Rafael Diniz, o austero, trocou as promessas de mudança pelo discurso do “sangue nos olhos”

exterminadorEm sua tentativa de se manter prefeito, Rafael Diniz, o austero, substituiu a figura do bom rapaz pelo político com sangue nos olhos. 

Há quatro anos atrás, o então vereador Rafael Diniz varreu o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho da cena política campista com extrema facilidade, consagrando-se como um liderança jovem amparada no discurso da mudança e do compromisso com a gestão democrática da cidade.

Mas o jovem vereador que prometia mudança optou por praticar um estelionato eleitoral ao se fechar em copas com um grupo de personagens igualmente jovens para exterminar as políticas sociais herdadas de governos anteriores e que, com todos os seus defeitos, não se mantinham milhares de cidadãos acima da linha da pobreza extrema como também geram dinamismo econômico de caráter local, já que os beneficiados pela ação mitigadora que esse tipo de intervenção gera acabam quase sempre gastando no comércio local.

Com isso, o austero Rafael Diniz conseguiu o feito de não apenas terminar sua administração com 45 mil famílias campistas vivendo na miséria extrema, como patrocinou o extermínio de milhares de empregos que foram dizimados quando as políticas sociais foram interrompidas. O fato é que Rafael Diniz e seus menudos neoliberais conseguiram criar uma espécie de ciclo social perverso (o antônimo do ciclo virtuoso que ele prometeu) onde todos, com a exceção das corporações que controlam o orçamento municipal, perderam em uma espécie de situação de “perde-perde”.

Agora, em uma tentativa desesperada de não ter que ser mais um procurando empregos inexistentes (a não ser que ele resolva assumir o cargo de servidor municipal que ele até hoje passou ao largo de cumprir as funções a ele designadas), Rafael Diniz abandonou o personagem “boa praça” da campanha passada para encenar um personagem que quer aparentar ter “sangue nos olhos” em defesa de uma suposta coragem para continuar fazendo o que fez desde janeiro de 2017 que foi apenas aplicada contra os mais pobres.

É que, convenhamos, de corajoso Rafael Diniz não teve nada em que pese ter chegado à cadeira de prefeito com uma votação histórica que nem seus mais aguerridos adversários tiveram como negar. Mas após tomar posse, a primeira coisa que ele fez (logo após remover os pobres do orçamento) foi correr para a Câmara de Vereadores para estabelecer uma base que lhe permitisse realizar uma derrama fiscal sem precedentes, onde os mais ricos obviamente foram poupados.

Agora em vez de mudança, um discurso que agora cabe na boca dos seus adversários e não na dele que fez uma administração pífia, Rafael Diniz fala em “DNA da corrupção” e “na vida sem trabalho” dos principais adversários. Não há proposta que se faça notar para tirar a cidade do atoleiro em que sua administração conseguiu nos afundar ainda mais. Ao se concentrar em atacar com um discurso “anti”, o que Rafael Diniz faz é tentar obscurecer suas responsabilidades em tudo que aí está (apenas para usar um jargão conhecido). É como se Rafael Diniz não tivesse sido o prefeito nos últimos 4 anos e que o cargo tivesse sido ocupado por um clone maligno, enquanto o bom rapaz da Lagoa do Vigário tivesse sido colocado em uma espécie de hibernação em alguma caverna oculta pelas matas do Imbé.

A verdade é que todo candidato que adota o discurso “anti” está fadado ao fracasso, pois o que os eleitores comuns querem são soluções ou, pelo menos, vislumbres da mudança que virá caso este ou aquele seja eleito. Eu que não sou o marqueteiro João Santana sei disso. Daí decorre inclusive a pergunta de quem são os “jênios” que estão tocando essa campanha “sangue nos olhos” de Rafael Diniz.

Finalmente, temos candidatos (aliás, a maioria) que estão prometendo gerir a prefeitura com base na “austeridade”. Ora bolas senhores candidatos, a questão não deveria ser gerir com austeridade, mas como e com quais prioridades o orçamento será aprovado pela Câmara de Vereadores será executado. Porque gerir com austeridade se trata de um daqueles óbvios ululantes de que falava o dramaturgo Nelson Rodrigues. A questão verdadeira já foi até explicada pelo economista Ranulfo Vidigal quando escreveu sobre “os donos do orçamento” de Campos dos Goytacazes. E não se pode esquecer da excelente análise feita pelo professor José Luís Vianna da Cruz sobre “onde o bicho pega“. 

A verdade é que há que se ter coragem para municipalizar o gasto do orçamento e de contrariar os interesses daqueles poucos que sempre ganharam em detrimento das perdas da imensa maioria.  É dessa austeridade que estamos falando? Aparentemente não.

Como sei que a austeridade tão alardeada é mais uma vez contra os pobres? No dia 21 de outubro postei uma pergunta sobre o contrato que a municipalidade mantém com a concessionária Águas do Paraíba. Passados 10  dias daquela postagem recebi apenas uma resposta, a enviada pela Professora Natália Soares do PSOL, enquanto os outros dez candidatos ignoraram uma questão crucial para a maioria dos candidatos. Esse silêncio dos dez candidatos é para mim revelador do que eles realmente pensam em fazer se forem eleitos.

