Eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes sob a égide do tapetão

tapetão

Antes que alguém se apresse a dizer que estou de braços dados com o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho, informo que a minha candidata a prefeita no pleito que se avizinha é a professora Natália Soares, candidata a prefeita pelo PSOL.  

Esclarecida a minha posição de eleitor, vamos para o fato que motiva esta postagem que é o esquisitíssimo indeferimento da candidatura a vice-prefeito do empresário Frederico Paes na chapa encabeçada pelo deputado federal Wladimir Garotinho.  Não tivesse sido a chapa sido deferida em primeira instância, inclusive com o voto favorável do Ministério Público Eleitoral, não estaríamos agora com a peculiar situação de uma chapa que tem a sua cabeça de chapa deferido, enquanto que o vice-prefeito está indeferido e sem condição legal de ser substituído. 

Não quero parecer prisioneiro de teorias da conspiração, mas fica a sensação inevitável de que o deferimento em primeira instância não passou de um “ambush” (que em bom português significa emboscada). É que se o indeferimento tivesse ocorrido já na primeira instância, o mais provável que a troca tivesse ocorrido dentro do limite legal, e as eleições municipais não teriam que estar agora mais uma vez sob a égide do tapetão.  Digo que isso porque até o pocaçu mais ingênuo que vive no campus da Uenf sabe que Wladimir Garotinho perigaria se eleger até se a minha falecida mãe fosse sua candidata a vice.

Também considero curioso que tenha sido a chapa do candidato Bruno Calil a que forçou o indeferimento de Frederico Paes, dado o apadrinhamento público que o pessoal da bandeira laranja recebe do deputado estadual Rodrigo Bacelar. Aliás, o mar de bandeiras laranjas que se espalha pela cidade, ainda que empunhada por pessoas com caras para lá de desanimadas, mostra que dinheiro não parece ser problema para Bruno Calil e seu padrinho político.

Falando em Bruno Calil, considero curioso que ele até recentemente propagava teorias negacionistas acerca da letalidade da pandemia da COVID-19, sendo ele um médico. Daí decorre que todo o discurso de que irá cuidar melhor das pessoas vai por água abaixo. Pois, afinal, quem nega a COVID-19

Mas o negacionismo em relação à COVID-19 talvez não seja o pior negacionismo impulsionado por Bruno Calil. É que ao tentar retirar Wladimir Garotinho do pleito com base em uma tecnicalidade, o que o candidato de Rodrigo Bacelar faz é colocar a legitimidade de todo o processo eleitoral em estado de risco. É que se ele tiver sucesso, as pessoas que querem eleger Wladimir Garotinho (e nas ruas elas não parecem ser poucas) para ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes estarão na justa razão de se negar a reconhecer a legitimidade de qualquer que seja eleito a prefeito em sua ausência.

Se isso acontecer, à grave crise econômica e social que a cidade de Campos dos Goytacazes será acrescida uma de natureza política, levantando a possibilidade de consequências para lá de indesejáveis. Por isso, até para dar condições de governabilidade para o próximo prefeito, o melhor é que aqueles que não possuem votos suficientes para serem eleitos não apelem para a vitória no tapetão.

Eu, por exemplo, não vejo como grandes as chances da minha própria candidata chegar ao segundo turno. Entretanto, considero que o lançamento de uma candidatura do PSOL e a condução dada à sua campanha já representa uma retumbante vitória para os eleitores que não querem ficar presos nas velhas disputas paroquiais e familiares, preferindo apostar no fortalecimento na organização política dos trabalhadores e da juventude campistas. 

Investimento em gás e redução de imposto para combustíveis fósseis são retrocessos no Brasil, diz relatório

Apesar de promessas para reduzir incentivos públicos, países do G20 gastam mais US﹩ 500 bi ao ano em petróleo, gás e carvão, principais fontes globais dos gases que causam a crise climática

global emissions

Um estudo divulgado hoje (10/11) sobre o progresso dos países do G20 nas promessas de evitar a expansão do financiamento público da energia fóssil destaca negativamente as ações do governo brasileiro. Sem citar especificamente a nova Lei do Gás (Lei 6.407/2013), em análise no Senado, o relatório critica a diminuição de taxas de juros para investimentos em instalações e gasodutos. O documento também alerta para a redução de impostos e o perdão de dívidas de empresas produtoras de combustíveis fósseis concedidos pelo Brasil desde 2017 em uma tentativa de aumentar sua produção de petróleo e gás. Nos dois casos, são iniciativas em desacordo com a meta de descarbonizar a economia para minimizar os trágicos efeitos da crise climática que já se fazem sentir no Brasil.

