Docente da UFPA que teve título de doutor cassado por plágio é exonerada de funções administrativas

plágio

No dia 27 de outubro de 2015 repercuti a cassação do título de doutorado de uma docente da Universidade Federal do Pará (UFPA) por motivo de plágio (Aqui!).  O caso era mais peculiar já que a docente era responsável pelo processo de avaliação institucional da instituição, e ainda atuava como avaliadora de cursos de graduação em plano nacional pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) que é vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

Pois bem, quase quatro meses após essa cassação, o Diário do Pará publicou uma matéria comunicando que a referida professora havia sido exonerada de suas funções administrativas (seja isso lá o que for), tendo que retornar aos cofres públicos todos os valores que recebeu, na forma de gratificações e progressões salariais, como recompensa por deter um título que acabou sendo cassado.

ufpa exoneração

Eu costumo dizer que no meio acadêmico (que está longe de ser composto por anjos), a pessoa vive ou sobrevive pelo que se pode ligar ao seu nome em termos de ações de formação de novos pesquisadores e, mais importante, publicações.  Assim, o “nome” é algo pelo qual se pode ser laureado ou excomungado e enviado para o inferno acadêmico. Nesse caso, a professora em questão deve estar experimentando algumas labaredas fortes.

Se isso for verdade, alguns poderiam dizer que ela está recebendo o que merece, já que quem comete plágio acadêmico conhece bem os riscos envolvidos, especialmente quando já se chegou ao nível de doutoramento. 

Apesar disto ser verdade, existem evidências suficientes de que os plágios de dissertações e teses se tornou uma epidemia mundial. O que parece variar é o tempo que se leva para apurar e punir, especialmente se quem plagiou estiver em postos altos de comando como foi o caso da ministra da Educação da Alemanha, Annette Schavan, que teve seu título de doutora na Universidade de Dusseldorf cassado em 2013 e acabou tendo que renunciar ao cargo (Aqui!). Mas, no caso em tela, o incrível é que se passou mais de uma década para que se chegasse ao veredito de que a docente da UFPA cometido plágio!

Por outro lado, dizer que o plágio se tornou epidêmico sem explicar as causas, torna-se insuficiente.  No caso brasileiro, além dos elementos prosaicos que envolvem retornos financeiros para os títulos de pós-graduação, penso que a lógica produtivista que tem guiado a consolidação do nosso sistema nacional de pós-graduação é uma das causas principais não apenas para a proliferação do plágio, mas como da lerdeza existente em identificar e punir os transgressores.

É que presos a uma lógica de que quantidade é que importa, docentes e dirigentes institucionais acabam permitindo toda sorte de frouxidão na condução da formação dos futuros mestres e doutores, e que não raramente deságua na aprovação de documentos claramente desqualificados.  A lógica dominante é que quase ninguém lê as dissertações e teses, mas os artigos, capítulos de livros ou livros que as mesmas geram.

Essa lógica perversa que permite a proliferação do plágio também facilita a proliferação exponencial das chamadas “editoras predatórias” que se especializam em publicar “trash science“, muitas vezes financiadas com dinheiro público.  É que neste mundo imperfeito que se gera a partir da quantidade sobre qualidade, também se sabe que a imensa maioria desse lixo científico tampouco será lido ou, se lido, levado à sério.

De minha parte, venho insistindo que o atual contexto de valoração da quantidade sobre a qualidade precisa ser urgente e radicalmente transformado.  Do contrário, continuaremos produzindo uma ciência que é tão cara quanto inútil para as necessidades estratégicas do Brasil. Lamentavelmente, poucos quadros qualificados têm se mostrado dispostos a falar abertamente desse problema. E se isso continuar assim, não tenho dúvidas que outros casos de plágio vão surgir. Resta saber se vão ser apurados e punidos e numa velocidade mais célere. E tome “trash science“!

A crescente economia paralela das publicações acadêmicas

Por Jeffrey Beall, publicado originalmente em inglês Aqui!

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Identifcador de objeto científico?

Há evidências de uma economia paralela está se  desenvolvendo em torno da indústria das publicações  acadêmicas. Os componentes desta economia paralela incluem editoras predatórias, empresas de métricas fictícias, falsos serviços de revisão de línguas, e agora, uma empresa fornecedora  de

A empresa que vende a identificação de um indicador não-padrão é chamado  de Identificador de Objeto Científico (SOI). É evidente que esta é uma tentativa de criar uma identificação ao longo das linhas do DOI, ou  Identificador de Objetos Digitais.

Contudo, o termo  Identificador de Objeto Cientifico é mal escolhido, pois “objeto científico” soa como um termo para uma peça de equipamento de laboratório – como um microscópio – Ao invés de um objeto digital,  que essencialmente é um arquivo de computador.

