Outubro registra 13.911 focos de queimadas na Amazônia

O mês também encerra com a marca de 101.215 focos de queimadas no acumulado do ano, número 33% maior do que foi registrado em todo 2021

unnamed (6)

O Greenpeace realizou sobrevoos no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e queimadas na Amazônia em julho de 2022. © Christian Braga / Greenpeace

Manaus, 1º de novembro de 2022 Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta terça-feira (1º) revelam que o mês de outubro, de 1º a 31 de outubro, registrou 13.911 focos de queimadas no bioma Amazônia, um aumento de 20,4% em relação ao mesmo mês de 2021. Os maiores números de focos foram registrados no estado do Pará com 7.469 (54% do total), seguido pelo Amazonas com 1.503 (11% do total), Maranhão que registrou 1.269 (9% do total), Acre com 1.127 (8% do total) e Mato Grosso com 903 (6%). Já no acumulado do ano, até o dia 31 de outubro, foram 101.215 focos de queimadas registrados.

Para Rômulo Batista, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, os números são mais um reflexo do “padrão Bolsonaro”, de destruição, resultado de uma visão retrógrada de desenvolvimento que acredita no usufruto dos recursos naturais de forma predatória e que não conversa com a necessidade de frear o desmatamento na Amazônia para conter a crise climática “É icônico que um dia antes do 2° turno das eleições foram atingidos 100.000 focos de queimadas na Amazônia. Isso é o reflexo de todo o descaso do atual governo com a floresta e seus povos. Agora com um novo governo eleito continuaremos trabalhando e cobrando, como fizemos durante todos os governos anteriores, para que a Amazônia, nossa maior riqueza seja protegida, seus povos respeitados e que a paz seja soberana na floresta.”

Os desafios que o governo eleito tem pela frente não são triviais e exigirão a absoluta reconstrução de tudo aquilo que foi enfraquecido pelo atual governo. Também sabemos que boa parte dos parlamentares eleitos para o Congresso Nacional continua representando ameaças à pauta social e ambiental. Será preciso que os compromissos assumidos pelo governo Lula saiam do campo das promessas e sejam concretizados.

Dentre esses desafios, está a reconstrução dos órgãos e as políticas ambientais de fiscalização, preservação e regeneração das nossas florestas e demais ambientes naturais; a garantia dos direitos, territórios e proteção dos povos indígenas e das comunidades tradicionais; a produção, distribuição e acesso dos brasileiros à comida de verdade, a um preço justo e sem veneno e recriação de espaços de participação da sociedade civil e a retomada do diálogo com os movimentos sociais.

No “Day after” das eleições, educação em alta e armas em baixa na Bolsa de Valores

bolso taurus

Com a corrida às armas disparada por Jair Bolsonaro ao longo do seu governo, a fabricante de armas Taurus acumulou taxas de lucros fabulosas

Se de algo valem as movimentações na Bolsa de Valores é interessante observar que no início do pregão desta segunda-feira, as ações da Taurus Armas e da Cogna Educação abriram em completa dissonância (ver imagens abaixo).

É que enquanto as ações da Taurus abriram em forte queda, as da Cogna Educação abriram em franca alta.  Ainda que ao longo do dia haja uma reversão do comportamento das ações da Taurus, o que este resultado inicial indica é que os “investidores” que estavam apostando (e o mercado de ações é isso) na força da corrida às armas que o atual presidente impulsionou, agora a aposta parece se dirigir no sentido de uma empresa de ensino.

Assim, ainda que o fortalecimento das ações da Cogna Educação não seja em si um bom sinal para quem preza pela educação de qualidade, não deixa de ser interessante notar o reconhecimento por parte daqueles que operam na especulação financeira via o mercado de ações que Lula não será tão próximo da Taurus quanto Jair Bolsonaro está sendo.

E só por isso a eleição de Lula já valeu a pena. Afinal, como o próprio Lula já disse, o que se deseja é que no Brasil se aposte na força dos livros e não das armas.