O relatório “Doubling Back and Doubling Down” foi realizado por três organizações: o International Institute for Sustainable Development (IISD), o Overseas Development Institute (ODI), e a Oil Change International (OCI). Segundo o documento, o Brasil também oferece pouca transparência sobre a extensão das isenções de impostos para o setor e ainda não se comprometeu com uma revisão por pares de seus dados dentro do processo específico para o G20.

Mesmo com retrocessos, o Brasil obteve a maior pontuação entre os países do G20 que não fazem parte da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso porque, apesar das repetidas promessas de acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis, o gasto dos governos do G20 neste setor caiu apenas 9% desde o período 2014-2016, atingindo US﹩ 584 bilhões anualmente nos últimos três anos. E esse tímido progresso provavelmente será desfeito este ano diante dos bilhões de dólares comprometidos com combustíveis fósseis em resposta à crise econômica provocada pela COVID-19, alerta o relatório.

“Os governos do G20 já não estavam no caminho certo para cumprir seus compromissos do Acordo de Paris sobre o fim do apoio público aos combustíveis fósseis antes da COVID-19”, diz Anna Geddes do IISD, principal autora do relatório: G20 Scorecard on Fossil Fuel Funding. “Agora, decepcionantemente, eles estão se movendo na direção oposta. Os fundos do G20 para os combustíveis fósseis provavelmente permanecerão constantes ou até mesmo em alta novamente em 2020, em comparação com os últimos anos, onde temos visto uma ligeira queda no apoio”.

De acordo com os últimos dados de um outro estudo, o Energy Policy Tracker , os governos do G20 deram pelo menos 209 bilhões de dólares em apoio adicional aos combustíveis fósseis por meio de medidas de recuperação econômica desde que a pandemia começou.

Marcha ré

No relatório Doubling Back and Doubling Down, os pesquisadores consideraram os recentes compromissos de recuperação da COVID-19 e as políticas pré-pandêmicas para classificar o progresso dos países do G20 na eliminação gradual do apoio aos combustíveis fósseis. Eles analisaram sete indicadores: transparência, promessas, dinheiro público para carvão, petróleo e gás, energia baseada em combustíveis fósseis (tanto produção, quanto consumo), e como esse apoio mudou com o tempo. Na maioria dos países avaliados, o progresso feito durante os últimos três anos foi descrito pelos especialistas como “pobre” ou “muito pobre”, e nenhum país foi considerado como tendo feito “bom progresso” em linha com o alcance das metas do Acordo de Paris.

Entre os membros da OCDE no G20, a Alemanha teve o melhor desempenho geral em termos de eliminação gradual do financiamento de combustíveis fósseis. O país obteve pontos por transparência, fortes compromissos e apoio relativamente menor para a produção de petróleo e gás e uso de combustíveis fósseis.

Na outra ponta do espectro, Reino Unido e Turquia estão mal classificados devido à falta de transparência e aos grandes subsídios para o uso de combustíveis fósseis, enquanto o México está empacado na classificação geral pelo forte apoio à produção de petróleo e gás e à energia baseada termelétrica. Dos países do G20 não-membros da OCDE, a Arábia Saudita ficou em último lugar, e continua a apoiar fortemente a produção de combustíveis fósseis por meio dos gastos de grandes empresas estatais e preços baixos de energia ao consumidor.

“Nenhum país do G20 está funcionando como deveria, mas há alguns exemplos que poderiam ser seguidos”, diz Angela Picciariello da ODI. “Um verdadeiro líder espelharia a transparência e as fortes promessas da Alemanha e daria um passo além da Itália com um plano para eliminar rapidamente não apenas o apoio ao carvão, mas também ao petróleo e ao gás. Para estar de acordo com 1,5°C e evitar o pior da crise climática, os governos do G20 deveriam descartar qualquer apoio contínuo aos combustíveis fósseis, em gastos de recuperação ou não”.

Oportunidade

Embora este relatório e outros dados recentes sobre os compromissos públicos da COVID-19 indiquem que o progresso já lento na eliminação gradual do financiamento de combustíveis fósseis foi agora revertido, os pesquisadores dizem que há oportunidades futuras para os governos inverterem a maré.

“Os governos estão em meio a níveis históricos de financiamento público em resposta à pandemia. Em vez de produzir uma nova bancarrota em outra grande crise, nossos governos deveriam investir em um futuro resiliente”, diz Bronwen Tucker, da OCI. “Temos uma janela crítica para que os governos direcionem o apoio atualmente dado aos combustíveis fósseis para a saúde pública e investimentos sociais e para uma transição justa para a energia renovável.”

