O improbo Ricardo Salles e a insustentável leveza da ocultação do desmatamento na Amazônia

salles pontesRicardo Salles e Marcos Pontes agem para ocultar o sucesso das políticas de devastação da Amazônia do governo Bolsonaro quando atacam a validade dos dados de desmatamento do Inpe.

O ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, continua em sua insustentável procura por uma peneira permita tampar o sol com a peneira no caso das explosivas taxas de desmatamento que estão ocorrendo na porção brasileira da bacia Amazônica.

É que a insistência em atacar os dados gerados pelo sistema DETER do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apenas explicita ainda mais o fato inescapável de que o desmatamento explodiu na Amazônia sob as asas das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro, dos quais Ricardo Salles é um dos artífices. Nesse sentido, recomendo o interessante artigo da jornalista Giovana Girardi que explica de forma bastante didática como funcionam os sistemas de acompanhamento do desmatamento que o Inpe utiliza. 

desmatamento 1Políticas anti-ambiente do governo Bolsonaro estão acelerando devastação da Amazônia: o curioso caso de um sucesso que precisa ser ocultado.

Como já escrevi, o bode que Ricardo Salles tenta esconder é o sucesso de sua eficiência no desmanche no sistema de governança ambiental (que já era insuficiente) e da paralisação objetiva dos mecanismos de comando e controle que existiam no Ministério do Meio Ambiente antes da sua chegada ao cargo de ministro.  

Mas que ninguém se engane, o que Ricardo Salles está tentando fazer é apenas repetir as táticas diversionistas que são empregadas pelo governo Bolsonaro toda vez que alguém é pego com a boca na botija. A verdade inescapável é que este é um governo que foi eleito para permitir a ampliação desenfreada da devastação na Amazônia e vem trabalhando duro para que isso ocorra. O problema que o governo Bolsonaro vem enfrentando é que parceiros comerciais importantes não estão dispostos a assistir sentados o comprometimento da integridade física da Amazônia, e é isso que efetivamente incomoda Ricardo Salles.  Um artigo bastante crítico publicado pela respeitada “The Economist” indica que a resistência não deverá ficar restrita aos “veganos” como já citou o presidente Jair Bolsonaro.

Por outro lado, quero enfatizar um aspecto  que é pouco abordado em todo esse debate sobre os números do desmatamento.  O fato é que ao centrar todo o debate no corte raso, o governo Bolsonaro omite o fato que sua inação na proteção dos ecossistemas amazônicos estão permitindo o avanço não apenas da franja de desmatamento, mas também de diferentes formas e níveis de degradação que, eventualmente, podem facilitar a remoção total das florestas.  Falo aqui da ação dos garimpeiros e madeireiros que estão pilhando ilegalmente áreas inteiras da Amazônia e, por sua vez, aumentando as áreas sob degradação.

Apesar dessa dinâmica entre diferentes formas de degradação e a eventual ocorrência do desmatamento já ser conhecida, ainda faltam mais estudos de alcance global dentro da Amazônia para que se possa estimar quanto de seu território já foi impactado e quanto está em condições “intocadas”.  Mas posso adiantar que não apenas existem estudos nesse sentido sendo feitos, como os mesmos mostrarão que os 20% de áreas desmatadas são apenas uma parcela de um problema bem maior.

De toda forma, é fundamental não cair na “trampa” armada pelo governo Bolsonaro para desacreditar os dados do Inpe que são excelentes para se estimar a dinâmica do desmatamento e indicar os pontos de “hot spots” desse porção do problema causado pelo avanço da franja de destruição dos ecossistemas amazônicos, os quais sabemos são fundamentais para a regulação climática em escalas regional e global. Nesse sentido, defender a autonomia científica do Inpe é um excelente passo para desmontar os muros de ocultação que Ricardo Salles tenta construir para ocultar o sucesso de suas próprias ações.

Finalmente, me parece cada vez mais claro que o governo Bolsonaro está fortemente disposto a ser o artífice da destruição do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia. É que dadas as salvaguardas ambientais colocadas para impedir a destruição da Amazônia e proteger os povos indígenas, o atual curso de negação do óbvio impedirá a ratificação do mesmo.  Algo que Donald Trump e sua política de hegemonia pela submissão irrestrita agradece plenamente.

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