Para sorte do Brasil, Jair Bolsonaro perdeu a eleição mais roubada em quase 100 anos

bolso forte

Ainda sem realizar muitas análises do impacto feito pelos bloqueios ilegais realizados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) cujo objetivo explícito era impedir o acesso de eleitores de Luís Inácio Lula da Silva às mesas de votação, eu não hesito em dizer que Jair Bolsonaro perdeu uma partida onde tinha grande parte da equipe de arbitragem (com direito a assessoria de palco do “juiz ladrão”), mas também os meios para controlar as condições do campo onde a partida foi realizada.

Com certeza os historiadores ainda registrarão todos os elementos singulares que marcaram a eleição que acaba de ser vencida de forma inquestionável pelo ex-presidente e presidente eleito Lula da Silva. Mas aqui é preciso lembrar que a vitória se deu sob a égide de duas PECs inconstitucionais, bilhões de reais distribuídos na forma de auxílios, da manipulação dos preços dos combustíveis, e ainda com a distribuição descontrolada de recursos públicos via o chamado “Orçamento Secreto”.

Como alguns comentadores já expuseram, estas foram as eleições mais roubada em quase 100 anos, e mesmo assim Jair Bolsonaro se tornou o primeiro presidente a ser derrotado no cargo enquanto controlavam a máquina e o dinheiro públicos. Desta forma, a derrota se apresenta ainda como a mais vergonhosa que algum presidente já teve na história da república brasileira. 

Mas, convenhamos, o que esperar de um político que viveu sob a égide de esquemas em que a manhas e artimanhas sempre caminharam de mãos dadas?  Como o próprio Jair Bolsonaro sempre revelou que de democrata ele nunca teve nada, apenas só os mais ingênuos ainda poderiam se surpreender com tantas cotoveladas e socos abaixo da cintura que foram disparados ao longo da campanha que se encerrou ontem.

Lula, uma figura histórica

lula gigante

Um reconhecimento óbvio é que Jair Bolsonaro só perdeu ontem porque o adversário se chamava Lula. É que qualquer outro candidato teria sido derrotado. A verdade é que sem a estatura política de Lula não haveria como derrotar as forças do Estado que Jair Bolsonaro instrumentalizou para se manter no poder.

Não é pouca coisa para uma pessoa nascida na mais completa miséria e que se elevou na vida política brasileira para já ocupar, aos 77 anos, um lugar na história do Brasil. E o mais impressionante é que agora Lula terá que responder aos difíceis desafios de assumir a presidência na esteira de um processo de desmanche de políticas públicas nunca antes visto na história deste país. Ah, sim!, há que se lembrar que Jair Bolsonaro apostou todas as suas fichas no desmanche do Estado, apenas para usar suas estruturas para manter a si e à sua família aferroados ao poder.

Por tudo o que marcou esta eleição, Lula se elevou ainda mais no grau de importância histórica. Caberá a ele agora a realizar uma difícil transição administrativa, pois, com certeza, receberá mais problemas do que soluções quando assumir o poder em janeiro de 2023.

E antes que eu me esqueça, volto a uma frase do senador Cid Gomes na campanha de 2018, apenas com um ajuste histórico: apesar de toda a roubalheira, o Lula está eleito, babaca!

No dia de hoje, o mote tem que ser “É o salário-mínimo, estúpido!”

guedes bolso 1

Reportagem da Folha de São Paulo revelou os planos sinistros de Paulo Guedes contra o salário-mínimo, aposentadorias e pensões, no que seria um brutal ataque à condição de vida dos pobres brasileiros

Em 1992 durante a campanha presidencial de Bill Clinton em que ele concorria contra George Bush pai, um dos seus principais estrategistas de campanha, James Carville, cunhou a frase que definiria a forma pela qual a mensagem de mudança se daria. Carville cunhou a famosa frase “It´s the economy, stupid” (ou em português; É a economia, estúpido!).

Pois bem, 30 anos depois temos uma eleição marcada por uma gigantesca compra de votos e uso do aparelho do Estado para dar uma mão gigantesca para que Jair Bolsonaro seja reeleito. O emprego de uma gigantesca fábrica de fake news empurrou o debate para o campo dos costumes até a penúltima semana de campanha quando uma matéria da Folha de São Paulo revelou os planos de arrocho econômico contra trabalhadores, aposentados e pensionistas que estavam sendo gestados na encolha pelo ministro Paulo Guedes.