“O recentemente anunciado plano de emissões net-zero da China e a iniciativa Green Deal da UE indicam que há um impulso para aumentar a ambição e demonstrar um compromisso com a ação climática”, diz Geddes. “Embora os últimos três anos tenham mostrado falta de progresso por parte dos governos, podemos fazer dos próximos três anos um ponto de inflexão.”

O neoliberalismo tosco de Bolsonaro e Guedes força Brasil a importar soja e milho dos EUA

milho-e-sojaApós permitir venda da safra brasileira a preços baixos, o governo Bolsonaro foi obrigado a zerar as tarifas de importação de soja e milho para abastecer o mercado interno

Há algo de muito peculiar no processo de produção, exportação e importação de grãos pelo Brasil neste momento em que estamos afundados em uma grave crise econômico que foi aprofundada pela pandemia da COVID-19. É que após o governo Bolsonaro acabar com as travas mínimas que protegiam precariamente o mercado interno, o Brasil está sendo forçado a importar soja e milho dos EUA, após ter batidos novos recordes de exportação para a China.

Essa situação é particularmente peculiar, porque o Brasil em 2019 foi o maior exportador mundial desses dois grãos, fato que deverá se repetir em 2020. Entretanto, ao não impor nenhuma medida para reservar os estoques necessários para o consumo interno, o governo Bolsonaro gerou a necessidade de que o Brasil passe a importar a produção dos EUA desses dois grãos, já que por causa do conflito com a China, sobram soja e milho nos EUA, enquanto faltam por aqui.

Essa situação insólita em que o Brasil é o maior produtor mundial de soja e milho, mas tem que importar para suprir as necessidades do seu mercado interno, é um problema grave porque tende a aumentar os custos da cesta básica, principalmente dos brasileiros mais pobres.  O fato é que, em que pese a diminuição das tarifas de importação, a soja vinda dos EUA é mais cara e tenderá a apagar, inclusive, parte dos ganhos obtido com a exportação de soja mais barata, principalmente para a China e a União Europeia.

Se acrescermos  ao encarecimento da cesta básica dos brasileiros aos dados negativos da economia as perdas e conflitos socioambientais que ocorrem na esteira da ampliação da área de plantada de soja e milho, veremoa que toda cantilena de que o latifúndio agro-exportador mata fome do mundo não passa de conversa para boi pastar em áreas ilegalmente desmatadas na Amazônia brasileira.

Justiça dá três dias para concessionária espanhola resolver apagão no Amapá

macapa-750x430Protesto feito na orla de Macapá

sobre Amapá para o Congresso em Foco

A Justiça Federal da 1ª Região determinou neste sábado que a empresa espanhola Isolux restabeleça em até três dias o fornecimento de energia elétrica no Amapá. A multinacional é dona da subestação que pegou fogo na última terça-feira e deixou sem energia mais de 700 mil pessoas em todo o estado. Sem energia, a população amapaense sofre com crise de desabastecimento há cinco dias. O descumprimento da decisão levará à cobrança de multa de R$ 15 milhões por dia.

O juiz João Bosco Costa Soares da Silva cobrou da empresa que apresente um plano para resolver em até 12 horas, sob pena de multa de R$ 100 mil. Ele também estabeleceu o prazo de cinco dias para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Eletronorte comprovem que fiscalizaram regularmente o contrato com a companhia estrangeira.

Veja a íntegra da decisão

Falta de energia provocou crise de abastecimento no As decisões fazem de liminar concedida parcialmente pelo juiz plantonista a ação popular movida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O magistrado ainda pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue a legalidade da execução dos contratos da Eletronorte com a Isolux e com a empresa responsável pela fiscalização da parceria e dos serviços. Também requisitou que a Polícia Federal apure se houve crime no evento que resultou na interrupção de energia.

apagao-pao-e1604796305172Falta de energia provocou crise de abastecimento no estado

João Bosco abriu prazo de 12 horas para a instituição de um grupo de trabalho com representantes do Ministério de Minas e Energia, da Eletronorte, da Companhia de Energia do Amapá (CEA) e da Isolux. “Estamos regredindo para os tempos da idade média, em razão de um Estado que enveredou totalmente para o descaminho da corrupção e da má gestão”, escreveu o juiz em sua decisão.