Observatório dos agrotóxicos: com mais 16 produtos liberados, governo Bolsonaro totaliza 408 agrotóxicos em 2020

Com 54% das autorizações, China lidera fornecimento dos agrotóxicos liberados em 2020. Enquanto isso, 30% dos produtos liberados estão proibidos na União Europeia

agrotoxicos rjAgricultor espalha agrotóxicos  em uma plantação de vegetais no Rio de Janeiro, Brasil. Ze Martinusso / Moment Open / Getty Images

Com a publicação do Ato No. 60 de 26 de outubro de 2020, o governo Bolsonaro liberou mais 16 agrotóxicos para o mercado brasileiro, chegando a 408 apenas nos dez primeiros meses de 2020, perfazendo um “grande total” de 911 agrotóxicos liberados nos primeiros 20 meses de governo, um verdadeiro recorde.

A análise das liberações feitas em 2020 confirma a China como o principal fornecedora de agrotóxicos para o latifúndio agro-exportador brasileiro, principal responsável pelo alto consumo de venenos agrícolas na agricultura nacional. Interessante notar que o Brasil ocupa a segunda colocação na produção de agrotóxicos por um crescimento ascendente do chamado controle biológico. Por sua vez, a Índia é o segundo maior fornecedor estrangeiro de venenos agrícolas, o que representa uma interessante especialização dos países do chamado BRICs   na produção deste tipo insumo usado nas grandes monoculturas de exportação (ver figura abaixo mostrando a origem da produção dos produtos liberados em 2020).

agrotóxicos 2020

Países sedes das empresas que vendem os ingredientes técnicos dos agrotóxicos liberados no Brasil em 2020

Um detalhe importante é que os dados acerca dos agrotóxicos liberados em 2020 mostra que 16 países fornecem este tipo de produto para o Brasil, a maioria na Europa, o que torna o Brasil um dos principais (senão o principal) destino de substâncias que já estão banidas pela União Europeia nos países membros (EU). Entretanto,  o pragmatismo da EU não impede que empresas estabelecidas no Velho Continente (por exemplo: Basf, Bayer e Syngenta) continuem exportando venenos agrícolas que já foram ali banidos por seus reconhecidos efeitos danosos para o meio ambiente e a saúde humana (ver gráfico abaixo).

Status EU 3010

Status na União Europeia dos produtos liberados pelo governo Bolsonaro em 2020

Um aspecto que não pode ser omitido nessa nova liberação é que apesar de ter sumido das manchete as alegações do presidente Jair Bolsonaro acerca da “Coronavac” em função da mesma ser produzida pela empresa Sinovac Life Science.  Entretanto, essa oposição à Coronavac parece nem chegar perto dos agrotóxicos produzidos por dezenas de empresas chinesas que as distribuem com maior facilidade após a chegada de Jair Bolsonaro ao posto de presidente da república, com a ajuda célere da ministra Tereza Cristina (DEM/MS). Em suma, toda a gritaria em torno da Coronavac não passa de uma forma apurada de cinismo hipócrita.

Quem desejar baixar a base de dados contendo as informações sobre os 16 agrotóxicos liberados pelo Ato 60 de 26 de outubro, basta clicar [Aqui! ]. Já para os interessados em baixar a base de dados contendo os 408 agrotóxicos liberados em 2020, basta clicar [Aqui!].

Eleições para prefeito de Campos dos Goytacazes: onde o bicho pega

bicho pega

Por José Luís Vianna da Cruz

Tem havido um saudável, necessário e importante debate público, em algumas mídias, principalmente na internet, em jornais digitais, facebook, e numa parcela das redes sociais, algumas mais abertas, outras mais fechadas, sobre a Crise Orçamentária de Campos dos Goytacazes, num contexto eleitoral. Há uma parte delicada da discussão sobre como equilibrar o Orçamento de Campos. É onde o bicho pega.

No debate, existem dois grandes blocos de ponto de vista, embora com diferenças internas, em cada grupo, entre os defensores dessas duas posições opostas. São eles:

1) O que defende um ajuste fiscal, e, embora, muitas vezes, não deixe tudo muito claro, concentra seus argumentos no corte de despesas. Nesse corte, consideram inevitável demitir funcionários municipais, reduzir a assistência social, que já está reduzida a quase zero, e sacrificar, no limite, a saúde e a educação. Falam em racionalizar e enxugar a máquina pública, o que implica em ampliar a terceirização e a fatia do orçamento que vai para o setor privado. Alegam que sua lógica é uma lógica técnica, portanto, não há como contestar.

