Governo Bolsonaro sucateia o MMA e coloca políticas ambientais em xeque

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Antiministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles executa projeto de desmanche das políticas de Meio Ambiente, enquanto coloca Brasil na rota de punições no comércio internacional.

Duas matérias (uma publicada pela “Deutsche Welle” e outra pelo site “The Intercept“) mostram que o governo Bolsonaro, sob a batuta do ainda ministro (ou seria antiministro?) Ricardo Salles, vem operando uma série de ações para paralisar as ações de monitoramento, aplicação de leis ambientais contra desmatadores, e de engajamento do Brasil em ações de adaptação às mudanças climáticas. Na prática, o governo Bolsonaro e seu antiministro do Meio Ambiente age para sucatear o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao ponto de inviabilizar a atuação de seus principais órgãos, o IBAMA e o ICMBio.

Um exemplo bizarro dado pelo “The Intercept” tem a ver com a quantidade de madeira ilegalmente extraída e apreendida por fiscais do IBAMA que passou de 25.000 metros cúbicos em 2018 para inexpressivos 40 metros cúbicos nos primeiros 4 meses de 2019. Como já existem evidências mostrando que o desmatamento aumentou na Amazônia, há algo de fundamentalmente errado acontecendo com o processo de fiscalização, e a matéria do “The Intercept” mostra que o arauto da impunidade é obviamente Ricardo Salles.

Já a matéria da “Deutsche Welle” mostra que sob o comando de Ricardo Salles,  as políticas de combate às mudanças climáticas tiveram um corte de 95% de seus recursos bloqueados. Dos R$ 11,8 milhões antes previstos para o programa, que tem como um de seus objetivos reduzir emissões, restaram menos de R$ 600 mil. Com isso, além de paralisar uma série de projetos e inviabilizar o necessário processo de ajuste às mudanças climáticas (que objetivamente Ricardo Salles nega existirem) está colocando em risco o aporte de verbas internacionais que viriam na forma de contrapartidas aos investimentos brasileiros nessa área.   A “Deutsche Welle” mostra que só com a Alemanha há o risco de uma perda de 5 milhões de euros apenas em um programa, o Adapta.

FUMAÇA

Paralisação da fiscalização ambiental está contribuindo para aumento drástico do desmatamento e emissões de CO2 a partir da Amazônia.

A resposta de Ricardo Salles às críticas, incluindo as vindas de uma reunião realizada por ex-ministros do Meio Ambiente, é de fazer cara de paisagem como se não estivesse fazendo nada de errado. Aliás, a partir de algumas declarações de Salles, errados estão os que apontam para o evidente processo de precarização do MMA e do aumento dos crimes ambientais em todo o território brasileiro.

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Ex ministros do Meio Ambiente se reunem para denunciar desmonte da governança ambiental no Brasil. (foto: Nelson Almeida/AFP)

Uma coisa que Salles e seus patrocinadores parecem esquecer é que o resto do mundo não é tão desinformado sobre o que está acontecendo no Brasil como eles gostariam que fosse. A carta assinada por 602 pesquisadores na revista Science cobrando uma atitude pró-ativa da União Europeia sobre o desmantelamento da governança ambiental foi apenas uma pequena sinalização do que está sendo preparado para isolar o Brasil e impor fortes restrições à compra de nossas commodities.

Como o Brasil está cada vez mais dependente do seu setor primário para gerar reservas de moedas fortes, o governo Bolsonaro deverá ser chamado às falas sobre o que está permitindo, e até incentivando, que ocorra em termos de desmatamento e degradação ambiental na Amazônia.  O problema é que com o ministério das Relações Exteriores nas mãos de Ernesto Araújo, os sinais que já estão sendo emitidos fora do Brasil estão sendo solenemente ignorados, o que cedo ou tarde nos colocará diante de barreiras comerciais que não serão resolvidas facilmente. O pano de fundo disso será o aprofundamento da recessão econômica e do desemprego. Nada muito animador para um país que hoje já apresenta níveis quase intoleráveis de desemprego e de estagnação econômica.

