A falácia da “escolha de Sofia” de Rafael Diniz

sapo e

Li uma breve nota do jornalista Saulo Pessanha no jornal “Folha da Manhã” onde ele aventa que o jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) estaria ” entre duas escolhas igualmente perturbadoras: gastar os parcos recursos da prefeitura (pregação oficial) com a coleta/limpeza pública ou com o serviço de capina. Invocando “a escolha de Sofia”, Rafael optou pela coleta/limpeza pública [1].

Há nessa nota várias falácias. A primeira é que a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, apesar do “official discourse“, não gere pouco dinheiro. Aliás, apesar do encurtamento dos recursos oriundos dos royalties do petróleo, a cidade continua com um orçamento maior do que muitas capitais nordestinas.

Outra falácia é de que premido por algo que efetivamente existe mas não é tão grave como propagandeado, o prefeito “da mudança” fez opções que não tem nada de Sofia. Essas opções são, na verdade, de um recorte neoliberal especialmente maldoso para as classes mais pobres, enquanto mantém os ricos vivendo a boa vida que sempre viveram. É que além de impor um tarifaço digno de Maurício Macri, presidente neoliberal que acaba de falir mais uma vez a Argentina, a gestão de Rafael Diniz destruiu toda a parca malha de suporte social que existia para impedir que a pobreza extrema voltasse a dominar as regiões mais pobres da cidade de Campos dos Goytacazes.

Então, é falacioso dizer que Rafael Diniz optou pelo que optou por força de uma situação financeira que não impediu, por exemplo, que determinados contratados herdados da gestão anterior fossem aditivados e até a custos ainda maiores.

A farsa da herança maldita vai ficar ainda mais evidente agora que os preços do petróleo foram enviados, ao menos por algum tempo, para valores bem além do que praticados nos últimos anos. Agora, os recursos dos royalties voltarão a fluir com maior generosidade para os cofres das cidades produtoras, Campos dos Goytacazes inclusa. Nesse momento com mais dinheiro em caixa, vamos ver quais serão as opções que Rafael Diniz e seus menudos neoliberais farão.  

Como não acredito que esse que as decisões tomadas até agora têm qualquer coisa a ver com o tamanho do orçamento, não prevejo grandes mudanças nas ações deste jovem/velho governo.  Vamos continuar com ruas imundas e esburacadas e com lixo acumulando pelas ruas e terrenos baldios, enquanto os cidadãos mais pobres sofreram em unidades hospitalares igualmente abandonadas.  É que como na metáfora do sapo e do escorpião, este governo não tem como mudar sua natureza [2].  Trata-se daquilo que um dia foi sintetizado pelo ex-presidente da república Jânio Quadros quando afirmou jocosamente que “fi-lo porque qui-lo” quando questionado por uma decisão de governo. Simples assim.


[1] http://www.folha1.com.br/index.php?id=/blogs/saulopessanha/index.php

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Escorpi%C3%A3o_e_o_Sapo

 

2 pensamentos sobre “A falácia da “escolha de Sofia” de Rafael Diniz

  1. Túlio disse:

    Uma gestão sem transparência nunca resolve problemas. Não adianta fazer limpeza pública semimetal projeto de saneamento. Não adianta acusar pessoas e manter e elitizados que utilizam os Cargos de confiança da prefeitura desde os governos passados. Quando mudou o governo a cidade toda acreditava que devido à grande quantidade de pessoas que recebiam direta e indiretamente dinheiro dos cofres públicos municipais o voto de cabresto fosse acabar, mas voltamos a mesma prática de indicações e nomeações inclusive de quem já têm salários altíssimos, mas que devido ao poder que exerce não poderiam ficar fora desse governo municipal atual. Nem precisamos citar nomes de engenheiros, doutores e médicos renomados que ganham com os cargos de confiança. Isso aí é competência ou poder?? E nessa crise que a prefeitura está isso se justifica??? O que? Acumular cargos públicos e até mesmo ilegalmente afinal os poderosos mandam na cidade. E ninguém levou a sério a retórica ensinada por Aristoteles de que as premissas precisam ser verdadeiras pra o negócio andar já que o velho discurso é o que prevaleceu.

  2. Felipe disse:

    O argumento de falta de dinheiro não se sustenta, a taxa de iluminação publica é um belo exemplo disso. O governo Rosinha passou a cobrar a taxa com um valor fixo para custear a pssagem de 1 real, o atual governo aumentou significativente a arecadação ao criar a taxa variavel de acordo com o consumo de energia. E no entanto, extinguiu a passagem social alegando nao ter recurso. Se antes a taxa de iluminação arrecadava 4.5milhoes mensais e hoje esta proximo de 18milhoes (fontes internas da prefeitura, pois ainda nao saiu em D.O esses valores) como não é possivel???
    A verdade é que esse grupo ja mostrou para quem quer governar e com certeza não é para aqueles que mais precisam dos serviços publicos

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