Como previsto em 2005, áreas protegidas e terras indígenas viraram a nova fronteira do desmatamento em Rondônia

conservation units

No já longínquo ano de 2005, eu e um grupo formado por pesquisadores brasileiros e estadunidenses publicamos o artigo intitulado “Conservation units: a new deforestation frontier in the Amazonian state of Rondônia, Brazil” (ou em bom português “Unidades de Conservação: a nova fronteira do desmatamento no estado amazônico de Rondônia, Brasil”) na prestigiosa revista científica “Environmental Conservation“.   

Nesse artigo, a partir de dados de sensoriamento remoto fizemos uma série de previsões sobre o destino de unidades de conservação e terras indígenas seriam a próxima fronteira do desmatamento em Rondônia, lançando ainda a previsão sombria de que a invasão dessas áreas por grileiros e madeireiros resultaria na sua inviabilização, com pesados custos para o fornecimento de serviços ambientais e graves impactos sobre o meio ambiente regional.

Ao longo dos últimos 16 anos, as tendências apontadas naquele artigo têm sido acentuadas, concluindo-se com a recente diminuição dos territórios da reserva extrativsta de Jaci Paraná e do Parque Estadual de Guajará-Mirim por uma legislação sancionada sem vetos pelo governador bolsonarista de Rondônia, coronel Marcos Rocha (sem partido), e que foi aprovada em ritmo ‘the flash” pela Assembleia Legislativa de Rondônia.

Eis que hoje recebi imagens mostrando as linhas de invasão de outras duas áreas (uma da Terra Indígena Karipuna e outra do que restou do Parque Estadual de Guajará-Mirim (ver abaixo).

Apenas à guisa de clarificação, as linhas brancas dentro dos blocos verdes representam estradas que foram construídas ilegalmente, muitas vezes em um combinação entre grileiros e madeireiros, para facilitar o saque de recursos naturais e, posteriormente, o desmatamento.  E é precisa que se frise que estas invasões ocorrem em áreas públicas, representando assim crimes contra o patrimônio natural do povo brasileiro.

Há que se notar que já existem evidências científicas, a começar pelas mostradas recentemente em um artigo publicado na revista Nature, de que o avanço do desmatamento na franja sul da Amazônia brasileira irá causar a médio prazo uma alteração profunda do regime de precipitação, com custos bilionários para o agronegócio exportador brasileiro. Mas claramente quem está invadindo e quem permite que as invasões ocorram impunemente não estão preocupados com o dia seguinte. O que move esses personagens é a geração de renda (que é muito pouca em relação ao custo associado) em curtíssimo prazo, e a abertura de mais áreas para a especulação de terras.

Assim, que fique claro que o que está se permitindo e até incentivando na Amazônia neste momento são crimes contra o patrimônio público e ambiental dos brasileiros, enquanto os custos acabarão recaindo sobre todos nós, especialmente sobre os segmentos mais pobres da nossa população.  Mas que fique claro que a dinâmica por detrás desses processos de saque, bem como suas consequências, já está bem documentada pela comunidade científica.  Desta forma, que ninguém queira fingir surpresa quando as previsões mais dantescas começarem a se confirmar.,

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