A principal coisa que promove o mercado cinza de publicações acadêmicas é o sistema de pagamentos de autores. Existem inúmeras pequenas e  “start-ups“,  ou  mesmos empresários individuais, que copiam funções e os planos de negócios das editoras tradicionais e das empresas que lhes dão suporte.

O mercado cinza fornece serviços diretamente aos autores acadêmicos ou a empresas que os vendem para os autores.

Todos estas empresas procuram receitas obtidas da venda de serviços a autores acadêmicos, direta ou indiretamente. Eles querem o dinheiro obtido de agências de fomento, fundos pessoais, dinheiro de fundos, de bibliotecas acadêmicas, e de decanatos.

O problema é que empresas   como a empresa Scientific Object Identifier – são cópias tolas de empresas legítimas.

Geralmente  a criação de uma nova empresa neste ramo significa o envio de milhares de mensagens “spams” para os membros da comunidade científica.

Embora seja ótimo que o movimento de acesso aberto tenha o acesso à publicação de artigos científicos seja mais fácil, ele também resultou na desestabilização da publicação acadêmica e o estabelecimento do caos.

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Vencendo a batalha do acesso aberto, perdendo a guerra científica

  1. Agradeço a Ravi Murugesan por  me alertar sobre o artigo sobre halitose Aqui!.

Sequestro de nomes de revisas científicas: a nova tática do “trash science” para garantir freguesia

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Em seu blog, Prof. Jeffrey da Colorado University-Denver abordou recentemente mais um caso de sequestro de nome de revista científica tradicional por um editor predatório (Aqui!). A estratégia aparentemente básica de sequestrar nomes de revistas é mais uma das muitas que estão sendo adotadas por editores de “trash science” para atrair cientistas incautos (ou não) para continuar garantindo os lucros de um mercado em visível expansão.  Como o próprio professor Jeffrey Beall já identificou, e o jornalista Maurício Tuffani repercutiu em seu blog, a lista de editoras predatórias cresceu 33% apenas em 2015 (Aqui!) sem que haja qualquer indicação de que o fenômeno vá começar a regredir num futuro imediato.

A questão da expansão mundial do “trash science” é particularmente aguda para países com sistemas científicos em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, por causa da ênfase na quantificação da produção que, muitas vezes, acaba permitindo que muito lixo científico seja produzido e, pior, que os seus produtores sejam generosamente irrigados com um pool de verbas que está bastante curto por causa da crise econômica mundial.

Como em tantas outras empreitadas, há que se perguntar como pesquisadores que se pretendem sérios se permitem atrair por revistas que se valem de esquemas como o do sequestro de títulos para oferecerem seus préstimos.  A questão é que se as agências de fomento, como o CNPq e a Capes não se dão ao trabalho o joio do trigo (ou melhor, ciência de verdade de lixo científico de baixíssima qualidade ), o que está se fazendo de forma prática é a autorizar a abertura de uma temporada interminável de produções que não merecem nem um pingo da tinta que é usada para passá-las dos ambientes virtuais das revistas “trash” para a condição de cópias impressas. A pouca disposição das agências de fomento de identificar e punir quem se vale de “trash science” paraa acessar recursos públicos escassos não isenta os pesquisadores que se valem das editoras predatórias para engordar de forma fictícia os seus currículos. Mas a combinação desses dois aspectos parecem explicar o crescimento da oferta de editoras predatórias que estão pelo mundo afora (principalmente na África e na Ásia) dispostas a colocar online qualquer coisa que alguém se habilite a pagar pela publicação.

O interessante nisto tudo é que a simples menção de que estamos metidos num momento delicado da ciência por causa da ação desenvolta das editoras predatórias cria o mesmo ambiente de silêncio sepulcral que se observa nos filmes sobre a máfia. Aliás, manifestações recentes contra o trabalho do Prof. Jeffrey Beall beiram a reação histérica que vimos em outros casos de personagens que aparecem em público para nos mostrar facetas indesejáveis do nosso cotidiano. Mas pensando bem, motivos para isso devem existir, já que a movimentação de recursos em direção às editoras predatórias nem sempre advém dos recursos privados dos pesquisadores que se dispõe a colocar seus nomes nessas “obras”. Dai que atirar no mensageiro é sempre mais fácil do que reconhecer que a mensagem que ele traz.

O crescimento acelerado do “trash science”. Um caso clássico de oferta e demanda?

Ao longo de 2015 tratei aqui neste blog do problema do crescimento e validação do “trash science” e de seus efeitos perversos sobre o processo de disseminação de conhecimento científico, bem como da distribuição de verbas estatais para pesquisadores.

