Segunda geração de “revistas trash” amplia risco de vulgarização da ciência

predatory

O professor da University of Colorado-Denver, Jeffrey Beall publicou em seu site há poucos dias a ocorrência de uma segunda onda de editores de revistas de “trash science” (Aqui!). Esses editores nada mais seriam do que indivíduos que tendo trabalhado nas primeiras editoras “trash” decidiram criar seus próprios veículos para angariar recursos com autores incautos ou não. 

Eis que na manhã deste sábado (05/03) as minhas caixas de correio eletrônico amanheceram repletas de convites de revistas científicas obscuras, mas que estranhamente conseguiram me achar.

E, como não sou o único que deve ter sido “premiado”,  isto me leva a pensar que se há oferta, há demanda. Em outras palavras, se o número de revistas está proliferando é porque a competição permite que isto ocorra. Mas ainda há que se considerar que a relação custo/benefício deve estar ao lado dos editores destas revistas predatórias, já que só é preciso enviar um arquivo e depois pagar para que um pseudo-artigo possa ser citado como tendo sido publicado.

No caso brasileiro onde a adaptação a este tipo de oferta vem se dando sem nenhum tipo de amarra mais consistente, é bem provável que quem se serviu da primeira geração de editores “trash”, agora parta para abraçar sem nenhum remorso essa segunda onda de editores predatórios.

O pior é que naqueles poucos casos onde há algum tipo de cobrança de transparência como foi o caso do evento noticiado pelo jornalista Maurício Tuffani no seu blog (Aqui!) envolvendo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o que se vê é a procrastinação em oferecer as respostas devidas.

O problema é que ao não se ignorar e rechaçar (em vez de abraçar) as revistas que proliferam lixo científico, corremos o risco de que em algum tempo não possamos mais separar o que é ciência real e o que simplesmente lixo científico. No caso de países como o Brasil, os custos desta complacência com os editores “trash” compromete o avanço científico que conseguimos com tanta dificuldade

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