Quem acompanha este blog poderá até achar que estou sendo chato e repetitivo em minhas análises sobre as repercussões que ainda virão por causa da quebra da governança ambiental e do retorno a um conjunto de práticas que retrocedem o Brasil a pelo menos os anos de 1970. Entretanto, quando o pior se confirmar, pelo menos os leitores deste blog não poderão se dizer surpresos.  É que o que está sendo feito por Ricardo Salles no MMA terá repercussões, duras repercussões sobre o Brasil.  E quando isto acontecer ele não terá outro remédio a não se retornar à sua insignificância.  

Grande parte das emissões por desmatamento estão embutidas em commodities agrícolas consumidas na China e na Europa

Segundo artigo publicado recentemente no jornal científico Global Environmental Change, do total das emissões de CO2 relacionadas ao desmatamento em florestas tropicais entre 2010 e 2014, de 29% a 39% estão vinculadas a commodities exportadas, principalmente gado e produtos oleaginosos como soja e óleo de palma.

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Por Caspar Trimmer e Cristiane Fontes para a Trase em Português

A produção agrícola é a principal causa do desmatamento em florestas tropicais e a segunda maior fonte de emissões de gases de efeito estufa, como demonstram vários estudos publicados nos últimos anos. Cerca de 80% da perda de florestas é impulsionada pela expansão de pastagens e terras cultiváveis, e aproximadamente 15% das emissões estão vinculadas apenas à pecuária, segundo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Um novo estudo revela que uma grande parte dessas emissões está embutida em commodities agrícolas e florestais exportadas, principalmente óleo de palma, soja, gado (carne bovina e couro) e produtos de madeira (incluindo papel).

Publicada na edição de maio de 2019 do Global Environmental Change e disponível on-line, a pesquisa mostra que mais da metade das 2,6 Gt de CO2 das emissões líquidas emitidas anualmente por desmatamento entre 2010 e 2014 está vinculada à pecuária e produtos oleaginosos, principalmente soja e óleo de palma. O artigo descobriu ainda que de 29% a 39% dessas emissões de CO2 estão vinculadas ao comércio internacional de commodities agrícolas, dependendo do modelo adotado.

Javier Godar, pesquisador sênior do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI, em inglês) e co-fundador da Trase, é um dos autores do artigo. O trabalho, que tem como autores principais Florence Pendrill e Martin Persson, da Chalmers University, foi elaborado em colaboração com pesquisadores do Centro de Pesquisas de Biodiversidade e Clima Senckenberg, na Alemanha, e da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

De acordo com Godar, o estudo é um passo importante para entender o papel do comércio internacional de commodities agrícolas nas emissões globais, porque pela primeira vez todos os países tropicais foram analisados e calculados não apenas as emissões para os fluxos diretos, mas também o consumo de produtos mais complexos em que as commodities agrícolas estão embutidas.

“O resultado mais surpreendente está relacionado ao fato de que as emissões por desmatamento embutidas nas commodities agrícolas exportadas rivalizam com as emissões da produção agrícola e pecuária dos países importadores. Isso ressalta a necessidade de incluir as emissões extraterritoriais na contabilidade nacional e do apoio e financiamento por parte dos países consumidores a políticas de combate ao desmatamento e práticas agrícolas mais sustentáveis nos países produtores”, afirma o pesquisador.

Uma imagem complexa

O documento também mostra uma grande variação entre países e commodities vinculadas às emissões por desmatamento. Por exemplo, a América Latina exporta 23%-34% de suas emissões em suas commodities agrícolas e florestais. Destes, 71–89% estão em oleaginosas e 11–21% em carne de gado. A região da Ásia-Pacífico exporta uma parcela maior de suas emissões (44–49%) e a África, uma parcela menor (9–32%).

