O destino do Brasil como pária global no mundo pós-pandemia

bolsonaro pariaA combinação entre o desmanche da governança ambiental com o tratamento dado à pandemia da COVID-19 pelo governo Bolsonaro colocará o Brasil na posição de pária global

Venho há algum tempo insistindo na tese de que o Brasil, graças ao processo de desmantelamento da precária governança ambiental comandado pelo governo Bolsonaro, se encaminhava para se tornar um pária ambiental que, por causa disso, seria alienado dos principais fóruns e decisões políticas de alcance global. É que a estas alturas do campeonato e com o conhecimento científico acumulado, existe um certo acordo sobre a necessidade de se rever as formas de apropriação do ambiente natural. 

A eclosão da pandemia da COVID-19 acabou colocar ainda mais pressão para que práticas dominantes na produção e consumo em escala global.  É que qualquer um que se aventure a ultrapassar o limiar das “fake news” (notícias falsas) que, repercutem o negacionismo em relação à gravidade da pandemia, verá que já está explicitado a ligação entre a disseminação do “novo” coronavírus e a destruição de ecossistemas naturais para a implantação de grandes áreas de monoculturas e suas co-irmãs, as mega fazendas industriais.

coronavirusA forma do governo Bolsonaro tratar a pandemia da COVID-19 causa espanto no resto do mundo. E o pior da pandemia ainda nem começou….

A junção de uma mudança paradigmática entre os mecanismos dominantes de apropriação da Natureza com o reconhecimento de que a COVID-19 prosperou tão eficazmente justamente por causa da degradação ambiental deverá gerar uma pressão global para que acordos multilaterais sejam firmados para diminuir a velocidade da destruição de grandes ecossistemas naturais, como é o caso das florestas tropicais. Aliás, isto acabará ocorrendo também porque já se prognostica que a erradicação dessas florestas poderá contribuir para a ocorrência de pandemias ainda mais graves.

Um exemplo de como essa pressão irá ocorrer foi a recente  da Assembleia Geral de acionistas da mineradora Vale que decidiu retirar todos os pedidos para mineração em terras indígenas na Amazônia que se encontravam sob análise pela Agência Nacional de Mineração. Essa decisão decorreu da pressão externa, especialmente daqueles grupos conhecidos como “acionistas críticos”. Interessante lembrar que a empresa alemã Siemens já havia informado em agosto de 2019  que não venderia equipamentos para serem usados em áreas de mineração dentro de terras indígenas no Brasil.

Mas a condição de pária global a que o Brasil vinha se candidatando a ocupar deverá levar um empurrão adicional  para ser reconhecido como tal pela forma irresponsável com que o governo Bolsonaro vem tratando a pandemia da COVID-19.   Não é por acaso que grandes veículos da mídia internacional estão colocando o presidente Jair Bolsonaro na companhia nada ilustre de um pequeno número de governantes que negam a gravidade da pandemia (os outros três negacionistas do coronavírus são Gurbanguly Berdymukhamedov (do Turcomenistão), Daniel Ortega (da Nicarágua) e Alexander Lukashenko da Bielo-Rússia). Esse grupo de negacionistas recebeu o nada elogioso rótulo de “Aliança das Avestruzes” pelo Financial Times.

aliança das avestruzesJair Bolsonaro, Alexander Lukashenko, Daniel Ortega e Gurbanguly Berdymukhamedov, grupo de líderes negacionistas, que formam a “Aliança das Avestruzes”. Fonte: Financial Times

E o pior é que o final previsto para o período mais duro da pandemia da COVID-19 (para a maioria dos analistas isto ocorrerá no Brasil no final de junho) irá coincidir com o início de um grande de queimadas na Amazônia, a qual deverá superar os números recordes alcançados em 2019. Me arrisco a dizer que a combinação entre o gerenciamento desastroso que o governo Bolsonaro está dando à COVID-19 combinada com as imagens de grandes áreas em chamas na Amazônia será uma espécie de “last straw” (ou a gota que fará o balde transbordar) da falta de paciência de grandes investidores e agentes governamentais com o Brasil.  Por isso, mesmo pesando os grandes interesses econômicos envolvidos,  o primeiro acordo econômico que deverá ser bombardeado será o firmado entre o Mercosul e a União Europeia.  A estas alturas do campeonato, esse acordo é o que se chama em inglês de um “lame duck” (ou pato manco em português), que não terá muita chance de se tornar realidade.

