TsuLama da Samarco: INPE e SOS Mata Atlântica calculam perdas da cobertura florestal

A matéria assinada pelas jornalistas Bárbara Ferreira e Juliana Baeta do jornal O TEMPO apresenta uma avaliação conjunta produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela organização não governamental SOS Mata Atlântica sobre um aspecto que estava obscuro até agora acerca dos efeitos do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) que foi a supressão de áreas florestadas. E esse relatório que eu considero inicial aponta para a perda de pelo menos 324 hectares de mata, o que não é um valor insignificante numa região onde a remoção da floresta nativa foi quase total.
 
Entretanto, considero que a surpressão vegetal é ainda mais grave nesse caso pelo simples fato de que nas áreas de vegetação que foram cobertas pelo TsuLama também havia fauna e flora endêmicas, bem como nascentes que alimentavam o Rio Doce e seus afluentes. Deste modo, a perda não é só de um serviço ambiental, mas de múltiplos.
 
Enquanto isso, a Mineradora Samarco continua procrastinando a entrega de um plano de emergência para as barragens remanescentes na área em que o TsuLama teve origem.  Isso sim é preocupação corporativa com o ambiente!

Lama destruiu 324 ha de mata 

Foram 236 hectares de floresta nativa e 88 de vegetação natural afetadas pela barragem de Fundão

Depois de imensuráveis impactos humanos, sociais e hídricos, a lama despejada pela barragem de Fundão, no início do mês passado em Mariana, na região Central de Minas, também é responsável por uma significativa supressão de vegetação nativa da região afetada. De acordo com análise da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 324 hectares (ha) de mata atlântica foram destruídos pela lama de rejeitos.

O estudo sobre o desmatamento e supressão vegetal é feito anualmente pelas instituições, e a última versão havia sido divulgada poucos dias antes do desastre causado pela barragem da Samarco. Após o rompimento, a fundação e o Inpe decidiram fazer um novo levantamento para detectar o que foi destruído pela lama. Imagens de satélite dos dias 25 de setembro e 12 de novembro foram usadas na última análise.

O estudo constatou que os rejeitos impactaram uma área total de 1.775 hectares (17 km²), equivalente a 2.150 estádios do tamanho do Mineirão. A lama chegou a regiões de vegetação nativa, sendo 236 hectares de florestas nativas e outros 88 hectares de vegetação natural (um total de 324 hectares).

De acordo com a diretora-executiva do SOS Mata Atlântica, Marica Hirota, a destruição deve servir para mobilizar governos e sociedade para aperfeiçoar os mecanismos de controle de atividades de grandes impactos ao meio ambiente.

“Minas Gerais já é um Estado bastante castigado em relação à supressão de vegetação nativa e foi campeão do ranking do desmatamento da Mata Atlântica por cinco anos consecutivos. A tragédia de Mariana, com seu rastro de degradação, se soma a essa realidade e reflete as trágicas consequências do desmonte gradativo da legislação ambiental brasileira e da sua não aplicação”, conclui Marcia Hirota.

Usina

Foram analisados 114 km de cursos d’água e a vegetação em seu entorno, desde a barragem de Mariana, onde ocorreu o rompimento, até a represa da Usina de Candonga (UHE Risoleta Neves), no município de Rio Doce.

Segundo Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe, a represa da Usina Candonga absorveu o impacto da onda de lama que afetou a área do entorno dos rios e evitou que a vegetação fosse destruída depois desse ponto. “Após a represa, o impacto foi no leito do rio, na qualidade da água e no deslocamento de sedimentos, não havendo remoção de vegetação nas margens dos rios, ou ao menos na escala do estudo, que considera áreas com no mínimo 1 hectare”, explica.

cobertura florestal

Saiba mais sobre o trabalho

Hidrografia. A lama atingiu 680 km de cursos d’água, entre eles 114 km da barragem até a usina de Candonga, parte já analisada pelo SOS Mata Atlântica e pelo Inpe. Após a Usina de Candonga, são 403 km do rio Doce até a divisa com o Espírito Santo e mais 161 km até o mar. Uma equipe das duas entidades está agora em expedição por esse trecho para analisar o impacto pelo rio Doce.

Vegetação. Além dos 324 hectares de mata, há 1.451 hectares de áreas urbanas, pastagem e agricultura afetados.

Pontos afetados. As áreas atingidas de florestas remanescentes (236 ha) estavam todas em Mariana. Já no caso de vegetação nativa, foram 58 hectares em Mariana e 3 hectares em Barra Longa. Nos outros lugares, o impacto foi em matas, várzeas, áreas urbanas, pastagens e agricultura. Foram 493 hectares em Barra Longa, 163 ha em Rio Doce, 67 ha em Santa Cruz do Escalvado e 40 ha em Ponte Nova.

ImportânciaA área devastada, segundo o estudo, é importante no contexto local, em especial para a proteção do solo e preservação da quantidade e qualidade da água que abastece a região.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/lama-destruiu-324-ha-de-mata-1.1188943

 

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