2) O outro lado traz para o debate algumas outras questões, que o grupo anteriormente citado não encara, desconversa, não clareia e se omite em tratar. São questões, igualmente racionais e técnicas, que visam aumentar a arrecadação da Prefeitura e gerar emprego e renda, antes de considerar o ajuste fiscal. Vou só mencionar algumas delas, que estão nas redes: i) cobrar e receber o que as pessoas e empresas devem à Prefeitura. Quanto é o montante da dívida ativa? ii) Rever os contratos com o setor privado, para serviços, como a Limpeza Pública, compra de alimentos, de medicamentos, etc. Enxugar as gorduras, romper os contratos lesivos às finanças municipais, assumir serviços que podem ser feitos pelo governo municipal e por pessoas, organizações e firmas locais, a custos bem menores. Incluir aí os contratos de aluguel de imóveis de pessoas e empresas para acomodar atividades públicas; iii) aumentar a eficiência no resgate das dívidas das empresas com o FUNDECAM, decorrentes, na sua quase totalidade, das gestões anteriores à de Rafael Diniz; iv) investir na compra de alimentos dos pequenos produtores locais, através de uma política municipal de agricultura, que acabe com os gargalos de transporte e comercialização, principalmente; v) ampliar a coleta seletiva, através do contrato com as cooperativas de catadores e catadoras locais; vi) fomentar a capacitação de pessoas, organizações e empresas locais, como fornecedoras e prestadoras de serviço à municipalidade; vii) municipalizar o que representa menor gasto do que contratando o setor privado.

Um dos elementos mais importantes na explicação das diferenças entre os dois blocos está nos interesses com quem eles estão comprometidos. O bloco 1, do ajuste fiscal, não aceita os argumentos do bloco 2, quem sabe, por estarem comprometidos com os privilégio de pessoas e empresas que devem à Prefeitura, mas que ajudam nas suas campanhas, e que, após as eleições, vão ser beneficiados com a omissão em relação às suas dívidas e obrigações fiscais? Quais deles podem vir a ser favorecidos por futuros contratos especiais com a Prefeitura? Quem se sente ameaçado pelo crescimento da produção da agricultura familiar, que é agroecológica, em grande parte, e que cumpre importantes funções ambientais, sociais e econômicas, por exemplo? Quem está interessado no monopólio da Limpeza Pública por uma grande empresa de fora? Em quais dos devedores do FUNDECAM ninguém quer tocar?

No bloco, 2 predominam, com diferenças, em maior ou menor grau, as preocupações como os interesses públicos, coletivos, sociais, republicanos, cidadãos, ambientais e locais. Por isso, a ênfase é em identificar e corrigir as gorduras, desvios, desperdícios e irregularidades, que porventura existam, que drenam os recursos públicos em favor de interesses particulares e em detrimento das políticas públicas necessárias e urgentes para Campos, o que seria suficiente para equilibrar o orçamento, que ainda é um dos maiores orçamentos do Brasil, entre os municípios na mesma faixa populacional. E, a partir daí, implementar políticas públicas sustentáveis, que dinamizem e diversifiquem a economia, aumentem a arrecadação própria e gerem trabalho e renda para a população trabalhadora.

É aí que o bicho pega. De qual lado você está?

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Este artigo foi originalmente publicado no blog do economista José Alves Neto [Aqui!].

Avisos aos potenciais interessados: a ZPE do Açu nasce sob a égide de uma ação civil pública

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A mídia corporativa informou com certa pompa e circunstância o lançamento do edital para a criação da chamada Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Porto do Açu no que se pode de chamar de mais um anúncio que promete mais do que pode entregar, uma marca registrada do empreendimento criado pelo ex-bilionário Eike Batista com todos os beneplácitos fornecidos pelo ex-governador e atual presidiário Sérgio Cabral Filho.

Um detalhe em particular me chamou a atenção no anúncio, qual seja, a obrigação de que a empresa vencedora do processo seletiva terá que comprar um “terreno de 1,8 km2 da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) por aproximadamente R$ 10 milhões e investir R$ 40 milhões em infraestrutura, além de depositar R$ 26 milhões para o estado, a título de outorga“.

É nesse ponto que, digamos, a porca torce o rabo por vários motivos. O primeiro é que a área citada (o que seria 180 hectares ou cerca de 40 alqueires) faz parte do que eu tenho chamado do que seriam “escabrosas desapropriações do Porto do Açu” promovidas pelo governador Sérgio Cabral em prol  do seu “muy amigo” de Eike Batista e em prejuízo de centenas de agricultores familiares que, pasmem, passada quase uma década ainda não viram, e dificilmente verão, a cor do dinheiro que deveria ser entregue a eles pela tomada de suas terras. Quem quiser saber mais este processo, pode ler o artigo que publiquei sobre o assunto em 2013 no Journal of Latin America Geography, no que caracterizei como sendo um processo estatal de grilagem de terras [Aqui!].

Mas os problemas com o requisito de que o vencedor da seleção para a criação da ZPE não param com as indenizações não pagas aos agricultores que tiveram suas terras tomadas pelo governo de Sérgio Cabral, inclusive com a colaboração da Prefeitura Municipal de São João da Barra. Aliás, eles apenas começam aí.