Em todo o mundo, as exportações de produtos oleaginosos respondem por 62–76% das emissões relacionadas ao desmatamento, principalmente provenientes da Ásia-Pacífico e da América Latina para a Europa, China e Oriente Médio.

O mesmo vale para outras culturas de alto valor, como cacau, café, chá e especiarias, com 68–75% das emissões exportadas.

 

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Resumo das emissões embutidas na produção para grupos de commodity por região

Do produtor para o consumidor

A Europa e a China são os principais importadores de gado e produtos oleaginosos advindos de florestas tropicais. Para muitos países desenvolvidos, as emissões por desmatamento embutidas nas importações rivalizam ou excedem as emissões da agricultura doméstica. O desmatamento foi responsável por cerca de um sexto da pegada de carbono de uma dieta padrão na União Europeia (UE), por exemplo.

Os resultados do estudo podem ainda orientar políticas de mitigação aos impactos das mudanças climáticas.

Além de reforçar que os esforços para reduzir o desmatamento tropical devem se concentrar em um punhado de commodities e de relações comerciais, os autores sugerem que impostos em produtos alimentícios exportados poderiam ajudar a lidar com as pegadas de carbono por desmatamento de alguns produtos agrícolas e florestais.

“Se você der suporte aos países tropicais em seu trabalho para proteger a floresta tropical, e der aos agricultores alternativas ao desmatamento para aumentar a produção, isso pode ter um grande impacto”, acrescenta a autora principal, Florence Pendrill.

No entanto, os autores enfatizam que as intervenções nos países produtores são essenciais, pois a demanda doméstica ainda é responsável por mais da metade das emissões relacionadas ao desmatamento.

O estudo foi parcialmente financiado pelo PRINCE, projeto que explorou novos indicadores ambientais relevantes para a política de consumo da Suécia.

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Este artigo foi originalmente publicado pela Trase em Português [Aqui!]

Quanto tempo mais para começar o banimento das commodities agrícolas brasileiras?

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Desmatamento explosivo e uso intensivo de agrotóxicos banidos aumentam pressão sobre parceiros comerciais para que parem de comprar commodities agrícolas brasileiras.

Um das razões pelas quais foi fácil anunciar no início de janeiro, exatos 11 dias após o início do governo, que a ciência brasileira passaria por tempos difíceis nas mãos do governo de Jair Bolsonaro é que seria inevitável a ocorrência de um choque entre a visão messiânica que guia boa parte dos ministros e as evidências que os cientistas possuem em variadas áreas do conhecimentos, especialmente no tocante às consequências socioambientais do desmatamento e do uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.

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Desmatamento ilegal no sul do estado do Amazonas, em 2017

O que se vê agora é uma combinação entre um arremedo de guerra cultural contra as ciências ditas humanas, asfixia financeira generalizada, e um esforço concentrado para sumir com o conhecimento acumulado nas áreas que examinam o avanço do latifúndio agroexportador sobre os biomas nacionais, a começar pela Amazônia e pelo Cerrado. Tenho inclusive certeza de que a guerra cultural pode estar até começando pela tentativa de impor um sufocamento de filósofos e sociólogos, mas tenderá a rapidamente a alcançar aqueles segmentos da ciência que se dedicam a assuntos de natureza aparentemente mais técnica, como dos estudos dos agrotóxicos e do sensoriamento remoto (especialmente para aqueles que estudam a dinâmica da mudança na cobertura florestal na Amazônia).

Entretanto,  a recente publicação de uma carta da revista Science assinada por 602 pesquisadores que atuam na Europa exigindo que a União Europeia condicione a continuidade da compra de commodities brasileiras a um compromisso do governo Bolsonaro às boas práticas ambientais e ao respeito aos direitos dos povos indígenas mostra que os problemas para controlar e subordinar os cientistas brasileiros encontrará barreiras e oponentes fora de nossas fronteiras.

