Estados membros da União Europeia pedem ação dura contra desmatamento para cumprir meta da ONU 2020

Mostre liderança para deter a perda de florestas por causa do agronegócio, diz grupo da Declaração de Amsterdã à União Européia

 

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Uma vista aérea mostra a área desmatada em Apuí, na região sul do estado do Amazonas, Brasil. Foto: Bruno Kelly / Reuters

Por Arthur Neslen [1]

O Reino Unido, a França e a Alemanha pediram à Comissão Europeia que lance novas ações duras para deter o desmatamento até o final do ano.

Um plano de ação da UE há muito adiado deve ser antecipado “o mais rapidamente possível”, diz uma carta à comissão enviada pelo grupo de países da Declaração de Amsterdã que inclui também a Itália, os Países Baixos e a Noruega.

Para ajudar a cumprir uma meta da ONU de deter o desmatamento até 2020, a UE deve mostrar “um papel de liderança, mobilizando sua alavancagem política e de mercado e promovendo um diálogo e cooperação internacional mais amplos”, diz a carta.

Ações devem ser tomadas para alinhar as “oportunidades econômicas” com a “gestão responsável das cadeias de fornecimento globais”, diz a carta assinada pelo ministro do Meio Ambiente da Dinamarca, Jakob Ellemann-Jensen.

Até 80% da perda florestal global é impulsionada pelo agronegócio, embora pesquisas mostrem que melhores soluções de manejo florestal e clima natural poderiam fornecer mais de um terço da mitigação climática necessária até 2030.

Os Estados da UE avançaram na questão, uma vez que as preocupações continuam a se sobrepor à recente eleição do Brasil de um defensor de extrema direita da antiga ditadura militar do Brasil.

Jair Bolsonaro prometeu designar ativistas dos direitos da terra como terroristas” e pavimentar uma rodovia através da Amazônia, potencialmente espalhando o desmatamento para uma área de floresta tropical maior que a da Alemanha.

A sua campanha eleitoral foi apoiada por poderosos interesses do agronegócio no Brasil, mas alguns líderes do setor no domingo pediram que ele mostrasse moderação.

 Géraldine Kutas, chefe de assuntos internacionais da Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar, disse que a importância da Amazônia para o mundo – e para o Brasil – deve ser respeitada. “Estamos perfeitamente bem com as nossas normas ambientais atuais”, disse ela.

“Estamos realmente comprometidos com eles e não apoiaremos nenhuma mudança que possa relaxar as regras”. 

Leis fortes da UE poderiam reduzir a pegada ecológica de commodities como soja, óleo de palma e carne bovina, que impulsionam o desmatamento na Amazônia, segundo o Greenpeace. Sébastien Risso, diretor florestal da UE no grupo, disse: “Ignorar o problema e adiar a ação só nos levará a mudanças climáticas catastróficas e à extinção de uma grande espécie global”. 

Autoridades da UE notaram que Bolsonaro, que toma posse em janeiro, recuou em algumas promessas de campanha e disse que é cedo demais para considerar verificações mais rigorosas para o desmatamento, apesar das declarações e iniciativas do presidente eleito que visam relaxar a regulamentação ambiental na Amazônia

“Nós o tivemos em nosso radar durante os discursos de campanha”, disse uma fonte da UE. “Vamos avaliar as decisões tomadas, uma vez que são tomadas.”


Artigo publicado originalmente em inglês pelo “The Guardian” [1]

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