Apesar do discurso de austeridade, RJ gasta fortuna em compra de papel. Mas quem são estes vendedores?

O blog “Transparência RJ” postou no dia de ontem (09/07), uma vultosa compra  governamental de papel A4, A3 e Oficio II para todo o estado  do Rio de Janeiro no total de mais de R$ 11 milhões, notando que os preços praticados pelos vendedores não estariam de acordo com a venda no atacado, e que uma economia de quase R$ 2 milhões poderia ter sido alcançada com o uso de valores correntes no mercado (Aqui!).

Como essa não é a primeira vez com que eu me defronto, já tendo constatado que os vendedores estão normalmente localizados em endereços peculiares que não deixam claro que ali existem empresas que vendem para órgãos públicos, resolvi dar uma verificada nos dois vencedores do certame identificado pelo “Transparência RJ”.  

As duas empresas listadas no despacho publicado no DOERJ pela Subsecretaria de Lógistica e Patrimônio foram Somar Rio Distribuidora Ltda-ME e a Papelaria Parco Ltda. Ao verificar no referenciador do Google encontrei as seguintes informações sobre possíveis endereços das duas empresas (ver imagem abaixo): 

De posse de dois possíveis endereços para a Papelaria Parco e um da Somar Rio Distribuidora, utilizei o “Street View” para identificar visualmente os mesmos. Eis o que encontrei, começando pela Somar Rio Distribuidora Ltda:

somar

O círculo azul cobre o que deve ser as partes baixas dos números 179 a 181 da Rua Marechal Deodoro no centro da cidade Niterói.

No caso da segunda vencedora do certame aludido, a Papelaria Parco Ltda, encontrei dois endereços possíveis: um no centro da cidade do Rio de Janeiro e outro em Duque de Caxias (RJ). Agora vejamos imagens dos dois endereços que localizei:

Apesar de não se poder atribuir qualquer ilegalidade imediata ao fato de que empresas fornecendo no atacado, a preços acima do que pode ser encontrado no varejo, serem relacionadas a endereços em que sua presença não está claramente identificada, eu diria que há sim espaço para inquietação.

Para começo de conversa há que se questionar se os procedimentos requeridos para a inclusão destas empresas no processo licitatório, e mesmo naquelas chamadas que dispensam licitação, estão sendo seguidos e, mais importante, fiscalizados in loco. 

Além disso, em face do que apurou o pessoal do “Transparência RJ” também aparece espaço para questionamentos em torno da fiscalização que deve ser realizada pelos auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

É que num período de tamanha dificuldade financeira (ao menos pelo que alegam os representantes do (des) governo do Rio de Janeiro) um sobrepreço de quase R$ 2.0 milhões em apenas uma compra de papel é um péssimo sinal do que pode estar ocorrendo no conjunto global de aquisições feitas com dinheiro público.

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