Para minha pouca surpresa, a reação inicial que obtive de muitos pesquisadores foi de rejeição à publicização até da existência deste problema. Apesar de não concordar, acho até compreensível que muitos não queiram nem ouvir falar sobre qualquer esforço de separar “o trigo do joio”. Afinal, além de se manterem num Olimpo com pés de barros, esses pesquisadores estão sendo beneficiados pela concessão de verbas pelas principais agências de fomento brasileiras.

O pior é que ao longo do ano passado tive ainda que presenciar a tentativa de linchamento do Professor Jeffrey Beall por causa de uma postagem em seu blog acerca da eficiência da plataforma Scielo em disseminar artigos e revistas ali hospedados.  O ultraje que acometeu dezenas de editores de revistas brasileiras só tem paralelo no imenso silêncio que existe acerca do problema e das consequências do “trash science” para a ciência, e especificamente a brasileira.

Agora, já nos primeiros dias de 2016 estou sendo novamente procurado para publicar em revistas predatórias, como mostra a imagem abaixo.

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Além de deixar curioso sobre como meu endereço eletrônico institucional foi “fisgado” pelos editores do “International Journal of Environmental and Agriculture Research“, não posso deixar de pensar que se eles estão me alcançando, o mesmo estará ocorrendo com centenas de outros docentes de universidades brasileiras. É que dentro das leis estritas de mercado, raramente há oferta se não houver um mínimo de demanda. Em outras palavras, tem gente que está respondendo positivamente a este pedido de convite.

Mas será por falta de ignorância e excesso de boa fé, combinadas com a necessidade de engordar o CV Lattes, que isto ocorre? A minha resposta é… dificilmente. É que, apesar do incômodo gerado pela “black list” do Professor Beall, quase todo mundo já sabe da sua existência e das formas de acessá-la.

No caso do convite acima, bastou identificar a editora do “International Journal of Environmental and Agriculture Research“, a AD Publications (ver cabeçalho da sua página na internet) e depois acessar a lista do Professor Jeffrey Beall (Aqui!) para saber a resposta.

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E não deve ser surpresa que a AD Publications está na Beall´s List of Predatory Publishers.  Mas isto também deixar claro que estar listado não é um fator de inibição para os editores que o próprio professor Beall continuam a se reproduzir como cogumelos em pastagens após dias de chuva intensa.

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Entretanto, a pergunta que me parece mais relevante é a seguinte: quantos pesquisadores se sentem na obrigação de verificar listas como a formulada pelo Professor Beall? E mais importante ainda: será que o trabalho iniciado pela CAPES para remover jornais “trash” do Qualis Capes vai continuar sem a pressão de jornalistas como Maurício Tuffani que é um dos poucos a tratar do problema de forma aberta na mídia corporativa (Aqui!)?

Eu diria que em tempos de forte restrição financeira e das imensas pressões pela validação meritocrática do trabalho das universidades, deixar de atacar o problema do “trash science” será um tremendo tiro no pé.  É que nada melhor para quem justificar cortes orçamentários do que fisgar publicações “trash” para desvalorizar toda a comunidade científica brasileira. 

E, sim, continuo esperando uma posição coletiva dos editores de revistas científicas brasileiras sobre o problema, de preferência no mesmo tom de ultraje com que procuraram demonizar o trabalho do Professor Jeffrey Beall. Caso contrário, o ultraje não terá passado de uma tentativa de se assumir responsabilidades.

Ciência brasileira na encruzilhada: grandes desafios, orçamentos dilapidados

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Algo que vem passando despercebido na cobertura caolha que a mídia corporativa faz da crise econômica e política que grassa nos diferentes níveis da federação brasileira é o profundo corte de verbas públicas para as universidades e centros de pesquisas nacionais.  Se a coisa já foi tenebrosa em 2015, os cortes orçamentários projetados pelo governo federal e por governos estaduais colocam a maioria dos grupos de pesquisas em um estado de comatose profunda. É que sem recursos mínimos, a maioria das pesquisas que requerem um mínimo de insumos para fluírem são efetivamente inviabilizadas.

O mais impressionante é que neste momento a sociedade brasileira está sendo assolada por um grande número de problemas que demandam respostas científicas precisas que impulsionem a adoção de soluções. Vejamos, por exemplo, a recente disseminação do vírus zika e e a febre chikungunya (lê-se chicungunha), cujos efeitos sobre a saúde humana deixam pálidos aqueles causados pela dengue (Aqui!). A ausência de recursos para pesquisar essas doenças certamente causará mortes e deformações e, de quebra, aumentará ainda mais a sobrecarga da rede pública de saúde, a qual já se encontra totalmente sobrecarregada.