Repentinamente, a campanha eleitoral saiu do campo dos costumes para o salarial, especialmente porque um dos alvos preferenciais de Paulo Guedes é o salário-mínimo, fonte de sustento de pelo menos 70 milhões de brasileiros que hoje se equilibram para não passar fome, como já ocorre com 31 milhões de nossos compatriotas.

Pois bem, essa mudança de pauta foi, provavelmente, o marco de uma mudança na tendência no aperto estatístico que o governo Bolsonaro estava conseguindo a partir de um derrame de recursos públicos na forma de distribuição de auxílios, mas que objetivamente era uma forma estatal de compra de votos.

Passando do campo dos costumes para o “É o salário-mínimo, estúpido”, o avanço de Jair Bolsonaro desacelerou e o ex-presidente Lula chega hoje com boas chances de vitória. Tanto isso é verdade que ontem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre Moraes, teve que desarmar uma bomba preparada pelo ministro de Justiça na forma de operações de coerção de livre movimentação de eleitores, especialmente no Nordeste. Essa operação de última hora envolvendo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal (PF) aparentemente se destinava a aumentar a abstenção na região onde Lula terá uma maioria expressiva de votos. O nome disso, sem tirar nem pôr, é repressão ao direito de voto dos brasileiros.

Agora é esperar que as manobras desesperadas do governo Bolsonaro não resultem no aumento da abstenção e que a maioria expressa nas pesquisas se transforma em realidade nas urnas.

Mas não esqueçam, caso Lula vença, de enviar um agradecimento às jornalistas que trouxeram à luz os planos macabros de Paulo Guedes contra os trabalhadores, aposentados e pensionistas brasileiros.

Deputada bolsonarista Carla Zambelli faz perseguição armada contra jornalista negro nas ruas de São Paulo

zambelli 1

Com pistola em punho, a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL/SP) persegue um jornalista negro após discussão em ambiente público

Há uma semana atrás, o ex-deputado federal Roberto Jefferson deu 50 tiros e atirou 3 granadas contra uma equipe da Polícia Federal que fora enviada até a sua casa para prendê-lo. O fato causou um grande embaraço para o presidente Jair Bolsonaro de quem Jefferson é amigo de longa data e um forte apoiador nas redes sociais.

Pois bem, hoje a menos de 24 horas do início do segundo turno das eleições presidenciais, outra aliada próxima de Jair Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli (PL/SP) protagonizou cenas dantescas ao perseguir com uma pistola na mão um jornalista negro com quem teve um entrevero verbal (ver vídeo abaixo).

O problema é que não apenas existe uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que civis não portem armas neste momento, Zambelli, o que se pode chamar de “Bolsonarista raiz”, já disse que desobedeceu conscientemente a determinação do TSE, o que configura o cometimento de um crime.

A campanha de Jair Bolsonaro já está tendo se distanciar de Zambelli como, aliás, já fez com Roberto Jefferson. O problema é que a cenas de perseguição armada onde foram dados tiros em um momento de grande circulação na rua onde o fato ocorreu já viralizaram. Essa “viralização”  já tornou as ações da deputada bolsonarista um fato de conhecimento nacional. Assim, se Jair Bolsonaro ainda tinha esperanças de atrair votos dos “indecisos”, pelo jeito agora a coisa ficou bem mais difícil.

É que, convenhamos, se uma apoiadora tão emblemática como Carla Zambelli protagonizou essas cenas em ambiente público, criando uma conexão indesejável com o candidato/presidente.

No domingo, o voto em Lula é um voto em defesa da universidade pública, patrimônio dos trabalhadores brasileiros

lula

Neste próximo domingo estaremos diante de duas possibilidades de voto para o próximo presidente do Brasil. Posto abaixo a minha mensagem gravada em defesa não apenas da necessidade de se votar no ex-presidente Lula, mas também de que todos os que entendem a gravidade da situação que vivemos neste momento no Brasil trabalhem para garantir a maior quantidade possível de votos no candidato do Partido dos Trabalhadores.

Lembro que não se ganha eleição com resultados de pesquisas, mas com a ação incansável para convencer as pessoas a irem votar no domingo no único candidato que poderá nos ajudar a sair do caos social e econômico em que o Brasil se encontra neste momento.

