Demorou, mas a PF chegou em Ricardo Salles e seus associados no MMA por causa da exportação ilegal de madeira amazônica

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Ricardo Salles posa em frente de madeira extraída ilegalmente e apreendida pela Polícia Federal 

Toda as expectativas para momentos complicados para o governo Bolsonaro repousavam para o depoimento do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, na Comissão Parlamentar de Inquérito que apura possíveis crimes cometidos contra a saúde pública em meio à pandemia da COVID-19.  Entretanto, as atenções mudaram repentinamente para a auspiciosa operação que está sendo realizada pela Polícia Federal contra o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente e seus associados (já que se trata de uma aparente associação para fins de exportação ilegal de madeira amazônica) no interior do Ministério do Meio Ambiente.

Essa robusta operação da Polícia Federal ocorre ainda como desdobramento da chamada “Operação Akuanduba” que apurou a exportação de madeira extraída ilegalmente na Amazônia, representando um total de 8.000 cargas ilegais que, curiosamente, foram alvo de denúncias de governos dos países para onde parte destes recursos foi exportada.

Esse mesmo episódio é que recentemente resultou na exoneração do então chefe da Polícia Federal no estado do Amazonas, Alexandre Saraiva, que denunciou Ricardo Salles ao Supremo Tribunal Federal por possíveis crimes identificados no âmbito da Operação Akuanduba. Curiosamente, quem tinha sido punido até agora era Alexandre Saraiva, pois seu ato de denunciar o até agora intocável Ricardo Salles não foi bem recebido no governo Bolsonaro.

É interessante notar que na semana passada Ricardo Salles teve encontro com representantes de garimpeiros que demandavam, aparentemente, o mesmo tipo de legalização que havia sido dada para os madeireiros na Amazônia. Esse encontro em si é revelador das relações que determinados grupos operando ilegalmente em áreas indígenas e unidades de conservação na Amazônia gozam com os altos escalões do governo Bolsonaro, já que até então esse tipo de encontro se dava, quando muito, na penumbra.

Como a Polícia Federal está realizando diligências até na residência de Ricardo Salles em São Paulo, o mais provável é que ao longo do dia apareçam revelações ainda mais acachapantes acerca das relações do ministro com madeireiros e garimpeiros operando ao largo da lei.  Afinal de contas, como operava até aqui sem qualquer freio, não será nenhuma surpresa se Ricardo Salles tenha acumulado provas contra si mesmo. E como Salles teve o sigilo bancário quebrado, poderemos ter revelações importantes nos próximos dias.

É interessante notar que essa não é a primeira vez que Ricardo Salles se defronta com a justiça por causa de atos ilegais cometidos enquanto cargo público. É que Salles foi condenado por atos de improbidade administrativa enquanto ocupava o cargo de secretário estadual de Meio Ambiental, e, curiosamente, por agir para favorecer empresas ao alterar ilegalmente o plano de manejo da APA do Rio Tietê.  Ainda que depois Salles tenha conseguido se livrar das penas ao ser absolvido em segundo instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, o fato dele não ser um nenhum santo já era sabido.

Finalmente, é importante notar que mais do que causar problemas pessoais a Ricardo Salles e seus associados, este caso deverá complicar as negociações em curso com o governo de Joe Biden para algum tipo de acordo mequetrefe em torno do controle do desmatamento na Amazônia. É que, por mais que o governo dos EUA coloque sempre seus interesses nacionais acima de quaisquer outros, a situação desvelada em torno das relações de Ricardo Salles com a exportação com a exportação ilegal de madeira torna quase impossível que qualquer acordo seja assinado enquanto ele estiver no cargo de ministro.

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