Por isso tudo é que me arrisco a dizer que o Brasil sairá muito mais isolado econômica e politicamente do que entrou na pandemia.  A ver!

 

Brasil vive cenas de caos (programado) em meio a uma pandemia

As imagens abaixo vem de pontos diferentes do território brasileiro e têm em comum duas coisas: multidões de brasileiros tentando acessar míseros R$ 600,00 diante de agências de um banco público, a Caixa Econômica Federal. 

Nada há de me convencer que esse caos, que poderia ter sido facilmente evitado, não foi friamente programado para ocorrer e levar à difusão exponencial do coronavírus. Essas imagens devem ser guardadas cuidadosamente, até porque cedo ou tarde os responsáveis por essas cenas lamentáveis terão que ser levados a tribunais penais para responderem por aquilo que ajudaram a desencadear.

Apenas à guisa de comparação, na Alemanha apenas o governo de Berlim disponibilizou rapidamente e sem filas um total de 5.000 euros (o equivalente a R$ 30 mil) a cerca de 150 mil pequenos empresários e a profissionais desempregados pela pandemia da COVID-19, incluindo artistas, designers de moda, programadores de computador, cabeleireiros e web designers.

Blog do Berta, uma leitura essencial para entender a natureza seletiva da crise financeira no Rio de Janeiro

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Apesar de não possuir uma listagem pública de veículos da mídia alternativa que eu acompanho regularmente, o fato é que existem excelentes jornalistas que optaram (ou foram optados por assim dizer) a criar seus próprios veículos para continuarem fazendo jornalismo de qualidade.  Por isso, leio regularmente vários blogs e portais que sinalizam essa mudança de paradigma para a produção de jornalismo investigativo qualificado.  Dentre alguns destes veículos cito o portal “Viu!“, o blog do jornalista Marcelo Auler, e, mais recentemente, o blog do jornalista Ruben Berta.

E quero me deter aqui me deter nas interessantíssimas apurações que o jornalista Ruben Berta vem realizando sobre gastos curiosos e vultosos (convenhamos que essa é uma estranha combinação) que estão sendo realizados pelo governo do estado do Rio de Janeiro à guisa de dotar as estruturas públicas estaduais de saúde das condições necessárias para combater a difusão e as inevitáveis consequências da pandemia da COVID-19.

blog do berta

Uma das matérias publicadas pelo jornalista Ruben Berta revelou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro irá pagar R$ 2,3 milhões para que uma loja de materiais de construção forneça, sem licitação é preciso que se frise, forneça máscaras e aventais que, em tese, serão usados para combater os efeitos da COVID-19.

Em outra matéria apareceu algo ainda mais grave que foi a compra superfaturada de 100 mil frascos do antibiótico claritromicina que custando no mercado um preço médio de R$ 30,00, custou aos cofres estaduais a “bagatela” de R$ 120,00.

Uma investigação ainda mais reveladora feita por Ruben Berta se deu com a contratação de uma empresa investigada no Rio Grande do Sul para a construção, também sem licitação, dos chamados “hospitais de campanha” a um custo milionário.  Essa matéria acabou tendo repercussão na mídia corporativa, e explica porque até hoje a cidade de Campos dos Goytacazes ainda não viu a conclusão da unidade deste tipo que deverá operar no antigo terreno da concessionária Vasa.

O que me parece peculiar é que se não fosse pela ação diligente e robusta do ponto de vista jornalístico do jornalista Ruben Berta, não seria possível saber que o problema do estado do Rio de Janeiro continua não sendo falta de dinheiro, mas as formas pelas quais os recursos públicos são utilizados pelos governantes de plantão.

Mas agora que o Ruben Berta “tirou o gato do saco”, é fundamental que os servidores públicos estaduais e suas entidades de classe não caiam na ladainha de que não há dinheiro nos cofres estaduais para que se continue pagando salários em dia. A verdade é que todo aceno no sentido contrário parece apenas querer distrair a atenção de fatos que demonstram o contrário.