Em relação à carta/manifesto publicada na Science, notei a ausência da questão da contaminação das commodities brasileiras por resíduos de uma quantidade significativa do batalhão de agrotóxicos usados nas grandes monoculturas de exportação, tais como soja, milho e café.  A ausência dessa referência certamente se deu por uma escolha do que deveria ser o centro do argumento orientador desse documento histórico.  Entretanto, não me surpreenderei nenhum pouco se em um futuro não distante, tivermos uma carta específica sobre o fato que hoje os países da União Europeia estão importando produtos agrícolas brasileiras contendo resíduos de agrotóxicos muito acima do que é tolerado por aquele bloco econômico.

A verdade é que o Brasil não está apenas exportando “desmatamento” para a União Europeia, mas também “água invisível” e, pior, resíduos de agrotóxicos. Quando esta trinca for colocada junta não apenas por cientistas preocupados, mas principalmente pelos consumidores europeus, certamente haverá uma decisão da União Europeia para exigir que o Brasil volte a adotar as melhores práticas já existentes para equilibrar a atividade econômica com esforços de sustentabilidade socioambiental.

É que confrontados com o fato de que o Brasil está cada vez mais autorizando o uso de agrotóxicos banidos em seus próprios limites territoriais, a União Europeia não terá outra alternativa a não ser puxar o freio de mão na compra de commodities brasileiras. Mesmo porque hoje já existem fortes reclamações dos agricultores europeus sobre o descompasso entre as regras que precisam seguir para diminuir as taxas de resíduos de agrotóxicos em sua produção e a aceitação de commodities que levam para a Europa produtos já banidos para eles mesmos (um caso é o do inseticida organofosforado Acefato).

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Café produzido no Brasil utiliza 121 agrotóxicos, 30 deles banidos pela União Europeia.

E que ninguém se iluda que a exigência de bons modos não resultará de nenhuma forma de grande consciência ambiental, pois daqui e de outros países da periferia do capitalismo é que saem as gordas margens de lucro que sustentam praticas menos danosas ao ambiente nos países desenvolvidos. A pressão virá porque estaremos exportando problemas acima do que é tolerável pela União Europeia.  

Não custa lembrar que até a Rússia já alertou o governo Bolsonaro sobre o fato de que vai parar de comprar soja brasileira se não for diminuída a contaminação pelo herbicida Glifosato. E é como eu tenho dito, se a Rússia já sinalizou isso, outros parceiros comerciais irão seguir igual rumo, e não apenas com a soja.

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Dentro desse quadro é que muito provavelmente veremos consequências concretas não apenas da carta dos 602 pesquisadores europeus, mas também do alerta da Rússia que parece ter caído em ouvidos moucos no governo Bolsonaro.  E quando o banimento vier, que não se tente sequer culpar a comunidade científica brasileira.  É que não se deve culpar quem alerta para as consequências de ações que hoje não são mais toleráveis, mesmo em plena vigência e hegemonia do sistema capitalista.

Jair Bolsonaro, o presidente do tiro no pé

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Ao observar as manifestações que se realizaram ontem para repudiar o golpe de estado que ocorreu efetivamente no dia 01 de abril de 1964 (irônico, não?), fiquei com uma certeza ainda maior de que o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno imediato (seus três filhos e mais um punhado de militares reformados) deu mais um tiro no pé ao convocar as forças armadas a realizar celebrações pró-golpe. 

É que, convenhamos, os partidos de oposição (ou que se dizem de oposição pelo menos) certamente iriam deixar o aniversário de 55 anos passar em branco, e pouca coisa seria feita para mobilizar segmentos populares que hoje já entenderam a gravidade das medidas econômicas que o governo Bolsonaro tem na manga para tornar o Brasil um misto de paraíso do capital financeiro e uma fronteira de exploração de recursos minerais e de commodities agrícolas.

