O que mais poderia se esperar de um governo composto por negacionistas, senão negação?

jair bolsonaro ministério

Vejo em muitas pessoas a completa surpresa pela postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro em relação aos riscos colossais que estão sendo impostos sobre a população brasileira, especialmente sobre suas porções mais pobres, por causa da pandemia do coronavírus. 

Pessoalmente eu fico surpreso com esse elemento de surpresa, visto que o governo Bolsonaro é composto por negacionistas de várias estirpes em algumas áreas estratégicas. O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo é um negacionista das mudanças climática, negação essa que é compartilhada de forma velada pelo ministro do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles. 

Já a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não apenas nega o perigo imposto pelo uso extensivo e intensivo de agrotóxicos altamente perigosos e banidos em outras partes do mundo.  Tereza Cristina transformou a negação sobre os ricos riscos  trazidos por agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente em um verdadeiro tsunami de aprovações de agrotóxicos altamente tóxicos que até os países produtores, incluindo a China, querem distância, apesar de vendê-los de forma frugal no Brasil. 

Por outro lado, o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda Paulo Guedes, o Posto Ipiringa de Jair Bolsonaro, nega o óbvio naufrágio de suas políticas ultraneoliberais e ainda tenta surfar na crise do coronavírus para empurrar mais privatização e mais perda da soberania nacional como a única solução para que o Brasil saia da recessão prolongada em que se encontra.

Também temos a ministra Damares Alves que nega até a necessidade de termos políticos que protegem a saúde e a integridade das mulheres brasileiras, apesar de seu ministério ser, em tese, voltado justamente para garantir a proteção delas.

No timão dessa nau de negacionistas, temos Jair Bolsonaro que antes de negar a gravidade da pandemia do coronavírus já havia negado tantas outras coisas, incluindo a existência de um regime militar entre 1964 e 1985, sendo ele próprio um defensor dos instrumentos de coerção que marcaram os 21 anos de duração do regime de exceção.

Então por que poderia se esperar qualquer ação racional e lógica, a começar pela imediata retomada dos investimentos em ciência que pudesse dotar os cientistas brasileiros dos recursos de que necessitam para desenvolver uma vacina para o coronavírus? A resposta é simples: não há como esperar qualquer coisa que beire o reconhecimento de que vivemos um momento singular na história do Brasil, momento este que requer uma participação ativa da comunidade científica, dos serviços público de saúde e da ação solidária da nossa população para que possamos atravessar a pandemia como  um mínimo de perdas de vidas humanas.

Felizmente para todos nós, a conta do custo de tantos negacionismos acumulados desde janeiro de 2019 está chegando para Jair Bolsonaro. E eu me arrisco a dizer que as próximas semanas poderão ser palco de uma mudança drástica na forma com que a maioria dos brasileiros se relaciona com a postura negacionista de Jair Bolsonaro e seus ministros negacionistas em questões chaves nacionais.

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