E se alguém ainda tiver dúvidas de que a crise financeira do Rio de Janeiro, sugiro a leitura das reportagens postadas pelo jornalista Ruben Berta em seu blog. Simples assim!

 

No dia Internacional dos Trabalhadores de 2020, a principal tarefa é defender a vida

Ao longo da existência deste blog sempre posto imagens de manifestações que ocorrem em diferentes partes do planeta para celebrar o “Dia dos Trabalhadores”, sempre com muita gente na rua e mensagens multicoloridas em defesa da classe trabalhadora.  Mas o 1o. de Maio de 2020 será de ruas vazias na maioria dos países por causa da pandemia da COVID-19.  

Entretanto, talvez este seja um dos primeiros de maio mais cruciais da história recente da classe trabalhadora, pois a crise sanitária causada pelo coronavírus está servindo para que as elites econômicas e políticas tentem avançar com o processo de precarização das condições de vida dos trabalhadores, visando salvar uma forma social altamente parasitária que só beneficia uma ínfima minoria da espécie humana.

Por isso, a melhor forma de estarmos prontos para o mundo pós-pandemia que demandará a inconteste e insubstituível liderança da classe trabalhadora é que ficar em casa e preservar a saúde de nossas famílias é o maior ato político que podemos realizar no dia internacional dos trabalhadores de 2020. E que estejamos vivos para estarmos nas ruas nos próximos meses, e que em 2021 possamos realizar manifestações gigantescas por todas as partes da Terra para celebrar o vigor e a essencialidade dos trabalhadores na construção de uma sociedade mais justa, democrática e fraterna.

Ex-presidente da Colômbia afirma que o Brasil é um barco à deriva no meio da pandemia

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O ex-presidente da Colombia (1994-1998) e ex-secretário geral da União das Nações da América do Sul (UNASUR) entre 2014 e 2017, Ernesto Samper Pizano (e membro de uma das famílias mais ricas daquele país), caracterizou a situação do Brasil como “um barco à deriva” no meio da pandemia da COVID-19 por causa da atuação errática do presidente Jair Bolsonaro.

Samper lembrou em sua página oficial da rede social Twitter que quando a pandemia começou, Bolsonaro afirmou que a COVID-19 não passava de uma “gripezinha”, e que agora que o Brasil já passou das 5.000 mortes, o presidente do Brasil pergunta às famílias dos mortos o que querem que ele faça. Em função disso, Samper dispara uma sentença inclemente: o Brasil é um barco à deriva (ver imagem abaixo).

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Uma primeira observação sobre as afirmações do ex-presidente colombiano é que Samper está corretíssimo em sua caracterização da situação do Brasil no meio dessa pandemia. É que depois de sabotar as medidas de confinamento social, atacar os governadores e prefeitos que as adotando, e demitir o precário mas minimamente funcional Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro explicita a sua falta de contato com qualquer proposta de tratamento organizado das necessárias respostas ao agravamento da pandemia em território brasileiro.

A minha segunda observação se dá em relação ao papel que o Brasil não terá na liderança regional após a passagem da pandemia. É que tendo ignorado todas as medidas de contenção da crise sanitária e deixado a maioria dos seus trabalhadores ao mar, o governo Bolsonaro certamente enfrentará uma séria crise social ao final da pandemia, o que impedirá que ocupe qualquer papel relevante da reorganização da economia regional. E é esta a sinalização que as declarações do ex-presidente colombiano deixam claro.

Como um ocupante deste barco à deriva chamado Brasil, a minha expectativa é que as medidas que estão em curso a partir das comunidades mais afetadas e dos movimentos sociais em geral, possamos nos preparar para minimizar as perdas humanas que a pandemia causará, para depois nos defrontarmos com os responsáveis pela situação “à deriva” em que fomos deixados. Esse será um ajuste necessário, até para que tenhamos alguma possibilidade de reconstruir o Brasil no pós-pandemia.

