National Geographic divulga 10.000ª espécie do projeto Photo Ark que registra animais ameaçados de extinção

O Photo Ark da National Geographic é uma iniciativa do fotógrafo Joel Sartore e que tem o objetivo de inspirar ações para salvar a vida selvagem através da fotografia dos animais. 

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O gato-chileno, o menor gato selvagem da América, é a espécie mais recente que se juntou ao PhotoArk. O retrato do gato selvagem tirado por Sartore na Fauna Andina – uma reserva de vida selvagem no Chile – é um marco importante do projeto que está em desenvolvimento há quase 15 anos. O fotógrafo também registrou um áudio exclusivo da espécie.

Joel Sartore, pesquisador da National Geographic, fotógrafo e criador do Photo Ark da National Geographic, anunciou a adição da 10.000ª espécie ao seu projeto: o gato-chileno, o menor gato selvagem da América. O Photo Ark da National Geographic é uma iniciativa de Sartore para documentar todas as espécies que vivem em zoológicos e santuários de vida selvagem com o objetivo de usar o poder da fotografia para inspirar as pessoas a tomar medidas para garantir a existência da espécie antes que seja tarde demais. Em conjunto com a fotografia das 10.000 espécies do Photo Ark, Sartore divulgou o que cientistas e ecologistas pensam ser provavelmente a primeira gravação de áudio do gato-chileno.

Esse marco crucial significa que Sartore completou cerca de dois terços do Photo Ark da National Geographic, na qual ele estima incluir retratos de 15.000 espécies no total. Uma vez concluído, será um registro importante da biodiversidade da Terra e um poderoso testemunho da importância de proteger as espécies estranhas e maravilhosas que tornam nosso planeta único. O Photo Ark inclui vários tipos de animais, como pássaros, peixes, mamíferos, anfíbios e répteis. Com fundos em preto e branco, Sartore faz todas as criaturas em pé de igualdade, fazendo com que um besouro-tigre pareça tão grande quanto um tigre.

“Temos muito mais trabalho pela frente”, disse Sartore. “Este é um marco emocionante. Através do Photo Ark, fomos capazes de destacar a importância de espécies que, de outra forma, não receberiam a atenção que merecem. Convidamos todos a refletir sobre o que cada um pode fazer para proteger nosso planeta e as espécies que nele vivem”.

Gato-chileno, o menor gato selvagem da América

A 10.000ª espécie do Photo Ark é uma criatura bastante esquiva. O gato-chileno está listado como uma espécie vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e a população desses animais foi reduzida devido à degradação do habitat, doenças emergentes causadas por gatos, mortes por vingança por predação de aves e mortes acidentais de carro.

Felizmente, os ecologistas e santuários da vida selvagem do Chile estão trabalhando para proteger esta espécie única de gato selvagem. O gato-chileno fotografado por Sartore é cuidado pela Fauna Andina, uma reserva de vida selvagem no Chile que trabalha para reabilitar pequenos gatos e, finalmente, libertá-los em seu habitat natural. Da mesma forma, a National Geographic apoia ecologistas como o Dr. Constanza Napolitano, explorador da National Geographic, professor da Universidade de Los Lagos em Osorno, Chile, e membro do Grupo de Especialistas em Gatos da IUCN, que está implementando atividades de conservação para reduzir as principais ameaças que afetam a sobrevivência do gato-chileno.

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National Geographic também lançou edições personalizadas dos livros “The Photo Ark” e “National Geographic Kids Photo Ark”. (“National Geographic Kids Photo Ark” foi recentemente incluído como parte das melhores seleções de livros da Amazon em março.)

Para obter mais informações sobre a National Geographic Photo Ark, conservação e proteção de espécies, visite o site do Photo Ark.

Para saber mais acesse o site da National Geographic: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2020/05/conheca-o-gato-chileno-felino-com-menos-de-3-kg-ameacado-de-extincao

Acabou a revolta no Chile? Não, ela está apenas sendo escondida de nós

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Desde que explodiram as manifestações no segundo semestre de 2019, o caso chileno está causando muita apreensão entre as elites brasileiras. É que o Chile fora apresentado como o modelo de sociedade ideal, sem conflitos e com progresso econômico fincado no modelo neoliberal. A explosão da revolta social causou assombro até na esquerda institucional brasileira que resume seu simulacro de resistência aos limites do congresso e do judiciário.

