ONG Banco de Alimentos consolida 22 anos de combate à fome e ao desperdício

Para reforçar ações que possam reduzir a perda e o desperdício de alimentos, a FAO lançou a Plataforma Técnica de Medição e Redução de Perda e do Desperdício de Alimentos. Para a ONG Banco de Alimentos, esta é uma longa batalha de ação e de conscientização, que começou em 1998 e que se ampliou ainda mais a partir de março deste ano, com a crise do coronavírus.

unnamed (21)Luciana Chinaglia Quintão, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos

Para ajudar a comunidade global a intensificar as ações para reduzir a perda e o desperdício de alimentos, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou uma plataforma abrangente, a Plataforma Técnica de Medição e Redução de Perda e do Desperdício de Alimentos, com informações sobre medição, políticas, ações e exemplos de modelos de sucesso relacionados a esta questão. O lançamento da plataforma marca a realização, pela primeira vez, em 29 de setembro, do Dia Internacional da Conscientização sobre a Perda e o Desperdício de Alimentos. No Brasil, esta é uma batalha que vem sendo travada há 22 anos pela ONG Banco de Alimentos, que busca alimentos onde sobra e leva onde falta, para combater a fome e o desperdício e complementar a alimentação diária de mais de 20 mil pessoas. Desde a sua criação, até março de 2020, a ONG Banco de Alimentos já distribuiu 8,2 milhões de quilos de alimentos no Brasil.

Segundo Luciana Chinaglia Quintão, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos, “enquanto 820 milhões de pessoas passam fome no mundo, 127 milhões de toneladas de alimentos são jogadas fora por ano só na América Latina (dados da FAO, 2019) e 41 mil toneladas de alimentos são jogadas fora por dia no Brasil (dados da Embrapa, 2019). O desperdício começa na colheita, onde 10% dos alimentos se perdem; 50% se perdem no manuseio e no transporte; 30% nas centrais de abastecimento, como Ceasa; e 10% nos supermercados e nas casas dos consumidores”.

“O volume de alimentos produzidos no mundo seria suficiente para alimentar milhões de pessoas que hoje não comem ou comem mal, se fosse praticada a Inteligência Social compartilhada. Há vários Brasis mas, para simplificar, podemos fazer um recorte e dizer que existem fundamentalmente dois: o Brasil que come e o Brasil que não come; 52 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar, ou seja, passam fome em diferentes graus. O desperdício impacta todas as necessidades humanas, pois os recursos vão para o ralo ao invés de servirem à construção de escolas, moradias, hospitais, saneamento básico e todo o necessário para suprir as necessidades básicas humanas”, afirma Luciana Quintão em seu livro Inteligência Social – A perspectiva de um mundo sem fome(S), lançado no final de 2019.

Para combater a fome e o desperdício, a ONG Banco de Alimentos atua em três pilares básicos:

Colheita Urbana: coleta alimentos que perderam valor de comercialização, porém próprios para o consumo humano, e distribui para instituições sociais;
Educação Nutricional: ensina a manipulação e o preparo adequado dos alimentos, sempre visando a utilização integral dos mesmos e o aumento do valor nutricional das refeições.
Conscientização: leva ações e conhecimento para o grande público, possibilitando uma mudança na cultura do desperdício, construindo um mundo mais sustentável.

Com a pandemia do coronavírus, a ONG Banco de Alimentos reforçou a sua atuação a partir de abril deste ano e passou a trabalhar também com a distribuição de cestas básicas, cartões de alimentação no valor de R$ 100 e marmitas congeladas. Formou uma rede integral de ajuda às pessoas de maior vulnerabilidade, as mais atingidas pela crise da Covid-19. Até o final de agosto, foram entregues mais de 200.000 cestas básicas, mais de 15.000 cartões vale-alimentação e a colheita urbana arrecadou mais de 700 toneladas de alimentos, distribuídos para 41 entidades sociais que atendem continuamente mais de 20.000 pessoas. No total, entre abril e final de agosto, a entrega foi equivalente a cerca de 4 milhões de quilos de alimentos, impactando positivamente a vida de mais de 800 mil pessoas. “A crise provocada pela pandemia continua e o nosso trabalho não pode parar. Continuamos firmemente empenhados em levar alimentos aos mais prejudicados”, destaca Luciana.