Cartórios registram mais de 1.000% de aumento nos óbitos por SRAG no período da pandemia no Brasil

No Rio de Janeiro o aumento de 2.500%. Chama atenção também o aumento do número de mortes por causa indeterminada no estado do Rio de Janeiro desde o início da pandemia, que registra aumento de 8.533% em comparação com 2019.

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COVID-19: Portal da Transparência dos Cartórios lança novo módulo detalhado de pesquisa de óbitos, e mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) disparam em 2020, com aumentos estaduais que chegam a mais de 6.000%

Os Cartórios de Registro Civil brasileiros registraram um aumento de 1.012% nos números de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde o registro do primeiro óbito no Brasil (16/03). Os dados fazem parte do novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil lançado nesta segunda-feira (27.04) e que reúne os dados relativos a óbitos causados pelo novo coronavírus e demais doenças respiratórias relacionadas à doença que causou a atual pandemia mundial.

O Painel COVID Registral (http://transparencia.registrocivil.org.br/registral-covid), que até a tarde desta segunda-feira (27.04) contabilizava 4.839 mortes suspeitas ou confirmadas por COVID-19, passa agora também a contabilizar registros de óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), Pneumonia, Septicemia, Insuficiência Respiratória e Causas Indeterminadas, possibilitando ainda a comparação com o total de óbitos por causas naturais registrados pelos Cartórios em todo o Brasil, com recortes estaduais, municipais e por períodos determinados, sendo também possível a comparação dos dados de óbitos nos anos de 2019 e 2020.

Entre os Estados que mais contabilizaram aumento no número de mortes por SRAG está Pernambuco, com aumento de 6.357% no período da pandemia, seguido por Amazonas, aumento 4.050%; Rio de Janeiro, aumento de 2.500%, e Ceará, com aumento de 1.666%. O estado de São Paulo também registrou aumento, de 866%.  Também chama atenção o aumento do número de mortes por causa Indeterminada no estado do Rio de Janeiro desde o início da pandemia, que registra aumento de 8.533% em comparação com 2019. Os números absolutos podem ser verificados diretamente no Portal.

Desenvolvido mediante padrões profissionais da área médica, o painel traz uma metodologia própria de contabilização das causas mortis. Seguindo os critérios hierárquicos das regras do Código Internacional de Doenças (CID-10), procurando-se classificar a ordem das causas de falecimento de modo a especificar a doença que levou o paciente a óbito. Desta forma:

  • Condição 1: Quando na Declaração de Óbito (DO) houver menção de COVID-19, Coronavírus, Novo Coronavírus, considerou-se como causa COVID-19 (suspeita ou confirmada);
  • Condição 2: Menção Síndrome respiratória grave, considerou-se como causa Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG);
  • Condição 3: Menção de Pneumonia considerou-se como causa Pneumonia;
  • Condição 4: Sepse como única causa informada, considerou-se Sepse;
  • Condição 5: Insuficiência Respiratória como única causa informada, considerou-se Insuficiência Respiratória;
  • Condição 6: Se o óbito não foi classificado em nenhuma das condições anteriores, considerou-se Outra Causa.

“Os dados dos Cartórios de Registro Civil se mostraram úteis para profissionais da área médica de diversos Estados e municípios, assim como para toda a sociedade, podendo auxiliar governos na prevenção do avanço da doença entre a população”, explica o vice-presidente da Arpen-Brasil, Luis Carlos Vendramin Júnior. “Desta forma este novo painel busca refinar ainda mais os dados constantes nas Declarações de Óbitos, utilizando uma metodologia própria e a classificação internacional de doenças, de forma a darmos nossa contribuição para que Poder Público e sociedade conheçam o avanço da doença”, explica.

As estatísticas apresentadas na ferramenta se baseiam nas Declarações de Óbito (DO) – documentos preenchidos pelos médicos que constataram os falecimentos – registradas nos Cartórios do País relacionadas à COVID-19. Os novos gráficos permitem compreender ainda a proporção de óbitos por gênero e idade e, em breve, a identificação do local de falecimento, assim como o local de residência da pessoa falecida (nem sempre o mesmo em que veio a falecer).