Subitamente a revolta chilena pareceu contaminar outras países como Equador e Colombia, e arriscava se alastrar também para o Peru. Foi o que bastou para que não mais do que repente, o caso chileno sumisse das telas de TV e dos discursos de todo o espectro político que paulatinamente vai aprovando a imposição de um modelo ultraneoliberal no Brasil.

A mídia corporativa também se uniu a esforço de fazer parecer que as coisas no Chile tinham voltado ao normal, fazendo desaparecer quaisquer menções à continuação dos enfrentamentos nas principais cidades chilenas, incluindo a capital Santiago e a importante cidade portuária de Antofagasta. Mas há também  intensa em outras como Valparaíso ( ver imagens abaixo).

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Mas que pelo menos os leitores deste blog saibam que a situação chilena está longe da normalidade que os defensores do ultraneoliberalismo de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes tentam fazer transparecer.  A verdade é que o Chile não entrou em um processo de conflagração generalizada apenas pela ausência de um estopim final, pois as condições sociais e econômicas criadas por mais de quatro décadas de neoliberalismo são propícias para que isso ocorra (ver vídeo postado no canal do Youtube da Opal Prensa mostrando a primeira manifestação de 2020).

A pergunta que deveria estar na cabeça de todos que percebem a rápida deterioração das condições da maioria dos trabalhadores brasileiros é a seguinte: por que querem esconder a revolta dos trabalhadores e da juventude do Chile?

A minha primeira resposta é: extremo medo de contágio. E não estamos falando do coronavírus.

Mulheres do Chile mostram o caminho contra a violência de gênero e de Estado

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Em frente do Estádio Nacional (que mostra como o centro de tortura, o silêncio e o desaparecimento na ditadura de Pinochet), mulheres chilenos colocam o dedo na ferida: a violência de gênero está diretamente ligada às estruturas de poder que controlam a sociedade desde o topo.

Para mim não há dúvida da importância histórica do atual de ciclo de lutas que o povo chileno realiza, pois há a devida ligação entre as políticas de estado e a violência cometida por seus agentes contra a maioria do povo. Afinal, a América Latina  é o provavelmente o continente mais perigoso para se viver quando se é uma mulher.

O movimento das mulheres chilenas chega em um momento que, no Brasil, há um crescimento absurdo dos casos de feminicídio e casos de violência sexual. É como se uma Caixa de Pandora estivesse aberta, e todos os que possuíam instintos reprimidos se se sintam agora livres para perpetrar todo tipo de crime, e com a certeza da impunidade.

Por isso, o exemplo das mulheres do Chile é fundamental para que também aqui seja iniciado um movimento que coloque os violadores no seu devido lugar.

Mas essencialmente há que se compreender que violência de gênero está diretamente ligada a violência do Estado, pois como dizem as mulheres chilenas “o estado opressor é um macho violador”.

Chile desiste da COP25

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O governo chileno anunciou ontem pela manhã o cancelamento da realização da COP25 no país. Também foi cancelada a reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). O motivo é a sequência de manifestações envolvendo parte significativa da população em todo o país. Segundo o canal Futuro, o governo diz que priorizará “as soluções às demandas sociais que surgiram no país neste últimos dias.”  A primeira declaração de Patricia Espinosa, da UNFCCC, foi: “Hoje cedo fui informada da decisão do governo do Chile de não acolher a COP25, tendo em conta a difícil situação que o país atravessa. Estamos atualmente explorando opções alternativas de acolhimento.”

O chileno La Tercera deu destaque para as matérias que saíram nos The GuardianLe MondeEl País e o porteño La Nación. O Washington Post deu destaque para o cancelamento da reunião da APEC, onde Trump pretendia conversar com o líder chinês Xi Jinping. Por aqui, os GloboValorEstadão e a Folha também deram a notícia.

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Este informe foi publicado originalmente pelo Clima Info [Aqui!].