Apagão no Amapá gera crise de abastecimento e caos. Veja vídeos

Para o juiz, o que ocorre no Amapá coloca em xeque todo o “precário sistema” de fiscalização federal sobre a empresa responsável pela manutenção dos serviços de subestação. O magistrado destacou que a apuração dos danos até agora está sendo capitaneada pelo governo federal sem que haja contrapartida do grupo espanhol.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, visitou o estado, onde se encontrou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Bento Albuquerque autorizou o governo estadual a contratar até 150 MegaWats (MW). O ministro afirmou que a energia deve voltar à normalidade em todo o estado em até dez dias.

O fogo começou na noite de terça-feira depois que um raio atingiu um transformador da Subestação de Macapá. As linhas de transmissão Laranjal/Macapá e as usinas hidrelétricas Coaracy Nunes e Ferreira Gomes foram desligadas automaticamente, segundo o Ministério de Minas e Energia.

O apagão provocou crise de abastecimento de água, de alimentos e de combustível em todo o estado. Filas quilométricas para compra de combustível e de água se formaram pelas cidades. O comércio foi parcialmente fechado, faltaram alimentos nas prateleiras e a população ainda enfrenta também dificuldades para sacar dinheiro e lidar com o calor extremo da região.

Randolfe Rodrigues se manifestou sobre o assunto pelo Twitter:

Erro
Este vídeo não existe

fecho

Este artigo foi inicialmente pelo Congresso em Foco [Aqui! ].

Moeda local e renda circulando

justa-troca-banco-comunitario-cedulas-xO Justa Troca foi criado há um ano. É o mais novo banco comunitário do Brasil, que se juntou a mais de cem iniciativas similares espalhadas por todo o território brasileiro. Localizado em Vila Nossa Senhora Aparecida, em Porto Alegre, uma das pioneiras na região em implantar um banco comunitário de desenvolvimento, o Justa Troca tem moeda própria e linha de crédito para pequenos projetos da economia local, e é uma conquista da união das pessoas do bairro.

Por Ranulfo Vidigal*

A desigualdade no município de Campos dos Goytacazes possui antigas e profundas estruturas, e não há dúvida de que sua efetiva redução (no prazo de uma geração, por exemplo) requer a formação de uma coalizão política ampla capaz de persuadir a sociedade e mobilizar os recursos e as energias necessários para essa finalidade.

Fortalecer e ampliar a rede municipal de proteção social para garantir recursos financeiros e institucionais para quebrar o ciclo vicioso do aumento e reprodução da pobreza e precarização é um dos desafios, para uma cidade que contabiliza 182 mil trabalhadores na informalidade e quase 50 mil famílias na pobreza extrema. Para 2020, o orçamento municipal na função “Assistência Social” será de R$ 50 milhões.

Os pobres pagam quase o mesmo imposto como proporção de sua renda, em comparação com a classe média e os mais ricos, mas recebem pouco em troca. O poder público geralmente não cumpre o seu papel, agindo com frequência como um Robin Hood às avessas. Superar essa deficiência é missão necessária e urgente.

Nesse contexto, uma importante revista de circulação nacional trouxe esta semana uma idéia interessante. Foi criada faz sete anos em Maricá – com seu orçamento fiscal lastreado em indenização dos recursos finitos da produção petrolífera da produção na camada pré sal – a moeda local denominada “Mumbuca”, que repassa 130 reais mensais para quem ganha, mensalmente, até três salários mínimos naquela cidade litorânea.

Prefeitura lança Moeda Social Mumbuca nesta segunda-feira | Prefeitura de  Maricá

Isso movimenta o comércio e serviços, mediante um cadastro de beneficiados de aproximadamente 40 mil pessoas. Pois bem, se revela uma bela forma de combater a extrema pobreza. O dinheiro que somente circula no perímetro da cidade fortalece a circulação de renda e garante preciosos empregos nos setores mais dinâmicos da cidade.

Na capital do açúcar, cuja massa ampliada de salários soma R$ 5 bilhões anuais, um programa dessa magnitude precisaria estar integrado com a construção de uma relação duradoura entre governo, universidades e empresas para desenvolver a industrialização de vanguarda no município, bem como superar a dicotomia entre agricultura familiar e empresarial. Construir uma economia de escala, centrais de abastecimento e parcerias com a reforma agrária para reconstruir um setor agrícola produtivo forte.

*Ranulfo Vidigal é economista, Mestre em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Consultor.