Como eu disse no vídeo, como professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, tenho a completa certeza de que se ainda estivessem vivos, Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Oscar Niemeyer também estariam trabalhando pela eleição de Lula. É que simplesmente o outro candidato e atual presidente do Brasil representa tudo o que eles lutaram contra em suas ilustres vidas. 

Finalmente, o voto em Lula é acima de tudo em defesa dos trabalhadores brasileiros e das universidades públicas.

 

Lula reduziu desmatamento da Amazônia em 70%; aumento em anos de Bolsonaro é de 73%

O governo do petista pegou uma das maiores taxas da história quando assumiu o primeiro mandato, em janeiro de 2003, mas entregou índice em queda vertiginosa para a sucessora Dilma Rousseff. Já Jair Bolsonaro assumiu o mandato em janeiro de 2019 com uma tendência de alta e, com a paralisação e retrocesso de medidas contra a perda de floresta, os números retrocederam em 15 anos.

bolso fogo

No domingo (16), Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) se enfrentaram em um novo debate na Band, duas semanas antes do segundo turno. Os candidatos trocaram acusações e confundiram a cabeça do telespectador.
 

Lula disse: “Foi no nosso governo o menor desmatamento da Amazônia”.

Bolsonaro rebateu: “No seu governo foi desmatado mais do que o dobro do que o meu”.

Lula respondeu: “Quando eu ganhei as eleições tinha um desmatamento de 27 mil quilômetros. Caiu para quatro mil quilômetros”.

Quem falou a verdade? Vamos aos fatos:

Entre 2002 (21,6 mil km²) e 2011 (6,4 mil km²), mandato de Lula até a posse de Dilma Rousseff (PT), a taxa de desmatamento diminuiu 70,3%. Já entre 2018 (7,5 mil km²) e 2021 (13 mil km²), que inclui os primeiros três anos do governo de Jair Bolsonaro, ocorreu uma alta de 73,3%, segundo os dados oficiais do Prodes, Projeto para o mapeamento oficial das perdas anuais de vegetação nativa na Amazônia Legal, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entre 2002 (21,6 mil km²) e 2011 (6,4 mil km²), mandato de Lula até a posse de Dilma Rousseff (PT), a taxa de desmatamento diminuiu 70,3%. Já entre 2018 (7,5 mil km²) e 2021 (13 mil km²), os primeiros três anos de Jair Bolsonaro, ocorreu uma alta de 73,3%.

Com relação à área de floresta, Jair Bolsonaro (PL) diz que durante o governo Lula o desmatamento foi “mais do que o dobro”. Ele faz um recorte injusto, já que o candidato do PT governou por oito anos, enquanto ele por 4. Se ambos tivessem taxas de desmate ano a ano iguais, Lula ainda assim teria o dobro de floresta perdidas no total devido à quantidade de tempo no governo.

Neste caso, é importante levar em conta a média do período: foram 8 anos de governo Lula e 15,7 mil km² por ano, em média — no governo de Bolsonaro, foram 3 anos e uma média de 11,3 km² por ano. Ou seja: o índice não é o “dobro” e o candidato do PL também não esclarece que Lula recebeu uma taxa altíssima, o que eleva a média, mas a transforma na menor da história.

O menor desmatamento da Amazônia

O primeiro mandato do governo Lula, que tomou posse em janeiro de 2003, recebeu uma taxa de 25,4 mil km² da gestão anterior. O Brasil vivia taxas altíssimas de desmatamento, sendo que um ano depois, em 2004, o registro continuou subindo: foram 27,8 mil km², número a que se referiu o candidato do PT durante o debate.

Com a chegada de Lula, Marina Silva assumiu como ministra do Meio Ambiente também em janeiro de 2003. Em 3 de julho daquele ano, um decreto instituiu o Grupo Permanente de Trabalho Interministerial (GPTI), que chegou a ser composto por 17 ministérios e esteve sob coordenação da Casa Civil. A equipe elaborou o PPCDam, Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal.

Lançado em 2004, o PPCDAm tinha 3 eixos principais para combate ao desmatamento: ordenamento fundiário e territorial; monitoramento e controle; fomento às atividades produtivas e sustentáveis.
 Em resumo, de forma bastante simplória e até mesmo injusta com a complexidade do programa, ele foi um esforço coletivo e político para a demarcação e a destinação de terras, para aumentar as ferramentas de dados e a fiscalização em campo, além de ter uma política clara contrária aos crimes ambientais.