Eu poderia ainda mencionar a falta de qualquer resposta institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) à hecatombe socioambiental iniciada pelo rompimento da barragem do Fundão da Mineradora Samarco em Mariana (MG). Em um país minimamente organizado para atender as demandas reais que emergem na sociedade, uma agência como o CNPq já teria convocado pesquisadores a se associarem em redes para pesquisarem os diferentes compartimentos ambientais que foram devastados pelo TsuLama. Mas até agora a única iniciativa de que se tem é da Fundação de Amparo  à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) que lançou um edital para pesquisadores interessados em investigar o TsuLama da Samarco e as medidas necessárias para sua mitigação no âmbito do Rio Doce (Aqui!). O problema é que premida pelo encurtamento de recursos, a capacidade de financiamento da Fapemig é consideravelmente menor, e não deverá aportar os recursos minimamente necessários para que pesquisas de grande fôlego sejam realizadas, de modo a estabelecer os limiares de ações de mitigação para este incidente ambiental de proporções apocalípticas.  Tanto isto é verdade que o edital para a recuperação do Rio Doce é de magros R$ 4 milhões, o que se mostra claramente insuficiente para pesquisar uma tragédia de dimensões ainda incalculáveis. 

Mas o que me incomoda mesmo é notar que apesar da magreza do aporte financeiro, continuamos imersos numa cultura institucional que obriga a comunidade científica brasileira a continuar sua rotina de privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade.  E isto se traduz na pressão para continuarmos a publicar em quantidades que justifiquem ranqueamentos e premiações. E como já abordei de forma repetida aqui neste blog, tal pressão cria um terreno fértil para a legitimação do “trash science” como forma de qualificar a comunidade científica nacional.  O fato é que não se ouve no plano da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) qualquer ajuste na forma de se avaliar os programas de pós-graduação, em que pesem as evidências de que estamos profundamente contaminados com a cultura do “trash science” onde quantidade é o que importa.

A somatória desses problemas acaba colocando a comunidade científica brasileira diante de um grande dilema. Como evoluir a ciência e atender as demandas emergentes num ambiente de cobertor curta e critérios que privilegiam a quantidade? Algumas respostas estão surgindo e apontam não apenas para formas alternativas de financiamento (como é o caso do mecanismo do “crowdfunding”), mas também para o estabelecimento de redes de cooperação que ultrapassem os limiares do personalismo imposto pelo “trash science”. Ainda que embrionárias, muitas iniciativas no caso do TsuLama da Samarco apontam para a adoção de uma tomada de posição que privilegia a cooperação científica em detrimento do egotismo que grassa atualmente na maioria da comunidade cientifica brasileira.

Essas redes de cooperação são para mim a principal esperança de que possamos superar a encruzilhada em que se encontra a ciência brasileira neste momento. É que formas genuínas de cooperação em rede poderá se mostrar como a única forma de vencermos ao mesmo tempo a falta de recursos e a pressão para que nos submetamos todos à lógica do “trash science”. E como nenhum país se desenvolveu até hoje sem comunidades científicas efetivamente qualificadas, a superação dessa encruzilhada tem tudo a ver com o destino do Brasil enquanto nação independente.

Jeffrey Beall publica capítulo em livro lançado em Portugal sobre a produção científica no mundo do “trash science”

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O Professor Jeffrey Beall da Colorado University-Denver que se especializou na divulgação de revistas e editoras predatórias que produzem e disseminam o que eu chamo de “trash science” acaba de contribuir com o capítulo em um livro publicado pela editora portuguesa Livros Labcom (Aqui!).

Ainda que estejamos mais informados e alertas para os efeitos danosos e os interesses econômicos que estão por detrás da disseminação de milhares de revistas que combinam captação de recursos via autores e a disseminação exponencial de ciência de baixa qualidade, o fato é que o problema está longe de ser controlado, como bem demonstrou a recente reviravolta nos graus atribuídos a centenas de revistas na base Qualis.

Como a situação nas universidades brasileiras que se apresenta para a comunidade científica já em 2016 é de uma combinação esquizofrênica de mais cortes de verbas e aumento da pressão por produção científica. Em função desse cenário é importante que haja um debate amplo e aberto sobre os rumos que a produção científica vem tomando por causa das revistas e editoras predatórias que se aproveitam do nicho de mercado criado por essa combinação nefasta. Do contrário, vamos correr o risco  termos ainda mais “trash science” sendo vendida como ciência.

Um aspecto final nessa obra é de que ao contribuir para um livro de “acesso aberto”, Jeffrey Beall mostra que o seu problema não é com a forma de disseminação da ciência, mas com a qualidade e  o conteúdo do que está sendo vendido como ciência pelas editoras e revistas que produzem e disseminação “trash science”. 

Disponibilizo abaixo todas as informações sobre a obra que constam do sítio da Livros Labcom, e também o link para baixar a obra gratuitamente. 

Comunicar e Avaliar Ciência

por Anabela Gradim e Catarina Moura (Org.)