É que o que anúncio da criação da ZPE do Açu não informa é que hoje existe transcorrendo na justiça do Rio de Janeiro desde agosto de 2015, uma Ação Civil Pública (Processo No 0331355-25.2015.8.19.0001) cujo fato motivador é a anulação de um contrato de venda (sem licitção) das terras desapropriadas pela CODIN para o Grupo EBX de Eike Batista.

Essa Ação Civil Pública que está em vias de ser concluída aborda a venda de toda a área desapropriada para o Grupo EBX, o que suscita a questão de onde estariam os 180 hectares que agora a Codin quer obrigar o vencedor do processo de seleção da ZPE do Açu a comprar. Uma pista para essa questão pode estar no fato de que a Prumo Logística Global, atual controladora do Porto do Açu, já se introjetou como parte interessada na Ação Civil Pública que não só contesta a venda da área desapropriada, mas como também demanda o retorno do estoque de terras para os seus efetivos proprietários que são os agricultores familiares do V Distrito de São João da Barra que tiveram o infortúnio de estarem localizados na área selecionada para criar o natimorto Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB).

Por esse imbróglio todo que os potenciais interessados em participar do processo seletivo para estabelecer a ZPE do Açu deveriam colocar suas barbas e pés de molho. É que, na prática, as terras que se quer vender não apenas estão sub judice na justiça de São João da Barra onde correm os processos de desapropriação, como também estão sob a possibilidade real de serem retornadas aos seus legítimos proprietários caso a Ação Civil Pública prospere. E depois de uma década com as terras desapropriadas estando completamente abandonadas e relegadas a uma condição de improdutividade, convenhamos que a chance disso ocorrer não são desprezíveis.

Então, aos potenciais interessados na ZPE do Açu, sugiro cuidado para quem não se compre gato por lebre. Simples assim!

Marxismo 21 organiza dossiê sobre a vida e obra de Leon Trotsky

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Em agosto de 2020, completaram-se 80 anos do assassinato de Lev Davidovich Bronstein (1879-1940), mais conhecido por Trotsky, concluindo tragicamente um longo período de exílio e perseguição política promovida pelo governo da URSS, sob o comando de Josef Stalin (1878-1953).

A perseguição a Trotsky e aos militantes comunistas que se organizaram, primeiramente, na Oposição de Esquerda e, depois, na IV Internacional Comunista, chegou ao ponto de o Comintern proibir qualquer relação ou contato com os adeptos do trotskismo. Trotsky e os trotskistas foram sistematicamente estigmatizados ao longo do século XX e, até o presente, esta perspectiva sectária ainda se manifesta em parte da cultura comunista em todo o mundo.

Em geral, Trotsky é facilmente reconhecido como um opositor político de Stalin, mas raramente são, de fato, conhecidos o seu papel durante a Revolução Russa e suas análises sobre a URSS e seu regime político. Contudo, a discussão sobre a natureza do regime soviético e a proposta de sua superação são, a rigor, suas principais contribuições ao marxismo do século XX.

Trotsky entendia o stalinismo mais do que um mero governo de Stalin, mas como um fenômeno social de raízes profundas: uma ditadura bonapartista em um Estado proletário economicamente atrasado e internacionalmente isolado e sitiado que, politicamente, atuava para a perpetuação dessa situação ao sabotar e trair processos revolucionários em outros países, daí decorrendo consequências nefastas para a transição da URSS ao socialismo.

Entre suas outras contribuições, destacam-se a sua teoria do desenvolvimento desigual e combinado, e a teoria da revolução permanente a ela atrelada, que consiste em uma elaborada análise dialética do desenvolvimento capitalista em sua fase imperialista e das consequências deste para as possibilidades e limites de desenvolvimento político e econômico impostos aos países da periferia capitalista. É uma elaboração que, como interpretam alguns trotskistas, pode ajudar a compreender os aspectos da conjuntura atual, marcada pela degradação do regime democrático-burguês vigente em um contexto internacional de crise permanente da ordem capitalista.

Também de particular atualidade seria a análise sobre o fascismo, onde Trotsky formulou uma definição precisa do fenômeno, particularmente do caso alemão, e delineou formas de combatê-lo.

Além disso, são também muito importantes a sua proposta de uma arte revolucionária, mas que não se submetesse ao controle do Estado socialista; e, suas análises sobre a política de colaboração de classes defendida pelo stalinismo na Espanha e França dos anos 1930, através da linha da “Frente Popular”.

Infelizmente, a maioria da vasta obra de Trotsky não se encontra traduzida para o português e, entre o que há disponível em nossa língua, ademais, há muitos materiais que não estão disponíveis online. O mesmo se aplica às suas principais biografias, escritas por Isaac Deutscher, Pierre Broué e Jean Jacques-Marie, e às obras de comentadores. Por isso, inserimos links para acervos online mais completos, em língua inglesa e espanhola.