Para Luciana, o lançamento da plataforma da FAO no Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos “é extremamente importante, no sentido de trazer maior conscientização à população sobre a necessidade urgente de mobilização para combater o desperdício”. Ao lançar a plataforma, o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, afirmou que “desperdiçar alimentos significa desperdiçar recursos naturais escassos, aumentar os impactos das mudanças climáticas e perder a oportunidade de alimentar uma população crescente no futuro”. O diretor da FAO pediu aos setores público, privado e aos indivíduos que promovam, controlem e expandam políticas, inovações e tecnologias para reduzir a perda e o desperdício de alimentos, além de garantir que o primeiro dia internacional seja significativo e influente, especialmente em um momento em que a Covid-19 expôs ainda mais as vulnerabilidades.

Em seu livro Inteligência Social, Luciana analisa a gravidade do desperdício: “O que sobra do consumo ou do que é produzido e não comercializado vai para o lixo. Se o desperdício de alimentos fosse um país, este seria o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, atrás apenas de Estados Unidos e China. Além disso, no caso da produção de alimentos, usa-se água, desmata-se terras, polui-se o solo e os rios, sem que o alimento chegue às pessoas”.

A nova plataforma da FAO inclui dados sobre quais alimentos são perdidos e desperdiçados e onde; fórum de discussão sobre redução da perda de alimentos; exemplos de iniciativas de sucesso; cursos de e-learning; relatório de políticas da perda e desperdício de alimentos no contexto da pandemia de COVID-19; e dicas sobre o que todos podem fazer para reduzir o desperdício de alimentos.

Segundo a FAO, alimentos são perdidos quando são estragados ou derramados antes de chegar ao produto final ou ao varejo, muitas vezes por conta de transporte inadequado. A FAO estima que 14% dos alimentos são perdidos dessa forma, avaliados em US$ 400 bilhões anuais. As perdas são maiores nos países em desenvolvimento – 14% na África Subsaariana e 20,7% no Sul da Ásia e na Ásia Central, por exemplo. As principais perdas são em tubérculos de raízes e oleaginosas (25%), frutas e vegetais (22%) e carne e produtos animais (12%). Segundo a nova plataforma da FAO, 38% da energia consumida no sistema global de produção de alimentos é utilizada para produzir alimentos que ou são desperdiçados ou são jogados fora.

Sobre a ONG Banco de Alimentos

Criada em 1998, em São Paulo, pela iniciativa pioneira da economista Luciana Chinaglia Quintão, a ONG Banco de Alimentos busca alimentos onde sobra e leva onde falta. O trabalho, denominado Colheita Urbana, se inspira na ideia de reduzir o desperdício de alimentos na indústria e no comércio, e distribuir o excedente para instituições sociais, minimizando os efeitos da fome e possibilitando a complementação alimentar de qualidade para mais de 20 mil pessoas, todos os dias, em 41 instituições assistidas. A partir de março a ONG Banco de Alimentos ampliou a sua atuação em razão da pandemia Covid-19. Além do trabalho de Colheita Urbana, passou a entregar cestas básicas e cartões de alimentação aos mais atingidos pela crise. Entre abril e agosto de 2020 foram entregues mais de 200.000 cestas básicas, mais de 15.000 cartões vale-alimentação e a colheita urbana arrecadou mais de 700 toneladas de alimentos, distribuídos para 41 entidades sociais que atendem mais de 20.000 pessoas. No total, a entrega foi equivalente a cerca de 4 milhões de quilos de alimentos, impactando positivamente a vida de mais de 800 mil pessoas. Com base em parcerias, foi possível distribuir também 9.500 máscaras, 21.520 escovas de dente e 4.800 cremes dentais, e mais de 2.000 kits de higiene (com água sanitária, desinfetante, detergente líquido, lava-roupas em pó, multiuso, papel higiênico, sabão em pedra e sabonete).

Outro pilar de atuação é a Educação Nutricional, que ensina a manipulação e o preparo adequado dos alimentos, sempre visando a sua utilização integral e o aumento do valor nutricional das refeições, contribuindo concretamente para a melhoria da saúde das pessoas atendidas. Oficinas culinárias são desenvolvidas para colaboradores das instituições sociais. Outra frente está na Conscientização, com ações que buscam alcançar a sustentabilidade por meio de mudanças socioculturais, bem como realizar a ponte entre os dois Brasis: o Brasil que passa fome e o Brasil que desperdiça alimentos todos os dias.

Veja como participar apoiar o trabalho da ONG Banco de Alimentos: www.bancodealimentos.org.br

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