mesmo tipo de promessa teria sido feito com a parcela de Dezembro do fundo de participação especial dos royalties.  O que muitos estranhos agora é que a alegação é que inexistem recursos para honrar o pagamento integral do 13o. salário de 2017.

Mas uma coisa é certa: a gestão de Rafael Diniz foi extremamente consistente em seu primeiro ano: exterminou políticas sociais e agora promove este calote contra os servidores municipais. O problema é que a consistência aqui tem a ver com as fórmulas ultraneoliberais que têm sido aplicadas pelo (des) governo Pezão e não com o programa eleitoral com o qual se projetou um processo de mudanças para a cidade de Campos dos Goytacazes.

Agora, interessante esperar pelas manchetes da mídia corporativa local sobre este parcelamento com anúncio tardio. É que se fosse no ano passado, quando Rosinha Garotinho ainda governava Campos dos Goytacazes, certamente teríamos manchetes garrafais denunciando este parcelamento como o fim do mundo, especialmente para o comércio local.

Aliás, falando em Rosinha Garotinho, sempre se lembra de Anthony Garotinho que continua cumprindo sua ordem de prisão sem condenação. Desconfio que neste momento de pedidos natalinos, o pedido de Rafael Diniz e sua equipe é que Anthony Garotinho continue um longo tempo trancafiado. É que do jeito que anda a quebra de promessas que o ex-governador havia anunciado que ocorreriam, o risco de soltá-lo logo é de vê-lo sendo carregado em uma gloriosa volta olímpica pela cidade de Campos dos Goytacazes por eleitores arrependidos de Rafael Diniz que se sentem vítimas de um estelionato eleitoral. E esses, meus caros leitores, já são muitos e com tendência de aumentar ainda mais.

E antes que eu me esqueça ai vai minha síntese para a relação simbiótica que prefeito e (des) governador parecem estar mantendo: Diniz é Pezão e Pezão é Diniz. Simples assim.


[1] https://www.campos.rj.gov.br/exibirNoticia.php?id_noticia=42773

O que nos revela a perambulação de Rafael Diniz por restaurantes caros?

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Como qualquer cidadão,  Rafael Diniz tem todo o direito de frequentar quaisquer estabelecimentos que ele desejar. Afinal, sendo o dinheiro dele, quem há de condenar a forma pela qual ele decide gastá-lo? Pessoalmente aviso logo que o local de alimentação é algo que a pessoa comum deve poder escolher no mais livre arbítrio.

Acontece que Rafael Diniz não é qualquer cidadão. Ele é também o prefeito que fechou o restaurante popular Romilton Bárbara, acabou com a passagem social, congelou o Cheque Cidadão e fechou as portas do Programa Morar Feliz. Tudo isso em menos de um ano de governo!

Por isso, o fato de que Rafael Diniz tem sido visto frequentando os restaurantes mais caros da cidade de Campos dos Goytacazes, inclusive setores privados do mesmo como foi o caso de ontem (09/12) no restaurante Romano que fica localizado na área nobre da Pelinca,  demonstra a sua completa insensibilidade para as consequências de seus atos enquanto prefeito. Esse trânsito por estabelecimentos nos quais os que vivem as consequências do fechamento do restaurante popular não podem passar nem da porta é um sinal da mais completa alienação em relação à situação em que colocou as pessoas mais pobres desta cidade.

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Ainda que não haja nada de ilegal nas opções culinárias do jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, as suas preferências não deixam de mostrar uma lamentável entre a mensagem de mudança e a perpetuação de padrões de insensibilidade social que as elites brasileiras insistem em seguir.

 

E Rafael vai ter de explicar

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Ao que  tudo indica o município de Campos dos Goytacazes está experimentando uma mudança radical na forma com que se dá a gestão da sua prefeitura, e não pelas mãos de quem foi eleito para fazer isto, o jovem prefeito Rafael Diniz.  É que em um espaço próximo de 15 dias, dois cidadãos comuns impetraram ações populares para impugnar atos da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG) numa área bastante sensível, que é a contratação de empresas para oferecer serviços ou espaços físicos para diferentes órgãos e autarquias municipais. 