Prazos do Registro

Mesmo a plataforma sendo um retrato fidedigno de todos os óbitos registrados pelos Cartórios de Registro Civil do País, os prazos legais para a realização do registro e para seu posterior envio à Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), regulamentada pelo Provimento nº 46 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), podem fazer com que os números sejam ainda maiores.

Isto por que a Lei Federal 6.015 prevê um prazo para registro de até 24 horas do falecimento, podendo ser expandido para até 15 dias em alguns casos, enquanto a norma do CNJ prevê que os cartórios devem enviar seus registros à Central Nacional em até oito dias após a efetuação do óbito. Portanto, o portal que é atualizado dinamicamente

A Covid-19 é uma doença altamente contagiosa que já deixou mais de 180 mil mortos no mundo. A primeira morte em decorrência da infecção pelo novo coronavírus foi registrada no Brasil no dia 16 de março. Entre seus sintomas, estão tosse seca, coriza, dor no corpo e febre – todos muito semelhantes aos apresentados em casos de gripes e resfriados. Segundo dados do Ministério da Saúde 86% dos casos de Covid-19 não apresentam sintomas. Para garantir o diagnóstico, são necessários testes específicos, que estão cada vez mais escassos nos postos de atendimento.

Sobre a Arpen-Brasil

Fundada em setembro de 1993, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) representa a classe dos Oficiais de Registro Civil de todo o país, que atendem a população em todos os estados brasileiros, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, o casamento e o óbito.

Assessoria de Imprensa da Arpen-Brasil

Assessores de Comunicação: Alexandre Lacerda, Ana Flavya e Fernanda Grandin

Tel: (11) 3116-0020

E-mail: imprensa@arpenbrasil.org.br

URL: www.arpenbrasil.org.br

American Jewish Commitee exige desculpas públicas de Ernesto Araújo, o chanceler atrapalhado de Bolsonaro

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Ao comparar isolamento social a campos de concentração nazistas, Ernesto Araújo acabou provocando a ira do American Jewish Committee

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tanto aprontou em suas postagens despropositadas que acaba de tomar um “passa moleque” público do poderoso “American Jewish Committee” que em sua página oficial exigiu que o chanceler brasileiro peça desculpas imediatamente por ter comparado as medidas de distanciamento social adotadas para impedir a disseminação do coronavírus aos campos de concentração nazistas (ver figura abaixo).

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Ernesto Araújo já arrumou seguidos atritos com a China, principal parceira comercial do Brasil, também usando a pandemia da COVID-19 como pano de fundo para suas declarações anti-comunistas.

Contudo, agora Araújo entrou em uma seara totalmente nova ao provocar a ira de uma instituição que possui grande alavancagem política dentro da comunidade judaíca, o que pode também resultar em uma tomada do governo de Israel, sabidamente um dos únicos aliados políticos do governo Bolsonaro.

Esse é, sem dúvida alguma, um dos piores momentos da diplomacia brasileira em toda a história da república brasileira. E pensar que o serviço diplomático brasileiro, antes da assunção de Ernesto Araújo, era altamente respeitado por sua capacidade profissional e de condução pragmática dos interesses brasileiros.

Com Araújo na frente do Ministério das Relações Exteriores, tudo isso agora virou cinzas. Resta apenas saber quando ele emitirá o pedido de desculpas exigido pelo American Jewish Comittee. É que nesse caso,  de nada adiantará Ernesto Araújo tentar sair pela tangente. 

 

Aglomeração e caos nas agências da CEF: cadê o governo Rafael Diniz?

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Acabo de ver mais cenas de aglomeração com centenas de pessoas apenas em uma fila na região que cerca a agência da Caixa Econômica Federal de Campos dos Goytacazes, com a maioria das pessoas desprovidas de qualquer tipo de proteção facial (ver vídeo abaixo).  Em tempos de expansão da epidemia da COVID-19 esse tipo de aglomeração equivale a uma sentença fatal para um número indeterminado de pessoas que, inevitavelmente, serão contaminadas pelo coronavírus.

Ainda que não se possa ignorar que a existência dessas filas em agências da CEF e casas lotéricas não sejam de criação do governo municipal, e sim de uma política aparentemente deliberada por parte do governo Bolsonaro de dificultar o acesso ao auxílio emergencial aprovado pelo congresso nacional, a ausência de qualquer esforço de organização  por parte do governo municipal, tampouco isenta o jovem prefeito Rafael Diniz de suas responsabilidades.

