Presidente da Suzano Celulose prevê desmatamento catastrófico na Amazônia

fireDesmatamento e fogo: irmãos siameses da destruição da Amazônia

Em entrevista produzida para a Bloomberg e repercutida pelo site UOL, o presidente da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, fez uma previsão sombria sobre o avanço do desmatamento na Amazônia. Segundo o que escrevem os jornalistas Gerson Freitas Jr. e Fabiana Batista, Schalka acredita que as taxas de desmatamento na Amazônia serão ainda maiores em 2020, o que representará, nas palavras da maior empresa de celulose do mundo, uma “verdadeira catástrofe”.

Amazônia catastrofe

Vinda da boca de um membro do alto empresariado mundial, esta previsão remonta a quase que uma certeza de que o pior ocorrerá.  A verdade é que este avanço da franja de desmatamento para partes ainda relativamente intocadas da floresta amazônica é algo mais do que previsível visto que o governo Bolsonaro operou para desconstruir a frágil governança ambiental existente na Amazônia, bem como desmantelou os igualmente tíbios mecanismos de comando e controle que impediam a ação descontrolada de todo tipo de agente de pilhagem das riquezas naturais estocadas nos biomas amazônicos.

Diante das ações objetivas do governo Bolsonaro é que foi dada uma ordem não escrita para a realização de uma pilhagem generalizada na Amazônia, a qual envolve desde elementos paroquiais ligados a grupos liderados por aliados políticos de Jair Bolsonaro até grandes corporações multinacionais. Com isso, o aumento das taxas de desmatamento não é só previsível, mas quase que inevitável. 

degradation 1

O que a entrevista do presidente da Suzano Celulose não abordou é que o desmatamento é apenas uma das faces da moeda, pois há ainda que se levar em conta o aumento do processo de degradação florestal que é causado, entre outras coisas, pelos garimpos e pela exploração ilegal de madeira.  Como já existem evidências que a degradação corre quase como um processo separado e autônomo em relação ao desmatamento, a catástrofe poderá ser maior do que a antevista por Walter Schalka.

O interessante é que outra coisa previsível que deverá acompanhar o avanço do desmatamento e da degradação será o aumento das dificuldades para que seja aprovado no Parlamento Europeu o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Isso se dá por causa das salvaguardas postas neste acordo em termos da proteção dos ecossistemas amazônicos e dos povos indígenas que neles vivem. Como o governo Bolsonaro não está agindo para conter tanto o desmatamento como a invasão dos territórios indígenas, a vida dos que se opõe à assinatura do acordo de livre comércio entre UE e o Mercosul vai ser facilitada. Com isso, aumentará ainda mais a dependência do Brasil da apetite do mercado chinês. Isso até que o governo da China resolva parar de olhar para o outro lado em relação ao processo de destruição das florestas amazônicas. Isto sem falar nos impactos inevitáveis que a epidemia do coronavírus irá causar no apetite importador dos chineses.

De toda forma, há que se preparar o espírito e os pulmões para a próxima estação de queimadas que vai ocorrer na Amazônia brasileira. Eu não me surpreenderei se tivermos por aqui um cenário semelhante ao que acaba de acontecer na Austrália. Lembrando-se que hoje a imensa maioria dos habitantes da região amazônica vivem em cidades que estarão cercadas de incêndios criados pelo desmatamento e pelo uso de outras estratégias de aproveitamento das terras desflorestadas. Em  outras palavras, a catástrofe poderá ser muito maior do que a prevista pelo presidente da Suzano Celulose. 

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s