Também acrescentamos grande número de textos e materiais acadêmicos dedicados à compreensão do movimento trotskista, uma vez que ainda existe mais mito do que conhecimento sobre ele. Como é de se imaginar, a grande maioria dos materiais disponíveis em português – com algumas exceções – está dedicada à história do trotskismo no Brasil. Por isso, também inserimos links para alguns acervos online em língua inglesa e espanhola, que contêm um volume maior de materiais sobre o movimento trotskista internacional e em outros países.

Por fim, incluímos também diversos materiais audiovisuais sobre Trotsky e o trotskismo, que ajudam sobremaneira na divulgação do que se conhece hoje sobre os temas.

A Editoria é grata a Marcio Lauria Monteiro, pesquisador que colaborou ativamente com a organização deste dossiê; novas matérias pertinentes ao tema, a nós enviadas, poderão ser incluídas no dossiê.

Editoria

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1) Obras e textos de Leon Trotsky

Acervo online de livros, textos e cartas no Arquivo Marxista na Internet (português)

Acervo online de livros, textos e cartas no Arquivo Marxista na Internet (inglês – muito mais material disponível)

Acervo online de livros, textos e cartas no Arquivo Marxista na Internet (espanhol- muito mais material disponível)

Obras completas em versão pdf (inglês, espanhol e algumas em português)

Balanço e Perspectivas, edição online

A Revolução Permanente (introdução e teses de síntese), edição online

Aonde vai a França?, edição online da editora Desafio

Programa de Transição, edição online da editora Sundermann

La lucha contra el fascismo (coletânea), edição online da editora Sedov/Germinal (espanhol)

Escritos latinoamericanos (coletânea), edição online da editora CEIP (espanhol)

A Revolução Traída, edição escaneada da editora Global (1980):

História da Revolução Russa (3 vol), edição digital da Biblioteca do Senado

2) Trabalhos sobre Trotsky

Coleção da revista Cahiers Léon Trotsky, 1979-2003 (francês)

Coleção da revista Revolutionary History (inglês)

ARAÚJO FILHO, José Gonçalves de. O sentido do sindicalismo na tradição marxista: a educação na fronteira das lutas políticas e econômicas e ideológicas.

ARCARY, Valério. Sobre a crise histórica do capital: o debate sobre o bloqueio das forças produtivas no Programa de Transição. Revista História e Luta de Classes, Ano 14, n. 27, Março de 2019.

BENOIT, Hector. O Programa de Transição de Trotsky e a América

BIANCHI, Álvaro. O Marxismo de Leon Trotsky – notas para uma reconstrução teórica. Ideias, v. 14, p. 57-99, 2007.

BIANCHI, Alvaro. O primado da política – revolução permanente e transição. Revista Outubro, n. 5, 2001.

COGGIOLA, Osvaldo. “Stalin” de Leon Trotsky – Trotsky, Stalin e a burocracia da URSS.

COGGIOLA, Osvaldo. O assassinato de Trotsky à luz da história. Revista de História, 1999.

COGGIOLA, Osvaldo. O assassinato de Trotsky. site A Terra é Redonda, 2020.

COGGIOLA, Osvaldo. Trotsky e o “Programa de Transição”. 

COGGIOLA, Osvaldo. Trotsky, a ascensão do nazismo e o papel do stalinismo 

DANTAS, Gilson. O stalinismo, a esquerda e o legado de Trotski 

DANTAS, Gilson. Trotski e a III Internacional: alguma lição de estratégia para hoje 

DANTAS, Gilson. Trotski e a potência dos sovietes. Parte 1 Parte 2

DANTAS, Gilson. Como Trotski explica a vitória do fascismo na Itália.

DANTAS, Gilson. Por quê revisitar Trotski: sua atualidade para as lutas atuais.

DANTAS, Gilson. O general Dimitrov e o eterno revolucionário Trotski

DANTAS, Gilson. Porque o estudo de Trotski pode ajudar a pensar a crise econômica de hoje

DANTAS, Gilson. Trotski e o debate econômico: a novidade do seu foco metodológico

DANTAS, Gilson. Trotski e a defesa da democracia

DANTAS, Gilson.Trotsky e o homem novo

DEMIER, Felipe Abranches. Do movimento operário para a universidade: León Trotsky e os estudos sobre o populismo brasileiro. Dissertação de Mestrado em História)

DEMIER, Felipe. A lei do desenvolvimento desigual e combinado de León Trotsky e a intelectualidade brasileira. Revista Outubro, n. 16, 2007.

DEMIER, Felipe. Totalidade e internacionalismo em León Trotsky. Marx e o Marxismo, v. 6, n. 10, 2018.

DEMIER, Felipe. Trosky e os estudos sobre o populismo brasileiro. Revista Outubro, n. 13, 2005.

