Quando “modernizar” quer dizer simplesmente “retirar direitos”

clt_leis trabalhistas

De tempos em tempos, as forças mais retrógradas do Brasil aparecem com uma palavra que é o próprio antônimo ambulante do que elas mesmas significam para o nosso país: Modernizar.

Olhando em qualquer dicionário “modernizar” significa basicamente “tornar(-se) moderno, acompanhando a evolução e as tendências do mundo atual.”.  

E é aí que começa o problema, pois o mundo capitalista está cheio de tendências a partir de elementos particulares de evolução que se dão em cada Estado-Nação. No caso de países como a Noruega, “modernizar” significa, por exemplo, a adoção da política de desmatamento Zero. Já no Brasil, a “modernização”´é justamente liberar o desmatamento em todos os biomas,condições topográficas e importância ecológica. A modernização aqui é embalada por uma sonota onde a motosserra é o principal instrumento.

Mas a palavra “modernizar” está sendo atualmente mais utilizada para justificar mudanças profundas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as quais possuem aspectos que mereceriam serem modernizadas, como a questão da unicidade e o pagamento obrigatório de taxas sindicais.  

Contudo, não são as partes efetivamente atrasadas que se quer modernizar. O alvo da sanha do patronato, do governo interino de Michel Temer e de incontáveis analistas da mídia corporativa são as garantias e direitos que a CLT concede aos trabalhadores brasileiros.  Pelos discursos que vejo e as matérias que leio, se depender dessa gente, teremos uma regressão tão profunda que as condições de trabalho existentes nos “sweatshops” existentes Bangladesh e em países da América Central serão vistas como o modelo a ser seguido.

Agora modernizar a estrutura de taxação fiscal e cobrar as dívidas bilionárias que os mais ricos possuem com o Tesouro nacional, é óbvio que não há nenhuma disposição sequer para se falar do assunto. Nessa área, o “atraso” é muito mais do que bem vindo.

Como os planos regressivos estão claros e evidentes, a minha expectativa é de que haja uma forte reação da classe trabalhadora, apesar da posição pelega que hoje domina a maioria das centrais sindicais brasileiras.  Aliás, é bem provável que aquilo que marcou a reação da classe trabalhadora francesa ao pacote de “modernização” de François Hollande também ocorra aqui, qual seja, a revolta das bases sindicais que terminaram obrigando a que as direções sindicais a se mobilizarem para evitar seu desaparecimento da cena política. A ver!

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