Clarissa Gandour, colunista do PlenaMata, doutora em Economia pela PUC-Rio e coordenadora de Avaliação de Política Pública para Conservação no Climate Policy Initiative/PUC-Rio, está entre as especialistas que defendem a eficiência do programa. Em texto de novembro de 2021, ela diz: 

“O PPCDAm inaugurou uma nova abordagem para lidar com o desmatamento na Amazônia. Foi pioneiro não apenas em conteúdo, ao introduzir instrumentos inovadores de política pública, mas também em forma, ao considerar o combate ao desmatamento como uma responsabilidade interministerial e não apenas do Ministério do Meio Ambiente”.
 

O PPCDAm inaugurou uma nova abordagem para lidar com o desmatamento na Amazônia. Foi pioneiro não apenas em conteúdo, ao introduzir instrumentos inovadores de política pública.

Clarissa Gandour, colunista do PlenaMata, doutora em Economia pela PUC-Rio e coordenadora de Avaliação de Política Pública para Conservação no Climate Policy Initiative/PUC-Rio

Retomando a primeira fala de Lula: “Foi no nosso governo o menor desmatamento da Amazônia”. O candidato falou a verdade porque preferiu falar “nosso” governo, no lugar de “meu” governo. Apesar de pegar a maior taxa da história, os 27,8 mil km², o governo do PT conseguiu atingir 4,6 mil km² de desmatamento em 2012 (segundo ano de Dilma). Esse é o menor índice da série do Prodes, monitoramento anual do Inpe.
 

Retomada

Jair Bolsonaro (PL) assume o cargo em 2019 já com uma tendência de alta nas taxas de desmatamento. No entanto, segundo analistas e especialistas já entrevistados pelo PlenaMata, uma série de medidas contribuíram para uma alta sequencial ainda maior no índice.

Entre as mais simbólicas, está a chegada de Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente que, em seu primeiro ato no governo, já extinguiu a secretaria à qual o PPCDam estava vinculado.

De 2019 a 2021 – a taxa anual de 2022 do Prodes ainda não foi divulgada, já que geralmente os dados são liberados em novembro – a gestão de Bolsonaro consolidou uma alta de 73% no desmatamento na Amazônia Legal.

Além disso, o principal órgão fiscalizador do governo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama Autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente responsável por fiscalização, licenciamento e outras funções na área ambiental.) foi desmontadotanto em número de autuações, com uma queda de 23% ainda em 2019, quanto em ações efetivas em campo e na aplicação das multas. Bolsonaro chegou a dizer a ruralistas que negociou “uma limpa” no Ibama e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBioAutarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente responsável por ações ligadas ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação.).

Em 2022, enquanto a campanha eleitoral acontece, a perda de floresta segue batendo recordes. Apesar de a taxa anual de desmatamento ainda não ter sido divulgada, é possível medir a “temperatura” da destruição com os alertas emitidos pelo sistema Deter, também do Inpe. Em setembro, 1.455 km² foram desmatados  o número é 48% maior que o registrado no mesmo período do ano passado e é a pior taxa da série histórica para o mês desde o início do monitoramento.

Os dados anuais também não são positivos: o acumulado de alertas de desmatamento em 2022 já é o maior da série histórica do Deter — foram 8.500 km² desmatados de janeiro a setembro de 2022 na Amazônia. Nesses 9 meses, o país teve mais derrubadas do que durante todos os 12 meses de 2021. Além disso, nesta quarta-feira (19), o Contador de Árvores Derrubadas.

Ferramenta desenvolvida pelo MapBiomas/PlenaMata que estima em tempo real quantas árvores são derrubadas na Amazônia Legal brasileira

do PlenaMata ultrapassou a marca de 500 milhões de árvores derrubadas na Amazônia.

Contador do PlenaMata traz estimativa em tempo real de árvores derrubadas na Amazônia Legal. No fechamento desta reportagem, em 19 de outubro, marcava 502 milhões de árvores derrubadas por desmatamento em 2022.