FELIX, Antonio Ferreira. A educação no horizonte da transição ao socialismo: lições da luta de classes e do internacionalismo – Doutorado em educação

FREITAS, Daniel Almenteiro Gomes de. Em Defesa do Trotskismo: uma Análise da lei do Desenvolvimento Desigual e Combinada

GONÇALVES, Maurício Bernardino. Desenvolvimento do sistema do capital e teorias de transição em Trotski e Mészáros

JUSTO, Saymon de Oliveira. O pensamento militar de León Trotsky e a formação do Exército Vermelho: 1918-1925′ 01/05/2012 153 f. Mestrado em HISTÓRIA.

LOPES, Tiago, GUIMARÃES Jr, Mário. O Desenvolvimento Desigual e Combinado paralelos entre as obras ‘História da Revolução Russa’ de Trotsky e ‘Dialética da Dependência’ de Ruy Mauro Marini. REBELA, v.6, n.2. mai./ago. 2016.

LÖWY, Michael. A teoria do desenvolvimento desigual e combinado. Revista Outubro, n. 1, 1998.

MAESTRI, Mário. Há 80 de seu assassinato: Trotsky e seus três biógrafos. Blog da Revista Espaço Acadêmico, 29/06/2020.

MELO, Franklin Rabelo de. Incidências trotskistas em Caio Prado Júnior, Ruy Mauro Marini e Florestan Fernandes. Mestrado Em Política Social. UnB

MONTEIRO, Marcio Lauria. As análises de Leon Trotski sobre a URSS e o stalinismo. Verinotio, v. 23, p. 176-207, 2017.

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SEGRILLO, Ângelo. O conceito de revolução permanente em Trotski e Lenin. Revista Tempos Históricos v. 5-6, 2003-2004.

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SILVA, Edison Menezes Urbano Da. Guerra e revolução em Weber e Trotski: política imperialista e internacionalismo marxista no contexto da Primeira Guerra Mundial

SILVA, Rosecler Aparecida da. A fundação por uma arte revolucionária independente: um debate sobre a vanguarda artística. Mestrado em teoria e história literária. Unicamp 

3) Trabalhos sobre o movimento trotskista

Coleção da revista Cahiers Léon Trotsky, 1979-2003 (francês): Coleção da revista Revolutionary History (inglês):

Coletânea de documentos dos trotskistas brasileiros: Na Contracorrente da História Resoluções e Documentos da Liga Comunista Internacionalista 1930-1933 

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ANDRADE, Everaldo de Oliveira. Mário Pedrosa, o golpe de 1964 e a ditadura. Verinotio n. 17 (2013) 

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ARANTES, O. B. (1980). Mário Pedrosa, um capítulo brasileiro da teoria da abstração. Discurso, (13), 95-134. 

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BATISTA, Carlos Prado. Partidos e sindicatos. O PCB, a Oposição de Esquerda e o movimento operário no Brasil 1922-36. Tese de Doutorado em História, UFF, 2019 

BIANCHI, Álvaro. É possível escrever a história recente dos trotskismos brasileiros? Perseu (São Paulo), v. 8, p. 361-380, 2012.

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DEMIER, Felipe. Um pouco sobre nossos antepassados: a tradição trotskista no Brasil (parte I). Blog Convergência

DEMIER, Felipe. Um pouco sobre nossos antepassados: a tradição trotskista no Brasil (parte II). Blog Convergência

DEMIER, Felipe. Um pouco sobre nossos antepassados: a tradição trotskista no Brasil (parte III). Blog Convergência

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GALLINDO, José Felipe Rangel. O Trotskismo no campo em Pernambuco: o Jeremias das caminhadas. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal de Pernambuco, 2010.

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SILVA, Antonio Ozai da. História das tendências no Brasil. Origens, cisões e propostas. São Paulo: Proposta Editorial, 1987.

4) Arquivos

Soviet history: archival resources at Harvard University library and archives

Instituto del Pensamiento Socialista Karl Marx (Argentina)

Trotskyana Net (massivo levantamento de material de e sobre Trotsky e o trotskismo, em diversas línguas)

Site Splits & Fusions (acervo online de materiais de grupos trotskistas ingleses):

Asociation RaDAR (acervo online de materiais da Quarta Internacional e do Secretariado Unificado)

Encyclopedia of Trotskyism Online (acervo online de materiais do movimento trotskista, com destaque para grupos dos EUA e Inglaterra):

Acervo online do CERMTRI (ligado à tradição “lambertista”)

Archivo Leon Trotski (acervo online ligado à tradição “morenista”):

5) Material audiovisual

Leon Trotski – 75 anos (Seminário na Universidade de Brasília, 2015):

O assassinato de Trotsky e a lata de lixo na história (TV Brasil, 2016):

Entrevista de Esteban Volkov à TV Brasil (2016):

Entrevista de Esteban Volkov ao Esquerda Online (2016):

Mesa redonda O marxismo dos trotskistas: história, teoria e prática” (Colóquio Internacional Marx e o Marxismo 2015, NIEP UFF):

Esteban Volkov sobre “A vida de Trótski” (seminário Boitempo, 2017):

Mesa redonda Trotski e a oposição ao stalinismo (Seminário Internacional 100 anos da Revolução Russa PUC-SP, 2017)