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Sinopse

A comunidade científica é hoje o resultado inequívoco do modo como os últimos anos acentuaram exponencialmente o desafio de definir e estabilizar parâmetros que permitam que a comunicação e avaliação de ciência possam beneficiar da credibilidade necessária à sustentabilidade de um complexo paradigma. Pensado na sequência – e como resultado – de uma conferência internacional sobre Modelos de Publicação Emergentes organizada no âmbito de um projeto dedicado, justamente, à Comunicação de Ciência, este livro reflete e faz eco, a partir de treze ensaios, das preocupações dos milhares de investigadores, professores, estudantes e bibliotecários que sentem, sobre o seu trabalho (sobre o seu futuro), a pressão permanente de um sistema cujo intrincado agenciamento permanece, até certa medida, opaco.

Índice

Introdução – 1

Parte I
INTEGRIDADE ACADÉMICA E INDICADORESDE PRODUÇÃO E AVALIAÇÃO

Os editores predatórios estão a destruir a integridade da comunicação académica- 11
Jeffrey Beall

Por Albert Einstein, o editor, você, e eu – 31
Allen W. Wilhite e Eric A. Fong

Produção científica nas ciências sociais e humanidades:problemas e alternativas – 47
João Costa

A universidade portuguesa nos rankings: estratégias de melhoria – 57
Paula Pechincha, António Marques e José António Sarsfield Cabral

A avaliação da produção científica em biotecnologia, direito e artes:proposta de um modelo – 87
Sofia Fernandes

 

Parte II
DESAFIOS DO OPEN ACESS NA POLÍTICA CIENTÍFICA

Editores predatórios e modelos de Open Access – 111
Anabela Gradim

OpenAIRE e comunicação da ciência: a infraestrutura Open Accesspara a investigação na Europa – 127
Pedro Príncipe

Eu sei que tu sabes que eu cito: uma visão estratégicada publicação em ciência –  135
João Fernando Ferreira Gonçalves

Ciência e técnica vitivinícola 30 anos de desafios – 149
J. Silvestre; S. Canas; J. Eiras Dias

Parte III
TEORIAS, MÉTODOS E ESTUDOS DE CASOEM COMUNICAÇÃO DE CIÊNCIA

Investigação em, sobre e através da Arte do ponto de vista da publicação:aspectos epistemológicos e de validação – 157
Francisco Paiva

Argumentação gráfica: a modelização diagramáticana comunicação da ciência – 177
Irene Machado

Cartografia dos métodos digitais: no cruzamento entre os estudos sociaisda ciência e tecnologia e as ciências da comunicação? – 203
Chiara Carrozza e Tiago Santos Pereira

A necessidade de uma melhor comunicação da matemática na imprensa – 241
Susana Simões Pereira, José Manuel Pereira Azevedoe António José de Oliveira Machiavelo

FONTE: http://www.livroslabcom.ubi.pt/sub/livro.php?l=147#sthash.eb9sCOaI.dpuf

Qualis ou não Qualis, eis a questão!

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Estive ontem participando do “II Seminário Latino-Americano sobre Coleções Biológicas e Biodiversidade, Saúde e Ambiente” que está ocorrendo até hoje (26/11) das dependências do Museu da Vida do Instituto Oswaldo Cruz (Aqui!), onde participei de uma mesa redonda sobre mudanças climáticas. Entretanto, o momento que mais despertou a plateia não teve nada a ver com o tema da mesa em si, mas sobre o caos que foi estabelecido a partir das mudanças realizadas no ranqueamento do Qualis Capes. 

É que apesar da própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) ter alertado que o “Qualis Capes” se atém basicamente a avaliar a qualidade da produção dos programas de pós-graduação e não dos pesquisadores individualmente, o fato é que ao não se combinar o jogo com os russos (no caso os comitês de assessoramento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), muitos pesquisadores estão tendo que se virar para escolher as revistas científicas onde irão tentar publicar seus trabalhos, já que o ranqueamento feito no Qualis Capes é sim considerado nos momentos de se escolher quem serão os beneficiários dos financiamentos, seja no plano individual ou coletivo.

A principal questão que eu consegui identificar é que as comissões de áreas  (CAs) da Capes na ânsia de responder às pressões criadas pela infestação de “trash science” no Qualis Capes como alertado pelo jornalista Maurício Tuffani em seu blog (Aqui!Aqui!Aqui!) acabaram piorando o que já era ruim. É que em vez de fazer a limpeza necessária e descontaminar o Qualis Capes, o que parece ter ocorrido foi a instalação de um grau de incerteza inédito sobre onde se deve publicar.

E o pior é que o remendo pela metade acaba perpetuando uma mentalidade que está impregnada na comunidade científica brasileira de que o mais importante é publicar bastante e apenas naquelas revistas que tenham sido aquinhoadas com uma nota melhor num determinado ano, já que a avaliação de uma dada revista só vale para o ano em que for avaliada!