O PlenaMata leu os planos de governo de Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Depois, compartilhou os trechos relacionados à Amazônia, principalmente, mas também conectados à pauta ambiental, com os especialistas Adriana Ramos, Ilona Szabó, Marcio Astrini e Beto Veríssimo. Leia as análises das propostas:


Reportagem do InfoAmazonia para o projeto PlenaMata.

No domingo, precisamos votar para derrotar Jair Bolsonaro e Paulo Guedes e seus planos nefastos contra o povo brasileiro

guedes bolso

Figura de proa na campanha eleitoral de 2018, o ministro da Fazenda Paulo Guedes repentinamente se viu forçado a sair das sombras que se encontrava na atual campanha para oferecer sua visão de futuro para o Brasil, e eles não são nada bons para os pobres.  Forçado a isso pelas revelações trazidas à luz por reportagens da “Folha de São Paulo” e do “Estado de São Paulo”,  Paulo Guedes consegue a proeza de negar confirmando o que pretende fazer com a economia brasileiro, caso Jair Bolsonaro consiga se reeleger.

Além de desindexar o salário-mínimo, aposentadorias e pensões da inflação passada (o que objetivamente implicará em um confisco de renda de mais de 70 milhões de brasileiros pobres), Guedes também pretende acabar com as deduções no Imposto de Renda com gastos de saúde e educação, novamente prejudicando os segmentos mais pobres da população (veja o que Guedes pensa sobre aposentadorias no vídeo abaixo).

Mas esses confiscos são apenas perfumaria em relação aos planos de privatização do Banco do Brasil, da Petrobras e das universidades federais.  É o avanço dessas metas de desnacionalização completa e asfixia de qualquer possibilidade de o Brasil participar em condições minimamente competitivas da chamada Revolução Industrial 4.0 que realmente embala os planos de Paulo Guedes que aparentemente sonha com um país atolado em uma cultura neocolonial misturada com a especulação financeira globalizada.

Há que se dizer que economistas de amplas matizes (desde neoliberais até adeptos de maior participação direta do Estado na atividade econômica) consideram que Paulo Guedes é um ministro cujas políticas foram desastrosas para a economia brasileira, resultando em uma profunda regressão de todos os indicadores que são usados para medir a saúde da economia de um país.

Apesar disso, Jair Bolsonaro não dá nem uma sinalização de que pretenda mexer no posto ocupado por Paulo Guedes, mesmo porque a estas alturas ele teria dificuldade de encontrar qualquer pessoa disposta a sentar no lugar do seu “Posto Ipiranga”. É que o dano causado por Paulo Guedes é de tamanha monta que só outro presidente poderá ter a autoridade de implantar políticas que possam tirar o Brasil do atoleiro em que se encontra.

O Posto Ipiranga como o Waterloo de Bolsonaro

Por outro lado, há que se dizer que se Jair Bolsonaro perder as eleições no próximo domingo, isto se dará em grande parte pelo vazamento dos planos que Paulo Guedes tem para os próximos quatro anos. Curiosamente, o vazamento precoce de seus planos pode ter sido a centelha que deslocou o plano engenhosamente elaborado pela campanha de Bolsonaro.

O simples acesso a esses planos aparentemente causou uma paralisia no avanço que as pesquisas vinham notando nas intenções de votos de Jair Bolsonaro. Também, pudera, do pouco que vazou já se pôde visualizar o impacto que isto teria na vida dos brasileiros.

Assim, curiosamente, a pessoa que serviu como caução de  um claramente inepto Jair Bolsonaro em 2018, agora poderá ser a causa de sua derrota. E eu digo que ainda bem, pois o Brasil e a maioria pobre da sua população (mesmo aquela parcela que hoje vota em Jair Bolsonaro) não iriam sobreviver a mais quatro anos desta política de terra arrasada que só serve para aumentar uma concentração de renda que já era uma das maiores do mundo.

O estranho caso envolvendo Tarcísio Freitas em Paraisópolis: por que mandaram apagar as cenas de um episódio mortal?

tarcisio-globo

Será que sou o único a achar que existe algo muito esquisito no episódio envolvendo o ex-ministro Tarcísio Freitas em que uma pessoa foi morta a tiros na favela de Paraisópolis no dia 17 de outubro? Primeiro foi a tentativa de mostrar o ocorrido como um atentado político (no melhor estilo facada de Juiz de Fora), mas que teve de ser rapidamente abandonada porque a polícia paulista (civil e militar) apuraram que não se tratou disso.