Colóquio Internacional Marx e Engels (CEMARX Unicamp 2018):

Seminário Leon Trotski (NEHTIPO PUC-SP, 2019):

O marxismo de Leon Trotski, Ruy Braga (Curso “Marx e os marxismos” 2019, Boitempo)

Seminário Online 80 Anos dos Assassinato de Trotsky (Canal Pela Manhã / Allamatiina, 2020):

Evento online Trótski em Permanência (2020):

#TRÓTSKI2020 uma homenagem nos 80 anos de seu assassinato (Esquerda Diário, 2020)

Ato-live 80 anos sem Trotsky (Esquerda Online, 2020):

Canal do portal Esquerda Diário, com vários vídeos sobre Trotsky:

fecho

Este dossiê foi inicialmente publicado pelo Marxismo 21 [Aqui!].

Após ter conta do Twitter bloqueada, Ricardo Salles sofre derrota no STF e proteção aos manguezais e restingas volta a valer

Esta quinta-feira (29/10) não deve estar sendo das melhores para o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles. Primeiro a conta oficial de Salles foi bloqueada na rede social Twitter por um tweet que foi considerado (e era) de baixo nível contra o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ).

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Mas a pior notícia do dia acaba de sair no sistema do Supremo Tribunal Federal (STF) com a decisão da ministra Rosa Weber de deferir “o pedido de liminar, ad referendum do Tribunal Pleno, para suspender , até o julgamento do mérito desta ação, os efeitos da Resolução CONAMA nº 500/2020 , com a imediata restauração da vigência e eficácia das Resoluções CONAMA nºs 284/2001, 302/2002 e 303/2002”.

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Com isso, voltam a valer as proteções que foram revogadas por Ricardo Salles em relação às áreas de manguezais e de restinga. A questão, como sempre é, se refere à condição interina da decisão de Rosa Weber que ainda terá de ser avaliada pelo pleno do STF. Entretanto, mesmo o caráter liminar da decisão já representa um freio ao processo de desmanche das legislações ambientais brasileiras, especialmente no que se refere a ecossistemas tão sensíveis como os desprotegidos pela Resolução No. 500 que Ricardo Salles fez aprovar no CONAMA remodelado por ele para aprovar este tipo de absurdo.

Por isso, como em tantas outras situações criadas pelo governo Bolsonaro, não há nada mais a fazer do que se preparar para ampliar a resistência, visto que figuras como Ricardo Salles são incansáveis nos seus esforços de destruição das proteções sociais e ambientais existentes no Brasil.

Nas próximas eleições do ANDES-SN, a chapa 1 melhor representa o caminho da luta em defesa da educação

apoio chapa 1

Nos últimos anos as eleições para o ANDES-SN tem se revestido de grande importância, na medida em que o sindicato que representa os interesses dos docentes de ensino superior no Brasil, tanto em nível público como privado, se tornou um dos bastiões do sindicalismo autônomo e comprometido com a luta dos trabalhadores brasileiros.

Este caráter tem se preservado em meio a tentativas de “domesticação” e subordinação do ANDES-SN a uma forma de praticar sindicalismo que só tem causado profundas derrotas ao conjunto da classe trabalhadora brasileira, pois em nome do que seria uma nova forma de agir, abre-se mão do enfrentamento com governos que paulatinamente têm avançado a destruição do ensino público e buscado tornar a educação superior totalmente privada e inacessível aos jovens oriundos da classe trabalhadora.

Na eleição que irão ocorrer entre os dias 03 e 05 de Novembro, o destino do ANDES-SN estará sendo novamente decidido com a participação de duas chapas no pleito, sendo que a necessidade de manter levantada inequivocamente as bandeiras históricas do movimento docente deveria guiar a opção dos eleitores na hora da sua decisão.

Este é um momento decisivo na história do ANDES-SN, e por isso considero que o voto na chapa 1 é a melhor opção para manter o nosso sindicato na defesa intransigente da educação pública brasileira.

Quem desejar ler o manifesto de lançamento da chapa “Unidade para Lutar”, basta clicar [Aqui!].

Miguel Nicolelis debate ciência, Covid-19 e comunicação

Um dos neurocientistas mais renomados do mundo participa nesta quinta-feira (29) de webinar transmitido pela In Press Oficina

Miguel Nicolelis

O médico neurocientista Miguel Nicolelis. (Foto: Leticia Moreira/Folhapress)

Considerado pela Scientific American um dos 20 cientistas mais influentes do mundo em sua área, o neurocientista Miguel Nicolelis participa nesta quinta-feira (29) do webinar Arena de Ideias, com o tema “Cérebro, o criador do universo e a Comunicação”. Nicolelis vai abordar a importância da ciência para a Humanidade, incluindo a discussão sobre a vacina da Covid-19 e a possível segunda onda da doença.

Professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis é autor do livro “O Verdadeiro Criador de Tudo – Como o Cérebro Humano Esculpiu o Universo como Nós o Conhecemos”, no qual propõe que o cérebro humano é o verdadeiro criador do universo. O neurocientista também defende que a inteligência artificial jamais será capaz de superar o cérebro humano e compara as fake news a uma “batalha da informação”.