Eleição empurra a divisão dos EUA além do ponto de inflexão: editorial do Global Times

Across The U.S. Voters Flock To The Polls On Election Day

Os eleitores se alinham do lado de fora dos recintos eleitorais em Oakmont na Pensilvânia na terça-feira, quando a votação do dia da eleição começou na manhã de terça-feira em muitas partes dos EUA.  (Jeff Swensen/Getty Images)

A sociedade dos EUA está esperando ansiosamente pelos resultados da votação nos últimos estados-chave. Na sexta-feira à noite, a afluência ficou mais clara. Mas as métricas que decidiram o resultado das eleições anteriores podem não funcionar neste momento. Ambas as campanhas descreveram esta eleição como um duelo entre dois valores e caminhos diferentes. E as pessoas compram. Enquanto as eleições estão prestes a terminar, parece que nada poderia ter uma voz decisiva e alterar fundamentalmente os problemas dos EUA.

Se olharmos para os sentimentos intensos na grande mídia dos EUA e na internet, eles não parecem estar discutindo quem será o próximo presidente. Embora relatar esses sentimentos seja um show político, que geralmente acontecia nos Estados Unidos no passado, sua repetição faz as pessoas se preocuparem se a sociedade poderia voltar ao normal após o show. 

Desta vez, ninguém acreditaria que a divisão nesta eleição é apenas um show. A divisão é tão real e profunda que a única coisa incerta desta vez é quão profundamente afetará os EUA.

Cada sociedade tem divergências e contradições internas. O design do sistema dos EUA favorece e até encoraja a fermentação de contradições. Mecanismos ajudam a manter o equilíbrio entre interesses e poder. Por muito tempo, isso teve um desempenho relativamente bom, mas novos desafios estão mudando as condições dos mecanismos dos EUA e mudando as relações entre a eficácia dos mecanismos dos EUA e as dificuldades que a sociedade norte-americana enfrenta.

A mudança fundamental é que os Estados Unidos vêm consumindo suas vantagens acumuladas no contexto da globalização. Seu padrão de interesses foi fixado e a competitividade geral do país está caindo. O bem-estar que proporcionou às pessoas não pode corresponder às demandas e expectativas das pessoas. O mecanismo que distribui interesses solidifica e corrói ainda mais a capacidade social de promover a unidade.

Na era da internet, a política de identidade está crescendo. As pessoas podem facilmente sentir que seus direitos estão privados por serem de uma determinada classe social. Manter a unidade social tornou-se uma tarefa cada vez mais árdua e sensível. Obviamente, os EUA precisam de reformas políticas mais do que muitos outros países para aumentar sua capacidade de promover a unidade.

Mas nos últimos quatro anos, o governo Trump, incitado pelo sistema eleitoral dos EUA, empurrou o país para um caminho arriscado, onde aumenta a divisão para impulsionar o padrão existente de interesses políticos. Existem tantos problemas sociais na sociedade americana, seja entre diferentes raças e classes, entre novos e antigos imigrantes, e entre diferentes regiões, muito menos partidária. Mas agora o objetivo da sociedade foi lançado na reeleição de Trump. Em grande medida, esse objetivo espremeu o espaço da sociedade norte-americana para buscar o máximo dos interesses comuns.

Desde a eclosão da epidemia de COVID-19 nos Estados Unidos, o governo Trump tem lidado com isso de olho nas eleições, enquanto a vida e a segurança das pessoas foram deixadas de lado. Se os EUA não tivessem cometido o erro de lançar todos os olhos sobre a eleição, o país, que ocupa o primeiro lugar em recursos de saúde pública, não teria permitido que a epidemia se alastrasse a tal ponto que mais de 200.000 pessoas morreram por causa disso.

Embora seja óbvio que os EUA trilharam muitos caminhos errados, o equilíbrio de poder na eleição mostra que a séria divisão social prejudicou o julgamento dos americanos. Os humanos são insignificantes e escolher um acampamento é a escolha mais fácil para eles manterem seus próprios interesses. Quanto mais profunda a divisão social, mais as pessoas julgam a partir de sua própria posição. O fato de as pessoas distinguirem entre amigos e inimigos não com base no certo ou errado se tornará uma prática política comum.

O sistema norte-americano tem história e cultura próprias, mas precisa se modificar de acordo com os tempos. É hora de as elites americanas dizerem adeus à arrogância política e se engajar na reflexão coletiva. Eles deveriam ter uma visão correta dos problemas sistemáticos na política dos EUA e chegar ao consenso de que os EUA precisam continuar reformando como outros países. Somente nesta base os EUA podem realmente ser determinados e motivados a mudar a si mesmos.

fecho

Este texto foi originalmente escrito e publicado pelo jornal chinês Global Times [Aqui!].

