Findo o Carnaval, continua a novela política

Extremista de direita Jair Bolsonaro age contra o equilíbrio in

Findo o Carnaval que teve todo tipo de protesto contra o governo de Jair Bolsonaro ao longo do território nacional, veremos como se desenrolará a novela causada pela decisão de repercutir um vídeo convocando um ato político para o dia 15 de março que terá (será que terá mesmo?) como alvos o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Todo o espectro político representado no Congresso Nacional, com a exceção dos apoiadores de Jair Bolsonaro, resolveu se manifestar contra o que é percebido com um convite à instauração de um governo autoritário e compatível com o que seria um crime de responsabilidade por parte do presidente da república.

Algo que tem me deixado encafifado é sobre quem interessaria, além de supostamente o próprio presidente e seu séquito familiar, a instauração de um regime bonapartista comandado por Jair Bolsonaro? É que esse tipo de governo historicamente se instala para dar vazão ao que desejam os estratos superiores das sociedades em que o mesmo se instala. Assim, quem no Brasil se interessaria por uma resposta positiva por parte das Forças Armadas para atender o chamado dos que convocam o ato do dia 15 de março?

Pergunto então: seriam os banqueiros, os latifundiários, os líderes neopentecostais ou seria o alto das forças armadas? Mas se houvesse tal apoio de quem quer que fosse, qual seria a agenda que seria apresentada para dar sustentação a esse golpe? Reformas neoliberais ainda mais duras do que as oferecidas até aqui por Paulo Guedes? Menos dinheiro para saúde e educação? Mais cortes de impostos para os mais ricos?

Há quem possa ver na possibilidade de um autogolpe autoritário a influência dos escalões inferiores das forças armadas e das polícias militares. Em suma, um autogolpe dado por soldados, cabos e sargentos. A questão aqui seria verificar em que capítulo da história brasileira houve um movimento comandado por esses segmentos que tivesse tido sucesso em vez de ter seus líderes esquartejados ou simplesmente desaparecidos.

Em minha modesta opinião todo esse movimento interessa a todos os segmentos que não querem que as massas insatisfeitas saiam às ruas para exigir do governo que aí está o cumprimento das suas principais promessas, a começar pelo fim da corrupção, mas chegando em coisas mais palpáveis como a melhoria dos serviços de saúde que objetivamente se encontram em piora acelerada, prejudicando exatamente aquele segmento mais pobre da população que votou em Jair Bolsonaro para obter algum tipo de melhoria nos serviços prestados pelo estado.

É sempre importante lembrar que em pleno Carnaval, o governo Bolsonaro enviou mais um pacote para ser aprovado pelo mesmo congresso que os que convocam o ato do dia 15 de março dizem querer fechar.  Isso mostra que toda a confusão que aparentemente está instalada entre os três poderes da república pode não passar de pura encenação para, mais uma vez, manter os principais interessados distraídos e inertes enquanto as reformas ultraneoliberais de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes continuariam a avançar de forma inclemente.

Finalmente, é interessante notar que os responsáveis pela convocação do ato de 15 de março devem saber que levarão poucas pessoas às ruas, visto que o calo hoje está apertando em questões concretas e menos ideológicas. Curioso seria checar quantos pretendem colocar nas ruas aqueles que defendem uma “frente ampla” em defesa do congresso nacional e do STF em nome da democracia. A minha suspeita é que também não têm muita expectativa de arrastar grandes multidões. 

Enquanto isso o valor do dólar e os números do desemprego continuam a subir vertiginosamente.

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