Ao anunciar e demandar as celebrações por parte das forças armadas, o que o presidente Jair Bolsonaro foi soprar uma ventania em brasas adormecidas. E, pior, fez isso e partiu para uma viagem a Israel que tem tudo para inviabilizar exportações das mesmas commodities que fazem parte do plano estratégico do ministro Paulo Guedes e seus “Chicago boys“.  Em outras palavras, o presidente fez como aquele menino do playground que provoca uma briga e vai viajar para não participar dela.

Há quem diga que os pobres que votaram e ajudaram a colocar Jair Bolsonaro na presidência merecem tudo o de ruim que está acontecendo com o Brasil. Eu discordo disso. Quem merece sofrer duras consequências por se envolver em uma aventura eleitoral são as elites brasileiras que turbinaram uma campanha que não passaria, com ou sem facada, de 20% dos votos válidos. A maioria pobre da nossa população não merece o retrocesso que já está posto e que deverá ser aprofundado com a aplicação das várias contrarreformas que o governo Bolsonaro pretende executar para tornar o Brasil ainda mais atraente para os especuladores financeiros mundiais. 

Por outro lado, quem caminha pelas ruas de cidades médias e grandes em diferentes partes do território nacional tem dificuldades cada vez maiores de não pisar naqueles cidadãos cujos meios de vida já foram destruídos por pelo menos quatro anos de grave crise econômica. Apesar de haver pouca ou nenhuma estatística sobre o número de brasileiros que hoje estão vivendo nas ruas, o certo é que cedo ou tarde vamos desembocar em uma revolta social que poucas vezes se viu na história brasileira.

E quando isso acontecer, e vai acontecer, ficará ainda mais explícito que todas as ações estapafúrdias realizadas por Jair Bolsonaro e seus ministros tresloucados (ou que se fingem ser) terão representados um imenso tiro no pé dos que queriam retirar os poucos direitos e pequenas concessões que a luta dos trabalhadores logrou arrancar com lágrimas, suor e sangue das elites que colocaram Jair Bolsonaro no poder.

Relatório do Banco Mundial aponta para aumento do preço das commodities

Silhouette of crude oil pump in the oilfield at sunset. Photo: P.V.R.Murty/Shutterstock

O Banco Mundial publicou na última 3a. feira um relatório intitulado “Commodity Markets Outlook. Oil exporters: policies and challenges” acerca da variação dos preços das principais commodities agrícolas e minerais que mostram um aumento de preços acima do esperado para 2018 [1]. 

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As razões para essa elevação dos preços se deve basicamente a uma combinação clássica entre aumento de demanda e diminuição da oferta. No caso do petróleo a estimativa do Banco Mundial é que o preço médio do barril do petróleo gire em torno de 65 dólares ao longo deste ano, devido principalmente à restrições na produção de óleo originada de “fracking” nos EUA e à restrições impostas pelos países produtores de petróleo, sejam eles ligadas à OPEC ou não.

No caso das commodities agrícolas, a elevação de preços seria devida à diminuição da área plantada e não à ação de fenômenos climáticos como o da La Ninã. O relatório antecipa que possíveis reações da China às punições tarifárias impostas pelo governo Trump poderão elevar o preço da soja.

Antes que muita gente se anime com as novidades trazidas pelo Banco Mundial, o relatório traz a informação de que no caso de 4/5 das commodities analisadas o aumento de preços que ocorrerá em 2018 continuará distante dos valores que eram praticados em 2011 quando houve a queda abrupta que acabou gerando o atual ciclo de crise nos países e áreas produtoras de commodities.

Quem desejar acessar o relatório completo, basta clicar [Aqui!].