Trump é derrotado nos EUA, e Bolsonaro perde no Brasil

soccer shirtJair Bolsonaro e Donald Trump trocaram camisas das seleções nacionais durante encontro na Casa Branca. A derrota de Trump representa uma dura perda política para Bolsonaro no Brasil

A agora confirmada derrota do presidente Donald Trump na sua tentativa de reeleição representa uma dura perda para Jair Bolsonaro no Brasil.  É que ao perder eleição, Trump remove de Bolsonaro de se manter como uma espécie de cópia malfeita no Brasil. 

Um dos elementos centrais da presidência cambaleante de Jair Bolsonaro tem sido a implementação de uma espécie de “nacionalismo de vassalagem” onde a submissão dos interesses estratégicos do Brasil aos de Donald Trump (e não necessariamente dos EUA) agora terá que se confrontar com a realidade de que o novo presidente estadunidense exigirá (isso mesmo, o verbo é exigir) uma mudança na forma com que o governo Bolsonaro se relaciona os biomas da Amazônia brasileira.

De nada adiantará qualquer simulacro de nacionalismo para dizer que o Brasil tem o direito soberano de usar os recursos naturais existentes na Amazônia como bem entender, pois o agora eleito Joe Biden já disse que exigiria uma mudança na situação de descontrole existente na proteção da Amazônia. Nessa área há ainda que se lembrar que Biden já disse que um dos seus primeiros atos como presidente será recolocar os EUA no Acordo de Paris para combater as mudanças climáticas.

Há ainda que se lembrar que Jair Bolsonaro será compulsoriamente obrigado a mudar os ocupantes dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, o primeiro por ser visto como anti-ambiente e o segundo por ser umbilicalmente alinhado com o ideário de Donald Trump. O que Bolsonaro fará com Ricardo Salles e Ernesto Araújo ainda não se sabe, mas está óbvio que eles não ficarão nos postos que ocupam depois de do 01 janeiro de 2021.

Agora, há que se dizer que em outros aspectos ainda mais cruciais como o da tecnologia 5G e das relações comerciais com a China, a eleição de Joe Biden representa uma péssima notícia não apenas para Jair Bolsonaro, mas principalmente para o Brasil. É que os democratas já indicaram que nesses dois itens, eles deverão adotar uma postura ainda mais agressiva do que a adotada por Donald Trump. Como a economia brasileira hoje respira em função do que a China compra do Brasil,  a situação que se abre não será nada fácil. Por isso mesmo, se alguém tem que estar feliz com a vitória de Trump são as corporações estadunidenses e não os brasileiros.

Houve analista de TV brasileira que afirmasse que uma eventual vitória de Donald Trump repercutiria positivamente para os candidatos apoiados por Jair Bolsonaro nas eleições municipais que se aproximam no Brasil. Agora, como temos o resultado oposto, há que se ver qual será a performance dos candidatos apoiados pelo presidente brasileiro.  Eu continuo achando que o elemento mais importante da derrota de Donald Trump que foi a sua postura irresponsável frente à pandemia da COVID-19 ainda não foi colada em Jair Bolsonaro no Brasil, o que pode fazer com que ele saia ileso da derrota de Donald Trump. 

 

No Amapá, privatização rima com apagão

escuridao-amapa-868x644Pelo menos 13 dos 16 municípios do estado do Amapá estão na escuridão desde a última 3a. feira em meio à inação do governo Bolsonaro

A maioria dos brasileiros que assistem televisão têm sido distraídos das agruras nacionais por causa da interminável apuração das eleições presidenciais dos EUA e da cobertura preferencial que uma mídia corporativa subordinada faz daquilo que seus proprietários julgam ser importante para seu próprio futuro.

Entretanto, isto não quer dizer que não tenhamos situações graves ocorrendo dentro do Brasil, e que revelam a completa incapacidade do governo federal  distraído pelo aparente infortúnio eleitoral de Donald Trump para lidar com situações que poderiam ser corriqueiras e deixaram de ser.

Um grande exemplo é o apagão que está ocorrendo desde a última terça-feira em quase todo o estado do Amapá (objetivamente 13 dos 16 municípios amapaenses estão sem fornecimento de eletricidade) por conta de um incêndio (ver vídeo abaixo) ocorrido em uma subestação de transmissão de energia elétrica localizada em Macapá. Deixada de lado por quase quatro dias pelo governo Bolsonaro, a população do Amapá vive uma situação que beira o apocalipse já que falta água e comida, na medida em que o apagão elétrico comprometeu todos os aspectos das vidas de mais de 730 mil pessoas.

