Uma eulogia para Maurício Tuffani

Faleceu ontem  aos 63 anos, o jornalista e editor do site “Direto da Ciência, Maurício Tuffani, que atualmente também era o editor chefe do jornal da Unesp. Tuffani iniciou sua carreira jornalística em 1978 e atuou em veículos da mídia corporativa como O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo e pelas revistas Scientific American Brasil, Galileu e Unesp Ciência. Tuffani também foi editor-executivo dos portais do PNUD Brasil e Nações Unidas Brasil e foi responsável pela comunicação institucional de diversos órgãos públicos como Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Florestal do Meio Ambiente.

Desde 2016, Maurício Tuffani também impulsionava o site especializado em jornalismo científico, o Direto da Ciência que se notabilizou por oferecer espaços para notícias e artigos de opinião relevantes para o debate científico, especialmente em um momento de negacionismo científico que aborda o mundo, e especialmente o mundo.

Mas acima de um jornalista com a maior nível de capacidade dentro do campo profissional que abraçou, Tuffani era um pessoa preocupada com o destino da ciência brasileira. Em 2017, quando os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) atravessavam um duro momento pela falta de pagamentos de salários, Tuffani gentilmente aceitou participar de um debate organizado pela Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) cujo mote foi debater o futuro da ciência no Brasil (ver vídeo abaixo)

 

Naquele evento, Maurício Tuffani instou os presentes a se posicionarem claramente em defesa da ciência brasileira e das instituições responsáveis pela sua produção. Segundo ele, uma das coisas que o deixavam mais perplexo era a letargia que estava presenciando ao processo de desmanche da ciência brasileira, coisa que considerava inaceitável dada a importância, especialmente dentro da própria comunidade científica. Naquele dia ele disse que reagir ao desmanche em curso era uma tarefa primária dos pesquisadores brasileiras. 

Mas além de ser um jornalista altamente preparado e de um cidadão preocupado com a ciência com a qual ele se ocupou durante toda a sua vida profissional, Tuffani era o que podemos chamar de “boa praça”, pois sempre manteve relações pautadas pelo respeito e por uma atitude carinhosa.  Para compensar sua firmeza no trato das pautas que considerava importantes, Maurício Tuffani sempre tinha uma dica para dar e um contato para compartilhar. Aliás, lembro que nos conhecemos quando escrevi para cumprimentá-lo por uma matéria que escrevera sobre publicações em revistas predatórias, e ele me perguntou se eu toparia falar abertamente sobre o assunto, já que poucos pesquisadores aceitavam tocar em um assunto tabu como era a da publicação do que eu chamo de “trash science”. A partir dali nos tornamos amigos por telefone já que ele morava em São Paulo e eu em Campos dos Goytacazes.

Por essas coisas todas é que a morte repentina de Maurício Tuffani é uma perda não apenas para sua família e amigos, mas para todos os que labutam na ciência brasileira. Com sua partida, perdemos um profissional e um cidadão que colocava boa parte de sua energia em defender a ciência.

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