Artigo analisa papel da especulação financeira nos preços do minério de ferro

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O professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bruno Milanez publicou o artigo “Boom ou bolha? A influência do mercado financeiro sobre o preço do minério de ferro no período 2000-2016″, onde ele avalia o impacto do setor financeiro no comportamento dos preços das commodities metálicas, com foco no minério de ferro. Esta análise se mostra particularmente relevante para a economia do Brasil, uma vez que a balança comercial brasileira se encontra estruturalmente dependente do minério de ferro, sendo consideravelmente vulnerável à volatilidade do seu preço.

Uma primeira análise apresentada no artiigo se refere ao debate existente sobre a relevância do setor financeiro sobre o mercado físico de commodities. Em seguida, é analisado o papel dos diferentes grupos de operadores do mercado financeiro no controle dos preços do minerio de ferro. Posteriormente, é feita uma descrição dos ciclos longos de preço das commodities e uma análise mais detalhada do último ciclo de boom e pós-boom do minério de ferro.

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Segundo o que o artigo aponta, o aumento da demanda global por minério de ferro não parecer ter causado nem escassez nem excesso significativos do produto no mercado físico que justificassem a variação de preço identificada.  A causa desse ciclo de elevação e queda do preço do minério de ferro no passado recente seria consequência de uma relação de causalidade de mão-dupla entre preço e especulação, segundo o qual a expectativa de preços mais elevados induziria à especulação que, por sua vez, puxaria os preços ainda mais para cima.

Quem desejar baixar e ler este artigo, basta clicar Aqui!

Para quem pensa que haverá recuperação econômica rápida, melhor olhar para a China!

Ontem (09/050, a agência chinesa de notícias. Xinhua, publicou uma matéria (Aqui!) que sinaliza que a crise econômica brasileira ainda pode piorar (ver imagem abaixo), e a explicação para isso está no título: exportações sobem, importações caem.

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E a razão para isto é simples: com o Brasil cada vez mais dependente da exportação de commodities agrícolas e minerais, a retração do apetite chinês por minérios e produtos agrícolas representará uma perda significativa de divisas para uma economia que hoje claramente agoniza.

Mas não chegamos a esta situação por falta de avisos, pois todo o esquema imposto a partir do governo Lula estava ancorado na capacidade chinesa de adquirir quantidades massivas e crescentes das nossas commodities. Agora,  a economia brasileira está literalmente sem ter para onde exportar os grandes estoques formados nos últimos anos.

Presidente da Anglo American reconhece que preço de commodities não se recuperará tão cedo

Segundo a Agência Reuters, o presidente da Anglo American, Mark Cutifani, reconheceu que os preços das commodities minerais não deverão se recuperar tão cedo, e que as principais culpadas por essa situação são as próprias mineradoras que causaram um super abundância de seus produtos no mercado mundial (Aqui!).

Apesar de eu haver insistido nessa tese em várias entrevistas que concedi nos últimos meses havia gente, principalmente entre os áulicos das mineração, que se negavam a admitir essa situação óbvia, especialmente em face do desaquecimento da economia chinesa.

O pior é que esse vaticínio do CEO da Anglo American é acompanhado de análises pouquíssimo animadoras sobre o ano de 2016, o qual ele declarou ter um potencial de causar muitos danos ao setor da mineração.

No caso do Brasil, especialmente para os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro onde a Anglo possui ativos significativos, a avaliação de Mark Cutifani deve implicar na disposição de  vender as jazidas localizadas em Conceição do  Mato Dentro (MG) e do mineroduto Minas-Rio.  De toda forma, aspectos mais práticos dos ajustes que a Anglo American realizará em seu portfólio de ativos deverão ser divulgados até a próxima semana, como informou a Reuters.

Essa situação negativa da mineração também está alimentando a crise das bolsas na Ásia e no Japão, num processo de espiral que poderá causar ainda mais abalos na economia mundial nas próximas semanas. A ver!