Chega a ser vexaminoso que, mesmo diante das evidências que a pandemia da COVID-19 está em expansão no município de Campos dos Goytacazes, não haja um esforço de organização do processo de acessos aos poucos serviços estão autorizados a funcionar.

Noto ainda que a maioria das pessoas que estão arriscando suas vidas para estar em filas gigantescas são oriundas dos segmentos mais pobres da população, normalmente com saúde mais frágil e com dificuldade mais acentuada a acessar serviços básicos de saúde. O resultado é que, se nada for feito pelo governo municipal para organizar a situação caótica que está configurada na cidade de Campos dos Goytacazes, em breve teremos a mesma dificuldade encontrada em São Paulo e Manaus até para ter vagas em cemitérios para enterrar as vítimas da COVID-19.

EUA: maior potência econômica e militar da história desmorona frente ao coronavírus

CORONACOVID-19: Os EUA concentram o maior número de contaminados, de mortos e de pacientes em condições críticas

Até por força do fato de morar no Brasil, tenho abordado de forma repetida os efeitos e características da difusão da pandemia da COVID-19 em nosso país, que nesta segunda-feira (27/04) já contabiliza 4.286 óbitos. Entretanto, por mais catastróficas que as tendências no Brasil sejam em relação aos resultados da pandemia, nada do que nos acontecer vai ofuscar o desmoronamento do sistema de saúde dos EUA, que lideram em três quesitos importantes da crise sanitária deflagrada pelo desprezo ao poder letal do novo coronavírus.

É que os EUA são o país com o maior número de pessoas infectadas (32,7% do total global), no número de mortos (26,7% do total) e no número de casos graves (26,3%). Apenas por comparação, a Espanha que é a segunda colocada no número de casos de pessoas infectadas detém 7% do total global,  11% dos mortos, e 13% dos casos graves. 

mass gravesFossas coletivas estão sendo usadas para enterrar os mortos pela COVID-19 na Ilha de Hart em Nova York

A pergunta que se coloca para muitas pessoas é de como a principal potência econômica e militar da história da Terra conseguiu se tornar o centro desta pandemia, mesmo tendo alguns meses para se preparar a sua chegada em seu próprio território.

Uma primeira e óbvia questão é que nos EUA não há um sistema gratuito de saúde, e o acesso ao sistema privado de saúde se dá pela via dos planos de saúde.  Além disso, segundo dados de 2018, um total de 27.9% de estadunidenses abaixo de 64 anos não possuíam qualquer cobertura para obter atendimento de saúde (ver o gráfico abaixo).

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E obviamente os não-possuidores de seguro de saúde estão localizados em grupos economicamente fragilizados e que operam em áreas profissionais em que predominam salários que mal lhes garante o ato de comer todos os dias. Estão aí inclusos negros e latinos, mas também um número significativo de trabalhadores brancos que, aliás, são a maioria dos que não possuem seguro de saúde  (ver figura abaixo).

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Há ainda que se lembrar que a desigualdade de renda nos EUA é uma das maiores dentre os chamados países industrializados, e vem crescendo aceleradamente desde o final da União Soviética.  O resultado disso é que os membros do 1% mais afluentes da sociedade estadunidense possuem acesso a todo tipo de luxo, enquanto uma porcentagem crescente está sendo empobrecida de forma galopante, com um número cada vez maior de pessoas sem trabalho e morando nas ruas das principais cidades dos EUA.

donald trumpO presidente Donald Trump foi um negacionista de primeira hora do impacto do coronavírus nos EUA, e agora paga o preço  da sua postura anti-científica

Para completar a equação, não há como deixar de fora a situação política, onde a atuação do presidente Donald Trump foi decisiva para uma piora nas condições de financiamento da pesquisa científica, com seguidos cortes de investimento e a ostracização de cientistas que passaram a ser vistos como inimigos das ideias por detrás do “Make America Great Again“.  Para piorar, Trump se apresentou até recentemente com um negacionista da pandemia, e só parece ter acordado para o problema quando ficou evidente que sofreria danos eleitorais se nada fosse feito para conter o número de mortos pela infecção. A partir daí, o que tem sido visto é um percurso errante de Trump, que culminou na sugestão de que as pessoas ingerissem dióxido de cloro (usado em alvejantes) para eliminar o coronavírus.