Participam da roda de entrevista a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, especialista em gestão de crise; a diretora de Curadoria e Novos Produtos, Míriam Moura; e a Diretora de Relacionamento com o Poder Público, Fernanda Lambach.

O bate-papo será transmitido às 10h30, pelo canal da In Press Oficina no youtube. Faça sua inscrição pelo link http://bit.ly/31KiMC8

Sob intensa pressão, Bolsonaro recua de decreto para privatização da UBS. Mas a pauta continua posta

bolsonaro 1Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto. Por ADRIANO MACHADO

Os veículos da mídia corporativa estão noticiando que o presidente Jair Bolsonaro acaba de anunciar que irá revogar o Decreto No.10.530 de 26 de outubro de 2020 em função da repercussão altamente negativa que o anúncio do início da privatização do Sistema Único de Saúde causou em diversos segmentos da sociedade brasileira.

Essa tática de recuar rapidamente após jogar um mega bomba em meio a uma pandemia letal em que a necessidade de uma sistema público de saúde ficou clara no mundo inteiro não deve servir para enganar ninguém.

bolso pazuello

General Pazuello toma posse no ministério da Saúde ao lado do presidente Jair Bolsonaro.  Por Marcelo Camargo/Agência Brasil

A verdade é que ainda esta tarde o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, havia jogado sobre as costas do general Eduardo Pazuello o custo político de haver demandado a implantação de uma medida de que se provou altamente impopular.

Mas a verdade é que o objetivo básico do decreto já foi alcançado pelo governo Bolsonaro. Esse objetivo era simplesmente colocar na pauta política a privatização de um sistema de saúde que está garantido pela Constituição Federal de 1988 como sendo universalmente gratuito.

Essa bomba semiótica se combina com outra lançada pelo indescritível Ricardo Barros (PP/PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara de Deputados que na última segunda-feira (26/10) havia proposto a realização de uma assembleia nacional constituinte para escrever uma nova constituição federal, visto que a de 1988 seria uma “que só tem direitos” e que  “torna o Brasil ingovernável”. 

O centro de toda essas manobras aparentemente despropositadas é sedimentar a ideia de que precisamos ter uma profunda reforma do Estado que remova todos os direitos que estão garantidos na Constituição de 1988. Esse, aliás, é o projeto com o qual Jair Bolsonaro foi acolhido pelas elites financeiras e pelos latifundiários como o candidato que defenderia um processo de destruição das garantias sociais existentes no Brasil.

Por isso, antes de que alguém queira celebrar o último recuo de Jair Bolsonaro, é bom lembrar que todas essas aparentes sandices irão emergir com força logo após as eleições municipais. A profundidade e a ferocidade dos ataques que virão dependerão dos resultados das eleições, mas não apenas deles.

O governo Bolsonaro publica decreto para iniciar privatização do SUS em plena pandemia da COVID-19

pandemia

Em uma demonstração de que não há limite para a sanha privatizante comandada pela dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, o governo federal fez publicar o Decreto No.10.530 de 26 de outubro de 2020 cujo mote é privatizar um número indefinido das 44 mil unidades básicas de saúde (UBS) existentes no Brasil, sem que o Ministério da Saúde tivesse sido ouvido. E isso, em plena pandemia da COVID-19!

Em um primeiro momento há que se entender que a UBS cumprem um papel estratégico que é o de garantir a capilarização do atendimento nos serviços públicos de saúde, fazendo alcançar as populações mais pobres e muitas vezes localizadas nas regiões mais periféricas das cidades brasileiras e das suas regiões rurais.

A privatização das UBS seria um papel gigantesco na universalização dos serviços públicos, o que, na prática, deixará de fora uma parcela muita significativa da população brasileira de qualquer tipo de assistência médica. E isso, pasmem, em um contexto histórico em que nunca se teve tanto trabalhador desempregado no Brasil. 

A reação inicial a essa proposta absurda está vindo de todos os quadrantes sociais, especialmente de especialistas e de entidades de saúde, o que muitos lerão como uma inviabilização da proposta de privatização do SUS. Eu já diria que o governo Bolsonaro está, mais usando, a tática de estabelecer metas aparentemente absurdas para serem rejeitadas, ocultando o objetivo real que depois é vendido com mais palatável. 

Em função dos riscos entranhados de que até parcela da dita oposição ao governo Bolsonaro aceite propostas que não sejam as mais aparentemente absurdas, não podemos deixar que esse ataque ao SUS fique sem resposta, como tem ficado a privatização da Petrobras, por exemplo. E é preciso ter claro que se um poderoso movimento de resistência não for criado por sindicatos, movimentos sociais e associações de moradores, a privatização do SUS ocorrerá. Tudo em nome do aumento do lucro das grandes instituições financeiras e aquela parcela de 1% dos brasileiros que vivem da especulação financeira.