Campos dos Goytacazes: a COVID-19 se espalha como fogo em canavial seco, mas nem parece

 

caju

Eu venho tentando me abster de oferecer maiores opiniões sobre o cenário municipal, pois tenho preferido me concentrar em questões mais gerais, com a qual prefiro me concentrar. Mas talvez provocado por duas instigantes no blog agora batizado de “Peido News“, impulsionado pelo sempre inquieto Douglas da Mata, resolvi abrir uma exceção e abordar o que os números da COVID-19 mostram para Campos dos Goytacazes, em que pese a retomada quase absoluta da “normalidade” do comércio local.

Comecemos pelo gráfico disponibilizado ontem pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes em sua página oficial na rede social Facebook:

covid-19

Os números não deixam que não queira ser, seja enganado. Chegamos ao absurdo número de  1.044 óbitos confirmados, o que representa 0,2 da população campista, um pouco acima do valor de 0,18 que abarca o total de mortos em relação à população brasileira.  Pensar que uma doença que poderia ter sido relativamente controlada se houve vacinação no tempo correto esteja causando este estrago deveria revirar os estômagos e as mentes de todos nós. Mas outro número é igualmente avassalador, a taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que é de astronômicos 96,5%.  Esse número só não é maior porque a taxa de mortos está alta, criando uma situação em que os pacientes dão baixa, em vez de receber alta.

Para complicar ainda mais a situação, a campanha de vacinação contra a COVID-19 caminha a passos de uma tartaruga que teve suas quatro patas quebradas, fato que amplia não apenas a chance de termos ainda mais pessoas infectadas, como também o surgimento de variantes ainda mais contagiosas e letais do que aquelas que já estão circulando na cidade. Em cima dessa lentidão, ainda temos a continuação de filas que favorecem ainda mais a ocorrência de casos de transmissão do Sars-Cov-2.

Enquanto isso, quem circula pelas ruas dos dois centros que a cidade possui atualmente (Hiistórico e Pelinca) vai ter que se beliscar para ter certeza que não está vivendo uma cena do filme “Matrix”, pois em Campos dos Goytacazes parece não haver mais necessidade de se impor medidas restritivas para conter o avanço da pandemia. Para alegria dos necrocomerciantes que não se importam sequer com o aumento de mortes entre suas próprias fileiras, tudo em nome do nada santo direito de levantar as portas para deixar lojas às moscas.

E o prefeito Wladimir Garotinho nessa barafunda toda? Parece mais um personagem de um daqueles épicos que destacam a desnecessidade de alguém, seja o famoso “A volta dos que não foram” ou “Apertem os cintos que o piloto sumiu”.  No caso de mais um jovem prefeito que parece não saber o rumo a tomar enquanto o navio afunda, não tenho como deixar de ser acometido pelos sentimentos de tristeza e desolação. Mas vá lá, pelo menos o comércio segue aberto, em que pese o fato de que o vento sopra forte no canavial em chamas…..

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