Retornando ao reino desencantado das commodities

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No dia 03 de junho de 2012 publiquei o artigo abaixo na Revista Somos Assim. Ao reencontrá-lo em uma dessas buscas que se faz na rede mundial de computadores, eu não consegui resistir à tentação de republicá-lo aqui no blog. É que ao reler o que eu mesmo escrevi há mais de 3 anos, não posso deixar de dizer o famoso “eu avisei!“. 

E como o Sr. Júlio Bueno continua ocupando papel de relevo no (des) governo Pezão, também fico com aquela tremenda vontade de perguntar a ele onde anda o prometido desenvolvimento que viria após se retirar centenas de famílias de suas terras em troco de nada!

Aliás, esta semana comi um delicioso maxixe que ganhei de presente de um agricultor do V Distrito, o qual até hoje está sem receber a justa compensação financeira por uma de suas pequenas propriedades que foi 

expropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin). E saibam todos que o maxixe estava delicioso.

Problemas à vista no reino desencantado das commodities 

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 247 da Revista SOMOS ASSIM em 03.06.2012

O fato de que a economia brasileira se tornou perigosamente dependente da exportação de commodities minerais e agrícolas já deveria ter feito soar o alarme de perigo para as autoridades federais há quase uma década. Mas não foi o que se viu e, aliás, o caminho assumido por Lula e Dilma Rousseff foi justamente o oposto, pois todas as apostas feitas foram no sentido de fortalecer o papel ocupado pelas commodities na balança comercial. Assim, bilhões de reais retirados do FGTS e do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT) foram usados para apoiar um pequeno número de empresas. Exemplos desta aposta nas commodities são a JBS-Friboi, atualmente a maior empresa da área de carnes, a Vale que atua na área de minérios, e o Grupo EBX cujo motor é a área de petróleo e gás. Mas, além de turbinar os negócios destas mega empresas, o governo federal também investiu vultosas somas de recursos na área de infraestrutura e logística através do chamado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

A aposta no peso econômico das commodities estava ancorada em dois aspectos básicos: a elevação sem precedentes nos preços de recursos minerais e produtos agrícolas, e o crescimento vertiginoso da economia da China, que passou a se comportar como um aspirador de pó gigante que absorvia grande parte da produção mundial de produtos primários. Além disso, a transformação das commodities em elemento com os quais as grandes corporações financeiras faziam o seu jogo especulativo contribuiu para dar uma aura de inevitabilidade de que o Brasil se dobrasse ao seu apelo comercial. 

Mas, agora que a economia chinesa está dando claros sinais de que vai entrar num ciclo menos virtuoso e os países europeus permanecem enredados numa colossal crise econômica, a aposta nas commodities está se mostrando um erro descomunal. E os sinais disto estão por todo lado. Primeiro foram as indústrias de celulose que congelaram seus planos de expandir os plantios de eucalipto e pinus na região Sul; só a papeleira sueca Stora Enso diminuiu em 80% as suas metas de plantio, além de ter fechado o escritório que mantinha em Porto Alegre, num claro sinal de que está querendo dar um “adjö” ao Brasil. Outra evidência apareceu numa entrevista dada à Revista Exame por Ruben Ometto, que até recentemente jogava fundo na área de produção de açúcar e álcool, mas que repentinamente decidiu mudar o seu foco para a área de logística, e se manter o mais distante possível de tudo que tenha a ver com a cana de açúcar. Mas um sinal mais próximo de que o chamado “superciclo” das commodities pode ter chegado a um final pouco glorioso foi a desistência das multinacionais Ternium (francesa) e Wisco (chinesa) de instalarem siderúrgicas no chamado Complexo Portuário-Industrial do Açu. Apesar de Eike Batista ter tentado, como sempre aliás, colocar uma face risonha na derrocada de suas sonhadas siderúrgicas, o fato é que a produção do aço também está comprometida com o que está acontecendo na China e na Europa. 