Como ocorre no Brasil em relação aos “bolsonaristas”, os seguidores de Donald Trump tem sido mobilizados para tentar romper as políticas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para diminuir a velocidade de difusão do coronavírus. A diferença é que, ao menos por enquanto, nos EUA, a maioria da população vem ignorando as carreatas e manifestações dos seguidores de Trump. Entretanto, isto não tem impedido que governadores mais alinhados ao presidente Donald Trump sinalizem uma abertura precoce do comércio, mesmo em estados em que a difusão do coronavírus ainda está em fase de aceleração, como é o caso da Geórgia.

us pandemiaSeguidores de Donald Trump se mobilizam para acabar com as políticas de isolamento social em diferentes partes dos EUA

Ainda que seja difícil realizar um prognóstico definitivo de como os EUA estarão após o fim da pandemia, já é possível dizer que sairão com a imagem de maior nação do mundo e terra das oportunidades desmoronar de forma inapelável. É que certamente outros países mostrarão que com sistemas públicos de saúde e com políticas de apoio aos trabalhadores desempregados são as principais formas de enfrentamento desta e das outras pandemias que virão.

Finalmente, o economista Nouriel Roubini previu no início de março que a pandemia da COVID-19 levaria a um derrota eleitoral de Donald Trump e a uma recessão de dimensões globais que, em última instância, obrigaria um abandono das políticas neoliberais. A entrevista, quando dada, soou exagerada, mas nesta etapa da pandemia, Roubini parece ter acertado mais uma vez.

Coronavírus já causou 5 vezes mais mortos do que Bolsonaro previu. E a contagem continua

bolsonaro máscara

Fala-se muitos dos erros políticos e comportamentais do presidente Jair Bolsonaro, especialmente após a eclosão das crises com os agora ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública).  Me perdoem os que estão concentrados nessa faceta, digamos, mais política dos erros de Bolsonaro, penso que ao fazer isto, se está “passando pano” para erros mais graves que ele cometeu durante a pandemia causada pela COVID-19.

O fato é que, desde o início da crise sanitária em que estamos envolvidos por causa do coronavírus, o presidente brasileiro tem sido um dos principais (senão o principal) líderes do negacionismo a-científico da letalidade da COVID-19.  

Prova disso foi a previsão furada que ele fez no dia 22 de março de que o a COVID-19 não causaria o mesmo número de mortos alcançado pela gripe H1N1, que beirou um total de 800 óbitos. O pior é que ele fez isso em uma entrevista dada ao um programa com razoável audiência, o Domingo Espetacular que é veiculado pela Record TV.

Ao fazer um anúncio sem qualquer base científica e persistentemente trabalhar contra o isolamento social, o presidente Jair Bolsonaro se tornou uma espécie de aliado mór do coronavírus no Brasil.

O resultado dessa ação que desafia o conhecimento científico em torno das características do coronavírus e de seus mecanismos de difusão é que neste domingo (26/04) o Brasil já atingiu de 4.057 de mortos, apenas nos registros oficiais e que ignoram uma flagrante subnotificação dos infectados e mortos pela pandemia no Brasil. Esse valor, antes que o Brasil tenha atingido o pico do número de mortes, pasmem, é cinco vezes maior do que o previsto por Bolsonaro no dia 22 de março.

Assim, mesmo que o presidente Bolsonaro agora alegue que não é coveiro para ficar discutindo o número de mortos, o seu erro de avaliação cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) irá assombrar o seu governo.  E quando isso acontecer,  nem a horda de robôs que operam nas redes sociais a favor de Bolsonaro será capaz de evitar que o povo brasileiro cobre explicações sobre como foi possível errar tanto em meio a uma pandemia mortal.

E, sim, há que se lembrar que a contagem de mortos ainda parece longe de terminar. Simples assim!