Agora sabemos que a equipe de segurança de Tarcísio Freitas composta por agentes que aparentemente estavam em desvio de função tentaram faz com que um cinegrafista da Rádio Jovem Pan apagasse as imagens do incidente, sem que houvesse outra explicação que não fosse uma tentativa de ocultar um fato ou presença de pessoa que causaria danos à candidatura do ex-ministro caso viesse ao conhecimento dos eleitores paulistas.

Como esse é um caso de forte interesse público, o mínimo que se pode cobrar da Jovem Pan e também das autoridades paulistas é que as cenas que se tentou apagar sejam mostradas publicamente. É que em uma eleição que mostra agora bastante apertada, esse é um assunto que não pode ficar sem explicação.

O problema que se põe é o seguinte:  qual caroço que vai aparecer nesse angu de dimensões colossais?

Brumadinho: 272 árvores serão plantadas em homenagem às 272 vidas perdidas na tragédia

Ação acontece neste sábado, 29 de outubro, promovida pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão (AVABRUM) e pelo Instituto Camila e Luis Taliberti

memorial

No próximo sábado, 29 de outubro, uma área verde de Brumadinho vai ganhar o plantio de 272 mudas de árvores, de variadas espécies nativas da Mata Atlântica. A ação promovida pela AVABRUM e o Instituto Camila e Luiz Taliberti será aberta ao público e irá ocorrer a partir das 8h30 da manhã, na Área Verde do Salgado Filho, região que pertence ao município e fica próxima ao cemitério Parque das Rosas, onde várias vítimas da tragédia-crime da Vale foram sepultadas. O local se encontra sob cuidados da Brigada Carcará, que já promove ali uma ação de reflorestamento, e vai oferecer suporte técnico na ação de sábado.

“O simbolismo deste ato homenageará as 272 vidas ceifadas pelo crime da Vale e Tüv Süd em Brumadinho. É mais um ato para eternizar a memória das vítimas e também um ato de resistência frente ao esquecimento de um crime premeditado e tão bárbaro. Nós não vamos esquecer e não vamos deixar que esqueçam. Além disso, o plantio das mudas contribui na recuperação do meio ambiente, já que com o rompimento da barragem houve perda de vegetação do bioma Mata Atlântica em Brumadinho. A recuperação desse bioma, consequentemente, contribui na melhoria da saúde e qualidade de vida da população. Dessa forma, nossos entes queridos continuam contribuindo por um mundo melhor ”, declarou em nota a diretoria da AVABRUM.

O Instituto Camila e Luiz Taliberti, realizador do ato em parceria com a AVABRUM, foi fundado por Helena Taliberti, que perdeu seus dois filhos – Luiz e Camila – na tragédia do rompimento da barragem, além da nora, Fernanda, que estava grávida de 5 meses. Naturais de São Paulo, eles viajavam com o pai e a madrasta (que também perderam a vida no acidente), e estavam hospedados na pousada Nova Estância, que foi totalmente destruída pela lama de rejeitos. Segundo Helena, “Plantar 272 mudas é manter o legado dos meus filhos, Camila e Luiz Taliberti, e contribuir para preservação do meio-ambiente. É a construção de um memorial vivo e a certeza de que a morte de todos eles não foi em vão! Assim como o plantio que irá ocorrer em Brumadinho no próximo dia 29/10, plantamos 272 mudas em parceria com a SOS Mata Atlântica em Itu/SP e com o Projeto Plantar na cabeceira do Rio São Francisco. E o projeto do Instituto Camila e Luiz Taliberti é expandir para outros locais, porque tentaram nos enterrar, não sabiam que éramos sementes.”

Além da Brigada Carcará, a iniciativa do plantio deste sábado conta também com apoio do Projeto Legado de Brumadinho* e do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Brumadinho.

*Projeto realizado com recursos destinados pelo Comitê Gestor do Dano Moral Coletivo pago a título de indenização social pelo rompimento da Barragem em Brumadinho, em 25/01/2019, que ceifou 272 vidas.