É importante notar que a responsabilidade pelo caos instalado no Amapá é a empresa privada espanhola Isolux Ingenieira S/A  que detém o monopólio do fornecimento em quase todo o Amapá por conta do processo de privatização ocorrido a partir de 2008. Acontece que ocorrido o incêndio, a Isolux se mostrou despreparada e incompetente para fazer o rápido reparo das instalações destruídas pelo sinistro.

E aí é que o processo de privatização engendrado por diferentes governos se mostra ainda mais cínico, pois é a Eletrobras, uma estatal que nada tem a ver com o ocorrido, que está assumindo os esforços para capacitar a Isolux a voltar a gerar a energia cara que os amapaenses têm que pagar todos os meses.  Mais incrível ainda é a postura do governo Bolsonaro de priorizar a privatização de todo o sistema controlado pela Eletrobras. Resta a pergunta sobre o que ocorrerá no futuro com uma Eletrobras privatizada se outros estados brasileiros forem afetados por apagões. 

A verdade é que o combate ao processo de privatização que está sendo tocado pelo governo Bolsonaro deveria ser a principal prioridade do combate dos partidos da esquerda institucional, mas não é. E o motivo para isso é simples: a privatização do público para benefício das corporações privadas possui apoio desde a extrema direita até os partidos que se dizem de esquerda.  Enquanto isso, o povo do Amapá sofre à mercê da própria sorte e, pasmem, esperando que a Eletrobras em vias de privatização venha resolver aquilo que a espanhola Isolux já demonstrou não ter capacidade para fazer.

Nouriel Roubini, o “Doutor Desgraça”, previu em fevereiro que a pandemia da COVID-19 custaria a reeleição de Trump

roubiniO economista Nouriel Roubini, que previu a crise financeira global em 2008, prognosticou em fevereiro que Donald Trump perderia a reeleição por causa da pandemia da COVID-19

Ainda não saiu o resultado definitivo das eleições presidenciais realizada na última 3a. feira nos EUA, mas uma previsão feita em fevereiro deste ano pelo economista e professor da New University, Nouriel Roubini, (o mesmo que previsão a eclosão de uma crise global em 2008 e que, por isso, ficou conhecido como Dr. Doom (ou Dr. Desgraça em português) pode se confirmar para surpresa de muitos.

É que ao prever a disseminação global da pandemia causada pelo coronavírus, Roubini afirmou que a crise econômica que seria desencadeada pela pandemia da COVID-19 iria abater as chances de reeleição do presidente Donald Trump

Baseado em seus prognósticos sobre a crise global que decorreria da disseminação da pandemia, Roubini observou que apesar da fraqueza do Partido Democrata, Donald Trump iria se tornar uma espécie de “lame duck”, e que seria derrotado nas eleições presidenciais.

Na mesma época, Roubini apontou títulos públicos como a saída mais segura para investidores que quisessem evitar os riscos que seriam trazidos para os mercados financeiros globais por causa da crise causada pela pandemia da COVID-19, sugerindo que se comprassem títulos públicos da Alemanha.  Eu fico imaginando quantos investidores levaram a sério os prognósticos de Roubini e partiram para a aquisição deste tipo de papel.

Já quanto ao presidente Donald Trump, fico curioso para saber o que ele achou em fevereiro das previsões de Nouriel Roubini e o que está achando agora quando parece que sua canoa presidencial irá afundar. De toda forma, caso a derrota de Trump se confirme, haverá que se reconhecer a capacidade Roubini de fazer prognósticos acertados em questões altamente relevantes.

Um detalhe curioso é que no Brasil ainda não vi nenhum partido político colando as mais de 160 mil mortes ocorridas no Brasil por causa da COVID-19 no governo Bolsonaro e nos candidatos apoiados pelo presidente da república.

Com chuvas irregulares, recuperação dos níveis dos rios no Pantanal pode ser mais lenta

Boletim semanal do Serviço Geológico do Brasil atualizado nesta quinta-feira mantém tendência de recuperação dos níveis dos rios no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul mesmo com o atraso do período chuvoso na região

 Serviço Geológico do Brasil publicou nesta quinta-feira, dia 05/11, novo boletim semanal de monitoramento da vazante no Pantanal. Nesta última semana, a tendência geral foi de recuperação de níveis na calha principal do rio Paraguai. Acesse o último boletim aqui.