Cantar é o ato mais subversivo do povo chileno

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O professor, poeta, diretor de teatro, compositor e ativista comunista Victor Jara foi  assassinado após ser barbaramente torturado pela ditadura militar de Augusto Pinochet no dia 16 de setembro de 1973.  Jara compôs alguns dos maiores clássicos da música latino-americana, incluindo “Te recuerdo Amanda”  e ” El derecho de bien vivir”.  Jara teve ainda seu corpo jogado em um matagal, provavelmente para dificultar a sua identificação.

Quase 50 anos depois de sua morte, Victor Jara está sendo celebrado nas ruas chilenas pelas massas que se levantam contra as políticas neoliberais iniciadas por Pinochet e continuadas por Sebastian Pinera (ver abaixo manifestantes cantando “El derecho de bien vivir”.

Sem me alongar muito na análise do terremoto político que hoje abala as estruturas políticas deixadas intactas após o fim da ditadura de Augusto Pinochet, eu diria que não há mais perigoso do que as massas enfrentando a repressão com a força da poesia dos que foram assassinadas em muitos anteriores.

Noto ainda que em muitas manifestações, inclusive nessa que é mostrada no vídeo, a bandeira do Chile se mistura ao povo Mapuche, etnia indígena que tem sido historicamente perseguida.  Nesse sentido, o levante do povo chileno é um movimento que busca resgatar direitos que têm sido negados aos seus povos originários.

E aí eu digo: o temor e o tremor gerado pelo maioria do povo chileno tem tudo para gerar mudanças extraordinárias na América Latina. É que não há mais nada subersivo de que um povo que canta seus mortos.

Victor Jara, presente!

Com a reforma da previdência conclusa, o Brasil é o Chile amanhã

chile amanhãRevolta popular no Chile tem como combustível o cansaço com décadas de políticas neoliberais

Na noite passada, o Senado Federal completou o trâmite da chamada “Reforma da Previdência”, o que representa um estupendo sucesso das políticas ultraneoliberais emanadas da equipe do ministro da Fazenda Paulo Guedes. Compreensivelmente, a aprovação foi recebida com entusiasmo pelo presidente do Jair Bolsonaro que se encontra do outro lado do mundo em uma mal explicada viagem de negócios.

Enquanto isso, o presidente do Chile, Sebastian Pinera, ensaia um recuo no uso das forças armadas do Chile para conter a revolta popular contra décadas de execução de políticas ultraneoliberais, as quais possuem na reforma da previdência imposta sob a ponta de baionetas pelo ditador Augusto Pinochet, a qual é costumeiramente apresentada como o modelo que passará a vigorar no Brasil a partir de agora.

Tivessem um mínimo de senso de oportunidade, os senadores que concluíram a reforma da previdência de Bolsonaro e Guedes teriam esperado um pouco mais pelos desdobramentos da crise chilena para “fechar o caixão” da reforma da previdência. Pelo menos teriam mostrado um senso mínimo do risco que estão criando para a estabilidade social futura no Brasil. 

É que, apesar de não haver nenhuma reação massiva contra o solapamento dos direitos previdenciários que a reforma Bolsonaro/Guedes representa, isso se dá por um simples motivo: a maioria dos brasileiros estão hoje preocupados com a sua sobrevivência mínima na base de um dia para outro. Por isso, também em graças à desinformação propositalmente disseminada acerca dos impactos draconianos desta “reforma” e à desmobilização dos partidos que se proclamam de esquerda, que preferem ficar trancados no parlamento em vez de procurarem as ruas, os trabalhadores brasileiros estão desinformados do que efetivamente foi aprovado.  Acrescido a esses fatores ainda há a inexplicável desmobilização das principais centrais sindicais que jamais agiram para informar e mobilizar os trabalhadores. 

Para ajudar a compor esse cenário de paralisia há ainda o fato de que as pessoas só terão a correta noção do que foi aprovado quando começarem a tentar a se aposentar. Nesse momento se descobrirá que não haverá a justa e devida garantia de dignidade após décadas de trabalho. O fato é que quanto mais avançarmos no tempo, mais claro ficará para os atingidos por esta “reforma” o tamanho da tunga que se está se impondo sobre a aposentadoria dos trabalhadores brasileiros. Em outras palavras, o Brasil está sentado em uma imensa bomba de tempo, e que não há como impedir a detonação enquanto prevalecerem as atuais doutrinas ultraneoliberais no seio do governo federal.