O primeiro caso foi o do eletricista Fabrício Ribeiro Batista que já conseguiu uma liminar para suspender o aditivo de R$ 2,630 milhões no contrato celebrado entre a empresa Working Empreendimentos e a PMCG [1].  Seguindo na mesma toada, o autônomo Anderson Henriques de Souza também impetrou uma Ação Popular  (AP) no caso referente ao aluguel de um terreno pertencente à empresa LOUREIRO E CIA ADMINISTRADORA PATRIMONIAL LTDA, caso que já foi tratado por mim na última 4a. feira (06/07) [2] (ver imagem abaixo).

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Quem já leu a chamada “inicial” desta AP me confidenciou que a mesma traz elementos de prova bastante robustos e revelações contudentes, e que devem forçar  o corpo jurídico da PMCG a trabalhar bastante nos próximos dias para oferecer alguma resposta ao que está ali exposto. 

Uma das revelações curiosas que  a peça inicial traz é que o jovem prefeito Rafael Diniz foi o principal doador  individual de sua própria campanha (tendo doado R$ 40 mil ou 10,04% do total), sendo imediatamente seguido por um dos proprietários da LOUREIRO E CIA ADMINISTRADORA PATRIMONIAL LTDA que teria doado R$ 24.880,00, o equivalente a 6,24% de todas as doações recebidas pela campanha  eleitoral que elegeu o atual alcaide de nossa pobre/rica cidade.

Mas o que já chama a atenção nesses dois casos é o uso do recurso da AP que passa ao largo das tradicionais denúncias ao Ministério Público Estadual  (MPE) que tanto incomodaram a prefeita Rosinha Garotinho em seus dois mandatos à frente da PMCG. Para alguns juristas com quem já conversei, essa estratégia parece fazer parte de um movimento mais abrangente para colocar o jovem prefeito Rafael Diniz numa posição de ter de explicar os múltiplos contratos sem licitação que já foram firmados ao longo de 2017, mas sem o envolvimento do MPE no processo de apuração.

Se a hipótese acima estiver correta, o mistério que fica é sobre quem seriam os mentores dessa tática cujo objetivo parece ser colocar o prefeito Rafael Diniz numa condição um tanto incômoda.  Como este processo ainda está numa fase bastante inicial, vamos ter que esperar para ver qual vão  ser seus desdobramentos e resultados práticos.

Mas coisa é certa: Rafael Diniz prometeu que Campos dos Goytacazes ia mudar, e mudou. O que não se esperava é que junto com a mudança viriam as Ações Populares.


[1] https://www.portalviu.com.br/opiniao/delator-de-garotinho-perde-contrato/

[2] https://blogdopedlowski.com/2017/12/06/explica-essa-rafael/

Explica essa, Rafael!

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Dona da empresa de terreno alugado pela PMCG é também diretora de Patrimônio do Previcampos

Apesar de seus muitos defeitos, um fato que não se pode negar é que a existência das redes sociais tornou mais permeável os esforços no tocante a garantir a transparência da administração da coisa pública.

Pois bem, postei na manhã de hoje o caso de um curioso contrato assinado pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes com a empresa Loureiro e Cia Administradora Patrimonial  para alugar por um ano o terreno localizado na Rua Rockfeller, 25 no bairro do Caju [1].

Agora pouco recebi dois arquivos que tornam bem mais curiosa a situação desse contrato. É que, vejam abaixo, agora podemos saber que a empresa em tela tem como uma de suas proprietárias, Luiza Leite Cabral Loureiro, que, curiosamente, foi nomeada pelo jovem prefeito Rafael Diniz para ocupar o cargo de Diretora de Patrimônio do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Campos dos Goytacazes  (Previcampos) no dia 08 de Agosto de 2017, cerca de 3 meses antes da assinatura do contrato de locação do terreno na Rua Rockfeller!

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Mas as curiosidades envolvendo o referido terreno não cessam no fato de que a Diretora de Patrimônio é uma das sócias da empresa que detém sua propriedade. 

É que fui informado, o referido terreno é anexo ao prédio da antiga Comauto, onde funcionam hoje várias repartições municipais, incluindo a Secretaria de Transportes, a Empresa Municipal de Habitação (EMHAB), além do DETRAN. A mesma fonte me deu conta que esse prédio é objeto de penhora por motivo de débitos trabalhistas e fiscais dos proprietários da Comauto, sendo que parte do terreno foi arrematado em leilão por Fernando Luiz Cavalcanti Loureiro, também apontado como sócio da Loureiro e Cia Administradora Patrimonial  e pai da Diretora de Patrimônio do PREVICAMPOS.