De acordo com o pesquisador em Geociências, Marcus Suassuna, as chuvas observadas neste mês foram muito irregulares e ainda não caracterizam o início do da estação chuvosa. Nos últimos 7 dias, estimativas de chuvas por satélite, sugerem acumulados de 10 mm. “Ainda que a estação chuvosa se inicie, porém, os rios na calha do rio Paraguai levarão tempo para se recuperarem, haja vista serem rios de resposta lenta, principalmente sobre o MS. Além disso, a previsão das chuvas nos próximos 15 dias é de chuva pouco abaixo do normal para este período do ano, o que deve fazer com que essa recuperação dos rios seja lenta”, alertou. “Em Ladário, o rio Paraguai tem mostrado uma tendência de recuperação de níveis e, de acordo com os dados históricos, é improvável que o rio retorne ao regime de recessão neste local, após retomada a recuperação de níveis”, acrescentou.

No entanto, os níveis das estações ainda se encontram abaixo do normal para este período e dentro da zona de atenção para mínimas. No Mato Grosso, nos municípios de Cáceres, Cuiabá e Santo Antônio do Leverger, os rios estão na mínima histórica do registro de dados para este período do ano. À exceção das estações do rio Piquiri, no município Barão do Melgaço (MT). No total, o monitoramento abrange 21 estações distribuídas ao longo da bacia em oito municípios.

Prognóstico de níveis

Nas estações na calha do rio Paraguai, à exceção de Cáceres, as previsões com horizonte de 28 dias são mantidas pelo Serviço Geológico do Brasil. Para Ladário (MS), a previsão é que o rio Paraguai no próximo mês suba até 18 centímetros. Em Porto Murtinho (MS), em quatro semanas o rio deve alcançar a cota de 1,85 metros.

Panorama da bacia

Em Cuiabá (MT), o rio Cuiabá registra hoje, 05/11, o nível de 30cm continuando entre as mínimas históricas do registro de dados. Em anos normais, a cota registrada seria 77cm (mediana).

Em Cáceres (MT), o rio Paraguai que atingiu a mínima histórica entre todas as cotas já registradas nos dias 10 e 11 de outubro (50 cm). Hoje registra 88cm. Esse valor ainda representa uma mínima, pois nunca o rio esteve tão baixo nessa época. O normal para a estação nesse período do ano seria o registro no dia de hoje de uma cota de 1,59 m (mediana).

Em Ladário (MS), município vizinho a Corumbá (MS), a cota do rio Paraguai registra hoje -12cm, ainda bem abaixo da mediana para o período, que é 2,27metros. A régua de Ladário é a referência para a definição pela Marinha do Brasil de restrições à navegação no rio Paraguai, que exige cotas acima de 1,5 metros.

Porto Murtinho (MS), mais ao Sul, o nível do rio Paraguai também subiu. Na semana passada, estava com 1,04 m e subiu mais 34 cm, chegando a cota atual de 1,38m no entanto, a mediana é 4,10m, ou seja, ainda precisa subir mais de dois metros para atingir os níveis considerados normais.

Sala de crise

Os dados atualizados do monitoramento e as previsões do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do rio Paraguai foram apresentados pelo pesquisador em Geociências, Marcus Suassuna, nesta quinta-feira, na Sala de Crise do Pantanal da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), criada para identificar medidas de resposta aos impactos da seca na Região Hidrográfica do Paraguai.

Rio Paraguai registra cotas mínimas históricas. Embarcação na Serra do Amolar, MS

Previsão de chuvas

Estimativas de chuvas por satélite, sugerem acumulados de 10 mm nos últimos 7 dias na bacia do Paraguai como um todo, considerando a estação Porto Murtinho e utilizando o modelo MERGE/INPE. Maiores volumes de precipitação foram observados no trecho delimitado pela estação São José do Boriréu, onde são estimadas chuvas de aproximadamente 24 mm. No bioma Pantanal, foram estimados acumulados de chuvas de 14 mm em 7 dias. As chuvas observadas neste mês são prenúncio do início da estação chuvosa.

A estiagem deste ano é semelhante a seca registrada entre 1968 a 1973. A vazante extrema foi prevista pelo Serviço Geológico do Brasil a partir do mês de julho, com a divulgação do primeiro prognóstico. Saiba mais aqui.

De acordo com o Cemaden, a seca deste ano é a mais severa dos 22 anos de monitoramento do Índice Padronizado de Precipitação (SPI) na sub-bacia do alto Paraguai e do bioma Pantanal.

Os dados hidrológicos utilizados nos boletins são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e demais parceiros. Os dados de monitoramento de chuvas foram obtidos por meio de imagens de satélite do produto MERGE/GPM, disponibilizados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os dados de previsão de chuva apresentados são do modelo CFS, gerados pelo NOAA. As previsões apresentadas neste boletim são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentes aos mesmos.