Lamentavelmente essa postura produtivista se dá num momento de enxugamento de verbas, o que acaba fortalecendo a postura pragmática de publicar não para avançar o conhecimento, mas para viabilizar a obtenção de financiamentos e premiações. Em outras palavras, o que já aconteceu no plano da avaliação da carreira docente está se estendendo para a produção científica. E os resultados disso serão péssimos para a consolidação da comunidade científica brasileira. E eu me arrisco a dizer mais, ao se “jogar o bebê fora com a água suja do banho”, o que a Capes acabou fazendo foi desestimular o pensamento crítico entre as novas gerações de pesquisadores, algo que se provará mortal para a ciência brasileira no médio e longo prazo.

Enquanto isso, que ninguém se engane, os produtores de “trash science” continuam com suas produções de vento em popa e rindo da cara de quem tenta produzir ciência qualificada. É que no frigir dos ovos, tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes.  É que, ao fim e ao cabo de cada dia dentro das universidades públicas, a maioria está tendo sobreviver ao vagalhão de cortes de verbas impostos pelos diferentes governos cujas prioridades não são nem de perto aquelas que embalam os pesquisadores mais comprometidos com o avanço da ciência. Simples, porém trágico.

O difícil trabalho de desvendar os (des) caminhos da produção de “trash science”

Percorrer e desvendar os caminhos do que eu rotulo de “trash science” pode parecer fácil, mas não é.  Um procedimento normal dos editores predatórios é enviar uma mensagem como a que aparece na imagem abaixo para vender a participação numa conferência ou a rápida publicação numa revista que esteja associada aos seus organizadores.

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Até ai, tudo bem. O primeiro problema é identificar quem é o organizador da conferência e como e a quem estão ligadas as revistas que são indicadas para publicação dos “artigos selecionados” da conferência.  Tive que gastar uns bons minutos para identificar que as três revistas indicadas pelos organizadores da conferência (cujo endereço de correspondência é localizado na cidade de Nova York).  Mas não consegui identificar com a mesma facilidade onde as revistas são “editadas” (ver a figura abaixo para uma delas).

IJNTSE

Uma pista é dada no site da International Journal of New Technologies in Science and Engineering que informa que 80% dos recursos arrecadados na cobrança de taxas de publicação serão doados para uma organização não governamental voltada para o atendimento de idosos na Índia ((Aqui!)   (Aqui!) )

IJNTSE 2

Mais fácil foi identificar que as revistas estão listadas na “black list” organizada pelo Prof. Jeffrey Beall (Aqui). Além disso, a medida de fator de impacto pelo qual as revistas estaria sendo avaliadas, o “Technical Impact Factor“)  também já foi denunciado pelo Prof. Beall como sendo um dos muitos fatores de impacto piratas que circulam no mercado das revistas predatórias (Aqui!).

Decifrados este percurso sinuoso, volto a me deter no qual denuncia tanto a conferência (que é acima anunciada como ocorrendo apenas via online, ou seja, de forma virtual) como as revistas a ele ligadas como predatórias (ou “trash science” no meu linguajar)  são as datas extremamente próximas entre o prazo limite de envio e a ocorrência da conferência. Outro sintoma são os preços que são oferecidos para os diferentes tipos de participantes. É que apesar das atuais taxas de câmbio, os preços são, digamos, bem camaradas, especialmente para pesquisadores com poucos recursos e desesperados para turbinar seus currículos.

O problema é que, como já foi apontado pelo jornalista Maurício Tuffani em seu blog, este processo acaba criando uma situação em que se fortalece e valida a existência de revistas predatórias. E isso ficou bem demonstrado quando 235 revistas predatórias (ou seja produtoras de “trash science“) foram detectadas no chamado Qualis Capes (Aqui!). E como o próprio Maurício Tuffani notou a recente tentativa dos comitês assessores da Capes de fazerem uma limpeza no Qualis Capes não representou mais do que um arranhão na armadura dos “trash science” que estão ali ranqueados (Aqui!).

E o problema é que enquanto convites como o que foi dissecado nesta postagem continuam chegando de forma volumosa, a reação da maioria da comunidade científica brasileira, e também internacional, é de minimizar os impactos mais amplos da disseminação de revistas e conferências predatórias sobre a forma pela qual se produz e avalia a produção científica. Isto já gerou e continuará gerando sérias distorções na formação das futuras gerações de pesquisadores. No caso brasileiro, a coisa é ainda pior, visto que nem uma valorização real se dá ao desenvolvimento científico, como ficou recentemente demonstrado pela nomeação do Sr. Celso Pansera para dirigir o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Jeffrey Beall toca na ferida dos impactos das publicações predatórias sobre a cultura científica (e seus sistemas de premiação)

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Ao longo deste ano tive a oportunidade de falar para diferentes audiências sobre o problema das revistas científicas predatórias e de seus impactos não apenas na qualidade das publicações, mas também na distribuição de verbas por agências de fomento, e também no processo de avaliação da qualidade do trabalho dos professores e da progressão funcional dos mesmos. A reação que venho tendo é um misto de inquietação e letargia.  Essa postura é para um reflexo de uma situação de deterioração da cultura que cercava a produção científica, onde publicar alguma coisa tinha normalmente como pré-requisito a existência de algo meritório de ser mostrado ao resto da comunidade de cientistas.

