Em Davos, Paulo Guedes finge mirar na pobreza para culpar os pobres pela miséria

guedesEm Davos, Paulo Guedes jogou nas costas dos pobres as responsabilidades pela destruição do meio ambiente que seu governa facilita.

O presidente Jair Bolsonaro não foi mesmo a Davos, mas enviou para lá o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes, que não demorou muito já colocou todo o seu receituário ultraneoliberal para fora.  E obviamente, sacando de seu baú uma série de declarações que não resistem a um exame mínimo da realidade. Os pobres, obviamente, foram escolhidos como vilões, coisa que está longe de surpreender quando se trata de Paulo Guedes.

Segundo, a jornalista Célia Froufe, enviada especial do jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” nesta edição do Fórum Econômico de Davos, Guedes teria dito durante o o painel “Shaping the Future of Advanced Manufacturing”,  que “o grande inimigo do meio ambiente é a pobreza.Destroem porque estão com fome, teria justificado ele. Aqui é como se alguém estivesse culpando a Ciclovia Tim Maia por não resistir às fortes ondas do mar, mas com uma pitada acentuada de mentira.

A questão é que os principais mecanismos de destruição do meio ambiente não advém da ação de pobres esfomeados que destroem porque estão com fome. `Pelo contrário, as grandes matrizes de destruição da natureza estão sempre ligadas à ação das grandes corporações multinacionais e os padrões de alto consumo que os ultrarricos impõe para atender suas necessidades artificiais.

Culpar a pobreza para explicar, por exemplo, o avanço do desmatamento na Amazônia oculta toda a rede de interesses que envolve desde as elites locais até as grandes corporações financeiras que hoje operam para acelerar a transformação da paisagem, passando de uma floresta luxuriante a um mosaico dominado pela mineração e pelas monoculturas de exportação.

Explicitando uma enorme coerência interna anti-pobre e anti-ambiente que caracteriza as ações do governo Bolsonaro, Paulo Guedes defendeu ainda o modelo de agricultura envenenada que vem sendo aprofundado com a aprovação expedita de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo.  Nesse sentido, Guedes teria dito que “o mundo precisa de mais comida e salientou que é preciso usar defensivos (i.e., agrotóxicos) para que seja possível produzir mais“.    Essa alegação é uma grande falácia, pois a literatura científica mostra que a fome disseminada no mundo não é causada pela falta de comida, mas a concentração de riqueza gerada por um modelo de produção que produz excessos (inclusive de comida) às custas da poluição ambiental e  da degradação da vida dos trabalhadores.

Outra alegação interessante de Paulo Guedes, e que se coaduna com o negacionismo climático que permeia o governo Bolsonaro, é que “somos animais que escapamos da natureza“.  A consequência disso é ignorar, por exemplo, os avassaladores incêndios seguidos por tempestades de areia e chuvas de granizo que estão transformando a vida na Austrália em um cenário quasi apocalíptico. 

A ideia da superação da relação dialética entre os humanos e a natureza atende bem aos interesses daqueles que tratam os sistemas naturais da Terra como meios infinitos de exploração.  Entretanto, essa postura revela grave alienação não apenas em relação ao fato de que, apesar de todos avanços tecnológicos, vivemos em uma relação tensa com os sistemas naturais, mas como estamos em um período de profundas transformações no sistema climático, as quais trarão desafios cada vez maiores para a vida na Terra.  E, obviamente, serão os mais pobres, pseudo culpados pela destruição do meio ambiente na visão de Paulo Guedes, que irão arcar com os piores aspectos das mudanças climáticas.

Por fim, fico curioso sobre qual foi a reação da plateia às declarações de Paulo Guedes, as quais vão de encontro ao tema geral da edição deste ano do Fórum Econômico de Davos que está centrado no respeito ao meio ambiente, ação responsável (seja isso o que for) das corporações e o respeito aos direitos humanos.  É que sem me iludir com os desígnios dos participantes, não deixo de pensar que eles souberam identificar rapidamente que estavam diante de um embusteiro. 

 

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