Agora, ganha uma passagem para Búzios (destino preferido para descanso de Rafael Diniz) quem adivinhar qual foi o papel cumprido por Fernando Luiz Cavalcanti Loureiro na vitoriosa campanha eleitoral que levou o jovem Rafael Diniz ao cargo da gloriosa cidade de Campos dos Goytacazes!

De toda forma, o que me parece mais curioso (aliás, curiosíssimo), é ter uma pessoa que é dublê de empresária e diretora de patrimônio de órgão público sendo nomeada por alguém que prometia mudar as regras e costumes da administração municipal.

Mas como é sempre dar o direito à dúvida,  peço ao prefeito da “mudança” que explique essa. Se puder!


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/12/06/o-governo-rafael-diniz-e-seus-curiosos-contratos-com-dispensa-de-licitacao/

O governo Rafael Diniz e seus curiosos contratos com dispensa de licitação

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Quase todo dia ouvimos um dos menudos neoliberais que compõem o secretariado do jovem prefeito Rafael Diniz falar sobre as escolhas técnicas que são feitas para poupar o dinheiro do contribuinte.  De quebra, ainda temos de ouvir que apenas na gestão de Rosinha Garotinho ocorriam contratações que passavam ao largo das boas e corretas práticas públicas.  E, não raramente, ainda somos brindados com a explicação de que tudo que anda mal está relacionado a uma “herança maldita” vinda da gestão anterior. 

Mas será que é tudo assim tão técnico e racional como querem nos fazer crer os menudos neoliberais de Rafael Diniz?

Vejamos o exemplo do extrato abaixo que nos dá conta de mais um contrato firmado pela gestão de Rafael Diniz na modalidade “dispensa de licitação” (ver imagem abaixo).

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A empresa agraciada é a Loureiro e Cia Administradora Patrimonial que vai receber R$ 114.000,00 pelo aluguel de um terreno para colocação de veículos da Secretaria Municipal de Gestão Pública. Isto representa a bagatela de R$ 9.500 mensais por um imóvel localizado na Rua Rockfeller no bairro do Caju.

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Aí é que eu pergunto aos leitores deste blog se não acham curioso que um imóvel seja alugado por um preço nada camarada e sem o devido processo licitatório? Eu particularmente acho.  Aliás, essa é apenas mais uma curiosidade nos vários contratos feitos por dispensa de licitação justamente na administração de um prefeito que se notabilizou por criticar essa prática quando estava na bancada de oposição à prefeita Rosinha Garotinho dentro da Câmara de Vereadores. E se me lembro bem da campanha eleitoral, algo prometido foi exatamente  a celebração de contratos sempre sob os ditames da Lei  8.666/1993.

Pelo jeito, certas críticas só valem enquanto tal. È que ao assumir o poder o que se vê é a repetição de práticas iguais ou piores do que se criticava. 

 

Rafael Diniz e seu legado ultraneoliberal

Poucos dias atrás fui questionado na seção de comentários deste blog por um apoiador do jovem prefeito Rafael Diniz que entre um “elogio” e outro me inquiriu a demonstrar que as políticas dessa nova/velha gestão possuem um recorte ultraneoliberal.

Como em seção de comentários não há muito como oferecer respostas mais densas, ofereci apenas o exemplo do fechamento de restaurante popular como uma demonstração inequívoca da opção cristalina de penalizar os mais pobres em nome de uma suposta luta contra o déficit fiscal municipal.

Mas como aqui há mais espaço, posso incluir além do fechamento do restaurante popular, outras tantas medidas que vem pautando o governo de Rafael Diniz que são tiradas diretamente do receituário neoliberal, incluindo a colossal majoração do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) com os quais os campistas deverão ser brindados em 2018. As mais nefastas para mim são o fim do Cheque Cidadão e da Passagem Social, duas medidas que contribuíram para um profundo agravamento da crise social no município de Campos dos Goytacazes, sem que tenham representado qualquer ganho mensurável na saúde financeira municipal.