No caso brasileiro, a aceitação do engordamento de currículos via a colocação de trabalhos em revistas predatórias possui um efeito especialmente pernicioso que é de atrasar um processo de desenvolvimento científico no qual o nosso país já embarcou de forma tardia.  É que ao aceitarmos a penetração do “ethos” do “trash science” acabamos por investir recursos escassos e preciosos em publicações que efetivamente apenas objetivam recolher dinheiro, sem medir a qualidade do acaba sendo publicado.

Mas como já observei em várias ocasiões, o problema da expansão exponencial do “trash science” não se resume ao Brasil. Pelo contrário, o crescimento de publicações predatórias só é possível porque existe um amplo mercado a ser ocupado em escala global. O problema é que a expansão deste mercado acabou por criar graves deformações na forma de avaliar e valorar a produção científica.

Felizmente, existem vozes que estão soando o alarme sobre os impactos da expansão do “trash science“, e uma delas é o professor Jeffrey Beall da Universidade do Colorado-Denver que considero ser um dos pioneiros no alerta sobre os impactos prejudiciais das revistas predatórias sobre a qualidade das publicações científicas.  O Prof. Beall é o criador do que é provável a mais ampla listagem de editoras e revistas predatórias, e que se transformou num instrumento bastante útil a todos aqueles que querem evitar cair na armadilha dos “trash publishers(Aqui!).

Agora, o Prof. Beall acaba de publicar uma análise na revista “Information Development” que eu considero ser um ótimo ponto de partida para todos que querem entender melhor as modificações trazidas, bem como os desafios que isto criou, para a cultura científica.  O artigo cujo título é “Predatory journal and the breakdown of research cultures” pode ser baixado de forma gratuita (Aqui!). 

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Aliás, o que gostaria de ver é como reagem aquelas dezenas de editores de revistas científicas brasileiras que recentemente embarcaram numa espécie de “vendetta” coletiva contra o Prof. Beall por causa de uma postagem em que ele questionava a capacidade da plataforma Scielo de tornar conhecida o conteúdo das revistas que são ali hospedadas. É que passada aquela verdadeira tempestade num copo d´água, o Prof. Beall continua tocando na ferida exposta das revistas predatórias, as quais, interessantemente, ocupam principalmente o espaço de publicações de acesso aberto que procuram preencher.

E agora, será que teremos alguma reação aos comentários que estão contidos na peça produzida pelo Prof. Beall ou vamos ter que continuar assistindo a caçada impiedosa ao mensageiro, enquanto o “trash science” se expande a um custo financeiro altíssimo? A ver!

Maurício Tuffani disseca o crescimento exponencial do “trash science”. E eu pergunto: por que tanto silêncio em torno do problema?

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O jornalista Maurício Tuffani aborda novamente em seu blog hospedado na Folha de São Paulo a questão da produção de “trash science“, onde mostra que o número de revistas “trash” vem tendo um crescimento exponencial nos últimos anos. Essa produção de ciência “trash” é provavelmente um sinal perverso dos efeitos da transformação da ciência em mais uma “commodity”. 

Além disso, no caso brasileiro, a produção de “trash science” tem tido um papel ainda mais danoso, já que não apenas o sistema de ranqueamento dos programas de pós-graduação tem sido afetado pelo engordamento da produção científica por artigos publicados em revistas “predatórias”.  E de forma adicional, o trânsito livre que foi dado para que pesquisadores sejam premiados por engordar seus CVs com “trash science” resultou numa espécie  de “vale tudo” ,cujo resultado final tem sido o crescimento também exponencial de ruído científico.

Um aspecto que julgo especialmente importante na postagem que vai abaixo é o quase absoluto silêncio que reinava na comunidade científica brasileira acerca da contaminação causada pelas publicações “trash” no desenvolvimento da ciência brasileira. E também considero que as medidas recentes tomadas pela Capes para rebaixar ou até excluir publicações do chamado Qualis Capes são claramente insuficientes.

É que enquanto ficarmos no paliativo, os que mais se beneficiam com o engordamento de CVs por artigos produzidos via “trash science” vão continuar fingindo que continua tudo como dantes no quartel de Abrantes. Para isso, há que se ter a coragem de mexer nos mecanismos de concessão de premiações, seja no plano dos programas de pós-graduação, mas também no plano individual dos pesquisadores.