Os mais puros de alma poderiam dar de ombros para a débâcle das commodities e se refugiar no mito disseminado pelos ideólogos do governo Dilma de que a economia brasileira está forte o suficiente para resistir à pulverização dos valores estratosféricos que as commodities desfrutaram por mais de duas décadas. Aliás, há que se ressaltar: os valores inflacionados das commodities serviram ainda para disseminar e legitimar o mito de que o Brasil tinha superado nosso histórico atraso econômico para se inserir no fechado clube das economias desenvolvidas. 

Neste processo todo o Brasil perdeu a oportunidade de efetivamente reorganizar para melhor o modus operandi da economia brasileira. Assim, ao invés de apostar em políticas estruturantes como a reforma agrária e o desenvolvimento de alternativas de ponta na área energética, o que se deu foi uma aposta justamente no sentido contrário. Assim, o que temos hoje é um aumento acelerado na concentração da terra para o cultivo das monoculturas agroexportadoras. Por isso, apenas a COSAN de Rubens Ometto detém 100.000 hectares de terras nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Maranhão que estão usando exclusivamente apenas para o plantio de cana de açúcar voltado para a produção de açúcar e álcool. Mas não seria preciso ir tão longe para ver como a opção pelas commodities está afetando a produção de alimentos, pois aqui mesmo no V Distrito de São João da Barra, centenas de famílias tiveram suas terras altamente produtivas tomadas para a implantação do Complexo do Açu! O problema é que agora toda a aposta feita no mirabolante Eike Batista está parecendo apenas outro erro trágico dos adoradores de commodities. Aliás, neste caso, caberia perguntar ao secretário estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno, que disse um dia que preferia aço ao maxixe, o que ele fará com as terras desapropriadas agora que o sonho da siderurgia virou pesadelo. 

O mais trágico disto tudo é que se o pior cenário se confirmar, o Brasil terá de se defrontar com uma grave crise econômica e social. Mas talvez aí as mudanças venham finalmente a ocorrer.

Manchete que está faltando: contagiadas pela China, bolsas mundiais afundam e ameaçam aprofundar recessão mundial

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Tenho hábito de todas as manhãs ler os principais veículos de mídia em inglesa, e na manhã desta segunda-feira (23/08) estou lendo manchetes sobre o mergulho profundo que ocorreu nas bolsas de valores da Ásia e que já contaminou o mercado de ações na Europa. Os principais motivos para essa segunda-feira devastadora são o desaquecimento da economia da China e o seu efeito sobre a tímida recuperação que se esboçava na economia dos EUA. O jornal inglês inglês “The Guardian” já colocou online uma matéria com a estimativa que só nas bolsas chinesas as perdas alcançaram 40 bilhões de libras esterlinas (uma bagatela equivalente a 220 bilhões de reais ao câmbio de hoje) (Aqui!).

Ainda que eu saiba que a imprensa corporativa brasileira possui horários diferenciados, procurei ver o que apareceu e para minha surpresa, quase nada. Aliás, há que se mencionar o site brasileira da Agência Reuters que já colocou no ar uma pequena matéria com um título muito revelador “Ações chinesas têm queda brutal e devolvem ganhos do ano”  (Aqui!).

Em relação ao Brasil, a expectativa é de que a Bolsa de Valores de São Paulo vá sofrer também um forte impacto, mas esse é o menor dos problemas. É que muitos analistas avaliam que haverá uma queda ainda maior no preço do petróleo e um desaquecimento ainda maior no preço das principais commodities minerais, ameaçando, entre outras coisas, colocar o custo da extração do pré-sal acima do valor pago pelo petróleo. Ambos fatores atingem diretamente o modelo neodesenvolvimentista (ou seria neoextrativista?) abraçado pelo Brasil desde a ascensão do neoPT ao poder. 

A questão que se coloca é sobre quando começaremos a ter uma cobertura pela mídia brasileira que esteja à altura dessa pequena hecatombe que assola as bolsas mundiais e que ameaça recolocar a economia mundial em um modus operandi de recessão profunda?