O interessante é que o fracasso das políticas neoliberais aplicadas na década de 1990 já deveria ter servido de lição para os governantes. É que ao comprimir os gastos sociais e aplicar o torniquete fiscal naqueles que ainda podem pagar alguma coisa, o que se tem é uma profunda redução da capacidade do consumo e dos níveis de poupança.

Eu inclusive tenho a desconfiança que no caso particular do IPTU turbinado por Rafael Diniz e sua bancada na Câmara Municipal, o que poderemos ter é uma explosão da inadimplência e até o encolhimento do montante obtido com os valores atuais. É que os mais pobres não terão como pagar e os mais ricos já sabem que altos níveis de inadimplência sempre são seguidos por abatimentos generosos para os maiores devedores. O que me deixa intrigado é de como nenhum dos menudos neoliberais que cercam o jovem prefeito Rafael Diniz ainda não se deu conta disso. Ou se alguém se deu conta, por que ainda fizeram aprovar mudanças que vão salgar bastante os custos com o IPTU. 

Mas voltando ao fechamento do Restaurante Popular Romilton Bárbara, ouvi de uma fonte confiável que o prefeito Rafael Diniz anda se queixando  do número de pessoas que andam procurando socorro no Mosteiro da Santa Face que se localiza no Jardim São Benedito.  Ora, para diminuir essa procura é simples e barata: que se reabra o resutante popular! Assim, as freiras do mosteiro não terão mais que alimentar as centenas de pessoas que as procuram para matar a fome todos os dias (a imagem abaixo é deste sábado).

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Ah, sim, se os impactos das políticas ultraneoliberais precisassem de uma síntese, elas estão expressas nas faces de cada um desses que esperam pela caridade em vez do oferecimento de políticas sociais municipais.

Onde vão parar Rafael Diniz e seu governo de menudos ultraneoliberais?

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Tenho conversado com pessoas de diferentes ocupações e tendências ideológicas sobre o primeiro ano do governo (ou seria (des) governo?) do jovem prefeito Rafael Diniz. A palavra que mais ouço dos meus interlocutores é “decepção”.  A razão para este sentimento de desapontamento profundo é a distância evidente entre a mudança prometida e o que foi feita de fato ao longo de 2017.

Além de desapontamento, há também nas falas dos meus interlocutores uma sensação de que será preciso questionar frontalmente as opções que Rafael Diniz e seus menudos neoliberais vêm escolhendo para governar um município que se não tem mais um orçamento totalmente discrepante em relação à sua base econômica real, tampouco se tornou totalmente pobre da noite para o dia. Alguns dos meus interlocutores me lembram que Campos dos Goytacazes continua tendo um dos maiores orçamentos municipais do Brasil, maior do que várias capitais nordestinas.

Como se pode observar pelas ruas de Campos dos Goytacazes hoje se acumulam centenas de pessoas tentando gerar um mínimo de renda para suas famílias. Além dessas pessoas que tentam sobreviver praticando uma forma de capitalismo de sobrevivência, temos ainda um crescimento significativo dos assaltos e furtos.  Para quem mora em Campos dos Goytacazes, esse cenário é inédito, mesmo nos tempos em que nem havia o aporte dos bilhões trazidos pelos royalties do petróleo.

No meio dessa situação toda, o que mais fica evidente é que as políticas ultraneoliberais adotadas pelo governo “de facto” de Michel Temer estão sendo aplicadas em sua forma mais pura pelo governo da “mudança”.  E o pior é que o prefeito que parecia tão disposto a ir de encontro ao povo durante a campanha eleitoral, hoje se resume a aparições em ambientes fechados ou naqueles eventos onde ele sabe que não terá que encontrar com os eleitores pobres que caíram no seu estelionato eleitoral.

Mas na prática o que estamos tendo, além do fim das políticas sociais voltadas para os segmentos mais pobres da população, é a majoração de impostos existentes e a criação de outros tantos. A iniciativa aqui é clara: jogar nas costas das classes médias o ônus de governar para os mais ricos, e apenas para eles.  Exemplos mais gritantes são a privatização das ruas e a proposta de majoração do IPTU. Mas se olhar mais, outros tantos casos serão encontrados.

