A difícil ressurreição pós-TsuLama: rejeitos da Samarco chegaram a Abrolhos

A confirmação de que o TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) atingiu o santuário marítimo de Abrolhos é prova da dimensão sem precedentes do incidente ambiental iniciado pelo rompimento da barragem de rejeitos do Fundão em Mariana.

É importante que se diga que a chegada do TsuLama a Abrolhos e outras partes do litoral baiano representa mais um degrau na montanha de problemas sociais e ambientais que foram iniciados pela negligência da Samarco e dos órgãos governamentais responsáveis por garantir que este incidente jamais ocorresse. 

De quebra, o desembarque da lama em Abrolhos mostra quão perigoso é se prever as consequências deste tipo de megaevento sem que primeiro se faça a lição de casa, caso você seja um pesquisador. Essa deve estar sendo a lição aprendida pelo professor Paulo César Rosman da COPPETEC/UFRJ que em sua famosa entrevista á BBC no dia 28.11.2015, além de minimizar a possibilidade da chegada do TsuLama a Abrolhos, prognosticou que em 5 meses o Rio Doce estaria ressurreto (Aqui!)

A verdade é dura: ainda levaremos um bom tempo para poder dizer com algum grau de precisão e acurácia a dimensão das transformações ambientais que foram iniciadas com a eclosão do TsuLama da Samarco.

Nesse processo todo é preciso ainda observar que a mídia corporativa, especialmente os seus principais órgãos de disseminação de informação, está cumprindo um papel insuficiente na informação dos seus leitores. Nesse sentido, vejamos alguns exemplos de como a chegada do TsuLama a Abrolhos vem sendo noticiada em diferentes veículos de mídia.

Como se pode ver acima, se dependesse do O GLOBO e da Folha de São Paulo, a chegada do TsuLama a Abrolhos “poderia” estar ocorrendo. Felizmente, a versão dos jornais Correio Braziliense,  Hoje em Dia e o O Tempo passa da possibilidade ao fato consumado.  E olha que todos esses veículos reproduzem uma entrevista da presidente do IBAMA, Marilene Ramos, sobre a alteração da trajetória do TsuLama em direção ao santuário marinho localizado no sul da Bahia.

Alguma alma mais inocente poderia se perguntar: e a Samarco, já começou a pagar as multas e adotar planos de emergência para, pelo menos, iniciar o processo de  mitigação da miríade de impactos sociais e ambientais que a sua própria negligência causou?  Pelo que se depreende da leitura de matérias publicadas por esses mesmos veículos de imprensa, a resposta é um sonoro Não!

E quanto ao governo federal e os de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, estão fazendo alguma coisa? Pelo pouco que pude ouvir da entrevista da presidente do IBAMA, a resposta é outro sonoro Não!

No meio dessa barafunda, o positivo é que as redes sociais continuam mantendo o assunto em pauta, impedindo que seja empurrado para debaixo de um imenso tapete de lama. Pode até parecer que isso não é muito, mas é.  É que quanto mais tempo o odor podre da lama da Samarco continuar transparecendo, maior será a chance de que alguém será punido. A ver!

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