Eu apontaria que se toda a gritaria que ocorreu em relação à postagem do Prof. Jeffrey Beall se repetisse em relação ao núcleo duro da sua contribuição ao debate em relação aos problemas que cercam a disseminação de revistas predatórias, talvez não estivéssemos tendo que nos defrontar com os impactos do “trash science” em tantas áreas chaves da ciência brasileira. Mas, lamentavelmente, a gritaria parece ter sido apenas contra o mensageiro da má notícia que a maioria prefere ignorar.

Mas uma coisa positiva que está acontecendo é que mais pessoas estão começando a falar abertamente sobre os problemas causados pelo “trash science”, e da necessidade de combater as deformações que estão ocorrendo na produção científica brasileira por causa da permissividade com que essa questão foi tratada até recentemente. Pode não parecer pouco, mas já é muita coisa.

Abaixo segue a postagem do Maurício Tuffani que merece ser lida de forma cuidadosa por todos os que querem produzir ciência de qualidade no Brasil. Boa leitura!

 

Produção de periódicos predatórios aumentou 7 vezes em 4 anos

POR MAURÍCIO TUFFANI

Enquanto as autoridades das universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento no Brasil evitam a todo custo tratar publicamente da praga que são as chamadas editoras acadêmicas predatórias e as revistas científicas por elas publicadas na base do “pagou, publicou”, no exterior o problema se torna cada vez mais escancarado.

Desta vez não foi mais uma novidade do biblioteconomista Jeffrey Beall, dos EUA, com sua lista dos  “publishers predatórios”. Um estudo publicado hoje pela revista “BMC Medicine” revela que cresceu de cerca de 53 mil em 2010 para 420 mil em 2014 o número de artigos dos periódicos despejados na literatura científica por essas editoras que exploram sem rigor acadêmico o modelo de publicação em acesso aberto na internet, baseado na cobrança de taxas de autores.

PREVISÕES

Esse crescimento corresponde a 692% em apenas quatro anos, ou seja, a cerca de 7 vezes. A partir da lista de Beall, os pesquisadores da área de ciência da informação Cenyu Shen e Bo-Christer Björk, da Escola Hanken de Economia, na Finlândia, identificaram cerca de 8 mil periódicos ativos responsáveis por esse aumento. Segundo os autores, cerca de 75% dessas revistas estão na África e Ásia.

Shen e Björk, no entanto, afirmaram que os problemas provocados ​​por essas revistas são muito limitados e regionais. A acrescentaram que acreditam que o número de artigos publicados por elas “vai parar de crescer em um futuro próximo”.

CONTESTAÇÃO

Em entrevista ao blog “Retraction Watch”, dos EUA, Beall discordou dos dois autores, afirmando que os dados por eles apresentados não dão suporte a essa previsão. E acrescentou:

“Além disso, é enganosa sua tentativa de minimizar os problemas causados ​​pelos publishers predatórios como ‘regionais’. A Índia tem 1,2 bilhões de pessoas, e a China tem 1,3 bilhão. Há dezenas de milhões de pesquisadores na região.”

Beall foi alvo no Brasil de moções de repúdio por parte de lideranças na área de publicações acadêmicas por ter publicado em julho em seu blog o post “O SciELO é uma favela de publicações?, afirmando que essa plataforma on-line brasileira de periódicos mantida por meio de recursos públicos não consegue dar visibilidade aos trabalhos científicos.

NO BRASIL

Critiquei esse texto de Beall, não só por equívocos em suas afirmações, mas também por ele ter dado razões de sobra às acusações contra ele de preconceito ideológico contra o modelo do acesso aberto e de ele ter uma visão de mundo capitalista na qual só se justifica o modelo de publicação acadêmica baseado no mercado da cobrança pelo acesso aos conteúdos dos periódicos (“Um alívio para os periódicos predatórios”, 6.ago).

O efeito desse problema em nosso país já teve amostras suficientes, desde o impacto na produção acadêmica (“Sobe para 235 a lista de predatórios da pós-graduação brasileira”, ) ao comprometimento de conferências científicas ( “Eventos científicos ‘caça-níqueis” preocupam cientistas brasileiros”, 3.mar, e “Promotoria questiona Unicamp por evento com editora ‘predatória’”, 15.ago).

Felizmente, já existe uma pequena reação contra esse quadro (“Capes rebaixa revistas científicas de má qualidade”, 23.set). Mas ainda é pouco. Por mais que tenham razão algumas das suas críticas a Beall, torna-se cada vez mais imoral e indecente a atitude de indiferença de muitas autoridades e lideranças acadêmicas brasileiras com o problema dos periódicos predatórios.

FONTE: http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2015/10/01/producao-de-periodicos-predatorios-aumentou-7-vezes-em-4-anos/