Um elemento que deve deixar Rafael Diniz calmo é o fato de que toda a disposição investigativa que foi demonstrada contra Rosinha Garotinho em seus dois mandatos hoje parece ter amainado completamente.  Do Ministério Público à antes ativa blogosfera, parece que está tudo “dominado”.  Não há mais aquele clima de denúncias que tanto irritava os apoiadores de Rosinha Garotinho, pois colocava seu governo sob o escrutínio de uma lupa bastante apurada.

Mas que o prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais não se deixem enganar por essa paz aparente. O clima nas ruas é acirrado, misturando uma poção que cedo ou tarde poderá explodir na forma de uma forte revolta popular.  A única chance disso não acontecer seria uma rápida reversão na guerra aos pobres que foi a tônica da gestão municipal ao longo de 2017.   O problema é que não vejo nenhuma disposição de sair do conforto enganoso que é dado pelos apoiadores de coleira. Daí que não há nenhuma ousadia em prever que 2018 não será um ano calmo em Campos dos Goytacazes. A conferir!

Campos dos Goytacazes no ritmo do “circo sem pão”

Enquanto a mídia corporativa nos campista distrai com as idas e vindas de Anthony Garotinho no sistema prisional, a fila de famintos no Jardim São Benedito não para de aumentar. Mais um excelente serviço da gestão do jovem prefeito Rafael Diniz que fechou o Restaurante Popular Romilton Bárbara contrariando uma promessa de sua plataforma de campanha.

A partir dessa constatação é que fica evidente que o ódio que transparece contra Anthony Garotinho em notas jocosas travestidas de informação jornalística se dá mais pelos seus acertos do que pelos seus erros. Esse ódio tem uma clara conotação de classe e do mesmo tipo destinado, por exemplo, a Lula e outros personagens que na história brasileira tentaram, ainda que precariamente, minimizar a fome que aflige boas parcelas da população brasileira.

Mas para não perder a oportunidade, convido aos leitores deste blog que façam um esforço de solidariedade e apoiem materialmente o trabalho comunitário desenvolvido pelas freiras do Jardim São Benedito. É que em meio à falência óbvia do aparelho governamental em impedir o recrudescimento da fome no nosso município, há que se recorrer à solidariedade ativa.

Outra curiosa prisão de Anthony Garotinho, agora na companhia de Rosinha

Que me perdoem os que estão soltando rojões pela cidade de Campos dos Goytacazes em função das prisões dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, num suposto desdobramento da Operação Chequinho [1]. É que novamente existem algumas curiosidades que não posso deixar de mencionar.

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Primeiro, o juiz que determinou atua na Comarca de Campos Goytacazes, mas ordenou que os ex-governador fossem levados para o mesmo presídio onde está o numeroso grupo de desafetos liderados por Sérgio Cabral.  Para quem não se recorda, na outra prisão determinada pelo mesmo juiz, o destino dado a Anthony Garotinho tinha sido uma unidade prisional em Bangu.  

A segunda curiosidade é de que um dos delatores é um empresário local que ainda possuiria contratos na atual gestão do jovem prefeito Rafael Diniz.  Ainda que não haja nada de ilegal nessa situação, a mesma não deixa de ser curiosa.  Mas muito curiosa, mesmo.

Como o casal de governadores já demonstrou possuir uma boa assessoria jurídica nos embates anteriores, vamos esperar pelo desenrolar dos acontecimentos. Particularmente fico com a sensação de que estamos diante daquilo que chamei hoje mesmo de “cortina de fumaça” destinada a nos impedir de ver a realidade que nos cerca como um todo. Adicionando-se a isso há o fato de que Anthony Garotinho é uma espécie de bode expiatório preferencial para ser usado em situações em que o grupo que domina a política fluminense é pego em situações melindrosas, como foi o caso do retorno do trio de mandarins da Alerj para a mesma prisão para onde Anthony e Rosinha foram enviados hoje.

Enquanto isso, a cidade de Campos dos Goytacazes continua com seu cotidiano de assaltos, degradação de serviços públicos essenciais e flagrante abandono da sua população mais pobre.  E o jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais se fingindo de mortos e aliviados com a distração fornecida pela prisão de Anthony e Rosinha Garotinho.

 


[1] https://exame.abril.com.br/brasil/anthony-e-rosinha-garotinho-sao-presos-pela-pf-no-rio/