Por isso, sugiro que todos olhem bem para as cenas de extrema violência que estão ocorrendo no Chile neste momento, onde nem a ação truculenta e mortal das forças armadas está restabelecendo a “paz social” naquele país.  De várias formas, mas especialmente por causa da natureza do pacote de reformas anti-populares que o governo Bolsonaro está impondo aos brasileiros, o Brasil é o Chile amanhã ou, se preferirem, o Chile é o Brasil amanhã. O problema é que por aqui talvez não haja sequer tempo para se executar o tipo de recuo que o presidente Sebastian Pinera está anunciando para aplacar a ira dos chilenos.

E que ninguém fique acreditando na ladainha de que um cenário semelhante ao chileno nunca ocorrerá no Brasil por causa da natureza apática dos brasileiros. A história do Brasil está repleta de revoltas populares que só foram derrotadas após o uso da violência extrema pelo governo central.  

Cercado por militares, Sebastian Pinera declara guerra ao povo chileno

A imagem abaixo é altamente reveladora do processo político que varre o Chile neste momento.  Nela se vê, o presidente Sebastian Pinera cercado por militares para declarar guerra aos manifestantes que sacodem todo o território chileno em protesto à ampliação da carestia e dos ataques a direitos sociais e trabalhistas.

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Essas cenas são semelhantes ao que se viu sendo feito pelo presidente Lênin Moreno do Equador quando em seu país houve reação semelhante a um pacotaço demandado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).  E nisto não há nenhuma surpresa, visto que presidentes atacando o povo nunca hesitam em usar a mais dura repressão para fazer valer os interesses dos segmentos que mais ganham quando direitos são atacados ou removidos.

Entretanto, o caso do Chile é particularmente emblemático porque o país era apresentado até a última semana como uma ilha de tranquilidade neoliberal, onde a aplicação de um duro cardápio de ataques era apresentada como um exemplo de sucesso. Essa falsificação da história e da realidade do Chile neoliberal agora foi destroçada pela ação direta e desenfreada da maioria pobre da população chilena.

Muitos governantes da América Latina devem estar hoje com as barbas literalmente de molho temendo serem a próxima erupção da ira popular contra políticas ultraneoliberais que só fazem aumentar o fosso entre ricos e pobres. É que já se sabe que nem com fuzis e canhões, Pinera está conseguindo “restabelecer a ordem”.

 

Por que tanta surpresa com o Chile?

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Apresentado até a última semana como uma prova de sucesso das políticas neoliberais que privatizaram saúde, educação e a previdência social, o Chile está engolfado neste domingo por uma forte convulsão política que obrigou o presidente Sebastian Piñera a colocar as forças armadas para tentar retomar o controle do país (ver imagens abaixo).

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Os desdobramentos de um  aparente quase indolor aumento no preço do metro de Santiago parecem estar surpreendendo a todos, especialmente àqueles setores da esquerda brasileira que assistem com indiferença olímpica a aplicação de uma agenda altamente anti-popular pelo governo Bolsonaro.

Aliás, é interessante que possamos estar vendo de forma pedagógica os resultados da insatisfação popular contra um pacote de medidas que entre nós ainda levará algum tempo para ser sentido, a começar pelas regras draconianas que foram aprovados no congresso nacional para o regime de aposentadorias. É como estivéssemos tendo um preâmbulo via o Chile do que ainda estar por vir no Brasil quando a classe trabalhadora e a juventude finalmente entenderem o tamanho do ataque que estão sofrendo pelas mãos de Jair Bolsonaro e do seu ministro pinochetista Paulo Guedes.

A verdade é que o levante em curso no Chile vai muito além dos 13 centavos que se tentou aplicar nas tarifas do metro, como, aliás, já aconteceu no Brasil em 2013 por causa do aumento das passagens de ônibus. Nesse sentido, o caso chileno também é útil para desmoralizar os argumentos de que as manifestações ocorridas por aqui por causa das passagens de ônibus foram uma espécie de trama da direita.  Se depois o movimento foi capturado pela direita por causa dos ataques que foram feitos contra o Movimento do Passe Livre, o problema é de quem desprezou a agenda política apresentada pela juventude para continuar enchendo os cofres dos donos das empresas de ônibus e não de quem levantou a bandeira da democratização dos transportes.

O que me parece evidente é que não há qualquer razão para surpresa para o que está ocorrendo no Chile neste momento, como não havia também espaço para estupefação para os acontecimentos recentes no Equador quando houve também uma tentativa de onerar os trabalhadores para beneficiar os grandes bancos internacionais. Assim, a lição que fica para o caso brasileiro é de que, dada a existência das mesmas condições sociais objetivas e de ataques ainda mais duros contra direitos trabalhistas e sociais,  cedo ou tarde poderemos assistir uma explosão social semelhante.  Em função disso, que ninguém (muito menos os membros da esquerda institucionalizada) queira fingir surpresa.  Simples assim!

 

O vírus da revolta se espalha na América do Sul: depois do Equador, o Chile

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Depois do equatoriano Lênin Moreno (esquerda), agora é o chileno Sebastian Pinera que enfrenta a ira popular por causa da aplicação de políticas ultraneoliberais, 

Depois da acachapante revolta popular que forçou o presidente Lênin Moreno a retroceder e revogar o seu pacote de medidas ultraneoliberais que aprofundariam as dificuldades dos trabalhadores e da juventude do Equador, agora é o Chile que está enfrentando uma forte mobilização social contra aumentos nas tarifas di metrô de Santiago.

Em um sinal explícito que reconheceu a força da revolta popular, o presidente Sebastian Piñera fez valer uma legislação herdada da ditadura militar de Augusto Pinochet para tentar sufocar a insurgência popular, decretando o chamado “estado de emergência”  para colocar as forças militares no centro da tentativa de controlar a revolta popular.

fogo onibusÔnibus incendiado por manifestantes em Santiago de Chile. A revolta iniciada pelo aumento das tarifas de metrô reproduz os acontecimentos recentes no Equador. 

Curioso notar que a empresa de eletricidade italiana Enel também foi alvo das manifestações e teve sua sede como palco de um grande incêndio em meio às fortes mobilizações que ocorriam nas ruas de Santiago.

Curiosamente a mídia corporativa brasileira está dando uma cobertura minúscula à revolta popular no Chile, reproduzindo um modelo de mutismo midiático que já foi aplicado na cobertura da insurreição ocorrida no Equador.

Se levarmos em consideração que muito pouco está sendo mostrado sobre as eleições que estão ocorrendo em diversos países sul americanos onde os partidos que defendem políticas ultraneoliberais estão correndo o risco de derrotas acachapantes, a começar pelo presidente argentino Maurício Macri. 

Em minba opinião, a combinação de insurreições popular e derrotas de candidaturas com vieses ultraneoliberais estão sendo está sendo ocultada porque são uma espécie de mau exemplo para os trabalhadores e para a juventude do Brasil. É que aqui, apesar de todos os retrocessos e derrotas impostas contra os direitos sociais e trabalhistas, ainda permanecemos em um absoluto estado de inércia política.  Assim, qualquer cobertura mais correta do que estão ocorrendo em nosso entorno deve estar sendo vista como indesejável aos donos dos meios de comunicação que estão entre os poucos vencedores das políticas antipopulares que estão sendo aplicadas pelo governo comandado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em outras palavras, estamos recebendo uma cobertura pífia por um aparente medo de que o vírus da revolta popular também se instale no Brasil, com os mesmos resultados que estão sendo vistos em toda a América Latina. O problema é saber se ocultar as fortes mobilizações contra as políticas ultraneoliberais será suficiente para impedir que a população brasileira saia da atual inércia para a ação política.

Finalmente, não deixa de ser curioso que o Chile que vem sem sendo apontado pelo presidente Jair Bolsonaro como um modelo de sucesso da direita latino americana esteja agora no olho do furacão político que engolfa a América do Sul neste momento.